TRAGO SUA GAROTA DE VOLTA EM 10 DIAS

Fiction por Lari Silva

Indice: [1] @



Capítulo Único
Antes de mais nada, você precisa saber que isso não é um livro de auto ajuda. É apenas um relato de um cara idiota o suficiente para perder a mulher dos seus sonhos. Mas eu tenho um ponto ao meu favor: eu quero ela de volta. E vou tê-la de volta.
Se você se encaixar nessa descrição (um cara estúpido que perdeu a namorada e vai fazer de tudo para ela voltar) então talvez isso funcione mesmo como auto ajuda.
Bem, acho que eu devo explicar como tudo aconteceu, certo?
Talvez você me conheça. Meu nome é John e eu... hm... eu tenho uma banda. Ok, eu até que sou relativamente famoso. Certo, eu estou numa boa, fazendo o que eu gosto e ainda sou reconhecido por isso. E acredite-me, quando você é famoso, as mulheres chovem em cima de você. Por mais feio que você seja.
Isso explica como o Pat perdeu a virgindade.
Mas não diga a ele que eu te contei isso!
Como eu vinha dizendo, chovia mulher na minha plantação e eu regava todas com o mel do amor. Não que eu fosse um Casanova. Claro que não, esse era o Garret. Eu apenas aproveitava o que tinha no momento.
Até eles me apresentarem ela.
. A capa da Sports Illustrated de verão e a protagonista daquele filme de zumbis do qual todos estão falando e eu sei que você já assistiu. Sim, ela mesma. Eu sei que você a conhece . E sei que está pensando que eu sou um filho da mãe sortudo por ter conhecido ela.
Bem, então sou mais sortudo do que você pensa, porque ela é a mulher dos sonhos que eu perdi.
Sem sermões! Já escutei demais, o suficiente deles para toda uma vida, por causa desse ato idiota. Quem em sã consciencia termina com . Quem?
Bem... eu?
Sim. Eu sei que ela é perfeita. O sorriso, o rosto, o corpo. Tudo. As páginas coladas da edição da Vogue em que ela aparece de lingerie comprovam isso. Pat passou duas semanas trancado com aquela revista no banheiro e sabemos muito bem que ele não estava com diarréia. Graças a Deus isso foi antes de eu conhecê-la. Ou ele seria um baterista banguela nesse momento.
Sim. Eu sei que ela não é apenas um corpinho e um rostinho bonito. era inteligente, engraçada, companheira, carinhosa, esforçada e muitos outros adjetivos. E é exatamente por isso que perdi meu melhor amigo para ela. Garret não me deixava esquecer que preferia a companhia dela à minha.
Se ela é tudo isso, então por que eu a deixei?, é o que você deve estar se perguntando.
A perfeição dela me desestabilizava, não parecia ter um só defeito. Nem um. Ela estava sempre vestida como se fosse a um Oscar. Sempre era agradável e polida como se estivesse tomando chá com a rainha Elizabeth.
Era como se eu namorasse um robô. Uma mulher criada para a mídia. Para ser perfeita e não uma mulher normal. Eu fiz então o que eu achei certo: terminei com ela. me perguntou o porquê de estarmos terminando e dei exatamente a mesma justificativa que dei a você a ela, que simplesmente assentiu e disse:
- Achei que fosse o que você queria: a mulher perfeita. - e saiu. Sem uma só lágrima.
E desde que ela pronunciou essas palavras e saiu da minha casa, minha vida virou um inferno.
Parecia que eu encontrava ela em todo lugar que eu fosse. E ela não parecia mal com nossa separação. Pelo contrário.
Ela me parecia mais atraente a cada vez que eu a via. Ela parara de usar tanta maquiagem, passava correndo pelo parque com os cabelos bagunçados pelo vento...
Mas o ponto alto, o momento que me fez acordar Garrett, o guru da alma feminina e pedir ajuda foi na penultima quinta feira.
Kennedy nos infernizara toda a semana para irmos ao show do John Mayer e depois de muita irritação, fomos até o bendito show com ele. Não prestei muita atenção no que acontecia, já que estava cansado como o inferno e querendo que tudo acabasse logo para eu poder ir para a cama. Kennedy era um idiota por querer ir a um show logo depois de uma turnê, exaustiva para caramba, como a que tinhamos acabado há dois dias.
Eu já estava na porta de saída da área VIP quando a vi.
Ela estava andando na minha direção com uma camiseta preta surrada, um short jeans mais curto que o aceitável, embora tampado parcialmente pela camiseta e com os all stars mais detonados que eu já vira. estava suada, descabelada e vinha andando e conversando com uma amiga enquanto segurava uma garrafa de água.
- Oh, olá John. - ela cumprimentou quando passou por mim na porta, ao que sua amiga nem fez isso. - Garrett! Seu pilantra, me dá cá um abraço, seu gay! Não me ligou uma vez desde que voltou da turnê!
Meu amigo pareceu vomitar arco íris de alegria ao ver a minha ex-namorada e a pegou no colo, girando-a no ar, na cena mais gay e clichê possível.
ria de uma maneira que eu nunca ouvia e sua voz rouca de tanto gritar as músicas do meu xará. Ela parecia incrivelmente sexy.
Ela não podia parecer mais diferente da deusa das sessões de fotos ou dos tapetes vermelhos. E era exatamente por isso que ela parecia tão perfeita para mim.
Nada de Vogue, nada de Times. Aquela era a mulher dos meus sonhos. Não a que estampava as revistas e sim a que estava ali na minha frente. A normalmente adorável e perfeita.
Então, naquela noite, já passada, afinal eram quatro horas da manhã, em desespero, eu liguei para Garrett, determinado como nunca.
- Quero de volta.
- Certo. - ele respondeu como se não tivesse acabado de acordar e como se eu ligar para ele de madrugada determinado e falando que queria uma ex minha de volta fosse a coisa mais corriqueira para nossa amizade. - Siga meus passos e eu trago a sua garota de volta em dez dias.
E foi isso que eu fiz.

Dia 1 - Flowers. Bitches loves flowers.*

- Tem certeza de que isso vai dar certo?
Preciso confessar, eu estava com medo. Claro! Quem não estaria? Eu era capaz de confiar em Garrett de olhos fechados, mas isso não mudava o fato de que ele era capaz de ter as piores ideias que um ser humano era capaz de produzir.
Se você está seguindo isso como um manual de auto ajuda, aí vai a sua primeira tarefa, e a minha também: mande flores para ela.
Bem, ao menos foi isso que Garrett me mandou fazer quando apareceu na minha casa na sexta feira de manhã para confirmar minhas intenções de realmente ter de volta e obedecer a todos os seus conselhos, o que para ele era a melhor parte. Já que eu ainda era o único da banda que dava moral para ele.
Eu tinha a ajuda de Garrett, não havia motivos para eu não ficar confiante, tinha? Ele era um especialista no sexo feminino e eu estava totalmente empenhado na tarefa de seguir as intruções de Garrett. Ele era meu melhor amigo, poxa, eu tinha que confiar nele!
- Confie em mim. Eu conheço a . Isso vai deixar ela derretida.
- Será? - tomei um sonoro tapa na nuca e encarei Garrett indignado.
- Nesse momento eu sou seu mestre Jedi do amor e você escuta meus ensinamentos e os executa sem questionar e com precisão. Eu já disse: eu vou trazer a sua garota de volta em dez dias.
- Não sei...
- John, alguma vez eu já te coloquei em alguma roubada?
Pergunta retórica. Só podia ser. Ou então ele estava com sérios problemas de memória.
- Err...
- Não questione o seu mestre. Faça logo o que eu mandei.
Peguei o telefone e disquei o número da floricultura, fazendo exatamente o que Garrett instruíra. Pedi para que entregassem de hora em hora, um buquê de rosas brancas na casa de . Até as seis da tarde. De acordo com meu Mestre, com duas dúzias de rosas brancas a cada hora, eu tocaria o coração dela.
- E o mais importante: o cartão.
- Eu acho que eu deveria escrever sobre a... - ele me interrompeu antes que eu pudesse criar qualquer coisa.
- Não. - Garrett tirou o telefone da minha mão, rugindo instruções para o rapaz da floricultura: - Escreva assim, com letra decente pelo amor de Deus. Não quero digitado. É impessoal demais. Posso falar? Hm. Vai ser assim: "Sinto muito por tudo. Espero que a beleza dessas rosas toquem o seu coração como a sua beleza tocou o meu". Entendeu? Sim, rosas com s.
O quê? Como diabos ele colocaria aquilo na merda do cartão? Porra! Eu era conhecido por falar coisas legais e criativas, e Garrett me coloca aquela porcaria clichê no cartão?
- Você está bêbado?
- Cala a boca, ela vai gostar.
Pensei em algumas centenas de motivos para ela não gostar, mas Garrett era o mestre, certo? Ele não tinha dispensado a garota e agora queria ela de volta. Esse idiota era eu. Quem fizera merda fora eu e Garrett estava sendo muito legal em me ajudar com o seu profundo conhecimento da alma e, na maioria das vezes, anatomia, feminina.
Garrett foi embora antes do meio dia e eu fiquei até as seis da tarde andando pela casa como um zumbi ansioso, nervoso e preocupado.
Será que Garrett se lembrara de colocar meu nome no cartão? Porque seria péssimo ter todo esse esforço e ela nem ao menos saber que fora eu quem mandara as flores. Droga! Será que pelo menos estava em casa para receber as flores. Ela era uma atriz famosa, não tinha o tempo todo do mundo para ficar vegetando em casa, como eu fizera o dia inteiro esperando uma ligação de agradecimento. Que, adivinhe, não chegou.
Deus! E se ela não gostara da surpresa?
Bem, pra você que está acompanhando minhas dicas, sublinhe estas: Procure ficar calmo. Provavelmente você vai entrar em pãnico durante as execuções das tarefas, já que a sua felicidade amorosa está em jogo. E, em segundo, nunca tente matar o seu amigo Mestre Jedi do Amor.
E a segunda dica deveria ser destacada com quatro cores de marcador na minha lista, porque, quando apareceu na minha porta às seis e meia, essa era a minha maior vontade.
Eu olhei pelo olho mágico antes de abrir e tentei fazer o possível para meu cabelo parecer legal e perder aquela aparencia de quem acabara de acordar. Respirei fundo e abri a porta como se eu não soubesse que era ela.
E tomei um susto quando vi a sua situação. estava descabelada, pálida, com o nariz vermelho e os olhos inchados e vermelhos. Ela estava segurando uma caixa de lenços de papel e o meu primeiro pensamento foi: "Yes!".
Era claro que ela tinha chorado enquanto pensava em mim e no quão fofo eu tinha sido em mandar aquele monte de flores para ela. Garotas amam flores. Bem, ao menos foi o que Garrett disse que era.
- Er... atchim... John... atchim...
- Oi, . Entra, fica à vontade. - eu abri a porta, colocando no rosto meu melhor sorriso sedutor. Aquele sorriso de galã de filme adolescente que eu sei que as meninas adoram quando eu faço no show. Os ovários delas explodem, segundo fiquei sabendo.
- Não. Atchim...Eu não... atchim... eu só vim... atchim...
- O quê? - o sorriso estava fixo no meu rosto e para completar o charme, coloquei uma mão apoiada no batente da porta, mostrando um pouco dos meus bícepes, já que ela não queria entrar. Eu faria a sedução da porta mesmo.
- Eu... atchim...
Ah, ela não chorara. Menos um ponto para mim. Mas ainda não era o score final.
- Está resfriada, querida? Posso fazer um chá pra você, acender a lareira...
- Eu vim aqui... atchim... querendo ser legal, mas... atchim... você é um idiota. - ela limpou o nariz o meu sorriso desapareceu. Ok, talvez eu tivesse entendido errado depois daquela avalanche de espirros, mas... Ela me chamara mesmo de idiota? - Eu. Sou. Alérgica! E você... atchim... me mandou um campo de... atchim... flores de merda! Você é um... atchim... idiota! Eu quase morri! Atchim... - parecia tão raivosa que eu não ousei abrir a boca para me defender. Porque, afinal, a idéia não era minha. Era de Garrett. - Tudo bem você... atchim... me dispensar como um otário... atchim..., mas me matar é outra coisa. Atchim... e se chegar perto de mim com uma flor que seja... atchim... eu juro... atchim... que coloco o FBI, a CIA e se puder até a... atchim... Interpol atrás de você, entendeu?
Fiz que sim com a cabeça, incapaz de responder. Eu estava fascinado. Tão fascinado que não era capaz de me mover. Cara, ela estava linda. Em dois meses de namoro ela nunca falara comigo de um modo que não fosse afetuoso, ela nunca estivera sem maquiagem quando estava comigo. E agora, ali estava ela, espirrando, descabelada, com o nariz vermelho e nunca me parecera tão encantadora.
Sim, eu tenho problemas. Eu sei.
- Atchim... E quanto àquele cartão... atchim... - se ela criticasse o cartão, Garrett definitivamente poderia ligar para a funerária encomendando o tamanho do caixão. - Aquela é a porcaria mais ridícula que eu já vi na vida... atchim... Poupe a si mesmo... atchim... e a mim dessas... atchim... ah! Que raiva! Eu não consigo parar de espirrar e a culpa é sua. Argh.
E sem dizer mais nada, ela saiu batendo os pés, calçados em charmosas pantufas do Pluto, entrando no carro enquanto tinha mais uma crise de espirros, resmungando algo que eu não conseguia entender pela distância e pela intercalada de espirros.
Eu estava apaixonado. Esse era o maior fato de todos no momento.
Eu tinha algum disturbio sério, isso já era fato. Quando eu tive a mulher dos sonhos de todos os caras da nação americana, eu não quis. Eu queria a mulher vulnerável e simples que havia por trás dos vestidos de grife e da maquiagem de milhares de dólares. Deus, eu a queria tanto. Enquanto ela discutia comigo, tudo o que eu conseguia pensar era em como ela parecia linda e no quanto eu queria que ela ficasse do meu lado. Espirrando mesmo, não tinha problema, eu estava disposto até mesmo a fazer um chá para ela. E olha que eu não era do tipo que faz isso.
- Garrett, eu odeio você. - resmunguei para mim mesmo enquanto eu tirava o celular do bolso para ligar para o maldito do Garrett. Como ele pudera fazer aquilo comigo? A idéia era derreter o coração dela para ela voltar para mim, não matá-la de alergia e ainda me arrumar uma temporada na cadeia do Arizona.
- Fala, garanhão.
- Eu vou matar você, Garrett. Eu vou matar você.
- O quê? Vai falar que meu plano não deu certo? - ele riu convencido como se a coisa mais impossivel do mundo fosse o plano dele dar errado. E, surpresa!
- Seu bastardo idiota, ela tinha alergia à flores. Você não disse que conhecia ela, merda?
- E conheço. Eu já sabia que ela tinha alergia, meu pobre e incrédulo aprendiz. - se ele continuasse falando com aquela voz de Morgan Freeman eu não me responsabilizaria pelos meus atos. - Nós mandamos flores o suficiente para ela ter um ataque alérgico. Com o seu nome no cartão, ela iria na sua casa furiosa e a raiva, pequeno grande aprendiz, é o início de tudo.
- O quê?
- Deus, como você é burro, John! Eu já sabia que ela iria ficar brava, por isso que fizemos isso. Com ela brava, podemos executar nossa segunda tarefa.
- Ah, e qual é? Matar ela de vez? - eu me joguei no sofá, irritado e confuso. Eu já não entendia mais porcaria nenhuma do que Garrett estava planejando.
- Não. Paciência é o segredo para lidar com as mulheres, JOhn. Um dia de cada vez. E ainda temos nove deles até o intento final. Mas, me conte, o que ela achou do bilhete.
- Segundo ela, é a porcaria mais ridícula que ela já viu na vida.
Não vou negar, dizer isso me deu um prazer imenso. Era bom que Garrett visse que não podia ganhar o tempo todo. Por mais que ele tentasse ganhar o tempo todo.
- Vadia. Como aquela pingo de gente pode dizer algo assim de uma das minhas pérolas?
- Não sei, vai ver ela disse a verdade...
Me segurar para não rir era mais dificil do que eu pensava. E enquanto eu escutava Garrett reclamar sobre a recusa do bilhete, a minha mente voltou para . Os seus olhos faiscando de raiva, o jeito como ela se mexia inquieta de nervoso. Ela parecia tão frágil e ao mesmo tempo tão dona de si... Eu estava ficando gay. Essa era a pior propriedade do amor apaixonado. Ele te transforma em um grande gay. Daqui a pouco eu desenharia coraçõezinhos com os nossos nomes dentro com o Pat fez uma vez com o nome do Jared. E eu sei que não era apenas uma brincadeirinha. É, eu sei.
O primeiro dia não fora tão certo, mas eu não iria desistir tão fácil. Eu queria demais para desistir na primeira queda. Ela seria minha, em dez dias, ou eu não me chamava John O'Callaghan.

*O nome do capítulo é uma referência a uma série de memes: http://www.corvo.xpg.com.br/2011/11/bitches-loves-43/

Dia 2 - U, Jelly?*

- Qual é, John? Não confia em mim? - Deus poderoso! Como eu posso fazer ele parar de perguntar obvias como aquela? Garrett não parecia entender que a resposta era não. Então por isso continuou assaltando a minha geladeira como se isso fosse normal. - Ontem deu tudo certo, por que hoje não daria?
- Garrett! Ela ameaçou colocar a interpol atrás de mim. Isso parece "dar tudo certo" pra você?
Continuei tomando meu café, completamente infignado.
- Calado. Não discuta com o seu mestre.
Era oficial agora. Eu iria meter a minha mão na cara dele. E várias vezes para ter certeza de que ele criou vergonha.
- Ontem foi um teste para ver se você estava mesmo interessado em voltar com ela. veio aqui, gritou com você e você ainda quer ela de volta, certo? - eu concordei com a cabeça. Sim, até que ele fazia um pouco de sentido quando falava assim. Não que eu gostasse de tê-lo juntando tudo o que encontrava na minha geladeira para fazer um sanduíche para ele e não me dar nem uma fatia de nada. - Agora vamos fazer um teste para saber se ela gosta de você e saber o quanto de chances você tem de voltar com ela.
- Não querendo ser chato, mas acho que esse foi o teste de ontem. Caralho, Garrett! Ela disse que vai chamar a polícia para mim!
Garrett largou a faca com impaciência como se eu quem estivesse falando bobagens e não ele.
- Quem entende de mulher aqui? Bem, certo, sou eu. Quem fez merda e precisa de ajuda? Opa, não sou eu. - pensei em argumentar mas aquele filho da mãe estava certo de novo. Eu me odiava mais a cada segundo por admitir isso. - Eu sou o seu mestre Jedi do amor e eu prometi que vou trazer de volta para você em oito dias. E é isso que eu vou fazer. Agora desfaz essa cara feia e me passa a mostarda.
Passei o tubo amarelo para ele, me perguntando o que ele aprontaria. A curiosidade foi maior que eu e tive que perguntar em voz alta o que passava na minha mente:
- Como vamos fazer isso? Tipo, saber se ela gosta de mim?
- Como você se sente quando vem alguém que você não gosta e pega o player 1 do seu Wii?
- Quero matar o maldito. - respondi mesmo sem saber o que isso tinha a ver com a minha odisséia apaixonada.
- Por quê...
- Porque o wii é meu, então quem joga com o player 1 sou eu.
Isso é óbvio. É uma verdade universal masculina. Nem precisava de Garrett estar me perguntando isso, porque uma vez eu quase quebrei o braço de Kennedy por ele ousar querer pegar o meu player 1.
- E você ama o seu Wii?
- Claro! Se alguém pegar o player 1 do Playstation eu nem vou ligar. - ri.
- É esse o espírito da coisa. Vamos mostrar para que você é um wii e se ela der mole, alguém vai jogar com o player 1 no lugar dela.
Bem, eu não entendi muito bem as comparações de Garrett até eu chegar ao restaurante em que ele mandara eu estar ao meio dia e dar de cara com Emma Stone me esperando na portaria. Porra! O que o Garrett achava que estava fazendo?
- Olá, John! - ela me puxou para um beijo no rosto, perto o suficiente da boca para me fazer ficar envergonhado. - Fiquei tão contente por você ter pedido para almoçar comigo. Achei fofo você ficar com vergonha de me ligar e mandar seu amigo ligar. Seu lindinho. - ela apertou a minha bochecha e eu fiquei estático, roxo de vergonha. Que merda era aquela?
Sorri sem jeito e andei com ela para a mesa, atrás do maître, sabendo que os olhos de uma certa garota sentada na mesa perto da janela, almoçando com o seu agente, estava sobre nós o tempo inteiro.
Garrett sabia o quanto odiava Emma desde que a outra roubara o seu papel de protagonista em uma série da FOX. As duas não podiam nem se ver que já trocavam farpas, já que Emma era ressentida com o fato do personagem de no filme de Zumbis que ela lançara recentemente, ter sido muito melhor aceito pela critica que o dela em Zombieland.
Ou seja: briga de cachorro grande e Garrett me colocara no meio para morrer. Justo. Apenas ir para a cadeia era muito pouco para um amigo da onça como ele desejar para mim.
Morte por unhada postiça devia ser mais interessante na opinião dele.
Tentei me concentrar em Emma e na nossa conversa sobre Bob Dylan enquanto de vez em quando meus olhos vagavam pelo restaurante até parar na mesa da janela.
- Tenho certeza e que ele foi uma ótima influência musical para você. - Emma sorriu e tocou a minha mão discretamente.
Ela queria. Um homem sempre sabe quando uma mulher quer sexo e Emma estava quase implorando por isso. Bem, em outra época eu já estaria regando ela com o mel do amor e ainda adubando, mas agora, enquanto ela praticamente entrava debaixo da mesa para me pegar de jeito, se é que você me entende, tudo o que minha mente conseguia registrar era que não olhara na nossa direção uma vez sequer desde que pedíramos o macarrão à bolonhesa. E isso já fazia mais de quinze minutos. Era como se nem ao menos estivessemos no maldito restaurante.
Bem, talvez fosse a hora de eu ser um pouco mais enfático.
Ah, a lição de hoje se chama: Cíumes. Não é muito dificil fazer isso quando é Emma Stone que está ajudando você.
- Eu sempre fui bastante influenciado por ele, mas você deve ter as suas preferências, você tem um bom gosto invejável que eu sei, Em. - usei o sorriso explode-ovários e toquei a mão dela de leve, passando o dedo por sua pele observando o sorriso dela aumentar, já nos vendo em uma cama king size, com certeza.
Eu estava certo. Ela queria sexo. E agora?
- Eu tenho minhas preferencias, sim, e elas são bem inspiradoras. Posso mostrá-las se quiser.
Merda!
- Hm... Em, eu... É, preciso ir ao banheiro, com licença. - pisquei para ela, e me levantei, andando por entre as mesas em direção ao toalete.
Lavei o rosto e me encarei no espelho, nervoso. Aquela merda não estava dando certo. Nada certo. Afinal, momentos antes quando eu passara pela mesa de , ela nem ao menos levantara os olhos de sua salada. E isso me desanimou, me irritou e me magoou profundamente.
Outra dica: você pode começar a se tornar maricas quando entra em planos como esse. Fique alerta!
Peguei o celular, discando com pressa o número cinco na discagem rápida.
- oi. - ele atendeu parecendo estar dormindo.
- Chega de planos! Chega! Essa porcaria não está funcionando. Emma acha que eu estou morrendo de vontade de transar com ela e está me ignorando.
- Ei, isso é bom!
Por que a voz daquele idiota estava animada? Será que eu não acabara de dizer que estava me ignorando?
- Bom? Bom? Isso é... - antes que eu pudesse completar os meus dizeres revoltados a maçaneta se mexeu e dei dois passos para trás. Droga! Se fosse Emma querendo uma rapídinha no banheiro eu estava ferrado, mas quando a porta se abriu, não foi Emma quem apareceu e sim . - Er... Esse é o banheiro masculino. - disse a coisa mais idiota possível com a voz engasgada por ela estar tão perto de mim em um local pequeno e vazio.
Droga! Eu não era o Pat para estar com essas bichices. Mas que droga!
- Você é um idiota, John O'Callaghan. Achei que já tivesse dito isso ontem, mas você é tão, mas tão estúpido que eu tenho que reforçar isso a cada vez que eu te vejo. - a minha confusão devia estar estampada em meu rosto de tão grande. - Você tenta me matar num dia e no outro sai para almoçar com a Stone? Qual é o seu problema?
- É a que está aí? Uau!
Ela parecia tão furiosa quanto ontem e eu ainda segurava o celular perto do ouvido, sem saber o que dizer. Tanto para Garrett quanto para ela.
- Você parece estar melhor da alergia. - observei sem jeito e sem saber mais o que dizer.
- Idiota! - os dois disseram ao mesmo tempo, e eu comecei a me convencer de que, talvez, eu fosse realmente idiota.
- Fala algo decente, John. Porra!
Respirei fundo e pensei no "algo decente".
- Eu só estou almoçando com ela, nada demais. Estou sem compromisso, ela também. Emma é uma boa companhia, nada demais.
- Isso, cara! - Garrett elogiou.
- Mas... Mas... - ela perdeu aquele ar raivoso e adquiriu uma expressão confusa - Você não queria voltar comigo? Não foi por isso que mandou aquele jardim todo para a minha casa? - confusa era adorável. Eu tinha que apontar esse fato.
- Você deixou bem claro que não vai voltar comigo., . Assim como deixou claro que me acha um idiota. Ah, e que vai colocar o FBI atrás de mim.
- Eu disse que você é idiota, disse que vou mandar o FBI, a CIA e a Interpol atrás de você, sim. - ela me encarou e eu tentei parecer neutro, quando por dentro todos os sentimentos possiveis se remexiam em mim. - Mas nunca disse que não queria voltar com você.
- Ah, esse é o meu garoto! - eu sorri largamente enquanto ela saia do banheiro sem dizer mais nenhuma palavra, me deixando ali, como um idiota com aquele sorriso gigantesco na cara e com Garrett gritando de emoção no telefone.
- Funcionou! - eu sussurrei ainda sem acreditar.
Caralho! Eu tinha chances. Eu não estava fazendo aquilo em vão. Ela realmente queria voltar comigo. Eu poderia pular de alegria, mas Garrett mandou eu sair do banheiro e ir dar o fora na Emma para podermos nos preparar para a etapa 3 do nosso plano.
O meu sorriso ainda estava gigante quando voltei para a mesa, notando que Emma parecia irritada com alguma coisa.
- Emma eu...
- Você acha que eu sou idiota, O'Callaghan?
- Eu o quê? - Deus, que merda estava acontecendo agora?
- Eu ainda não tinha notado que a galinhazinha da sua ex estava aqui, aí do nada você quer ir no banheiro e ela sai atrás de você. Tem noção do que é isso?
- Eu...
- Você é um idiota, John O'Callaghan! - ela se levantou de uma vez, chamando a atenção de todos no restaurante. Sim, claro, porque nada na minha vida pode ser bom por inteiro. Tem sempre que ter algo pra me fazer ficar constrangido ou passar de idiota, mesmo sem saber.
- Pelo tanto de gente que me fala isso, eu devo ser mesmo. - respondi.
Resposta errada. De todas as respostas que eu poderia dar, essa foi a pior delas. Talvez Garrett tivesse razão. Eu realmente não entendo de mulheres.
Emma pegou o prato de macarrão que ela mal tocara e o atirou inteiro na minha cabeça antes que eu pudesse perceber que ela iria fazer isso. O restaurante inteiro fez um barulho de pesar e eu tive a intuição de que ainda não havia acabado. Bem, não havia mesmo. Emma começou a atirar tudo o que havia nos pratos e copos de cima da mesa em mim até se dar por satisfeita.
- Idiota! Você merece um otário desses mesmo, . - ela se virou para enquanto ia em direção à saída e a minha ex apenas sorriu, dando de ombros.
Emma saiu do restaurante e eu fiquei lá, sentado, escorrendo vinho e macarrão e sem saber o que fazer. O maître parou ao meu lado com a conta sem dizer uma só palavra, tirando um bolo de carne do meu cabelo e depois encarando-me.
Sinceramente? Ás vezes eu odeio a minha vida.
E esse sentimento se tornou duas vezes pior quando cheguei em casa e Garrett estava sentado no portão me esperando.
- Esse look de bolonhesa combinou com você. E esse perfume de vinho, hein! Seduziu.
- Eu te odeio. - resmunguei enquanto colocava a chave na porta.
- Não. Não me odeia. ainda te quer. E se não fosse por mim, você não descobriria isso tão cedo. Portanto, pode agradecer ao seu mestre. - ele nem esperou que eu abrisse a porta direito e já entrou na minha casa.
- É bom que esse plano dê certo, ou eu mato você.
- Está dando certo até agora. É impossível dar errado. Eu já falei, vou trazer de volta pra você, confie em mim. Agora vai tomar um banho que esse cheio de oregano está me dando nojo.
Eu já disse que odeio a minha vida? Se sim, preciso corrigir minhas palavras: Eu odeio Garrett Nickelsen.

*O nome do capítulo é uma referência a um meme: "U Jelly?" é um slogan on-line usado como uma abreviação para "Você está com ciumes?",uma observação inflamatória geralmente interpretado como uma forma de trollagem. A frase é tipicamente dita de forma arrogante para causar aborrecimento.

Dia 3 - Dafuq is this?*

A loja de animais estava vazia e eu andava pelos corredores sem saber o que fazer. A verdade era que eu não queria dar ouvidos para as regras e dicas de Garrett mais. Ele estava sendo bem legal em me ajudar, mas depois de passar duas horas embaixo do chuveiro tentando tirar o maldito macarrão do meu cabelo e tentando parar de cheirar a bolonhesa e começar a cheirar a sabonete, eu comecei a perceber que talvez fosse melhor que eu começasse a fazer as coisas por mim mesmo.
O Google me ajudou bastante dessa vez e depois de uma pesquisa sobre os presentes que as mulheres mais gostam de ganhar, descobri que depois de jóias, roupas e sapatos, elas adoravam ganhar animaizinhos fofos de estimação.
Dar roupas, sapatos ou jóias para era chover no molhado, como diria minha avó. Ela era uma atriz. Ela ganhava essas coisas de graça apenas de passar na porta de uma loja qualquer, com os donos das lojas morrendo por um pouco da publicidade que teria com usando uma peça deles. Então a ídeia dos animaizinhos de estimação me parecia fantástica. Ok, eu não tivera essa idéia sozinho, mas a iniciativa fora minha.
Mas ali, agora, eu simplesmente não sabia o que levar. Haviam cachorrinhos fofos por todos os lados, gatinhos simpáticos e uns peixes muito loucos. Sério, se dependesse de mim eu com certeza levaria aquele peixinho prateado que estava nadando como um idiota perto daquele castelinho. Mas não era muito do tipo que gostava de peixes, já que eles são animais meio parados. Encontrei até mesmo um coelhinho, mas não parecia ser o estilo dela. E pra ser sincero, aquela cara dele não me inspirou muita confiança.
- Procura algo especial? - um atendente perguntou e eu o encarei indeciso.
- Eu... estou procurando algo pra minha namorada. - Sim. Namorada. Em breve ela perderia o título de "ex" mesmo. Em sete dias, melhor dizendo.
- Então eu tenho algo que eu acho que ela vai adorar. - o cara me levou até um outro corredor e me deixou em frente a um pequeno cercado onde vários cachorrinhos preto e brancos brincavam de morder o rabo um do outro. - São Beagles. Chegaram ontem de manhã. Estão vacinados e desmamados. São óimos cães de guarda e adoráveis companheiros.
Eles eram tão fofos que imediatamente me lembrei de . Ela adoraria ter um daqueles em casa. Me abaixei e o fucinho rosado de um deles tocou a minha mão, me fazendo sorrir e lembrar de espirrando na minha porta com o nariz vermelho. Era exatamente aquele que eu iria levar. Ele praticamente pedia para ser escolhido com as suas manchas pretas e suas orelhas caídas. Ele era perfeito. O peguei no colo e ele logo lambeu o meu rosto, fazendo com que eu tivesse ainda mais certeza da minha escolha.
- Vou levar.
- Esse é macho, tem certeza de que vai levá-lo, senhor? - eu assenti já levando o pequeno para o caixa para comprar uma coleira e uma caixa para eu levá-lo até a casa de . O vendedor colocou um laço azul de presente no pescoço do filhote e eu saí da loja contente e vários dólares mais pobre. Mas valeria a pena.
Coloquei o cachorro no banco do passageiro, brincando com ele e nesse instante o meu celular tocou. Garrett. - Oi. - atendi.
- Aonde você está? Temos um plano para continuar.
- Não hoje. Eu já estou fazendo meus progressos. - a minha resposta foi simples enquanto eu brincava com o novo mascote de .
- Que porra você está fazendo? - antes que ele pudesse continuar a gritar no meu ouvido, coloquei o celular no viva voz e entrei no trafêgo em direção à casa de para entregar-lhe o seu novo animal de estimação. Ela iria adorar. Eu sabia que iria. O cãozinho latiu quando passamos por uma lombada e Garrett gritou - O que porra você está fazendo e com um cachorro?
- Eu vou dar ele de presente para a .
- Você vai o quê? - ele gritou ainda mais alto e eu me assustei, assim como o pobre filhote que soltou um latido mais alto. - Diz que está brincando comigo.
- Não estou. Eu cansei de passar por idiota, Garrett. Eu preciso ter ela de volta e não vou fazer isso sem tocar o coração dela do jeito certo. Eu estou apaixonado, merda. Não posso ficar fazendo besteira na frente dela o tempo todo. Ela vai pensar que eu sou um idiota.
- Ela não pensa, ela sabe que você é um. Até já deixou isso bem claro umas duas ou três vezes. - Garrett tinha mesmo que me fazer o favor de relembrar que eu era um idiota. Eu achava que isso já tinha dado o suficiente.
- Eu pesquisei no Google, lá disse que mulheres adoram ganhar bichinhos de estimação.
- Meu Deus, você um amador de merda! Você ao menos sabe se... Ah, esqueça!
- Garrett, eu tenho que tentar fazer alguma coisa. Eu não posso deixar que ela pense que isso entre nós acabou.
- Então por que não me perguntou se dar um cachorro para a era uma boa ideia?
- Porque eu queria fazer isso por mim mesmo. Não queria tomar uma pratada de macarrão na cara, não queria ser ameaçado de novo. Eu só quero ela de volta, por que que isso tem que ser tão dificil?
Garrett ficou em silêncio por alguns minutos e eu percebi que, talvez eu tivesse magoado os sentimentos dele ao não pedir a opinião dele ou ignorar as suas dicas. Mas Garrett tinha de ver que as coisas não estavam fáceis para mim. Eu estava fazendo o possível e o impossível e parecia que a cada passo que eu dava, eu voltava sete. Isso não era justo.
- John, a vida não é fácil, cara, o amor também não é. Mas se é isso o que quer fazer, vai lá. Dá o cachorrinho para ela, e depois me liga para chorar.
- Ei, Garrett, o que quer dizer com isso. Cara, eu não quis...
- Só, me liga. - e sem dizer mais uma palavra, ele desligou o telefone e mais uma vez eu fiquei perdido.
Se você é um dos que ainda segue as minhas dicas, mesmo depois de tudo o que aconteceu comigo, escute esse alerta: você pode ficar confuso e perdido com muita frequência durante a execução do plano. Em certos momentos a frase: "Mas que porra está acontecendo agora?" vai ser a única frase presente no seu vocabulário. Acredite.
Quando eu estacionei na frente da casa de , eu realmente não sabia qual de nós dois estava mais animado, se era eu, ou o pequeno cachorrinho que latia e tentava escapar da caixa pelos buraquinhos.
- Calma, colega, você já vai conhecer a sua nova dona. - me encarei no retrovisor se estava tudo ok comigo. Nada no dente, cabelo legal. Ok, era hora de agir. O filhote latiu de novo e eu achei que fosse de ansiedade, porque eu estava com uma ansiedade insuportável, tão grande que eu poderia latir também. - Não precisa ficar nervoso - tirei o pobre de dentro da caixa olhando nos olhos pretinhos dele - , ela vai adorar você. E eu tenho certeza de como o macho que você é, você vai se apaixonar por ela na hora. Ela é assim, sabe? Aquele tipo de mulher que quando você vê, nunca mais consegue tirar da cabeça. Certo, você não vai poder ver muita coisa porque, sabe como é, você enxerga em preto e branco, mas acredite em mim, você vai adorar ela. E ela vai adorar você.
Assenti para mim mesmo, concordando com as minhas próprias palavras e saí do carro, carregando o filhote e a caixa. Respirei fundo quando toquei a campainha esperando que viesse abrir. O cachorro fez um barulho e eu comparei com os meus suspiros de ansiedade. A coisa não estava fácil para nenhum de nós.
Escutei o trinco da porta se mexer e empinei o peito, com a barriga para dentro e o sorriso explode-ovários no rosto. Esperando em Cristo que eu conseguisse explodir os ovários dela pelo menos dessa vez.
A verdade era que dez dias era muito tempo. Eu não podia ficar sem por mais nenhum dia que fosse. Aquela era a minha melhor chance. Eu estava no território dela. Tudo o que eu tinha a fazer era me comportar como gente, e não como o idiota que ela pensava que eu fosse. Segurei o cachorrinho na frente do meu corpo para que ela o visse primeiro, antes de já começar a brigar comigo, o que eu tinha uma pequena intuição de que ela iria fazer.
- Olá John. - ela cumprimentou impaciente quando abriu a porta, sem um sorriso, nem nada no rosto e de repente ficou sem ação, ao ver o cãozinho nas minhas mãos.
Era agora. A magia dos olhos pretos do pequeno iria funcionar e eu já até podia ver nós dois nos beijando no sofá com aquela pequena bola de pelos correndo pela sala. Ah, eu tinha acertado!
- Que merda é essa, John?
O quê?!
- O quê? É um cachorrinho, . E é seu. Eu comprei pra você, pra te mostrar que eu te amo muito e que sinto muito por ter sido um idiota com você.
- Você é um idiota. - ela disse enfatizando o "é". - Eu não acredito que você me comprou um cachorro. - bateu a mão na testa e deu uma mais uma olhada para o cão. - Você é um idiota.
Porra, será que ela só sabe falar isso? Um "eu te amo, John" ajudaria o meu ego ferido de vez em quando, poxa!
- Eu quero muito voltar com você, .
Talvez a sinceridade ajudasse ao meu favor. Por aquela era a minha maior verdade no momento. Tudo o que eu mais queria era voltar com ela, era poder dizer para todos que ela era minha namorada mais uma vez, esquecer que eu tinha sido um estúpido da primeira vez e fazer tudo certo agora. Ela me encarou sem expressar nenhuma emoção no rosto. O seu jeans e a sua camiseta estavam um pouco velhos, o seu cabelo parecia um ninho de pomba, mas ela estava linda demais para que eu guardasse meus sentimentos por muito mais tempo.
- Você quer voltar comigo, John? - ela disse calmamente e eu assenti como uma criança respondendo se quer doce ou não - Para fazer isso, John, para voltar comigo, você não precisa apenas chegar na minha porta com um monte de flores ou com um cachorro. Você tem que me conhecer. Tem que saber coisas sobre mim que façam você querer fugir, e tem que saber coisas sobre mim que te façam ficar, mesmo querendo fugir. Você tem que me conhecer, saber quem eu realmente sou, não apenas colocar na sua cabeça que quer voltar e mover céus e terras para isso.
- Eu... - tentei.
- John, eu não gosto de cachorros. Adoro gatos, peixinhos dourados, coelhos, mas não gosto de cachorros. E você me traz um cachorro. Eu odeio rosas brancas e você encheu a minha casa delas e ainda me deu uma alergia. Se você me conhecesse, saberia disso. Talvez isso seja um indício que não devemos ficar juntos.
- ... - Caralho! O que ela estava falando? Era claro que tinhamos que ficar juntos. Eu a amava, mesmo não conhecendo nada dela, mas estava disposto a ficar ao lado dela o suficiente para conhecer tudo. Todos os segredos, todos os medos, tudo o que fosse possível saber sobre , eu iria saber.
- Não, John. Essa é a verdade. Eu amo você, mas também não conheço nada de você. Esses meses que ficamos juntos foram vazios. Não tinhamos uma conversa produtiva, não tínhamos uma intimidade de um verdadeiro casal. Éramos dois conhecidos que posavam juntos para fotos de paparazzi. E eu, sinceramente, não quero mais isso, John. Eu preciso de mais que isso.
- Eu posso te dar mais do que isso. - eu respondi com toda a empolgação. Eu daria tudo o que ela quisesse, tudo o que ela precisasse, contanto que ela me quisesse.
- E o que seria isso, John? Eu estou falando de amor. Sabe? De um relacionamento. - ela se apoiou na porta, parecendo cansada por estar discutindo comigo e eu ainda estava estático, segurando o cachorrinho que olhava alternadamente de um para o outro, de vez em quando lambendo a minha mão. - Cumplicidade, respeito, intimidade. Coisas que faltaram no nosso namoro e que eu preciso agora.
- Eu posso te dar isso, .
- Então me prove, John O'Callaghan. Prove que me conhece e que merece que eu volte para você.
olhou no fundo dos meus olhos e eu fiquei perdido de novo. Como sempre acontecia quando ela olhava para mim. As palavras dela estavam ecoando dentro de mim, me fazendo refletir ali, na sua porta, com um cãozinho nas mãos. Tudo o que eu mais queria era para mim, e para isso eu faria tudo o que fosse preciso. Estava preparado para isso e muito mais para tê-la para mim. Coloquei o filhote nas mãos dela que me olhou assustada, mas ainda assim segurou o bichinho e a puxei pela nuca, dando um selinho nos seus lábios, sentindo aquela boca que parecia ter sido desenhada para juntar na minha. A pele dela era tão macia, os lábios dela eram tão quentes que eu tive de me segurar para não ultrapassar os limites. Me afastei e notei que ela continuava de olhos fechados.
- Eu vou te provar, eu vou ter você de volta, . Eu te amo.
E assim, saí correndo para o carro, observando ela olhar completamente confusa para o filhote e depois para mim, enquanto eu dava partida no carro. Era incrível como ela podia ser tão linda daquele jeito, perdida e confusa.
Mas eu não podia me focar nisso agora, eu tinha que aprender tudo quanto fosse possível, e se tinha uma pessoa nesse mundo que sabia tudo sobre , esse era Garrett.

*O nome do capítulo foi inspirado nesse meme: http://9gag.com/gag/638472

Dia 4 -

POV

Aquela pequena bola de pelos estava correndo para todos os lados e apesar de eu não gostar de cachorros desde que o cachorro de uma vizinha me mordeu e eu fui parar no hospital, não havia como não me apaixonar por aquele filhote. Eu tinha passado o dia inteiro tentando dar um nome para ele, mas nenhum parecia legal.
Me joguei no sofá tentando não pensar na pessoa que me dera aquele pequeno que agora roía o meu chinelo com os seus dentinhos curtos. Fiz um gesto para ele, que parou o que fazia na hora e se jogou no meu colo. Aquelas orelhas caídas eram o charme do bichinho. Droga! Eu estava me apaixonando por um cachorrinho. O bicho que eu menos gostava no mundo, agora era o dono do meu afeto. Quão irônico isso era?
Por mais que eu quisesse não pensar, os olhos verdes de John vinham à minha mente a cada instante e o beijo que ele me dera ainda estava mexendo comigo. E isso era tão estranho que eu não sabia como lidar.
Durante todo o tempo em que eu ficara com John, as coisas eram sempre o mais estranhas e frias possíveis entre nós. Ele me beijara poucas vezes, apesar de estarmos namorando e nenhum dos beijos, por mais longos que fossem, tivera um décimo da intensidade que o beijo que ele me dera na entrada de casa no dia anterior. O jeito como ele me beijara fora tão... tão...
Deus! O que eu iria fazer da minha vida.
Eu estava perdidamente apaixonada por um idiota. Mas era esse idiota que me fazia feliz.
Mesmo com a casa cheia de rosas brancas e o meu nariz escorrendo sem parar, na sexta feira, a sensação de ser querida me fazia me sentir melhor. A maneira como ele se comportara na porta da casa dele, enchendo o peito e tentando me seduzir fora tão hilária quanto eficaz. Eu não sabia quando acontecera de eu começar a gostar de John daquele jeito, verdadeiramente. Gostar de cada parte dele. Desde o músico talentoso, até o idiota sem noção. Tudo nele era cativante e apaixonante.
No começo não era assim. Eu não sentia nada disso por John. Eu achava ele o cara mais lindo do universo, sim, e quando fui apresentada a ele, eu logo quis entender todo aquele charme misterioso, e por isso usei o personagem que todos os homens gostavam para conhecê-lo melhor. Durante todo o tempo que ficamos juntos eu fui a , a musa da Sports Illustrated, a fantasia sexual dos homens. Sempre maquiada, sempre bem vestida, sempre tentando chegar perto do coração dele, mas nunca deu certo. Ele não gostava do personagem que todos os homens da America no momento pareciam desejar.
E quando eu finalmente desisti, passei a ser eu mesma, a moleca que adora jeans velho e odeia pentear o cabelo, ele pareceu finalmente me ver. Como? Eu ainda não tinha entendido, mas estava feliz por finalmente um homem me desejar por quem eu era e não por quem as revistas aparentavam que eu fosse.
- Ei, seu peludo. - brinquei com o cachorrinho e ele lambeu a minha mão, tentando mordê-la de - Você acha que eu devo dar uma chance pro John?
O cachorro não me respondeu e eu deixei meus pensamentos voarem enquanto eu brincava com ele. John tinha se tornado muito importante para mim, eu sabia que ele aprontaria algo em breve, eu sentia isso. Os olhos dele faiscando quando eu pedira para ele provar que me queria de volta quase me fizeram esquecer essa bobagem toda de provar qualquer coisa.
Eu voltaria para ele naquele instante se eu não soubesse o quanto somos diferentes. Eu podia estar apaixonada, mas isso não mudava o fato de que eu não conhecia John nem um pouco. Tudo o que eu sabia era o que as fãs dele sabiam, nada mais. John nunca me deixara entrar no seu coração e nunca se mostrara disposto a entrar no meu. Como um sentimento fora crescer assim?
Puxei meu computador da mesinha de centro e selecionei algumas músicas para tocarem aleatóriamente enquanto eu brincava com o meu mais novo mascote. Eu estava encantada com ele. Aquela bola de pelos era a coisa mais fofa que já me aparecera. Eu seria grata a John por um bom tempo por ter me dado aquela fofura. Na verdade, ele acertara errando e isso me fazia adorá-lo ainda mais.
Meu Deus! Como minha cabeça estava confusa. A todo momento eu tentava pensar em coisas que não tivessem ligação com John O'Callaghan e sem mais nem menos eu me pegava pensando nele como uma adolescente apaixonada pela primeira vez. Isso era tão... estranhamente bom?
Mr. Winter começou a tocar e a voz de John me fez arrepiar. Meu Deus, minha situação estava crítica, se apenas ouvir a voz dele estava me fazendo ter aquelas sensações, então eu estava realmente no fim da linha.
O cachorrinho começou a balançar a cabeça de um lado para o outro, como se dançasse a música e eu fiquei encantada. Mr. Winter deveria ser o nome dele, a música combinava com o fofo e era uma música do The Maine, era perfeito para ele.
- O seu nome agora vai ser Mr. Winter. O que acha?
Ele continuou dançando com a cabeça, mas me olhando dessa vez. Parecia que ele gostara da idéia de se chamar Mr. Winter. Estava decidido, esse seria o nome dele. Aumentei o volume da música e ele pareceu se deliciar com isso. Mas logo tive que abaixar porque o meu celular estava tocando. Olhei no visor e sorri quando vi o nome de Garrett. Eu não entrara no coração de John naquela época, mas ganhei o melhor amigo que alguém poderia ter.
Com Garrett eu sabia que podia confiar, ele sabia tudo de mim, sabia cada parte de mim e eu sabia tudo daquele cabeça de vento mulherengo. Ser amiga dele era uma honra que nada poderia comparar. Eu era a irmãzinha dele e achava especial o fato de ele me ligar todos os dias para saber se estava tudo bem comigo, mesmo quando eu terminara com John, as coisas entre eu e Garrett só ficaram mais fortes. Ele era muito importante para mim, ele era o meu melhor amigo.
- O que está fazendo, ? - ele perguntou de um jeito estranho.
- Cuidando do Mr. Winter. - ri.
- Cuidando de quem?
- Do meu cachorrinho. E você, o que está fazendo?
- Ah, fiquei sabendo dessa história. Achei que tivesse medo de cachorros.
- Tenho. Mas essa bola de pelos é tão fofa que eu não consigo ter medo, só consigo apertar ele e...
- Chega! Isso já é o suficiente. - Garrett me interrompeu rindo - Já notei que perdi espaço no seu coração.
- Não enche, Nickelsen. E aí, o que está fazendo de tão entediante pra me ligar?
- Nada demais. - ele respondeu e eu pude farejar a mentira. O que ele estava falando que não podia me falar. - E aí vai fazer alguma coisa amanhã? Estou com saudades de jantar com você e deixar a conta pra você pagar.
Eu gargalhei alto, assustando Mr. Winter que agora se divertia roendo o cabo usb do meu notebook. Eu tinha esquecido o dia em que eu e Garrett fôramos jantar juntos e ele comera de tudo o que tinha direito e me olhara com aqueles olhos azuis, divertidos, e dissera "A conta é sua". Eu o encarei chocada e ele simplesmente me deu um soquinho no ombro saindo do restaurante e indo me esperar no carro. Seria cômico se não fosse trágico e eu não tivesse dinheiro o suficiente e tivesse prometido para o gerente que levaria os quarenta dólares que faltava no dia seguinte, já que eu esquecera o cartão de crédito também.
- Não me lembre, Garrett. Eu tive que assinar uma promissória. Tem noção?
- Foi engraçado. - ele riu.
- Ok, não foi mal. Mas mesmo assim, não vou poder amanhã, tenho que ir a um pub com algumas amigas. Um produtor é dono dele e está querendo dar uma subida no nível então está convidando algumas pessoas da mídia, nada demais. Quer vir?
- Não, eu odeio esses pubs de Jazz que você frequenta. - e o pior era que ele estava falando sério.
- Chato. Marcamos outro dia pode ser?
- Pode. Agora, temos outra coisa para conversar: John.
- O que foi?
Pela minha voz até parecia que eu não estava tremendo apenas de ouvir o nome dele. Eu estava perdida, e se havia alguém que poderia me dar uma luz, era Garrett. E, eu tinha que ser sincera. Estava estranhando John não ter ligado ou aparecido, considerando o que acontecera no dia anterior. Ele era do tipo que agia rápido e me surpreendera por até agora não ter dado sinal de vida. Talvez Garrett soubesse o que ele estava aprontando. Porque eu estava me roendo de curiosidade.
- Ele quer voltar com você.
- Notícias velhas, meu amigo. - afastei Mr. Winter do cabo Usb que estava sendo torturado pelos seus dentinhos.
- Isso foi uma deixa para você dizer "Oh, Garry, eu acho que voltaria com ele se ele não fosse tão idiota, você sabe, eu amo ele e vou aceitá-lo de volta" - ele fez voz de mulher, com um sotaque bem parecido com o meu me fazendo gargalhar - Ou então "Ele partiu meu coração, Nickelsen, não voltarei para ele jamais. Jamais. Jamais. Jamais".
- Ah, uma deixa é?
- Para de me enrolar, ! - ele gritou ao telefone indignado. - Fala logo.
- Eu estou pensando em voltar, Garrett, mas eu já disse pra ele, John precisa de muito mais que determinação se ele quiser ficar comigo. Eu quero um relacionamento de verdade, e não aquela coisa insossa que nós tínhamos. Entende?
- Fiquei sabendo de uns assuntos de "prove que ainda me quer, oh, mon amour".
- Vai se foder, Garrett! - ri quando ele me provocou. - O que acha de tudo isso?
- Vou ficar do lado que me pagar melhor. Recebo recompensas se der minha opinião.
- Achei que minha amizade era a maior recompensa que poderia receber. - eu disse com uma falsa voz sexy. Nós começamos a rir sem parar, como dois bobos, o que era completamente normal quando se tratava de mim e Garrett.
- Eu quero que faça o que for melhor pra você, . Eu amo os dois. São os meus melhores amigos, e se o que o seu coração quer é voltar pra aquele idiota, eu vou adorar, assim vamos passar mais tempos juntos, mas se você não quiser se arriscar de novo, eu vou gostar também porque vamos poder beber todas e ter um buddysex. O que estou exagerando, eu nunca tocaria em um fio de cabelo seu. Isso seria quase incesto. Eca.
Eu comecei a rir de novo, uma reação completamente normal a quelaquer coisa que Garrett dizia, entendendo porque ele era meu melhor amigo. Ele era capaz de dar um conselho completamente inútil, já que ele não tomara posição nenhuma e mandara eu seguir meu coração que estava mais perdido do que cego em tiroteio, mas ainda assim ele era capaz de ser gentil e adorável com o conselho, capaz de mostrar que se importava comigo e estaria ali, acontecesse o que acontecesse.
Eu já sabia o que iria fazer. Por mais confuso que eu e os conselhos de Garrett fossemos, eu já sabia o que fazer.
- E então? - ele perguntou.
- Seu conselho foi bem útil. - disse enquanto assistia Mr. Winter brincar com o meu chinelo de novo.
- Como assim?
- Espere e verá. - eu disse desligando o telefone com um sorriso no rosto. Agora eu só precisava de toda a sorte do mundo.


Dia 5 - Flighless Bird, American Mouth

(Por favor coloque para carregar: http://www.youtube.com/watch?v=akB_zFg2NsI)

John POV

- Eu ainda estou zangado. - Garrett disse de braços cruzados sentado no sofá da maneira mais homossexual já vista pelo ser humano.
- Mentira. Ontem você ficou aqui, comeu da minha comida e ainda deixei você jogar Wii com o player 1 só pra mostrar que eu sou legal e que eu sentia muito por não ter te ouvido. - sentei ao lado dele, passando um braço pelo seu pescoço, abraçando-o. - Apesar de que, ontem eu fiz mais progresso sozinho do que...
- Vai querer continuar mesmo? - ele só ergueu os olhos e eu me calei automaticamente. Ele tinha boas ideias de vez em quando. O que fariamos hoje era prova disso. Eu nunca teria tido essa ídeia sozinha, apesar de ela ser muito óbvia. Eu provaria de uma maneira simples que eu aprendera sobre .
No dia anterior, Garrett não me deixara fazer nada para conquistá-la. De acordo com o ressentido Mestre Jedi do Amor, eu tinha que fazê-la sentir minha falta um pouco, antes do que estávamos preparando para ela. Eu ficara o dia inteiro ensaiando com o violão para tentar fazer aquilo o mais corretamente possível e enquanto isso Garrett destruía meu videogame. À noite, ele disse que era hora de verificarmos se o bolo estava assado. Juro por Deus que não entendo porra nenhuma dessas comparações e analogias de Garrett, mas fiquei ao seu lado enquanto assistia ele discar os números de e colocar o telefone no viva voz, deixando bem claro que, se eu dissesse uma só palavra, ele arrancaria as minhas bolas. E como elas são necessárias para que eu e povoemos o mundo com crianças lindas como ela e eu.
- O que está fazendo? - ele perguntou quando ela atendeu.
- Cuidando do Mr. Winter.
Quem diabos era Mr. Winter? Mr. Winter é o nome de uma música minha. Ou será que ela se encontrou com alguém chamado Winter. Pela risadinha dela...
- Cuidando de quem? - Graças a Deus que você lê pensamentos, Garrett.
- Do meu cachorrinho. E você, o que está fazendo?
Porra! Porra! Mil vezes porra! Ela deu o nome de Mr. Winter pro cachorrinho. Cara, eu não podia pensar em um nome mais perfeito. Era a cara dele. Fiquei ali com aquela cara de idiota, encarando a parede enquanto escutava ela rir. Ai, caramba, eu estava mesmo apaixonado além da conta.
- Ah, fiquei sabendo dessa história. Achei que tivesse medo de cachorros. - Ela tinha medo de cachorros. Eu só fiquei sabendo disso ontem, depois que contei pro Garrett o que eu tinha feito. Ele ficou possesso comigo por ter dado um cachorro pra alguém que já foi até pro hospital por causa de um deles. Mas depois me deu um abraço de urso, todo orgulhoso quando eu falei que beijei ela. Acho que ele achou que os ensinamentos Jedis do amor que ele estava pregando começaram a fazer efeito em mim. Mal sabe ele que o responsável por tudo isso era o Google que me dera a idéia e por ter os lábios mais tentadores da America.
- Tenho. Mas essa bola de pelos é tão fofa que eu não consigo ter medo, só consigo apertar ele e... - respondeu, me fazendo sorrir ainda mais largamente. Sou mais idiota ainda quando estou apaixonado. caralho, eu sou um perigo pra humanidade quando estou amando.
- Chega! Isso já é o suficiente. Já notei que perdi espaço no seu coração.
Encarei Garrett sem dizer nada, mas no meu rosto a expressão de "Que porra você pensa que está falando?" dizia tudo por mim. E Garrett simplesmente ignorou a minha indignação como se eu fosse um moleque birrento. Qual é, ele manda uma cantada na minha mulher e pensa que eu vou achar bonito?
- Não enche, Nickelsen.- Boa resposta, meu amor. - E aí, o que está fazendo de tão entediante pra me ligar?
- Nada demais. E aí vai fazer alguma coisa amanhã? Estou com saudades de jantar com você e deixar a conta pra você pagar. - fiquei em silêncio esperando a resposta. Precisavamos saber aonde ela iria para que nosso plano desse certo. Se os nossos contatos estivessem corretos, ela iria ao Smack Blues, e os nossos planos estavam voltados para isso. Mas os planos se perderam dentro da minha cabeça quando ouvi ela rir. Aquele som era perfeito demais. Eu era realmente patético. Estava ficando pior que o Pat. Eca.
- Não me lembre, Garrett. Eu tive que assinar uma promissória. Tem noção? - gargalhou.
- Foi engraçado.
- Ok, não foi mal. Mas mesmo assim, não vou poder amanhã, tenho que ir a um pub com algumas amigas. Um produtor é dono dele e está querendo dar uma subida no nível então está convidando algumas pessoas da mídia, nada demais. Quer vir?
Olhei animado para Garrett, que mostrava a mesma animação e demos um high five. O nosso plano daria certo!
- Não, eu odeio esses pubs de Jazz que você frequenta. - ele mentiu.
- Chato. Marcamos outro dia pode ser?
- Pode. Agora, temos outra coisa para conversar: John. - ergui os olhos para ele, assustado. Por essa eu realmente não esperava. Como assim falar sobre mim? Eu não era um assunto pautável. A gente tinha que saber o que ela estava fazendo e como fazer dar tudo certo no dia seguinte, não bater papo sobre mim.
- O que foi? - ela estava neutra. Nem uma emoção na voz. Isso devia ser um sinal.
- Ele quer voltar com você. - Nossa, Garrett. Deixa eu colocar isso no jornal. Vai ser um furo de reportagem. Idiota!
- Notícias velhas, meu amigo. - eu sorri. Ela e eu tinhamos o mesmo gênio. Como ela podia ousar pensar que isso não daria certo.
- Isso foi uma deixa para você dizer "Oh, Garry, eu acho que voltaria com ele se ele não fosse tão idiota, você sabe, eu amo ele e vou aceitá-lo de volta" ou então "Ele partiu meu coração, Nickelsen, não voltarei para ele jamais. Jamais. Jamais. Jamais".
Fiquei imediatamente preocupado. Garrett tinha tendências homossexuais que eu nunca tinha visto e estava exibindo todas ali, naquele momento. Fiz um joinha zombeteiro para ele e Garrett me mostrou o dedo do meio, todo educado.
- Ah, uma deixa é?
- Para de me enrolar, ! Fala logo. - que bom que ele apressou as coias. Até eu estava começando a ficar impaciente querendo saber o que ela achava de tudo aquilo. Só não sabia se estava pronto para escutar o "Ele partiu meu coração, Nickelsen, não voltarei para ele jamais. Jamais. Jamais. Jamais", mesmo sem todos os "Jamais" completamente gays de Garrett. Talvez fosse hora de ele parar de andar com o Pat.
- Eu estou pensando em voltar, Garrett, mas eu já disse pra ele, John precisa de muito mais que determinação se ele quiser ficar comigo. Eu quero um relacionamento de verdade, e não aquela coisa insossa que nós tínhamos. Entende? - a voz dela ecoou pela cozinha e eu refleti de novo. Eu tinha determinação de sobra, sim, mas eu também queria um relacionamento de verdade com ela, eu queria dar amor, respeito, cumplicidade e tudo o mais que ela quisesse de mim. E sexo. Isso eu daria com todo o prazer pra , e se ela pedisse mais, eu ficaria muito feliz em atender os pedidos dela.
- Fiquei sabendo de uns assuntos de "prove que ainda me quer, oh, mon amour". - ainda encarando a parede, mostrei o dedo do meio para Garrett, sem nem ao menos me dignar a encará-lo.
- Vai se foder, Garrett! - ela riu e eu fiz o mesmo. - O que acha de tudo isso?
- Vou ficar do lado que me pagar melhor. Recebo recompensas se der minha opinião.
- Achei que minha amizade era a maior recompensa que poderia receber. - Se ela falasse com aquela voz no meu ouvido eu teria sérios problemas para controlar os meus orgasmos pelo resto da minha vida. Caralho, o que foi aquilo. Cocei a nuca, perturbado, enquanto minha mente hipercriativa já me dava imagens bem divertidas e...
- Eu quero que faça o que for melhor pra você, . Eu amo os dois. São os meus melhores amigos, e se o que o seu coração quer é voltar pra aquele idiota, eu vou adorar, assim vamos passar mais tempos juntos, mas se você não quiser se arriscar de novo, eu vou gostar também porque vamos poder beber todas e ter um buddysex.- me levantei de uma vez pronto para acertar o nariz de Garrett, mas ele nem se importou - O que estou exagerando, eu nunca tocaria em um fio de cabelo seu. Isso seria quase incesto. Eca. - era bom mesmo que fosse assim, ou eu podia quebrar ele em dois. E eu não estava exagerando.
- E então? - Garrett disse lendo pensamentos de novo.
- Seu conselho foi bem útil.
Util como, ? Me dê uma resposta decente, porra.
- Como assim? - Ler minha mente três vezes em um dia. Só Garrett consegue isso.
- Espere e verá.
O que ela quis dizer com isso? E por que porra ela desligou? Eu nem me despedi. Encarei Garrett em busca de respostas e tudo o que ele fez foi assentir. O que aquele filho da mãe quis dizer com aquilo também? Merda, eu já não estava entendendo mais nada.
- O nosso plano vai ser um sucesso.
- É bom que seja. - eu disse.
- Em que você está pensando, John? - Garrett se virou pra mim no sofá e eu o encarei perdido. As minhas memórias tinham sugado toda a minha atenção. Se ele tinha tido alguma coisa, eut inha perdido.
- Nela.
- Grande novidade! Vai se arrumar. Está na hora de ir. - ele se levantou e eu fiz o mesmo parando no meio da sala nervoso. E se eu esquecesse as malditas letras. Eu passara o dia anterior inteiro decorando a letra e a melodia da música, mas eu não confiava em mim mesmo. E se quando eu estivesse lá, no momento certo, eu simplesmente esquecesse tudo. Era possivel. - Vai dar tudo certo, John. - Garrett disse da porta, notando o meu nervosismo. Ele era realmente o meu melhor amigo. Eu não precisava dizer nada, ele me conhecia bem demais para saber que eu estava morrendo de nervosismo. Afinal, estavamos juntos há muito tempo, ele estivera comigo em cada momento importante da minha vida. Era justo que ele estivesse comigo nesse também.
- Eu estou com medo, cara. - disse de cabeça baixa.
Garrett atravessou a sala e colocou a mão no meu ombro. Eu estava gelado de nervosismo e a adrenalina estava dando voltas dentro de mim. Mais ou menos como eu ficava quando estava prestes a entrar no palco. Isso é quase tão importante quanto.
- Eu sei. Vai dar tudo certo. Eu vou estar lá com você. Pode ter certeza que vai dar tudo certo. Ela te ama, cara. E você está apaixonado por ela. Nada vai dar errado.
- Espero que esteja certo.
- Eu estou. - ele respondeu convencido. - Agora vai lá ficar cheiroso e apresentável, pegue o seu violão e vamos embora.
Trinta e cinco minutos depois estavamos na porta do Smack Blues. Geralmente não me arrumava tão demoradamente, mas dessa vez eu estava nervoso demais. Tirei todas as roupas de dentro do meu guarda roupa como uma menina, e mesmo assim não sabia o que vestir. A minha única solução foi ligar para Kennedy pedindo dicas. Meu Deus, aonde eu fui parar. Tentei seguir as dicas de Kennedy o melhor possivel e agora estava ali, imóvel na frente do Smack Blues sem saber o que fazer.
- Ou você entra aí, ou eu te arrasto pra dentro. São essas as opções, o que vai ser? - Garrett perguntou e eu o encarei no mais absoluto desespero. Eu estava apavorado. E nem sabia direito porque estava. Cantar era a coisa mais fácil do mundo para mim. Não era como se eu nunca tivesse feito isso antes, até porque eu vinha ganhando dinheiro fazendo isso por todo o planeta. Mas outra coisa completamente diferente era fazer isso na frente de na esperança de reconquistá-la. Sabendo que ela poderia odiar cada minuto que eu cantasse, sabendo que se ela poderia me dispensar apenas por isso.
- O palco está pronto pra você, garoto. - o manager do lugar avisou para Garrett e ele me encarou me perguntando com o olhar o que eu iria fazer.
Eu iria fazer o que era certo. O que eu deveria fazer. Ter de volta.
Peguei o violão e entrei no bar, ouvindo um mestre de cerimônia pedir aplausos da platéia pelo ultimo que se apresentara. Pelo que eu e Garrett ficaramos sabendo, a noite era destinada a todos os amadores que queriam apresentar um pouco de jazz no local. Apesar da música que eu escolhera não ser um jazz, eu estava ali e cantaria. Por .
- E agora, John O' Callaghan. - o homem apresentou e eu entrei no palco, vendo Garrett fazer joinha para mim da coxia. Ficar calmo. Eu tinha que ficar calmo. Lancei um olhar envergonhado pela platéia que ainda me aplaudia e meu olhar encontrou o de . Ela estava sentada em uma das mesas do fundo, junto com algumas atrizes que eu reconheci, mas nenhuma dela captou o meu olhar por mais de alguns segundos. Os olhos dela brilhavam à distância e estavam fixos nos meus, sem piscar, me encarando com toda a profundidade que aqueles olhos eram capazes. Eu a amava.
- Olá, meu nome é John e essa música é para . - todos no pub olharam para ela, cientes de quem eu estava falando e eu sorri ao vê-la ficar vermelha, apesar da iluminação baixa do lugar.
(solte a música agora, docinho!)
A música saiu dos meus lábios fácil demais. Como se eu tivesse nascido com as letras e a melodia dela em meu sangua. A música fluía suave e meus dedos tocavam o violão suaves. Abaixei a cabeça tentando não olhar para . Isso colocaria tudo a perder. Eu com certeza não prestaria atenção em mais nada se eu a olhasse.
Ela me tinha em suas mãos fácil demais, como se eu fosse um boneco manipulado apenas para o prazer dela, apenas para amá-la. Mas não consegui resistir por muito tempo e quando o refrão começava, meus olhos capturaram os dela e vi o sorriso mais mágico que eu já vislumbrara estampado nos seus lábios. Aquela era a sua música preferida. Uma lágrima escorreu dos seus olhos, e a minha voz ficou mais profunda, querendo inexplicavelmente fazer o mesmo. Eu estava emocionado apenas de vê-la emocionado.
Eu a tinha encontrado. Na verdade, já havia encontrado antes, mas finalmente agora a vira de verdade. A mulher que eu sempre quisera não era a capa de revistas, não era a estrela de Hollywood. Era a garota ao natural, aquela garota que não tinha medo de chorar em público enquanto cantava Flightless Bird, American Mouth comigo.
Meus olhos não desviavam dela nem por um só segundo. A minha presença de palco estava péssima. Eu devia dar atenção a todo o meu público. Mas apenas uma pessoa naquele momento atraia a minha atenção. Era apenas para uma pessoa daquele público que eu estava cantando aquela canção. Era para . Era para mostrar que eu a conhecia. Que eu sabia que aquela era a música favorita dela antes de ela me dizer isso.
Eu ainda me lembrava daquela noite em que estavamos na pré estreia de um dos filmes de adolescente de Hollywood e aquela música começara a tocar no filme e ela soltara um suspiro.
- O que foi? - lembro de ter perguntado intrigado.
- Nada. È que essa é minha música preferida.
Naquele dia eu não dera muita importancia, mas eu não esquecera desse fato. Eu não me esquecera de nada que eu aprendera sobre ela. Eu reconhecia que haviam muitas coisas que eu não sabia sobre ela, mas estava ansioso por aprender cada uma delas. Eu podia não conhecer os seus segredos, mas queria conhecer todos, cada um deles, um por um, para saber sempre quando ela iria precisar de mim e estar lá quando isso acontecesse.
Os ultimos acordes da música estavam sendo tocados e a platéia parecia estar gostando, quando finalmente consegui perder o contato visual com e deixei meu olhar vagar pela platéia. Eu não precisava tocar o coração de nenhum deles. Era o dela, o de , que eu queria tocar. Queria que eu estivesse lá dentro, profundo o suficiente para que ela nunca me tirasse de lá. Como eu nunca a tiraria.
Terminei de cantar e me levantei, estranhamente envergonhado. Todos aplaudiram com entusiasmo e meus olhos viajaram de novo para onde estava. Ela estava de pé, limpando as lágrimas e me aplaudindo, intercalando esses dois atos, de um jeito maravilhoso.
- Obrigado. - agradeci e saí do palco, indo para perto de Garrett.
- Isso foi incrível. Eu nunca te ouvi cantar assim. O que te deu?
- Eu estou apaixonado. - eu disse como se ainda não tivesse dado mostras e dito esse fato o suficiente.
- Eu devo...? - fiz um gesto para fora, para o pub, mas logo Garrett entendeu o que eu queria. Eu queria falar com , saber o que ela tinha achado.
- Agora vai vir uma parte dificil para você, John, mas você vai precisar aguentar isso o máximo possivel, ok?
- Como assim?
- Você vai ter que se afastar. Ela vai precisar ver que você pode partir. Ela tem que sentir que você distante, é como se uma parte dela estivesse distante. Por alguns dias, nada demais. Até o resto dos dez dias. Mas nesses dois dias, ela não vai poder ter noticias suas, não vai poder te encontrar. Nada disso. Ela vai precisar encontrar você.
- Mas... - tentei. Mas sabia que não podia descutir com Garrett. Ele estava querendo me ajudar e fizera isso bem até agora. Eu tinha chegado mais longe com ele do que sem ele. Por isso, a única coisa que eu tinha que fazer, ela ouvi-lo e fazer o que ele dizia. Mas não sem antes fazer o que eu queria. Saí sem que Garrett pudesse me deter e saí por trás do palco e atravessei por entre as mesas do pub até chegar na ultima. se levantou assim que me viu e as amigas deram espaço para ela sair da mesa e ficar frente a frente comigo. Minhas mãos tremiam e suavam frio como as de um adolescente. Que bichice!
- John, aquilo foi lindo. - ela disse assim que ficou à minha frente.
- Aquilo foi pro você. É a sua música preferida, não é? - dei um passo pra frente, para falar mais perto do seu ouvido, acima do barulho do bar, e de alguém que tocava uma versão acústica de uma música desconhecida para mim, mas que falava sobre aquele que partia. E naquele momento, esse era eu.*
- Sim, aquela é minha favorita, como...?
- Eu sabia? Eu não esqueço as coisas que você me diz, . Não esqueço nada sobre você, sei que não conheço muito de você, mas quero conhecer.
- John... - ela tentou mas eu ergui minha mão para tocar o seu cabelo, tocando-o e sentindo a maciez dele entre meus dedos. Minha mão escorregou até a sua nuca, enquanto meus olhos ficavam fixos nos seus. Ela entreabriu seus lábios como se prevesse o que viria pela frente, e não a deixei desapontada quando deixei meus lábios tocarem os dela. Não como o selinho da porta da casa dela. Como um beijo de verdade. Como o beijo que um homem apaixonado dá na mulher que ele ama. E eu amava mais do que tudo no mundo.
Beijei ela com toda a paixão que eu pude colocar no beijo, sentindo os braços dela se rodearem ao meu pescoço, enquanto eu a puxava para mais perto. Parti o beijo aos poucos, até afastá-la olhando em seus olhos.
- Eu te amo. - disse - Até.
E virei as costas, enquanto ela ficava ali, sem saber o que fazer. Apenas parada, vendo eu me afastar. Eu podia sentir o olhar dela nas minhas costas, mas o mais importante era que eu podia sentir a dor em meu peito por ter de deixá-la, mesmo que fosse por alguns dias, e o calor e o sabor dos lábios dela ainda possuindo os meus.
- Pronto? - Garrett perguntou assim que cheguei à saída, já me esperando ali e com certeza já tendo visto toda a cena, já que a sua expressão era compreensiva. Apenas assenti e entrei no carro, agradecendo por ele já ter guardado o meu violão. - Não é fácil, mas nada na vida é, John. Quanto mais dificil, melhor a recompensa. O que tiver que ser, será.
Que assim o fosse. Mas tudo o que eu pedia no momento, além de que a espera não doesse e não me torturasse demais, era que quando o momento chegasse que eu não tivesse feito tudo aquilo em vão. Eu ainda não escutava um "eu te amo" sair dos lábios dela. Talvez isso fosse um mal sinal. E isso me assustava mais do que eu queria admitir até para mim mesmo.
Por Deus que Garrett estivesse certo. Que fosse dificil, mas que a recompensa fosse boa. Deus, que voltasse para mim. Por favor.

*Caso queira saber a música que estava tocando no pub: http://www.youtube.com/watch?v=Aro4UBXVa-c

Dia 6 - I Missing U

Eu já estava de saco cheio, totalmente. Aquele hotel podia ser cinco estrelas, podia ter a cama mais maravilhosa e um restaurante legal. Mas eu queria a minha casa.
Ok, não era a minha casa que eu queria. Era mais uma certa mulher chamada que estava me fazendo falta. E ainda não faziam nem 24 horas que eu tinha visto ela pela ultima vez.
Se o primeiro dia de distância estava me fazendo aquele efeito, talvez eu não conseguisse suportar até o 10º dia.
Maldito Garrett e suas ideias. Mil vezes maldito.
Você, sim, você que ainda está seguindos os meus conselhos: não me dê ouvidos. Para começo de conversa, nem ao menos seja otário a ponto de mandá-la embora da sua vida. Mas se você já fez isso e se arrependeu, faça tudo o que for necessário para tê-la de volta para você. Mas faça do seu jeito. Faça da sua maneira. E acima de tudo: não fique longe dela.
Eu posso te garantir que essa é uma coisa que você não vai suportar. Coisa que você não vai suportar, como eu não estava suportando.
Ficar em um hotel durante turnês era uma coisa, agora ficar num hotel à espera de se decidir era algo quase insuportável.
As primeiras horas foram fáceis. Garrett me disse que eu tinha de sair de casa e me colocou naquele hotel, levando ainda meu celular como se eu fosse um maldito viciado e pudesse cair na tentação de não aguentar mais esperar e ligar ou ir até .
Não duvidaria se soubesse que ele acionara a segurança do hotel para não me deixar sair.
No começo eu apenas fiquei no quarto, assistindo TV, relaxando e depois fui almoçar. Voltando do restaurante do hotel notei algumas fãs do tipo ninja, aquelas que sempre conseguem saber aonde estamos e o que estamos fazendo. Dois brutamontes da segurança do hotel as seguravam e fiquei com medo de eles as machucarem e por isso fui até lá fazer o John Social com o meu sorriso explode-ovários que elas adoram ver. Depois de várias fotos, vídeos, autografos e mãos bobas da parte delas, pude finalmente voltar para o quarto com a sensação de dever cumprido.
E foi aí que a paranóia começou.
Eu não tinha o que fazer e não estava com sono. Fiquei jogado na cama deixando meus pensamentos tomarem conta de mim. A avalanche foi ficando cada vez maior e apavorante, repleta de sentimentos misturados e essa simples avalanche começou com uma simples pergunta: e se ela não aparecer?
E se ela simplesmente percebesse que eu não valia o esforço de uma segunda chance?
Era possível. Apesar de eu estar fazendo tudo aquilo, era realmente possivel que eu estivesse fazendo tudo em vão. tinha à sua frente vários outros astros musculosos de Hollywood para ficar. Por que ela me escolheria?
Eu não queria também que ela ficasse comigo por pena. Só porque eu tinha me matado para fazer surpresas para ela. Eu queria amor, cumplicidade e respeito. As coisas que ela dissera serem necessárias para um relacionamento. Eu tinha certeza de que podia dar isso a ela. Mas eu só poderia fazer isso se ela quisesse realmente voltar para mim.
E o que eu tinha de atrativo para chamar a atenção dela? Eu quase a matara numa crise alérgica, passara vergonha cheio de macarrão na frente dela, e ainda dera um dos animais que ela menos gostava no mundo como mascote. Era quase cômico pensar que ela realmente pudesse me dar uma chance.
Imagens do filme de zumbis dela me passaram pela mente e lembrei do ator que contracenara com ela. Ele sim tinha tudo para estar ao lado dela. Ele era boa pinta, forte. Apesar de Jared dizer que até um mosquito era mais forte que eu. O cara tinha músculos de verdade. Eu me garantia, mas tinha que reconhecer que as garotas tinham uma queda por ele. E eu era idiota, ele não.
O sol já tinha se posto e eu continuava naquela cama, perdido nos meus pensamentos, eles não me abandonavam nem sequer por um segundo. Pareciam ficar mais confusos e pessimistas a cada tique taque do relógio na parede.
Eu precisava falar com Garrett e saber se aquele desespero era normal. Eu parecia uma merda de um viciado, trancado com abstinência de sua droga predileta.
era a minha heroína. Entrava pelas minhas veias e me deixava bem e feliz. Apaixonado.
Me ergui e comecei a dar voltas pelo quarto, pensando. Era bom que os planos de Garrett dessem certo. Ou eu realmente não responderia por mim.
Bateram à porta e eu dei graças a Deus. Até mesmo se fosse a arrumadeira, eu a faria sentar ali comigo e perguntaria a ela o que ela achava da minha situação. O que eu deveria fazer. Corri para abrir a porta e vi que não era a arrumadeira e sim que estava ali.
A surpresa e a felicidade de vê-la ali me deixaram imóvel, estático. Nem mesmo pensar coerentemente eu conseguia. Ela estava ali. Na minha frente. Isso deveria ser um bom sinal. Mas eu não conseguia pensar se sim ou se não. Tudo o que eu conseguia pensar era que ela estava ali, no quanto eu a amava e no quanto ela parecia linda.
- Tem noção do desespero que eu passei tentando te encontrar? - ela disparou para dentro do quarto, brava.
- Desculpa? - tentei, sem saber o que dizer. - Por que está aqui?
- Garrett...
- Quer saber? Não importa. Está tudo bem com você? - eu assenti com a cabeça e ela respirou fundo, aliviada. - Estou feliz que esteja bem. Te liguei o dia todo, apareci na sua casa e nada de você. Fiquei preocupada.
Foi instantaneo. O meu sorriso era enorme. E causado pelas palavras dela. Ela procurara por mim.
- Por que estava me procurando? - procurei soar o mais normal possivel com o coração batendo como um louco.
- Você canta a minha música preferida como um principe encantado e depois corre de mim. O que queria que eu fizesse?
Dei de ombros, sincero. Eu realmente não tinha uma resposta para aquela pergunta.
- Vamos passar o dia juntos amanhã. Como um encontro. - o mesmo sorriso estúpido voltou à minha cara enquanto continuava séria. Ela estava linda com aquela calça jeans e com aquela jaqueta de couro. Quase tive que obrigar meus pensamentos a se focarem no que ela dizia e não nas fantasias que meu cérebro criava. E eram muitas e bem variadas. E deliciosas e...
- O que disse? Desculpa... - malditos pensamentos com a cabeça de baixo.
- Eu disse que precisamos nos conhecer, John. Acho que esse encontro poderia nos ajudar nisso. Mas não posso te dar nenhuma garantia de que vamos voltar.
Nada na vida pode ser perfeito, não é mesmo? Mas um almoço e um passeio já eram o suficiente para começar. Eu só tinha que procurar não fazer nada errado.
- Para mim está ótimo. - respondi.
- Perfeito. Então me pegue em casa amanhã às nove. Se atrase e vai sair sozinho, entendeu?
Fiz que sim e se virou para ir embora, como se pedir para sair comigo fosse uma coisa simples e corriqueira. Na verdade pedir era sair era ser delicado, ela praticamente impusera aquilo. Não que eu não tivesse gostado. Pelo contrário.
A puxei pelo braço até o corpo dela se encostar no meu e beijei os lábios dela como se fosse a ultima coisa que eu fazia na minha vida, sentindo os lábios dela se abrirem delicados e aceitarem o contato da minha lingua, que percorreu todo o interior da boca doce dela, se encontrando e se rodeando contra a lingua dela. Quando finalmente soltei , dando uma pausa para que nós dois pudessemos respirar, ela se apoiou na parede, completamente sem fôlego.
- É... Nove. Amanhã. - ela disse meio perdida e foi saindo do quarto, apoiando-se na parede até chegar ao elevador, quando olhou pra mim, que estava parado na porta do quarto com um sorriso do tamanho de uma roda de caminhão.
- Até amanhã, .
Ela sorriu, perdida e entrou no elevador, sem ver a dancinha ridícula que eu fiz, com a maior felicidade no meio do corredor.
Estava no rumo certo. Daria tudo certo, eu tinha certeza. seria minha finalmente.


Dia 7 - Datin'

Eram cinco e vinte da manhã e eu já estava de pé, andando de um lado para o outro. Garrett me deixara voltar para casa e agora ali, diante do meu armário, atolado de roupas que eu achava que nem precisava, mas ganhava de várias lojas só por ser eu, simplesmente não sabia o que vestir.
Eu estava sentindo aquele enjoo acompanhado de fome que sempre vem quando eu estava ansioso e hoje ele parecia ainda pior.
E ali, na frente do guarda roupa, sem saber o que vestir para impressionar , não tive dúvidas e liguei para Kennedy, esperando por alguma luz que me ajudasse a me decidir. Um visual legal já era meio caminho andado na conquista. E eu queria estar bem quando saísse com . Ela estava sempre na lista das celebridades bem vestidas. Não podia simplesmente sair com um mendigo do lado dela.
- Alô? - a voz mais que sonolenta do meu amigo atendeu.
- Ei, cara, sou eu. Eu queria uma dica, eu não sei o que vestir e...
- Vai pro inferno! Morra John O'Callaghan, eu estou dormindo, porra. - e simplesmente desligou o telefone.
Fiquei de boca aberta com a falta de educação de Brock e disquei os números mais uma vez. Eu realmente precisava de ajuda, e já tinha sido legal com ele várias vezes, não custava nada me ajudar agora.
- Alô? - a voz de Kennedy agora estava furiosa e eu não consegui nem sentir remorso por acordar ele mais uma vez.
- Kennedy, sério, eu preciso realmente...
- São quatro da manhã, porra! Aonde diabos você vai que eu preciso te dar dicas de moda como uma bichinha depressiva?
- Não, são cinco horas e eu vou sair com a . - a minha resposta era contente e o orgulho era notável na minha voz. Eu ainda não conseguia acreditar que passaria um dia inteiro com ela.
- Ás seis da manhã?
- Não! Que idéia! Vamos sair às nove, eu vou buscar ela e... - era impossivel a ligação ter caído. Acho que agora eu finalmente conseguira tirar o resto de paciência do Brock.
Bem, azar dele se não queria me ajudar. Eu tinha outra opção e disquei os números de Pat. Não era sempre que eu dava ouvidos para ele, mas em casos de vida ou morte, era sempre justo. Depois de tentar três vezes, desisti de falar com Pat. Aquele maldito não estava em casa e com certeza perdera o celular no pote de biscoitos de novo. Por mais que me doesse, eu tinha que ligar para Kennedy de novo. Agora já estava perto das seis da manhã, ele não seria tão cuzão comigo agora.
- Alô, porra! - ele atendeu gritando.
- Bom dia, Kennedy, você pode me ajudar agora? - perguntei com educação, numa ultima tentativa. Se ele não me ajudasse agora, eu sairia de cueca mesmo. Que se danasse!
- Puta que pariu, John. Vai morrer, inferno. Pega uma camiseta branca, veste um jeans escuro, põe um tênis, não sei. - ele gritava do outro lado da linha parecendo realmente assustador.
- E se fizer frio?
- Então você vai tomar no seu cu.
E mais uma vez o "tututu" da linha fez companhia para mim. Era bom consultarmos algumas aulas de controle da raiva para o Brock, ele estava precisando. Segui a dica dele e coloquei a roupa que ele sugeriu, puxando uma jaqueta do armário, para o caso de fazer frio mais tarde e fui tomar café da manhã, mesmo sem saber se aquilo no meu estômago era fome ou não.
Por que as horas não passavam, hein? Já havia feito café, torradas, já tinha passado manteiga nas torradas, tinha verificado o meu twitter e ainda não eram nem sete horas. Por que as horas não podiam passar rápido? Seria muito feio eu passar na casa dela agora? Pelo menos eu não estaria atrasado para o encontro. Apenas duas horas adiantado, mas o que eram duas horas. Quase nada, certo?
Peguei minha carteira, o celular e as chaves e quando cheguei à porta, Garrett a abriu como se pressentisse que eu estava a ponto de fazer uma besteira.
- Aonde você vai? - ele perguntou paciente. Mas eu sabia que ele estava longe disso.
- Bem, buscar ?
- Senta aí, o seu encontro é só daqui a três horas. - olhei no relógio e Garrett o tirou da parede, consertando-o. Ah, o meu relógio estava adiantado. Sim, era justo o Kennedy estar tão bravo comigo.
Garrett parecia não ter dormido ainda e eu não me surpreendi. Com certeza devia estar em uma daquelas festas nas quais ele provava por A mais B que ele era um verdadeiro Jedi do Amor. As meninas caiam em cima de Garrett como abelha em mel nessas festas. Eu ainda não sabia qual era o segredo dele, mas Garrett nunca saia de uma festa sem pelo menos três meninas agarradas nele.
- Já sabe aonde vai levar ela?
Por que Garrett sempre tinha que fazer perguntas dificeis? Merda! Eu ainda não tinha pensado nisso. Nos meus planos eu só visualizava até a parte onde eu iria buscá-la na casa dela e a beijava e ficavamos no sofá e depois de alguns amassos ela ia fazer comida pra mim. De preferência nada que tivesse molho à bolognesa.
- Er...
- Eu tenho um plano para você. - Deus estava muito abençoado no momento em que colocou Garrett na minha vida. Ok, não muito abençoado. Afinal, eu ainda não me esquecera de que eu já tinha tomado um banho de macarronada por causa dele.
- E consiste em...
- Vocês vão ao parque. Aluguem patins ou bicicletas, deem uma volta enquanto conversam. Puxe assuntos interessantes como sobre a infância dela ou os novos trabalhos. Depois a leve para almoçar em algum lugar perto do parque. Nada muito caro ou coisa assim.
- Acho que entendi.
Na minha mente eu repassava no mínimo três vezes tudo o que ele dizia para que eu não me esquecesse de nada. Levar ela pro parque, andar de alguma coisa, falar sobre coisas legais. Almoço. Certo. Não parecia tão dificil.
- E daí? - perguntei. Se ele tivesse mais alguma idéia seria muito bem vinda.
Ele encheu uma caneca de café e voltou a se sentar no meu sofá, apoiando os pés na mesinha de centro como se fosse o dono da casa. Se ele não estivesse tendo tão boas ideias desde que chegara, com certeza não teria dado tanta liberdade pra ele.
- Bem, talvez você possa levar ela pra tomar sorvete. ama sorvete. De chocolate. E então, talvez você possa contar um pouco sobre a sua vida para ela. adora ouvir histórias dos outros, e se você quer conquistá-la, é bom deixar que ela saiba da sua vida. - assenti mostrando que eu estava entendendo o que ele estava dizendo.
- Vai dar tudo certo.
Garrett me encarou e eu não soube dizer o que vi nos olhos dele. Parecia otimista, mas ao mesmo tempo não tinha tanta certeza. Sono. Talvez fosse isso. Eu também era intratável quando estava com sono.
- Agora liga essa televisão e vamos criticar os clipes da TV que eu estou morto.
Fiz o que Garrett mandou e passamos um bom tempo criticando clipes e músicas que passavam naquele canal 56 e o tempo passou mais depressa. Com certeza Garrett era o meu melhor amigo. Eu não tinha noção do que eu faria sem ele. Por mais que ele não admitisse, eu sabia que ele percebera de alguma forma sobrenatural que eu estava perdido e ansioso e fora até minha casa para me acalmar e me fazer companhia, mesmo sem ter dormido à noite.
- Você é o meu melhor amigo, cara. - eu disse da maneira mais gay que eu pude, esperando que ele entendesse a verdade por trás da minha brincadeira.
- O Pat também diz isso, mas quando ele diz parece mais sensual. - nós dois rimos e começamos a tirar sarro de Pat, que era uma das melhores coisas que fazíamos na vida. O tempo passou rápido e quando notei, Garrett estava colocando minhas chaves, minha carteira e meu celular nas minhas mãos e me enxotando para fora de casa. Trancando a porta em seguida. Folgado, eu tinha certeza que ele iria dormir na minha cama. Só porque a minha era maior e mais confortável. Ás vezes me perguntava porque Garrett tinha uma casa, se vivia mais na minha.
Minhas mãos suavam quando toquei a campainha de , sete minutos adiantado. Escutei latidos do lado de dentro e não consegui conter o meu sorriso. Aquele pequeno pulguento ainda estava ali.
abriu a porta com uma toalha envolta na cabeça, outra enrolada no corpo, apenas com um pé de meia calçado e Mr. Winter trançando suas pernas, buscando atenção. Ela me encarou rapidamente, sorrindo em aprovação a não sei o quê e depois saiu correndo para terminar de se arrumar, dizendo que eu podia ficar a vontade que ela não demoraria.
Fechei a porta e peguei Mr. Winter no colo, que me deu uma longa lambida no rosto, provando que ainda se lembrava de mim. Aquele cãozinho devia me ser muito bem agradecido, eu proporcionara para ele uma das melhores vidas do mundo. Ficar perto de o dia inteiro, sendo alimentado por ela e ainda tendo o plus de poder ver ela nua ocasionalmente era algo que não tinha preço.
Sentei-me no sofá e coloquei Mr. Winter ao meu lado, dando uma discreta olhada por toda a sala. Eu nunca tinha entrado na casa de . Sempre a deixava na porta, ou ela ia até a minha casa. E sentado ali, no meio de sua sala, percebi que aquele lugar tinha a cara dela. Estava um pouco bagunçado, e tinha certeza de que isso era obra da pequena criatura que estava ao meu lado roendo a barra da minha camiseta sem que eu nem ao menos desconfiasse.
- Jesus, você é impossivel. - disse enquanto o colocava no chão e ele não pensou duas vezes antes de ir roer a barra do tapete.
A sala era pintada de branco e tinha uma enorme parede azul piscina que era relaxante por demais. Fiquei ali, assistindo às peripécias de Mr. winter que era incrível na arte de roer os pés de todos os móveis e dez minutos depois, um tempo recorde para uma mulher, aparecer na sala mais uma vez.
Caralho, eu era um cara de sorte.
Eu tinha certeza de que ninguém mais no mundo tinha tanta sorte quanto eu, exceto o sortudo que saia com Megan Fox, com certeza ninguém. E ali estava eu, de frente com aquela Deusa. estava de camiseta, um short meio bege e com Nike nos pés parecendo simples, mas incrível. Como ela conseguia ficar linda sem esforço daquele jeito.
- Acho que já podemos ir. - ela disse como se para eu me lembrar de como me mexer. Já que desde que ela chegara na sala, eu estava em pé como um idiota apenas a encarando.
- É, acho que sim. - e estendi a mão para ela, que a segurou firme. Conduzi até a porta escutando ela dar alguns avisos para Mr. Winter que eu tinha certeza de que não estava entendendo nada, por fim ela avisou ao cachorro que alguém, não me lembro quem, estava indo cuidar dele e saiu comigo, deixando Mr. Winter terminando de roer os pés dos móveis como se ela não tivesse tido para ele parar de fazer aquilo.
- E então, John, aonde vamos?
fez a pergunta quando eu estava dando a partida no carro. Aquele espaço pequeno deixava o perfume dela ainda mais acentuado e eu estava me perdendo nele.
- Dar uma volta. - respondi misterioso. Mas não misterioso o suficiente pra ela ficar com medo, claro.
- Dar uma volta aonde?
Eu ri da curiosidade dela e apenas segui o trafego para o parque do outro lado da cidade, onde eles alugavam bicicletas por algumas horas. E esse era o plano. No primeiro sinal vermelho, parei para observá-la melhor e notei que estava com os dedos cruzados no colo, como se estivesse nervosa com alguma coisa. Talvez fosse a hora de começar a conversa interessante.
- E então, , como anda o seu trabalho?
Ela ergueu os olhos para mim como se estivesse contente por eu ter perguntado.
- Estou lendo algum roteiros. Até o fim da semana que vem eu terei que escolher algum, por isso ainda estou estudando as personagens. Nada demais. - ela sorriu e eu quase passei por cima de um sedan por ter sido o merecedor daquele sorriso. Foco. Eu tinha que ter foco.
- Você realmente gosta de ser uma atriz, não é?
- Claro. É o que eu sempre quis fazer. A mídia é chata, às vezes, mas ter um papel, interpretar e saber que as pessoas valorizam o meu trabalho faz tudo ficar melhor. Acho que é assim com você também quando uma música sua é bem aceita pela crítica não é?
- Sim, mas eu acho que eu faço mais músicas para os fãs do que para a crítica. - ela sorriu com a minha resposta, como se eu tivesse feito as coisas do jeito certo agora.
Estavamos bem perto do parque e eu não quis deixar o assunto morrer naquele momento. - Mas você com certeza se dá bem com os dois, os fãs e a crítica?
- Faço o que posso.
Ela riu enquanto eu estacionava o carro e dava a volta correndo por ele para poder abrir a porta para , como um perfeito cavalheiro. Mas acho que ela não estava muito acostumada com essas coisas gentis, já que abriu a porta de uma vez, batendo ela com toda a força possível no meu nariz.
Caí sentado no chão com o susto e com o baque e ergui o olhar para ela que tinha as duas mãos na boca completamente arrependida e assustada com o que fizera. Coloquei a minha própria mão no meu nariz e vi que estava cheio de sangue e que ele já estava escorrendo para a minha camiseta branca.
- Mas que... - eu já ia começar a xingar quando me puxou do chão de uma vez, como se não fosse menor e mais fraca que eu, já arrancando as chaves do carro das minhas mãos. - Entra no carro, temos que ir para um hospital. - a encarei sem entender direito o que ela quisera dizer e ela se virou para mim, gritando: - Entra no carro, John, merda!
Eu entrei para que ela não ficasse mais brava e assisti pisar no acelerador como se fosse uma das protagonistas de velozes e furiosos, já trocando a marcha e avançando pelo menos três sinais, correndo desesperada pelas ruas.
- , não é assim tão grave, a gente pode voltar e...
- Cala a boca, John! Eu estou nervosa.
Talvez fosse melhor mesmo eu calar a boca, assim ela se concentrava mais no transito e evitariamos que ela batesse o carro. Afinal, os postes passavam tão perto da minha janela que eu estava começando a me assustar.
- , eu...
- Eu sinto muito, John, eu não queria te matar.
- Você não me matou, quase quebrou o meu nariz, não mais que isso.
- Cala a boca, você está com dor. - eu a encarei e ela continuou com a atenção no volante.
Decidi então ficar calado e deixar que ela dirigisse como uma maluca até chegarmos ao hospital. Realmente, ela tinha feito um laboratório para atuar em Velozes e Furiosos, porque ela praticamente fez drift no estacionamento do hospital me deixando terrivelmente assustado, agarrado ao cinto de segurança e à porta, para ter certeza de que continuaria vivo. Se eu morresse naquele momento seria de amor por ou no mínimo de um sangramento. Por favor, Deus, eu não queria morrer num acidente de carro, não ainda.
saiu correndo do carro, gritando para todos os lados à procura de um enfermeiro para me ajudar a sair do carro. Mais uma vez fiquei tentado a dizer à que eu tinha quebrado apenas o nariz e não as pernas, ou o braço, mas ela parecia tão assustadora gritando com o pobre enfermeiro que parecia não acreditar que estava na frente de , que simplesmente deixei que ela fizesse as coisas do jeito dela.
O homem me conduziu para dentro do hospital, me fazendo colocar um pedaço da barra da minha camiseta no nariz para pelo menos estancar um pouco do sangue mas sempre prestando atenção em que ia na nossa frente com aquele short que agora parecia mais curto e atraia a atenção do enfermeiro com uma eficácia nunca vista.
- Se você não tirar o olho, vamos ser dois com o nariz quebrado, estamos entendidos?
O enfermeiro me encarou e acho que aquele monte de sangue escorrendo do meu rosto ajudou na minha cara de malvado, então ele simplesmente desviou o olhar da bunda da minha garota, me levando para a emergência. Ele me levou de imediato para uma sala branca enquanto parou para organizar todas as coisas da minha entrada no hospital, como o número do meu plano de saúde e todas essas coisas.
- Como você quebrou o nariz desse jeito? - a enfermeira que estava de plantão no pronto atendimento, me pegou pela cabeça, tentando ser delicada e dando um delicado toque no meu nariz. O meu grito com certeza ecoou pelo hospital inteiro, apenas de ela tocar o meu nariz. Porra. Ninguém tinha me dito que dóia tanto quebrar o nariz. Na verdade, quando eu não tocava nele não doia, só ardia, mas com aquela mulher querendo tocar ele de tudo quanto era jeito estava me matando. Que caralho de ser homem e aguentar a dor o quê! Estava doendo que era o inferno e ela nem tinha o colocado no lugar e pela olhada que ela dera para o lado, esse momento chegaria logo logo.
- Eu vou ter que colocar o seu nariz no lugar. - ela anunciou.
- Está tão quebrado assim? Acho que vai ser um charme ter ele um pouco, sei lá, torto, não é? - enquanto ela ia chegando mais perto, eu ia me afastando, mas sem querer bati contra a maca e percebi que agora eu não tinha mais para onde fugir e aquela mulher má colocaria o meu nariz no lugar. Eu teria que chorar. Pouco me fodia se eu estava num encontro e que a mulher que eu queria reconquistar estava apenas a alguns metros de distância. Eu estava sofrendo, ok? Estava realmente doendo.
- Vem aqui. - eu fiquei imóvel me preparando para as lágrimas e ela colocou a mão na base do meu nariz, perto dos meus olhos e de uma vez só, o colocou no lugar. Dessa vez sim, eu consegui fazer meu grito ecoar no hospital inteiro. Se fosse o caso, até mesmo Garrett na minha casa escutaria o meu grito. Mas não gritei como uma menina, se é o que você está preocupado com. Foi um grito de macho que está sofrendo. E como eu estava sofrendo com aquilo. - Agora vamos enfaixar, mas se quiser chorar mais um pouco antes... - Você é uma bruta, sabia? - eu disse triste.
- Ok, O seu nariz não vai ficar deformado, seu bebê chorão. - a enfermeira começou a pegar vários metros de faixa e eu comecei a pensar que ela ia enfaixar era o meu corpo inteiro. Pronto! O meu encontro agora era história. Como eu ia sair para andar de bicicleta com com aquele monte de pano na cara? E como eu ia almoçar com ela num restaurante legal?
Porra! Merda! Mil vezes merda! Com certeza isso era oração maligna de Kennedy. Nunca mais pediria ajuda àquele filho da mãe revoltado e vingativo. Ele deveria me ajudar e pedir a Deus para o meu encontro dar certo e não desejar o meu mal.
- Err... Sabe em quantas horas eu vou poder tirar essas faixas?
Eu poderia mudar a data do encontro, talvez. Se eu pudesse sair com ela amanhã...
- Só daqui a alguns dias. Problemas?
Fiquei de boca aberta e deixei a mulher colocar a faixa na minha cara, apertando o meu nariz e arrancando mais algumas lágrimas dos meus olhos. Era sério, aquela mulher tinha algo contra mim. Eu teria mesmo que perguntar para ela se ela não gostava de mim, porque ela estava fazendo aquilo de propósito. Arrancar lágrimas de um ser humano que não tinha culpa de nada deveria ser ilegal. No mínimo.
- Você me odeia?
- Não, mas quem quebrou o seu nariz, odeia. Isso é fato. - ela respondeu e eu parei para pensar no que ela dizia. Ela não me odiava. podia até não me amar, mas não me odiava. - Agora toma esse comprimido para dar uma estancada na dor e fica ali na sala de espera por um tempo, só para termos certeza de que não vai ter nenhum efeito adverso.
- Mas eu tenho um encontro!
- Cancele. Ou quer ir sensual assim com essas faixas no rosto?
Eu simplesmente odiava quando as pessoas tinham razão. E aquela maldita mulher de branco tinha razão.
- Qual é o seu nome mesmo? - perguntei
- Marie. - ela respondeu com um sorriso malvado. Aquela mulher já tinha cara de má. Como diabos eu tinha deixado ela me atender?
- Você está na minha lista negra, Marie.
- Ok, ok. - ela colocou o comprimido na minha mão e depois um pequeno copinho com água. Sem outra opção, tomei o comprimido e deixei ela me conduzir para fora da sala. Marie me mostrou o caminho e eu simplesmente segui o longo corredor até a sala de espera, me jogando em uma das confortáveis poltronas que haviam ali. Minha camiseta estava ensanguentada, meu nariz estava enfaixado, meu cabelo devia estar péssimo. Como diabos eu poderia ter um encontro nessas condições. Estava pensando no que dizer para eu e remarcarmos o encontro para o dia seguinte quando ela se sentou ao meu lado, no braço da poltrona.
- Está doendo muito?
- Nem tanto. - respondi de cabeça baixa para que ela visse o menos possivel da minha cara distorcida.
- Me desculpa, de verdade. - ela foi se colocando mais perto até que notei que estavamos dividindo a poltrona. Ela quase sentada no meu colo, e eu a segurando pelo ombros, para ter certeza de que não a estava apertando. Ela era rápida. Eu nem ao menos percebera que ela tinha feito aquilo.
- E agora, como vai ser o nosso encontro?
sorriu e apenas se levantou, ligando a televisão da sala como se esse fosse um direito dela, trocando os canais da maneira como ela queria até achar um canal que passava filmes clássicos. Ainda estavam passando os comerciais, quando voltou a se aconchegar à mim. Uma sensação boa tomou conta do meu interior e não me fiz de rogado em rodear os ombros dela mais uma vez e aconchegá-la à mim.
- Vamos fazer o nosso encontro aqui. - olhou nos meus olhos sorrindo. - Temos tudo o que precisamos: um eu e um você.
- Mas eu estou péssimo, eu deveria fazer você ter uma boa impressão de mim e...
- John, se fosse para eu sair com um homem por ele ser lindo, eu estaria nas ruas de Hollywood, descendo a Rodeo Drive com o Zac Efron. Eu prezo um pouco mais que isso. E se você está péssimo é por minha culpa que sou uma desastrada nata.
Fiquei encarando como se fosse a primeira vez que eu via ela na minha vida. Ela parecia mais irreal a cada segundo ao lado dela. Por isso apenas sorri e aconcheguei-a no meu peito, enquanto olhavamos para a televisão distraído. Uma sonolência gostosa ameaçou me pegar e me dei conta de que isso podia ser um dos efeitos do medicamento que a bruxa da Marie havia me dado. Maldita, se eu dormisse e perdesse o meu encontro, ela podia esperar uma vingança lenta e sangrenta da minha parte.
- Você sempre foi assim, desastrada? - perguntei puxando assunto, não sabia sobre o que falar. Eu e Garrett não haviamos pensado em treinar essa parte específica.
- Sempre. - riu alto, mesmo ali sendo um hospital e exigindo silêncio - Quando eu era pequeno eu costumava derrubar tudo, esbarrar em tudo, sempre estava roxa porque tinha batido em alguma coisa. Mas foi uma boa infância.
- Eu também era desse tipo. - ri e ela me acompanhou.
Logo a nossa conversa rumou para os desenhos animados que assistíamos quando crianças. Ao contrário do que eu pensava, era uma menina que gostava mais de carrinhos do que de bonecas. Uma enfermeira teve até que chamar a nossa atenção por rirmos muito alto quando estávamos lembrando do Fantástico Mundo De Bob. quase caiu da poltrona de tanto rir da minha imitação do Doug Funny. Ela quase não aguentava ficar direito, de tanto que ria.
Quando o relógio se aproximou das duas da tarde, ainda estavamos na sala de espera, conversando e rindo como dois malucos e usando a televisão como trilha sonora, já que nenhum de nós estava realmente prestando atenção no que passava ali.
- Acho que eu estou com fome. - ela comentou passando a mão na barriga lisa. Deus, se ela começasse a se alisar daquele jeito, eu teria sérios problemas. Não é fácil ter a mulher que você ama quase sentada no seu colo, com aquele short curto e ainda passando a mão na barriga daquela maneira. E se eu tivesse uma ereção? Com o nariz enfaixado e com a barraca armada eu poderia dar adeus a qualquer chance de ainda ficar com .
- Eu... eu... também. - disse tentando sentar de uma maneira que eu não deixasse nada se erguer. Pelo amor de Deus que isso não acontecesse.
- Vou lá ver se você já pode comer. - e graças ao Bom Senhor, saiu do meu colo e foi até a sala de enfermagem voltando de lá com Marie, aquela cobra. Dei uma olhada ressentida para a enfermeira e ela apenas sorriu de lado, como se pouco se lixasse para a minha raiva. Ela e traziam duas bandejas com aquela típica e sem graça comida de hospital. Quando Marie terminou de ajudar a minha futura namorada a colocar tudo na mesinha que havia ali ao lado, ela se levantou sem graça e tirou um bloco de papel do bolso, assim como uma caneta, dando ambos para que sorriu largamente, assinando o papel. Ah, agora tudo fazia sentido. Aquela mulher devia ser fã do cara sensual e forte que fez aquele filme com , ela não queria que a sua atriz favorita ficasse comigo, só podia ser isso!
- Foi um prazer, Marie. Muito obrigada por tudo. - ela deu um abraço na mulher, que com certeza já devia ter garantido uma foto antes e então se virou para mim. - Está precisando de alguma coisa para a dor?
- Não. - respondi seco encarando Marie. deu uma olhada daquelas de mãe para mim. Aquelas que te fazer arrepender na hora do seu comportamento, mesmo que seja justificado. - Muito obrigada, mas não, Marie.
Sorrindo satisfeita agora, deixou que Marie partisse e agora se sentou no sofá para poder comer e me deixar fazer o mesmo, confortavelmente, ou o que fosse mais próximo a isso com aquele bendito nariz enfaixado. Estavamos comendo quietos prestando atenção na televisão, enquanto os comerciais acabavam e de repente, ambos soltamos um grito empolgado ao ver qual seria a próxima atração do canal.
- Ai meu Deus, eu amo esse filme. - ela gritou animada, quase deixando o prato cair.
- Nossa, ...E o Vento Levou!
Eu tinha de admitir, que por mais gay que soasse, eu gostava realmente daquele filme. Era um clássico. Apesar de eu preferir os filmes de Terror, eu sabia apreciar as boas coisas. E ...E O Vento Levou era uma dessas coisas que realmente merecem ser apreciadas.
- O sonho da minha vida é interpretar Scarlett. - disse sonhadora. Eu a encarei sério e percebi que ela seria realmente uma boa Scarlett O'Hara. Ela tinha todo aquela coisa metida e dona de si, e o charme... Eu já adorava aquele personagem, se o fizesse um dia, eu realmente me perderia de vez.
- Se você for Scarlett O'Hara, eu vou ter que abandonar a música por um tempo.
se virou para mim, assombrada enquanto eu simplesmente continuava com os olhos na televisão, assistindo a abertura do filme e colocando comida na boca e tentando não acertar a faixa, pacientemente, como se nada tivesse sido dito.
- Por...
- Porque eu vou entrar num curso intensivo para ser o novo Clark Gable. - sorrimos um para o outro e voltamos a comer, em silêncio, prestando atenção no filme e ainda digerindo as minhas ultimas palavras. Eu tinha feito certo. Pela primeira vez.
O filme foi passando e eu e já haviamos terminado de comer aquela coisa horrivel, também conhecida como comida hospital, ainda vidrados na tela. Foi quando notei que ela estava quase chorando. Rhett e Scarlett tinham a discussão da separação e até eu me senti um pouco emocionado, mas as ataduras disfarçavam um pouco. Fiquei surpreso quando segurou a minha mão, não mais olhando para o filme, e sim nos meus olhos, me deixando elevado pelo brilho deles.
- Eu quis você. Eu quis você desesperadamente, mas eu não achei que você me quisesse.
Eu esperava que ela não quisesse dizer nada com aquela frase, que ela apenas sabia aquilo de cor e estava declamando para mim. Mas sua mão não soltou a minha e eu fiquei apenas vagamente consciente do resto da cena na tela, lá Clark Gable já dizia à Vivien Leigh que ele não se importava quando ela perguntara o que faria quando ele se fosse. - Por favor, John, não me diga que não se importa.
- Eu nunca diria isso. - assegurei.
- Eu tentei ser aquela que você gostaria. A mulher desejavel, a capa de revistas, e você nunca disse que não se importava, você mostrou que não se importava. Então, John, me dê um bom motivo para ser diferente dessa vez. Eu quero fazer isso certo. Essa que você conheceu aqui hoje é a verdadeira . Nada de maquiagem, nada de personagens. Apenas uma mulher que tem uma longa história e que quer escrever muito mais nela. E aí está você, se oferecendo para ser a pessoa que vai segurar a minha mão enquanto eu traço novas linhas. Por isso, John, me dê um motivo realmente bom para voltar pra você, para fazer isso dar certo dessa vez.
- Eu te amo. Esse não é um bom motivo?
- Não é o suficiente. - ela abaixou a cabeça.
- E o que vai ser suficiente para você, ? Eu estou há uma semana tentando provar das formar mais diferentes possíveis que eu estou realmente apaixonado por você, por essa que eu estou vendo agora, pela que odeia cachorros, que tem alergia a pólen. Essa mulher foi a que despertou o meu amor. Eu percebi que não podia viver sem você quando a vi descabelada e suada no show do John Mayer. Ali eu vi que você era minha e que eu faria tudo o que eu pudesse para que você realmente o fosse. - eu respirei fundo e deixei meu olhar se perder na televisão por um só momento, agora com os créditos subindo. - Eu não sou perfeito, e ultimamente eu estou fazendo mais coisas erradas do que certas, mas todas elas compensam se for pra te ter de volta, mas ao que parece eu não estou fazendo nada certo.
Eu me levantei da poltrona soltando a mão dela com um aperto dolorido no coração. Aquilo já estava de bom tamanho para mim. Por que então concordara com aquele encontro se nem ao menos tinha a vontade de voltar para mim. Há quantos dias eu estava apenas disperdiçando meu tempo para não estar adiantando nada? Sete? Quantos dias mais eu precisaria para fazê-la entender. Foi então que eu percebi que eu não a faria entender. ergueu o olhar para mim e eu vi todas as lágrimas escorrendo do seu olhar. Eu nunca a tinha visto chorar e isso fez uma pressão dolorida dentro de mim. Mas eu já tinha tomado a minha decião.
- Se você não quer, , nada do que eu faça te fará entender. Então, eu realmente sinto muito por disperdiçar o seu tempo.
Sem me importar em deixá-la lá chorando ou se eu ainda precisaria ficar mais tempo no hospital para ver qualquer dano ao meu nariz, eu simplesmente saí do hospital, entrando no meu carro e dirigindo para casa, como se nada tivesse acontecido. Por fora.
Por dentro, eu estava miseravel e segurando as lágrimas com toda a força que eu um dia tinha. Marie dissera que aquele remédio daria um jeito na minha dor. Na do nariz com certeza dera, mas na que agora tomava conta do meu peito, ela não tinha a menor chance de aliviar. Estacionei o carro, entrei em casa e me joguei no sofá, vendo Garrett sair correndo do quarto me encarando sem usar palavras para perguntar o que estava acontecendo. Garrett não fez uma só pergunta. Nem por que minha camiseta estava toda ensanguentada, nem por que meu nariz estava enfaixado e nem por que eu estava chorando como uma menininha.
Meu melhor amigo apenas sentou-se ao meu lado, puxando o meu ombro para que eu o abraçasse e fiz isso com toda a força possível, deixando que as lágrimas escorressem com mais velocidade. Tudo tinha acabado agora. E então deixei que Garrett controlasse o meu pranto, como o melhor amigo que era.


Dia 8 - It's A Heartache, Nothing But A Heartache

Bateram à porta do quarto e eu não me preocupei em mandar a pessoa entrar ou não. Eu sabia que era Garrett e que ele entraria de qualquer jeito. Mesmo se eu colocasse uma maldita tranca na porta, ele ainda entraria e faria a mesma coisa que fazia naquele instante: se sentaria ao meu lado e me encararia até que eu estivesse pronto para dizer alguma coisa.
Mas eu não queria dizer nada, eu estava confortável daquele jeito, sentado no meio da minha cama, com o meu violão e simplesmente ficar tocando ele, dia e noite. Não queria fazer outra coisa. Será que ninguém entenderia isso?
Garrett me encarou de uma maneira diferente agora, como se tivesse pena de mim e eu odiei isso.
- Não preciso da sua comiseração, Nickelsen.
- Mas parece que da sua própria você precisa, não é, John? - dei uma olhada raivosa para ele e Garrett apenas deu de ombro como se não se importasse com a minha raiva. - Você pode tentar de novo, temos três dias e...
- Tentar pra quê, Garrett? Para chegar ao décimo dia e vermos que eu passei dez dias da minha vida tentando provar algo que não tinha provas? Vamos ver que gastamos dez dias das nossas vidas, mais um caminhão de dinheiro com jantares, flores e despesa médica?
- Mas ela não vale a pena?
Abaixei a cabeça tentando segurar a dor. Aquela maldita dor tinha me assolado durante toda a noite anterior, e ainda hoje estava pior. Como se cada segundo fizesse a ferida se abrir e ficar pior. Eu deveria parar de sentir pena de mim mesmo, mas eu ainda conseguia lembrar do olhar dela, da decepção que eu senti quando vi que não adiantaria nada continuar naquilo. Eu havia gasto todas as minhas chances da primeira vez, era como cavar para encontrar um tesouro que eu sabia que não estava lá.
Era inútil.
- Vale. Sou eu quem não vale.
- Cansei de discutir com você, John. Vou fazer um lanche, enquanto isso, pare e pense se é realmente esse o John O'Callaghan que eu conheci. - ele se levantou e deu um tapa no meu pé, fazendo eu encará-lo. - John O'Callaghan não chora, John O'Callaghan faz os outros chorar. Você não desiste por pouco, John, você é muito mais do que isso. Então, por favor alien carente que está dedilhando ABBA no violão do meu melhor amigo, vá embora e traga o John de volta.
Garrett chegou à porta e eu finalmente ergui a cabeça para ele.
- Como você sabe que isso é ABBA? - perguntei curioso, mas já com um começo de sorriso despontando no meu rosto.
- Sabendo. E saiba que Dancing Queen é minha preferida, não The Winner Takes It All, então para de tocar essa merda.
Ele bateu a porta, nervoso e saiu para a cozinha, e do meu quarto, escutei a barulheira que ele fazia ali para preparar um simples sanduíche. Meus dedos continuaram no violão como se o instrumento fosse parte de mim, os acordes começaram soltos e logo eu estava tocando Flighless Bird, American Mouth me recusando tremendamente a cantar uma só nota que fosse. Ela não merecia isso, mas quando o refrão chegou, não resisti a deixar minha voz sair e encher o quarto junto com o som do violão, me fazendo lembrar do imenso e luminoso sorriso no rosto dela quando toquei aquela música para ela, naquele pub de Jazz, mesmo sabendo que aquela música folk não tinha nada a ver com o ritmo do bar.
Do que mais eu era capaz por ? Era. Passado. Acabara. E fora justamente ela quem quisera daquela forma.
Lembrei da visita dos outros mais cedo. Garrett achava que eu não sabia que fora ele quem ligara para eles, quando os vi aparecendo um a cada hora diante da porta do meu quarto, com um tímido "posso entrar?" e uma cara de enterro que só não era pior que a minha.
Todos tentaram usar aquela psciologia horrenda de livros de auto ajuda tentando me colocar para cima, mas não conseguiram. Ainda estava muito recente para isso passar tão fácil. Pat até mesmo me levara chocolates, como se eu fosse uma maldita mulher em TPM. No fim, ele mesmo comera os bombons. Eu não queria comer, e os remédios que o farmacêutico me dera para o nariz, não me davam vontade de comer.
Como diabos ela conseguira acertar o meu nariz com a porta da caminhonete, mesmo eu sendo tão alto? Kennedy apostava que tinha sido de propósito. Ela não me queria e estava tentando me deixar feio para que nenhuma outra mulher me quisesse. Mas eu não achava que fosse isso. Devia ter sido um alerta do destino para eu ir embora e esquecer aquele maldito encontro, mas mesmo assim eu continuei lá e dera no que dera.
Garrett entrou no quarto mais uma vez, com dois sanduíches no prato. Ele me estendeu um e eu simplesmente neguei. Mas ele continuou com a mão firmemente estendida até que eu peguei o bendito sanduíche. Garrett continuou me encarando até que eu dei duas mordidas nele, então finalmente se sentou do meu lado, comendo o bendito sanduíche.
- E então, o que você vai fazer? Vai continuar trancado no quarto e tocando músicas de amor, ou vai começar a superar isso?
- Mas... - tentei, pesando os prós e contras de levantar dali e voltar à vida normal. E daí, muitos têm o coração partido todos os dias, mas ainda assim, continuam a vida. Talvez fosse mesmo a hora de eu me levantar e voltar a ser o velho John. Não era como se aquele aperto no meu peito fosse passar rápido, mas ainda assim, eu tinha que tentar fazer ele passar. Achar um remédio para isso. Talvez Garrett tivesse razão. Afinal, ele não tivera razão em todos os momentos desses ultimos dias? - Eu estou sentindo falta de um companheiro para espalhar o mel do amor. Você sabe...
Eu ri, deixando o violão de lado, me erguendo enquanto Garrett fazia o mesmo com um largo sorriso.
Demoraria para passar, mas passaria. Eu tinha Garrett e todos os outros Maines para me ajudar, eu era um vocalista de sucesso, na verdade, não tinha motivos para estar naquela depressão. Exceto o meu nariz, mas isso era fichinha. Eu encontraria outro alguém. Mas algo dentro de mim, me dizia minuto após minuto, que eu poderia encontrar alguém, mas essa pessoa nunca teria metade do amor que um dia eu sentira por . Nunca.


Dia 9 - Sorry Sorry

POV

Mr. winter deu uma volta ao meu redor e eu sorri para ele, que automaticamente pulou sobre os meus joelhos pedindo um pouco de carinho, cocei a cabeça do meu cachorrinho, vendo ele abanar o rabo contente.
Pelo menos alguém naquela casa estava contente.
Eu não sabia mais o que fazer. Havia passado o dia interior completo, tentando pensar no que fazer da minha vida. As palavras de John ainda me machucavam um pouco. E acima de tudo, me fizeram ver que eu havia feito tudo errado.
Eu o queria. Desesperadamente. Mais do que eu havia querido qualquer coisa na minha vida. Mais do que eu queria a minha carreira. E de uma forma ilógica, eu tentara punir John por não ter dado certo da primeira vez que ficaramos juntos. Caramba! Eu não era inocente. Eu me escondera atrás de um personagem para que ele gostasse mais do personagem do que de mim e assim não me abandonasse. John tinha sido errado em acreditar no personagem e não querer ver mais além dele, ver aonde eu queria que ele visse. Mas eu também era culpada, talvez até mais do que ele, por ser uma maldita idiota apaixonada que criara toda aquela confusão.
Tentei ligar para Garrett, pelo que parecia ser a enésima vez e, assim como das outras vezes, ele não me atendera.
Bufei coçando a cabeça e atirei o celular para o lado de novo.
Eu precisava organizar a minha vida antes de fazer qualquer coisa.
Joguei-me no sofá, vendo Mr. Winter pular sobre mim e se rodear ao meu lado, obediente e fofo como sempre. Mr. Winter era tão especial quanto a pessoa que me dera ele. John conseguira mudar as minhas perspectivas em apenas sete de dias, de uma maneira que ninguém conseguira em anos. Ele conseguira ser fofo ao me mandar flores, mesmo eu sendo alérgica a elas, a espontaneidade e beleza do fato, continuavam ali. Ele passara vergonha diante de um restaurante cheio apenas para me causar ciúmes, havia me dado Mr. Winter, John ainda tinha cantado a minha música favorita diante de um bar inteiro. E então viera aquele encontro. E era aquele maldito encontro que eu remoía sem parar.
Ele dissera que me amava e eu dissera que aquilo não era o suficiente. O que diabos eu tinha na cabeça? Claro que era suficiente. John sempre fora o suficiente. Mas eu sabia o que eu tinha feito. Eu tive a maldita ideia de fazer ele sofrer pelo que houvera na primeira vez. Como eu pudera ser tão estúpida!
Eu tinha disperdiçado a minha chance e agora era tarde demais. Sim, era tarde demais. Se não o fosse, Garrett já teria me atendido. Continuei acariciando a cabeça de Mr. Winter me sentindo a pior das mulheres.
Ai, como eu me arrependia. Se eu pudesse voltar no tempo, eu teria feito tudo diferente.
Quando ele dissera que me amava e perguntara se aquilo era o suficiente, eu deveria ter respondido a verdade. Deveria ter respondido que era mais que suficiente. Ter John me amando era algo semelhante a um sonho. E então tudo estaria bem agora.
Fechei os olhos, encostando a cabeça no encosto do sofá, lembrando da voz firme de John cantando Flightless Bird, American Mouth para mim naquele bar. Era só fechar os olhos e eu podia viver as mesmas emoções mais uma vez. Eu podia ver os olhos dele, verdes, faiscantes enquanto me encaravam, emocionada por tê-lo cantando a minha música favorita.
Eu podia lembrar dos seus beijos, Deus! Eu ainda sentia os lábios dele nos meus.
Como eu pudera ser tão idiota? Como eu pudera disperdiçar a minha chance?
Eu deveria arrumar alguma coisa para eu comer. Já passara da hora do jantar há eras e mesmo assim eu não estava com fome.
Dentro de mim só haviam sentimentos confusos que se degladiavam, um positivamente, e outro sempre negativo, ou quem sabe, realista. Um me dizia que não tinha problema nenhum ligar para John e dizer o que realmente ia dentro do meu coração. O outro, fazia o brilhante favor de me lembrar que eu estava errada, que eu tinha feito tudo da pior maneira possível e agora eu não tinha mais tempo, chances, nem John.
Meu celular tocou e me levantei correndo para tentar achar aonde eu tinha atirado o meu celular, e graças a Deus o achei atrás de alguns almofadões da sala. Meu coração disparou quando olhei o nome no visor.
Eu deveria atender. E ali mesmo dizer tudo. Minha mente ainda me dava flashes do momento em que John saíra do hospital, pedindo desculpas por ter gasto o meu tempo, e me deixando ali, afogada em lágrimas e palavras não ditas, mas que pediam desesperadamente para sair dos meus lábios.
- Alô? - atendi nervosa. Deus, se existisse alguma chance para mim, me desse um sinal.
- ?
Meu coração disparou mais uma vez. Isso sempre acontecia quando John dizia o meu nome.
- Sou eu.
- Eu te odeio. - ele disse simplesmente. A voz dele estava pastosa, parecia que ele havia bebido demais, mas ainda assim as suas palavras tiveram o dom de destruir o meu coração. Dizem que quando você está bêbado a verdade sai mais facilmente, talvez isso fosse o que estava acontecendo naquele instante. - Eu te odeio tanto que é insuportável. Eu...
- John, me...
- Meu Deus, John! Me dá esse telefone, você está bêbado! - ouvi a voz de Garrett gritar perto e vi que eu havia acertado: John havia bebido demais. Talvez isso também fosse minha culpa.
- Não, ela tem que ouvir, Garrett. Ela tem que saber que eu amo ela tão fodidamente que passei sete malditos dias fazendo de tudo para ela ver que nunca vai ter nenhuma garota, só ela e ainda faz isso comigo. É injusto. Por que ela não disse desde o princípio que não me amava? Hein? - agora a voz de John parecia estar direcionada de novo para o telefone, para mim. - Por que não disse desde o começo que eu só estava perdendo tempo em querer voltar para você. Por que não disse naquela maldita vez em que estava espirrando sem parar que não iria voltar para mim? Por que, ?
As palavras ficaram presas na minha garganta, mais uma vez. Por que diabos eu não conseguia nunca dizer a ele o que eu realmente sentia, o que eu verdadeiramente pensava e queria sobre nós?
- Me dá o telefone, John, não faz isso, cara...
- Eu te amo, . E você partiu o meu coração, isso não se faz, não se faz.
- John...
- Por favor, não diga que sente muito. Isso vai ser mentira, e eu não suporto mentiras. - eu comecei a chorar sem parar, atraindo a atenção de Mr. Winter, que me olhava com seus pequenos olhos pretos, tentando saber o que estava acontecendo.
- Eu te amo, John O'Callaghan. Eu te amo tão fodidamente que eu fiz toda essa bagunça. Eu te amo desde que você cantou Into Your Arms na premiação do Nick e eu estava lá, embevecida com a sua voz, com a sua altura, com tudo sobre você. Eu fiquei da platéia, apenas assistindo você e desejando secretamente ser aquela por quem você dizia estar apaixonado na canção. Eu queria estar nos seus braços. Tem noção, John O'Callaghan, do quão especial foi para mim a primeira vez que você falou comigo, depois de todas as noites que eu imaginei você fazendo isso? Acho que não. Eu te amo, John. Eu te amei antes da primeira vez, durante todo aquele tempo, mesmo fingindo ser outra pessoa para que você gostasse mais de mim, a verdadeira sempre esteve ali, te amando a cada dia mais. Você me deixou, mas as coisas não mudaram. Eu sempre quis ser malditamente sua, John O'Callagha, mais do que qualquer outra coisa. - as lágrimas me atrapalhavam a falar, mas eu esperava que ele estivesse entendo o que eu queria dizer. Finalmente aquelas palavras sairam dos meus lábios e agora pareciam fortes, através do telefone. Mas eu não tinha como saber quão fortes. E acima de tudo, eu não sabia se essas palavras, que vinham do fundo do meu coração, podiam me trazer de volta a chance que eu perdera. - Tudo o que você fez durante esses sete dias não foi em vão, John. Elas me mostraram que você pode ser determinado, engraçado, forte, e podia ser meu. Você foi você mesmo durante todos esses dias, e eu permiti que você visse a verdadeira , ainda que eu não disse para você, nem um segundo sequer o que eu realmente sentia, eu estava adorando cada segundo. Estava me apaixonando mais e mais a cada instante.
Apenas o som de uma festa podia ser ouvido no fundo, nada mais que isso. Talvez eu estivesse errada. Talvez dizer tudo aquilo não valesse de nada. Mas eu já começara, eu tinha que terminar.
- Então, eu só queria que soubesse que, anteontem, no hospital, foi um dos dias mais divertidos da minha vida, e um dos que eu mais me arrependo também. Porque quando você me perguntou se me amar era o suficiente, eu deveria ter dito a verdade. Que você me amar é o suficiente, sempre será.
- Se é assim, então por que não me disse ontem?
Eu já estava na chuva, eu tinha que me deixar molhar.
- Porque eu queria que você sentisse o que eu senti. Tentando fazer você me notar, queria que você visse o quanto era terrível tentar fazer alguém te amar e não conseguir. Eu sinto muito por isso.
- Eu também. - e foi só isso que John O'Callaghan disse antes de desligar o telefone, me deixando quieta e admirando o enorme relógio de parede que eu havia ganhado da FX, apontar seus dois ponteiros para a meia noite.
Acabara, eu perdera a minha chance por ser estúpida. Por ter sido burra o suficiente para acreditar que... Por acreditar em quê? Nem eu mais sabia.
Escorreguei para o sofá, sem conseguir parar de chorar nem sequer por um instante e Mr. Winter se sentou no meu colo, fofo e disponível como sempre, dando leves mordidinhas na minha mão me chamando para brincar. Cocei as orelhas dele da maneira que eu sabia que aquele pequeno pulguento gostava e voltei a encostar minha cabeça nas almofadas do sofá, relaxando e deixando as lágrimas cairem. Eu seria eternamente grata a John por Mr. Winter, aquele mascote seria sempre uma lembrança dos bons tempos em que eu o amara, e nem que fosse por um pouco periodo de tempo, eu fora amada de volta.
Eu poderia chorar por dias, mas isso não apagaria as lembranças de John.
Nem o tanto que eu o amava. Peguei o notebook, jogado na mesinha de novo, e selecionei apenas duas músicas para tocarem em looping até que as lágrimas me trouxessem o sono. Puxei Mr. Winter para debaixo do cobertor, no sofá mesmo, e deixei que Into Your Arms ecoasse pela sala, me acalmando, sabendo que em seguida viria Flightless Bird, American Mouth, e acima de tudo, sabendo que quando o sono finalmente chegasse, eu poderia ficar com John, porque nos meus sonhos, eu não perdia chances, ele nunca partia.
Nos meus sonhos, eramos sempre Scarlett e Rhett dando um final feliz para ...E O Vento Levou.
E para a nossa própria história de amor.


Dia 10 - Into Your Arms

John POV

- Entra no carro.
- Mas...
- Entra. No. Carro. - dessa vez eu nem pensei em argumentar com Garrett que vinha me arrastando desde a festa para o estacionamento. Entrei no carro, calado, vendo Garrett com uma expressão mais que estranha no rosto.
Desde que eu desligara o telefonema para , ele armara aquela cara, e saíra da festa, voltando minutos depois para me puxar para a saída. Eu ainda não sabia o que havia acontecido, mas não estava com muita vontade de perguntar. As coisas ainda não estavam fazendo sentido para mim, e eu sabia que não era o alcool. Eu não estava nem alto, ainda. Eu poderia beber muito mais do que aquilo.
Mas na festa, com mulheres passando por todos os lados, eu percebi o quanto aquela maldita me fazia falta. O quanto eu estava bravo com ela a ponto de não conseguir prestar atenção nem mesmo na garota que Garrett tinha me apresentado e que parecia deslumbrante naquele vestido preto curto, mostrando os, hum, atributos, dela.
Quanto mais a mulher falava, ao meu lado, mais eu pensava em e no quanto eu a odiava, tentando entender os motivos para ela fazer o que fizera comigo, mas não conseguindo encontrar nem um, sequer.
Ela não me amava. Então por que tinha ficado comigo da primeira vez? Por que me deixara correr atrás dela, na segunda vez, tornando tudo mais doloroso? Doloroso para mim, e doloroso para ela. Porque eu ainda conseguia ver aquele rosto bonito repleto de lágrimas a todo instante.
Porra, mas aquela maldita mulher não podia ficar calada um pouco? Pedi licença, completamente ignorante, sem me importar com o que ela poderia pensar de mim e fui para perto dos banheiros, onde o som era mais abafado e me permitiria ouvi-la melhor. Não a coxuda que falava sem parar, mas .
Eu não entendia porque aquela coisa dentro de mim simplesmente me pedia para discar os números e confrontá-la, mas eu sentia que era isso que eu deveria fazer. E o fiz.
- Alô?
A voz dela. Aquilo era o suficiente para me deixar em transe, para me fazer lembrar de tudo o que acontecera. Meu coração disparara, e eu me senti um idiota por não ser capaz de odiar ela e os sentimentos perdidos.
- ?
Tentei ganhar tempo para voltar a respirar novamente, para organizar os pensamentos e não dizer nenhuma besteira.
- Sou eu.
- Eu te odeio. - eu disse. E aquela foi uma das maiores mentiras que já saiu da minha boca. - Eu te odeio tanto que é insuportável. Eu... - não fui capaz de continuar. Nem mesmo a minha própria boca se atrevia a trair o meu coração e dizer algo que não fosse a verdade: que eu a amava tanto, que não me importava quanto tempo fosse durar para tê-la de volta. Eu a queria. Mas logo me lembrei do que ela dissera no hospital, sobre o meu amor não ser o suficiente. E voltei a engolir as minhas palavras.
- John, me...
- Meu Deus, John! Me dá esse telefone, você está bêbado! - Garrett tentou tirar o telefone da minha mão, vindo-se sabe-se lá Deus de onde, e eu simplesmente lhe dei um olhar revoltado.
- Não, ela tem que ouvir, Garrett. - disse bravo - Ela tem que saber que eu amo ela tão fodidamente que passei sete malditos dias fazendo de tudo para ela ver que nunca vai ter nenhuma garota, só ela e ainda faz isso comigo. É injusto. Por que ela não disse desde o princípio que não me amava? Hein? - ele voltou a fazer aquela cara de pena e eu fiquei com mais raiva ainda - Por que não disse desde o começo que eu só estava perdendo tempo em querer voltar para você. Por que não disse naquela maldita vez em que estava espirrando sem parar que não iria voltar para mim? - Garrett deu de ombros e decidi perguntar para a unica pessoa que poderia me responder aquilo: - Por que, ?
- Me dá o telefone, John, não faz isso, cara...
- Eu te amo, . E você partiu o meu coração, isso não se faz, não se faz. - devolvi para ela no telefone, mesmo sem ter tido resposta alguma, enquanto tentava desviar da mão de Garrett, me colocando na ponta dos pés, onde eu sabia que ele não iria me alcançar.
- John... - ela começou.
- Por favor, não diga que sente muito. Isso vai ser mentira, e eu não suporto mentiras.
Meu coração parou. Eu parei e Garrett quase conseguiu tirar o telefone da minha mão, quando o fiz. Ela estava chorando. Aquele som me dava apertos no peito, sabendo que ela estava chorando por minha causa.
Garrett desistiu de tirar o telefone de mim e colou o seu ouvido nele, quando me abaixei para que ele pudesse escutar também o que estava acontecendo.
- Eu te amo, John O'Callaghan. - Meu coração deu um salto quando escutei aquilo. Não podia ser verdade. Não depois do que acontecera no hospital. - Eu te amo tão fodidamente que eu fiz toda essa bagunça. Eu te amo desde que você cantou Into Your Arms na premiação do Nick e eu estava lá, embevecida com a sua voz, com a sua altura, com tudo sobre você. Eu fiquei da platéia, apenas assistindo você e desejando secretamente ser aquela por quem você dizia estar apaixonado na canção. Eu queria estar nos seus braços. Tem noção, John O'Callaghan, do quão especial foi para mim a primeira vez que você falou comigo, depois de todas as noites que eu imaginei você fazendo isso? Acho que não. Eu te amo, John. Eu te amei antes da primeira vez, durante todo aquele tempo, mesmo fingindo ser outra pessoa para que você gostasse mais de mim, a verdadeira sempre esteve ali, te amando a cada dia mais. Você me deixou, mas as coisas não mudaram. Eu sempre quis ser malditamente sua, John O'Callagha, mais do que qualquer outra coisa.
Eu não consegui dizer nada. As coisas se misturavam dentro de mim. Os sentimentos pareciam mais perdidos enquanto ela dizia aquilo.
- Tudo o que você fez durante esses sete dias não foi em vão, John. Elas me mostraram que você pode ser determinado, engraçado, forte, e podia ser meu. Você foi você mesmo durante todos esses dias, e eu permiti que você visse a verdadeira , ainda que eu não disse para você, nem um segundo sequer o que eu realmente sentia, eu estava adorando cada segundo. Estava me apaixonando mais e mais a cada instante.
Garrett me encarou, tentando saber qual era a minha reação a tudo aquilo que havíamos escutado, mas não consegui nem ao menos expressar algo. As palavras de ainda ecoavam na minha cabeça.
- Então, eu só queria que soubesse que, anteontem, no hospital, foi um dos dias mais divertidos da minha vida, e um dos que eu mais me arrependo também. - aquilo me fez arregalar os olhos, surpreso por ela estar dizendo aquilo, depois de tudo o que falara antes. - Porque quando você me perguntou se me amar era o suficiente, eu deveria ter dito a verdade. Que você me amar é o suficiente, sempre será.
Respirei fundo, tentando encontrar um tanto de lucidez ali, naquele sonho, mas não encontrei.
- Se é assim, então por que não me disse ontem? - perguntei e com toda a certeza essa era a pergunta que estava remoendo o cérebro de Garrett, assim como estava remoendo o meu.
- Porque eu queria que você sentisse o que eu senti. Tentando fazer você me notar, queria que você visse o quanto era terrível tentar fazer alguém te amar e não conseguir. Eu sinto muito por isso. - ela chorava bastante e encarei Garrett, sério, enquanto dava a minha resposta às ultimas palavras dela.
- Eu também.
Antes que eu pudesse me virar para Garrett e dizer alguma coisa, depois de desligar o telefone, ele já tinha saído do meu lado e andava pela festa, em direção à saída com uma determinação que eu nunca vira nele. Eu sabia que ele estava ignorando as ligações de , mas não sabia por que ele parecia tão bravo naquele momento. Sendo que eu mesmo não o estava.
A verdade, era que eu não sabia o que sentir. Haviam tantas coisas a se pensar, a se sentir, que eu fiquei perdido, apenas encarando a parede com a placa de "não fume", com uma vontade desgraçada de acender um cigarro para ver se aquilo passava, e foi quando fui arrastado para o estacionamento, sem saber por quem, ou por quê.
- Aonde estamos indo? - perguntei a Garrett quando estavamos na via principal.
- É o décimo dia.
Oi?
Essa eu realmente não tinha entendido.
- Eu disse que traria de volta para você em dez dias. O décimo dia está começando neste instante, e eu te juro, John, que não vou deixar esse dia acabar sem ter resolvido isso.
- Mas, Garrett, ela não... -
- Te ama? Acho que ela te ama mais do que eu pensava. E olha que eu já sabia que era muito. Eu tenho uma idéia. - Garrett parou no sinal e me encarou, tentando ver cada pedaço da minha expressão. - Mas ela só vai dar certo se você quiser fazer isso.
O encarei e o sinal abriu. Eu nem precisava ser adivinho para saber o que ele tinha em mente. Era o décimo dia. Ele havia me prometido trazer de volta para mim em dez dias e ele faria isso. Por que era assim que tinha de ser, não é? As coisas foram complicadas, estranhas, mas no fim, a única coisa que importava era que era minha, e de uma maneira que eu nunca imaginava, eu sempre tinha sido dela. Tudo o que precisavamos agora era parar de confusão, parar de doce e nos entregarmos ao que tínhamos um no outro. Parecia gay e muito clichê, mas parecia tão certo que eu não me importei com os meus pensamentos estarem parecendo pensamentos do Pat.
- O que tem em mente?
Garrett pensou no que dizer e logo uma chuva fina começou a molhar o vidro do carro. Ele xingou aqueles pingos de uma maneira que eu fiquei de boca aberta, nem eu sabia que ele conhecia aqueles xingamentos. Mas fiquei calado, ainda esperando para saber qual era a idéia dele.
- Essa chuva maldita vai estragar todo o meu plano, e grande parte dele já está em execução. - certo, o mundo estava tentando me matar de confusão? Se fosse isso, estava sendo bastante eficaz. Garrett arrancou o celular do bolso, discando um número da discagem rápida e dirigindo ao mesmo tempo. Cacete, eu estava cercado de péssimos motoristas. Primeiro , agora Garrett. Eu precisava de um seguro de vida urgente. - Ken, é o Garrett, vocês já estão indo? Sei. Mas e a chuva? Nossa, boa idéia! Vai dar certo. Cara, você é um gênio. Ah, ok, eu aviso ele. Sim, pode falar pro Pat que está bom. Sim. - ele virou-se para mim, me dando uma longa olhada, como se estivesse estudando o estado das minhas roupas. - Não está ruim. Ok. Vejo vocês lá.
- Agora, será que dá para você me explicar o que está acontecendo? - eu disse calmamente, mas tive que soltar - Porra! Eu não estou entendendo caralho nenhum. - Vamos fazer uma serenata.
Esqueça tudo o que eu disse sobre as boas idéias do Garrett, elas não são tão boas assim, e a prova disso era o absurdo que ele tinha acabado de dizer. Que porra ele estava pensando? não era mulher desse tipo, de serenatas e flores. O nosso encontro foi em um hospital. Não, ela não era desse tipo.
- Antes que você comece com as suas ladainhas de que isso não vai dar certo, eu estou falando que vai. Toda mulher adora serenatas, e com a música que escolhi, vai ficar ainda mais perfeito. - mais uma vez acho que minha cara de desagrado me denunciou, já que Garrett se pôs a explicar mais uma vez - Não. Não vamos cantar Flightless Bird, American Mouth de novo. Vamos fazer uma nossa dessa vez. - Ei, eu estava começando a entender. - Os caras já estão preparando tudo e Pat pediu permissão para levar uma flor, eu deixei, né. Depois ele fica chorando que nem uma virgem porque não deixamos eles fazerem as coisas de novo. Kennedy perguntou da sua roupa e eu disse que não está ruim, dá pro gasto.
- Eu sou lindo, ok. - ri e Garrett fez o mesmo, mas eu tinha quase certeza de que o riso dele era de deboche. Mas não era hora de eu pensar em algo como aquilo. A chuva estava ficando mais forte. Como diabos iriamos fazer uma serenata debaixo de um dilúvio daqueles? - Garrett, mas e essa chuva?
- Você não é feito de açucar, vai cantar com chuva ou sem chuva. - fiquei calado diante de tanta agressividade, mas não resisti a mostrar o meu belo dedo do meio - Eu já disse, John, eu resolvemos isso hoje, ou nunca mais. Eu prometi que ela voltaria em 10 dias, e a partir de hoje, ela vai ser sua pra sempre. - eu sorri ao pensar nisso. Era bom demais para ser verdade. - Vocês são os meus melhores amigos, só eu sei o quanto foi dificil não atender as ligações dela nesses dias sabendo que ela estava tão perdida como você, talvez até pior. Quero dar um jeito nisso, John. Quero ter a minha paz de volta, e eu só vou ter sossego quando vocês dois estiverem se beijando e começando a planejar o povoamento do mundo.
Dei de ombros, mas dentro de mim tudo ia ao redor de e do quanto eu queria vê-la naquele instante. Que se danasse a chuva, que se danasse o sufoco que tinhamos passado para chegar até ali. Era aonde estávamos agora que importava. Eu a amava, ela me amava. Daria tudo certo. A única coisa que podia acontecer era Pat errar as notas por estar chorando de emoção. Nada grave.
O carro avançava pela avenida molhada rapidamente e a chuva ficava mais forte conforme avançavamos para o condomínio de . A chuva e o meu coração pareciam estar num duelo para saber quem conseguia fazer barulhos mais altos. Meu coração batia com tanta força pela ansiedade que eu realmente tinha medo de ele sair pela minha boca. Minhas mãos estavam suando também e eu me achei um viado de merda por estar sentindo essas coisas.
- Para com essa frescura que vai dar tudo certo.
- O que vamos cantar? - perguntei nervoso. Meu Deus! A escolha da música faria toda a diferença. Tinha que ser uma música que significasse algo para nós. Mas eu não conseguia pensar em nada. Parecia que minha mente tinha dado um grande branco e nada fazia sentido. Eu tentava pensar em boas músicas para cantar pra ela, mas nenhuma parecia boa o suficiente, ou parecia falar pra ela em notas tudo o que eu realmente queria dizer.
- Vai dizer que não tem idéia. Depois de tudo o que ela falou, você ainda não sabe que música vai cantar? Caralho, John, você é muito amador mesmo!
Mais uma vez o meu dedo do meio se ergueu e Garrett apenas riu alto, entrando no condomínio. E nesse momento, o meu desespero pareceu triplicar.
- John, esses ultimos dias você realmente me orgulhou pra caralho, não me faça perder todo esse orgulho, ok?
Busquei respirar fundo e desci do carro perto da casa de , já vendo os caras preparados para a minha serenata. Pat e Jared ostentavam sorrisos de pai orgulhosos para mim e eu até fiquei com medo deles. Estava nervoso demais para me preocupar com as loucuras daqueles dois. Kennedy apareceu por trás de mim, enquanto eu ainda estava estático no meio da rua, sem saber o que fazer ou para onde ir, e resolveu esse problema para mim, colocando um violão nas minhas mãos e uma mão no meu ombro, passando força da melhor forma que ele encontrou. Era bom saber que ele não estava mais bravo por aquele dia em que eu o tinha acordado de madrugada.
Aqueles caras ali, me conheciam melhor do que qualquer outra pessoa. Éramos quase irmãos, e se todos estavam ali, em um dos momentos mais importantes da minha vida, isso deveria significar que eles aprovavam e assim como Garrett desejavam um final legal para mim e para a mulher por quem eu estava apaixonado. Nem que esse final fosse apenas parar de tocar ABBA e Air Suply num quarto escuro e assistir filmes chorosos da Disney.
O que eu infelizmente chegara a fazer, apesar de adorar os filmes da Disney. De verdade.
A chuva estava tão forte que mal me deixava ver um palmo na frente do nariz. O meu cabelo já tinha grudado no meu rosto e Pat estava parecendo uma gueixa com o cabelo molhado. Vergonhoso. Mas eu não tinha palavras o suficiente para agradecê-lo por estar ali.
Agora tudo o que eu tinha fazer era ter de volta para os meus braços.
Foi quando tudo fez sentido. Eu já sabia que música cantar para ela. Não sabia como eu não tinha pensado nisso desde o início. Era óbvio. Estava na minha cara o tempo todo. Arrumei melhor o violão nos meus braços e olhei para Pat, para que ele pudesse começar a contagem. Era estranho que ainda não tivesse ido até a porta ver que algazarra era aquela. Afinal, Kennedy, Jared e Pat montando equipamentos era algo tão barulhento que você podia ouvir há milhas de distâcia.
(Como fã do The Maine, é mais do que óbvio que você tem essa canção, em todo o caso: http://www.youtube.com/watch?v=AKrndtqKtWE&ob=av3e Só não imagine o piano muito. Afinal, não daria para colocá-lo no meio da rua, né!)
Os acordes já estavam praticamente gravados em mim, e daquela vez, quando comecei a tocá-los, eles tiveram um sentido todo especial. Aquela música não havia sido composta para , mas era dela. Ela era a garota nova na cidade, ela quem tinha os olhos lindos, o sorriso maravilhoso e as pernas mais incríveis que eu e aquele enfermeiro safado já haviamos visto.
Tinha que ser ela. Olhei para Garrett, sorrindo enquanto cantava. Tudo levara a esse momento, agora tudo parecia tão certo e tão válido. Levar macarrão na cara, ser ameaçado, quebrar o nariz... Tudo isso parecia pouco perto do que eu poderia fazer por e era isso que mostrava o quanto eu a amava. Garrett fez um sinal para que eu cantasse mais alto e achei estranho ela não ter aberto nenhuma porta ou janela ainda, enquanto todos os seus vizinhos de condomínio o faziam. Claro, era quase uma e meia da manhã e tinha cinco loucos na rua da casa deles tocando música. Sim, fazia sentido eles estarem pra fora. Eu só esperava que eles esperassem até dizer que ficaria comigo para chamar a policia.
Finalmente, quando cheguei ao refrão, a porta foi aberta. Meu coração deu dois saltos duplos, quando primeiro apareceu Mr. Winter, com o rabo se sacodindo para todos os lados. Não muito tempo depois apareceu primeiro uma perna, depois outra e finalmente se apoiou no batente da porta, com o pequeno Mr. Winter aos seus pés, olhando-me como se não estivesse acreditando no que via.
Ela estava de pijamas, com os cabelos presos num nó estranho e confuso em cima da cabeça, e mesmo a uma certa distância eu podia ver o inchaço dos olhos dela. Ela devia ter chorado bastante. Mas agora isso tinha acabado. Eu nunca mais a deixaria chorar outra vez, se não fosse de alegria. Nunca.
limpou mais uma lágrima e Mr. Winter deu um latido animado. Aquele cão realmente gostava das minhas músicas, um pequeno groupie animal. Ela sorriu, incerta para Garrett, que mesmo concentrado em seu baixo, o retribuiu abertamente, para mostrar que estava tudo bem entre eles. Como sempre estivera.
A chuva ainda estava ali, encharcando-nos até os ossos, mas eu não podia parar de olhá-la tão linda à minha frente, sorrindo para mim e não consegui parar de sentir aquelas borboletas no meu estômago.
Tudo o que eu pedia era para que ela entendesse a música, entendesse o que eu estava suplicando e me deixasse voltar para os braços dela. E quando eu finalmente toquei a ultima nota, completamente em transe e assustado com o que seria de nós dali para frente, mas com a certeza de que eu queria estar entre os braços dela, em mais nenhum lugar.
- - eu gritei através da chuva, sob o olhar de todos os seus vizinhos e dos meus melhores amigos - eu sei que eu sou um idiota, e você já deixou isso bem claro milhares de vezes, mas eu realmente estou apaixonado por você. Me deixa voltar para os seus braços?
Arrisquei uma olhada para Garrett para saber se eu tinha feito isso certo e ele sorriu para mim, aprovando com o dedão erguido, as minhas palavras.
Voltei a encarar a razão de tudo aquilo e a observei atravessar a chuva com o pequeno cão em seus calcanhares, até parar frente a frente comigo, em silêncio, enquanto todas as outras pessoas ali faziam o mesmo. Em transe, assim como eu estava, paralisados, tentando saber o que aconteceria. Ela voltaria para os meus braços?
tirou o violão das minhas mãos e o estendeu para Kennedy, que não perdeu tempo, segurando o meu instrumento e voltando a olhar para nós em suspense. Ela deu mais um passo para frente e estendeu a mão para o meu rosto, enquanto eu prosseguia sem conseguir mexer um músculo. Porra, eu estava nervoso demais para fazer um só movimento. Ela tirou meu cabelo molhado dos meus olhos com uma mão e a sua outra segurou a minha mão fria de nervosismo, apertando-a de um jeito firme.
- Eu quis você. Eu quis você desesperadamente, mas eu não achei que você me quisesse. - ela disse e um sorriso gigante nasceu em meus lábios. Era a frase de ...E O Vento Levou. E eu não faria como Rhett dessa vez, eu não a deixaria e não diria que eu não me importava, justo o contrário.
- Então me deixe voltar para os seus braços.
- Você nunca saiu deles. - ela sussurrou e sua mão suave deslizou pelo meu rosto até seu dedo indicador tocar meus lábios, me fazendo conter um suspiro de prazer. - Eu sempre fui sua, John. E sempre serei. - ela ergueu-se na ponta dos seus pés e eu a ajudei a cumprir o seu intento, a erguendo até que seus lábios tocassem os meus, para que eu pudesse beijá-la como eu queria.
Nem precisei olhar para saber que tinha sido Garrett quem puxara aquela salva de palmas estrondosa. Mas isso era a ultima coisa que eu estava pensando no momento. estava nos meus braços, eu a tinha para mim e isso era oficial agora. Ela realmente me amava. A chuva não atrapalhava o nosso beijo de maneira alguma, só o deixava mais clichê e mais romântico. Não me assustaria em ver o Pat chorando de emoção.
Mas tive de separar os lábios de dos meus, a olhando no fundo dos seus olhos até vê-la sorrir, ja com o cabelo começando a grudar, molhado, em seu rosto.
- Você quer namorar comigo, de novo, ? A sério dessa vez? Sem personagens, sem segredos, só nós dois e Mr. Winter? - ela sorriu e olhou para baixo, para ver o cachorro mordendo a ponta do meu tênis e voltou a me encarar sorrindo largamente. - Quer ser a minha garota, ?
- É o que eu mais quero, John O'Callaghan. Ser a sua garota.
Voltei a beijá-la com mais vontade dessa vez e Garrett nos separou, colocando o dedo entre o nosso beijo: nojento.
- Agora que o meu trabalho de cupido está completo, será que eu não posso entrar pra fazer um lanche? Estou faminto!
riu e fez sinal para que ele entrasse, e apenas com um gesto, ele levou o resto dos meus amigos para dentro, e pelo jeito Pat arranjara um amigo para não ser mais sozinho, já que Mr. Winter estava em seu colo e parecia muito feliz com sua nova vítima de mordidas.
Todos os vizinhos já tinham entrado e agora só estavamos nós dois naquela chuva, junto com todos os instrumentos. Mas eles que se danassem, era minha de novo, eu havia conseguido reconquistar a mulher da minha vida e podia te jurar que nunca mais a deixaria partir.
- Eu te amo, John. - ela disse antes de me puxar para um novo beijo, ao qual eu retribui com vontade, mas não sem antes dizer a ela as unicas palavras que eu tinha vontade de dizer para sempre:
- Eu te amo, .


Dia 313 - Só Para O Caso De Você Querer Saber

está em uma locação em um filme na Noruega e eu estou em turnê, morrendo de saudades, mas estou com Mr. Winter e isso diminui um pouco a falta que eu sinto dela. Garrett foi comigo hoje até a Tiffany's comprar o anel de noivado. Espero que Pat não dê com a lingua nos dentes dessa vez. Estou cansado de ele contar sempre as minhas surpresas de aniversário para e elas deixarem de ser surpresa.
E é justamente por isso que ele está com Mr. Winter na sala de jogos, sendo cruelmente atacado pelos novos dentinhos do nosso cachorro, enquanto eu não consigo parar de encarar esse anel.
Finalmente vou fazer de , a Sra. O'Callaghan, e sei que nesse dia, quando ela estiver no altar, ao meu lado, vai ser o dia mais feliz do mundo. Graças a Garrett.
Esse foi um relato de um cara idiota o suficiente para perder a mulher dos seus sonhos. Mas que conseguiu tê-la de volta, e em alguns dias, vai ter o prazer de casar com ela. Não sei se te ajudei de algum modo com as minhas dicas, mas uma coisa é certa.
Se você amar uma mulher o suficiente, tudo valerá a pena para tê-la de volta, independente dos dias que durarem até que o consiga, quando ela estiver do seu lado, a mulher que você ama e tanto quer, eu te garanto, nunca vai você a perderá.
Porque você a ama.
Como eu amo .

FIM

N/A:Desculpa pelo seu presente ter sido tão grande, amiga secreta. Estou escrevendo ela desde o dia 27/12 e tentei te enganar perguntando se você gostava de restritas, mas acho que não funcionou, não é? Eu realmente espero que você tenha gostado do seu presente, porque ele foi feito de coração.
Beijokas
Elle. (@mrakni)


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