Uma Escolha Para a Eternidade

História Por Luiza Carvalho - Revisão por Luiza Carvalho
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Prólogo

Nossa vida é feita de escolhas, mas isso todo mundo já sabe. Quando você é criança, seus pais fazem as escolhas "maiores" por você. Onde estudar, o que vestir, o que comer, os lugares que você pode frequentar... E desde pequeno você ouve os mais velhos falando "Ah, você precisa aproveitar a vida agora enquanto outras pessoas estão fazendo escolhas pra você, porque quando você precisa fazê-las sozinho, você começa a sentir a responsabilidade e as consequências..." e blá, blá, blá.
Pessoalmente, sempre achei que isso era papo furado de gente velha que queria se passar por grande conhecedor do universo. Sabe aquela clássica do "você é nova demais pra entender o mundo" ou "quando você for mais velha vai entender o que eu tô falando"? Pois é. Só que chega uma hora na vida que você precisa dar o braço a torcer, porque descobre que na verdade não era tanto papo furado assim. Pois algumas vezes, se você percebe que fez a escolha errada, você pode trocá-la. Mas outras não. O que você escolhe é o que vai te acompanhar pelo resto da sua existência.

É onde eu estou agora. Pode parecer clichê, mas eu me sinto numa daquelas viagens estranhas de filmes antigos, quando o viajante vai andando pela estrada, até chegar num ponto onde a estrada se divide em duas, e ele não sabe qual rumo seguir. Um caminho parece seguro e tranquilo, enquanto o outro é bem incerto e imprevisível. E agora, qual caminho seguir?


Capítulo Único


Ai.minha.cabeça. Que porcaria de barulho é esse que não para de... ah, esquece, é meu despertador. Sete da manhã, hora de acordar pra mais um dia incrivelmente previsível. Arrumar a cama, tomar banho, me arrumar, tomar café, ir pro colégio, estudar, respirar, bocejar e todas as coisas que pessoas normais fazem. Sério, alguém deveria me dar um prêmio por aguentar tanta chatice repetidamente.
Tá, talvez eu esteja exagerando, esse meu lado Drama Queen é mais forte do que eu ás vezes. Mas é que a minha rotina é quase sempre a mesma, se não fosse por algumas pequenas coisas, nem sei o que seria de mim. Mas gente, como eu sou desligada né? Você aqui me vendo tagarelar sem fim e nem meu nome eu falei ainda. , mas eu prefiro . Tenho 19 anos e moro em Forks, Peninsula Olympic, há 2 anos e meio. Me mudei pra cá depois que perdi minha família, por causa de um assalto. Invadiram minha casa e tentaram levar o que tínhamos lá, mas meu pai tentou reagir e os bandidos não aceitaram isso. Perdi meu pai, minha mãe e minha irmã mais nova. Se eu estivesse em casa teria morrido também, mas nessa noite eu fui pra uma festa na casa de uma das minhas amigas. Me sinto mal porque no fim das contas acabei estragando a festa quando 6 viaturas chegaram com as sirenes ligadas pra me buscar, com a notícia de que minha família inteira havia sido assassinada, e por ser menor de idade, minha guarda tinha sido passada diretamente pro meu parente mais próximo, minha tia Brigitte, que morava em Seattle. Quando cheguei lá, percebi que não me encaixaria naquele lugar, e descobri que era impossível ter uma conversa civilizada com minha tia, sempre discutíamos. Conseguimos chegar a um acordo quando ela me deu minha emancipação. Peguei uma parte da herança que minha família me deixou (que não era pouca coisa) e me mudei pro lugar que me pareceu perfeito: cidade pequena, tempo constantemente nublado, sem muito movimento, e com florestas aonde eu poderia fazer trilhas. Comprei a casa de um velho que parecia louco pra sair dali, reformei, e desde então somos eu e John (é meu Ipod, não vivo sem ele, e sim, sou perfeitamente normal por ter dado um nome à um aparelho eletrônico). Por causa de toda a tragédia familiar que eu vivi, acabei perdendo um ano de colegial, então termino esse ano. Ufa, falei demais. Mas basicamente é isso que você precisa saber sobre mim.

Aonde é que eu estava mesmo? Ah sim, o alarme irritante tocando. Desligo o dito cujo, plugo meu Ipod nas caixas de som e vou me preparar pra ir pro colégio. Bolsa pronta, café tomado, dentes escovados, cabelo preso em um nó meio frouxo, Ipod nas mãos... é, tô pronta pra ir. Eu até pegaria a chave do meu carro, mas não me darei ao trabalho, porque sei que assim que eu abrir a porta verei um Volvo prateado na porta da minha casa, com a porta do passageiro aberta, quer apostar?
Bom, se tivéssemos apostado você teria perdido. Lá está o carro, do jeitinho que eu disse que estaria. Antes que você pergunte: não, eu não sou vidente. Eu apenas estou acostumada à isso, já é parte da minha rotina.

Como já era de se esperar, está chovendo. Por isso, corro para o carro com cuidado para não cair em alguma poça, e entro no carro.
"Você quase caiu naquela segunda poça, não pense que eu não vi!" Edward diz sorrindo e ligando o aquecedor.
"Não é minha culpa se ela cresceu de ontem pra hoje, você sabe que não sou tão ginasta assim, ué." Respondo rindo e retirando um dos fones do meu Ipod.
"Pronta pra mais um dia esplêndido com a companhia do melhor amigo que você poderia ter no mundo?" Ele pergunta.
"Claro, o John sabe que eu não vivo sem ele" Respondo enquanto olho apaixonadamente pro meu Ipod.
"Nossa , mas você é tãããão engraçada." Edward diz revirando os olhos.
"É, eu sei. Mas enfim, você é legal também, não precisa fazer birra, viu?"
Vamos o caminho todo conversando os mais variados assuntos. Era praticamente impossível ficar entediada quando estava com ele. Antes de sair do carro, peço-o para olhar pra mim.
"Ai, você é pior do que a Esme com isso, sabia?" Ele diz enquanto fixa seus olhos quase dourados em mim. "Viu, tá tudo bem."
"Para de reclamar porque você sabe que tô fazendo isso pelo seu bem." Respondo abrindo a porta do carro e saindo, sendo acompanhada por ele.

Edward é meu melhor amigo. Nos conhecemos quando a família dele mudou pra cá, seis meses depois de eu ter me mudado. No início não conversávamos, porque ele e os irmãos não pareciam muito simpáticos. Qualquer um que tentasse conversar com eles se sentia intimidado e acabava deixando pra lá. Até que um dia, durante uma das minhas trilhas pela floresta, eu descobri algo sobre aquela família. Foi em Greats Rock, enquanto andava comecei a ouvir barulhos estranhos, algo que pareciam ursos se aproximando. Fui na direção oposta o mais rápido possível, mas acabei dando de cara com um grande urso pardo numa clareira. Me abaixei e já fiquei esperando pra sentir aquele monstro me esmagando, mas tudo que eu ouvi foi um barulho alto de algo se chocando contra o urso. Quando olhei vi um rapaz alto atracado com animal, e Edward parado me observando, enquanto um dos irmãos dele matava o urso. Foi aí que eu descobri que Edward e sua família eram vampiros.
Muita gente enlouqueceria se soubesse disso, já que as pessoas têm essa ideia de que vampiros são criaturas míticas e nem um pouco reais. Na verdade, EU quase enlouqueci nos primeiros momentos. Me bateu uma crise de pânico quando me levaram para a casa da família Cullen e eu jurava que iam acabar me matando por ter descoberto, mas eles conseguiram me acalmar, e me contaram a história deles. Embora sejam vampiros, os Cullen não bebem sangue humano, apenas de animais. Na hora isso foi meio tranquilizador, mas depois de algum tempo Edward me disse que foi uma imensa sorte eu ter sobrevivido naquele dia, porque mesmo só bebendo de animais, eles sentem falta do sangue humano, e quando eles estão caçando ficam fora de controle. Sabe aquela coisa de destino? Então, acho que deve ter sido alguma coisa desse tipo que impediu Emmett de voar em cima de mim, em vez de voar em cima do urso naquele dia.
Por causa de toda essa história, acabei ficando próxima de toda a família, mas Edward se tornou meu melhor amigo. Estamos quase sempre juntos, e algumas pessoas pensam que temos um caso, ou algo assim. Eu acho isso tudo muito engraçado, porque não consigo imaginar isso, sabe. Ele é imortal, já viveu muito mais que eu, viu muito mais do mundo, é super inteligente e bem... ele é muito bonito, muito MESMO. E eu sou apenas uma garota sem família, meio desastrada, desligada do mundo e não muito atraente. Então não, não dá pra nos imaginar juntos. Tá... eu já imaginei. Na verdade já tive uma espécie de queda (ou tombo) por ele. Mas como eu disse, diferenças demais, e ele não me vê da mesma maneira, então superei isso...eu acho. Mas vamos voltar de onde paramos.
O motivo de Edward ter reclamado, era porque dia sim, dia não, eu pedia para ver seus olhos antes de entrarmos na escola. Eu sabia que se eles estivessem escuros, significava que fazia tempo que ele não se alimentava e não era bom pra ele estar convivendo tão perto com humanos se estivesse com sede. Mas hoje isso não era um problema, eles continuavam claros e brilhantes, de um jeito que eu achava incrível.

Entramos no prédio principal da Forks High School, ou como eu e Edward costumávamos chamar, "O Purgatório". Passamos direto pelos corredores e paramos na cafeteria pra encontrar os irmãos dele, como sempre fazemos. A primeira que eu enxergo é Alice, mas só tenho a chance de ver um vislumbre de seus cabelos espetados antes que ela se jogue em cima de mim, me abraçando.
"Tá legal Alice, você é pequena, mas sabe que pesa pra caramba, não vamos abusar da força na reles mortal aqui né?".
"Desculpa, desculpa! Mas eu estava com saudades, !" ela responde sorrindo.
"Mas foram só dois dias! Eu te vi antes de vocês saírem na sexta-feira, ué." Digo enquanto caminhamos abraçadas pra mesa onde eles estavam sentados.
"Pra você que dorme passa rapidinho, né? Experimenta passar esse tempo com o Emmett e o Jasper conversando sobre baseball, e com o Edward tagarelando sobre você. Tortura!" Ela diz revirando os olhos e sentando-se ao lado de Jasper.
"Bom dia, pessoal." Sorrio e aceno para Jasper, Rosalie e Emmett, que retribuem o aceno.
"Você me deve 20 dólares, ." Jasper diz sorrindo enquanto Emmett começa a rir.
"Não acredito! Você conseguiu pegar 5 ursos em um dia?" Olho abismada para Emmett, que apenas sorri e faz um sinal de força com os braços.
"É, ele conseguiu." Alice responde. "E foi bem desagradável de se assistir, na minha opinião."
"Na próxima vou pensar em números maiores" digo e entrego o dinheiro para Jasper.
"E eu continuo invicto, nunca perdi ou fiz alguém perder uma aposta. Obrigado, obrigado." Emmett acena sorrindo.
O sinal toca, eu e Edward temos Biologia, Emmett e Alice têm Espanhol, e Jasper e Rosalie têm Trigonometria. Nos despedimos e combinamos de nos encontrar ali de novo na hora do almoço (não que eles comessem, mas eu precisava).

Eu não sou a maior gênia do mundo, nem de longe. Mas o professor de biologia, Sr Banner, é aquele tipo de professor que você não consegue levar a sério. As aulas dele são totalmente chatas, e como Edward sabe toda a matéria, passamos a aula toda rabiscando, conversando, lendo ou fazendo qualquer outra coisa aleatória. Depois ele me ensina o conteúdo.
"Hey, o Mike está cogitando a possibilidade de te chamar pra sair no fim de semana." Leio no papel que Edward acaba de me passar. Ah, talvez eu não tenha mencionado, mas ele consegue ?ler mentes?. Captar os pensamentos de qualquer um que esteja próximo dele, menos o meu. É, nenhum de nós entende isso muito bem, mas por mais que ele tente, não consegue descobrir o que eu penso, ainda bem. Mas voltando, Mike está sentado logo atrás de nós, e pela maneira que Edward está segurando o riso, ele deve estar a ponto de me cutucar e me chamar pra sair. E isso NÃO pode acontecer, de maneira nenhuma. Desesperada, pego o papel e rabisco: "ME SALVA! AGORA!"
Ele fica olhando o papel como se estivesse considerando a ideia, e eu lanço meu melhor olhar de ?faça isso ou sofra as consequências de minha fúria?, que parece convencê-lo.
"Então , tudo certo pro acampamento no final de semana?" Ele pergunta em um tom de voz alto o suficiente para que o Mike escutasse, mas baixo o suficiente pra não chamar atenção do resto da turma.
"Hã? Aaaaah claro, nosso acampamento!" Falo como se tivesse acabado de lembrar, e dou um tapinha na minha testa. "Tudo certo. Fim de semana radical, aí vamos nós!" Sorrio e dou um peteleco na orelha de Edward, que retribui com um puxão na minha orelha. Disfarço um olhar pra trás, e vejo Mike rabiscando um papel, talvez com mais força do que deveria.

O resto da aula passa sem mais nada que valha a pena ser mencionado, e após o sinal tocar, vamos nos encontrar com o pessoal na mesa de sempre, mas apenas Rosalie e Jasper estão ali.
"Onde estão Alice e Emmett?" Edward pergunta enquanto se senta.
"Provavelmente a Sra Goff está contando mais alguma história sobre a antiga vida dela no México, você sabem que ela nunca se cansa disso né." Rosalie respondeu enquanto puxa pedacinhos de um muffin e joga na bandeja.
"Ah, ali vêm eles" Jasper indica a entrada da cafeteria com a cabeça, Alice e Emmett vêm em nossa direção, e Alice parece definitivamente mais animada que o comum enquanto praticamente saltita pelo caminho.
"Ah, não." Edward murmura
"O que foi, alguma coisa errada?" Pergunto.
"Você vai ver."
"Poooooooor favor Edward, diz que é verdade e que nós podemos ir também, por favor, por favor?" Alice mal chega em nossa mesa e já começa a saltitar na frente dele.
"Ir aonde?" Rosalie verbaliza a pergunta que todos estamos pensando
"O Edward e a vão acampar no final de semana! E é óbvio que todos queremos ir, né?" Ela responde.
"Claro!" eles concordam
"Não pessoal, esperem aí! Nós não vamos acampar de verdade, foi só uma desculpa pro Mike Newton não me chamar pra sair!" Falo tentando conter a empolgação deles, que já tinham começado a planejar.
"Isso é o que VOCÊ acha, mas o Edward estava planejando realmente fazer, já que faz tempo desde a última vez que vocês fizeram uma trilha e blá blá blá. Então isso poderia ser um pretexto. Além do mais, vai fazer sol nesse final de semana e não podemos ficar na cidade." Alice responde tranquilamente. Não sei se mencionei, mas assim como Edward lê mentes, Alice prevê o futuro, baseada nas decisões que as pessoas fazem. Algumas vezes isso é interessante, mas em outras acaba sendo bem irritante.
"Nossa Alice, muito obrigado, você consegue mesmo acabar com minhas surpresas." Edward responde empurrando os ombros dela.
"nhé nhé nhé, um dia você supera." Emmett revira os olhos. "Então, podemos ir?"
"Tá, tanto faz" Edward responde.

O resto do almoço ficou ocupado com toda a programação do fim de semana, enquanto eu comia e Edward ficava olhando pra parede, parecendo seriamente perdido em pensamentos. Algumas vezes perguntei se tinha algo errado, mas ele apenas negou. O resto do dia na escola também foi meio estranho, ele continuou agindo assim. Vago, poucas palavras, distraindo-se com facilidade. Até agora, enquanto ele me leva pra casa, percebo que ele não está realmente prestando atenção na estrada, apenas age automaticamente, já que conhece o caminho. Será que eu fiz algo de errado?
"Pronto, tá entregue." Ele sorri quando chegamos na minha casa, mas não foi um sorriso de verdade.
"Edward, o que aconteceu? E não vem me dizer que não foi nada, porque eu sei que tem algo errado. Tava tudo bem até o almoço, depois disso você começou a agir como um robô, ou qualquer coisa que seja automática. Quer entrar e conversar sobre isso?"
" , tá tudo bem, deixa de ser paranoica. Só fiquei um pouco cansado, meio distraído." Ele passa a mão nos cabelos.
"Cansado? Can-sa-do? Você vai mesmo jogar essa pra cima de mim? Desde quando você fica cansado? Porque é tão difícil dizer que você não quer me contar o que você tá pensando?" - argh, cabeça dura, porque ele não quer falar?
"Eu nunca sei o que VOCÊ tá pensando e não faço drama por causa disso!" - espera, ele tá levantando a voz ou é impressão minha?
"Ah, e todas as vezes que você pergunta e eu respondo não contam agora né? Eu sempre te digo o que eu tô pensando e você sabe disso!" - Isso é meio verdade, porque ele não sabe sobre eu ter tido sentimentos maiores por ele, e algumas outras coisas que não vale a pena comentar.
"Mas não é a mesma coisa! Ás vezes as pessoas precisam manter certos pensamentos pra elas mesmas, pelo bem de coisas mais importantes!" - tá, ele tá oficialmente tirando a minha paciência.
"Ótimo. Então fica aí com seus pensamentos importantes. E diz pra Alice que eu sinto muito, mas acho melhor eu não ir no fim de semana. Pensando bem, não precisa dizer, ela provavelmente já sabe." Saio do carro batendo a porta, e entro em casa.

Argh, argh, argh! Como ele consegue ser tão teimoso? Custava ter me dito por que ele tava tão estranho? É como se todas as regras que funcionam pra mim, não funcionassem pra ele. E talvez eu esteja dramatizando, porque essa é a primeira vez em 2 anos que nós temos algum tipo de desentendimento, mas não me culpe por estar preocupada com uma das poucas pessoas que me importam nessa porcaria de vida que eu tenho, tá legal? Preciso de música e um banho.
Pego meu Ipod, plugo nas caixas de som, pego uma nova muda de roupa e vou pro banheiro. 15 minutos depois, fecho o chuveiro e pego minha toalha. Meu Ipod ainda toca a playlist que selecionei antes de entrar pro banho.

(Se quiser acompanhar, só dar play em Leave Out All The Rest - Linkin Park)

"I dreamed I was missing
(Eu sonhei que estava desaparecido)
You were so scared
(Você estava tão assustada)
But no one would listen
(Mas ninguém escutava)
Cause no one else cared
(Pois mais ninguém se importava)
After my dreaming
(Depois do meu sonho)
I woke with this fear
(Eu acordei com esse medo)
What am I leaving
(O que eu deixarei)
When I'm done here?
(Quando eu morrer?)"

Espera... eu lembro dessa música. Edward me mostrou no dia que eu tive uma crise de pânico depois de ter um pesadelo horrível, vendo minha família morrer, e depois ele e sua família iam embora, e não restava mais nada pra mim, eu estava sozinha. Sem ninguém, sem esperança, sem nada. Então ele me mostrou essa música e disse que estaria sempre comigo, eu não precisava me preocupar. Mas eu tenho certeza que não coloquei essa música na minha playlist.
Troco de roupa e saio do banheiro, Edward está sentado na minha cama, olhando pra mim.
"Como você chegou aqui em cima? Tenho certeza que tranquei a porta." São as únicas coisas que consigo dizer.

So if you're asking me
(Então se você me perguntar)
I want you to know
(eu quero que você saiba)
When my time comes
(quando minha hora chegar)
Forget the wrong that I've done
(esqueça os erros que eu cometi)
Help me leave behind some
(Me ajude a deixar pra trás algumas)
Reasons to be missed
(razões que deixem saudades)

And don't resent me
(E não fique ressentida comigo)
And when you're feeling empty
(E quando você se sentir vazia)
Keep me in your memory
(Me mantenha em sua memória)
Leave out all the rest
(E deixe todo o resto de fora)

"Entrei pela janela" Ele aponta. Ah claro, malditas habilidades sobrenaturais, tinha esquecido que ele pode entrar pela janela.
"E o que você quer?"
"Lembra do dia que eu te mostrei essa música?" Ele olha pela janela, e como sempre, estava chovendo.
"Lembro. Você disse que estaria sempre comigo, e nunca faria nada que me magoasse." - lágrimas, por favor, não saiam. Já estou me sentindo boba o suficiente sem vocês.
"Pois é, mas você está magoada agora." Ele vira seu olhar pra mim de novo.

Don't be afraid
(Não tenha medo)
I've taken my beating
(Eu recebi minha derrota)
I've shared what I made
(Eu compartilhei o que eu fiz)

I'm strong on the surface
(Eu sou forte na superfície)
Not all the way through
(não através do caminho todo)
I've never been perfect
(Eu nunca fui perfeito)
But neither have you
(mas você também não.)

"Claro, o que você esperava?" - ah porcaria, as lágrimas chegaram - "Você sabe que é uma das poucas pessoas que têm importância na minha vida, a única pessoa em quem eu confio completamente, e você não parece compartilhar isso"
", você tem alguma noção do que você tá falando?" - Ele se levanta e começa a andar pelo quarto - "Você é a única que sabe quem eu e minha família realmente somos! Você me conhece mais do que qualquer outra pessoa, além da minha família, jamais conheceu!"
"Então por que você estava agindo tão estranho hoje? Por que você não me disse o que te deixou tão pensativo? Por que você fechou a cara quando a Alice e os outros quiseram ir acampar com a gente?" - Já tô me sentindo estúpida, e não consigo segurar as lágrimas, que beleza.
"Porque eu não queria que eles fossem!" - Ele para na minha direção - "Era pra ser só eu, e você. Andaríamos por trilhas novas, sentiríamos a brisa leve nas clareiras e você poderia fotografar tudo enquanto eu apenas assistiria você fazendo isso."
"E por que você não disse isso á eles? Eu tenho certeza que eles entenderiam."
"Por que se eu dissesse, a Alice teria a confirmação de que eu gosto de você mais do que deveria." - Ele responde passando a mão nos cabelos de novo, bagunçando-os mais. "Ela já vem cogitando essa ideia há bastante tempo, mas eu sempre mudava o rumo das minhas decisões relacionadas á você, pra que ela não tivesse certeza." - Espera, ele tá falando o que eu acho que ele tá falando?
"Como assim você gosta de mim mais do que deveria, Edward?" - É a única coisa que consigo dizer, preciso ter certeza do que quer que isso seja.
"Você não pode estar falando sério, ." - Ele apenas para e me encara com aqueles olhos quase dourados - "Logo você, a mais observadora entre os humanos, não percebeu que eu me apaixonei por você?" - Ok, por isso eu não esperava.

Forgetting
(Esquecendo)
All the hurt inside
(todo o sofrimento)
You've learned to hide so well
(que você aprendeu a esconder tão bem)

Pretending
(Fingindo)
Someone else can come and save me from myself
(Que alguém pode chegar e me salvar de mim mesmo)
I can't be who you are
(Eu não posso ser quem você é)

"Eu não sabia. Por que você nunca me disse isso? Você não acha que pelo menos eu tinha o direito de saber?"
"Porque eu não queria perder você!" - Ele para na minha frente - ", eu sou um monstro. Eu já matei pessoas no passado. Eu tive medo de que isso te assustasse, por você não sentir o mesmo em relação a mim. E aí eu te perderia até mesmo como amiga, e isso é algo que eu não poderia suportar" - ele responde enquanto segura meus ombros. "E você é uma boa pessoa, merece alguém melhor, e não um monstro."

Agora, parada em frente ao Edward, encarando seus olhos quase dourados cheios de tanta sinceridade e profundidade, eu percebo que todos os sentimentos que eu jurava ter superado ainda estão aqui. Eles sempre estiveram aqui, bloqueados pela ideia de que ele jamais sentiria o mesmo por mim. Mas no momento em que eu escutei-o dizer o que sentia, foi como se essa parede invisível se desfizesse e todos os sentimentos me inundassem ao mesmo tempo. Continuo chorando, mas agora as lágrimas são de alívio e alegria, e é impossível não sorrir enquanto estendo minha mão até o cabelo dele.
"Quem foi que te disse que eu não sinto o mesmo por você?"
", eu não posso ser como você. Você sabe o que eu sou, você sabe os riscos de estar comigo. Eu não consigo imaginar minha existência sem você, mas se você pedir eu saio da sua vida pra sempre."

E aqui, encontra-se o momento em que eu preciso fazer a escolha mais importante da minha vida: pedir ao Edward para ir embora, e tentar seguir em frente com minha vida praticamente normal, ou pedir para que ele fique, mas correndo todos os riscos e me jogando em algo totalmente imprevisível? A resposta é tão óbvia, que não precisei nem de um minuto inteiro para decidir.

"Shh. Você não é um monstro. É o ser mais incrível que eu já encontrei na vida. Não importa o que o futuro nos reserva, vamos enfrentar juntos."
"Tem certeza disso?" A intensidade do olhar dele sobre mim me dá a segurança necessária para dizer as próximas palavras sem gaguejar.
"Nunca tive tanta certeza na vida. Somos eu e você, não importa o que aconteça."
"Eu e você, pra sempre."
Apenas fecho os olhos e sinto meus lábios se encaixando nos dele, sabendo que fiz a escolha certa. Escolhi o caminho imprevisível, mas com a certeza de que Edward estará comigo.

Fim.



N/A: Oiiiii pessoal, e oi Zih! Espero que vocês tenham gostado. Essa fic foi uma espécie de desafio pra mim, porque nunca tinha escrito nada sobre Twilight, ou algum outro fandom literário, sempre escrevi sobre bandas, então acabou sendo uma experiência nova. Tentei fugir um pouco do óbvio, da forma como a Stephenie escreve, mas mantendo algumas partes da história original. Espero que o resultado tenha sido bom. De qualquer maneira, Feliz Natal (atrasadinho), e que 2012 seja um ótimo ano! Beijão!


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