SKYLINES

história por Tiffannyk - Revisão por Luiza Carvalho
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Nota da autora: Primeiro eu queria me desculpar pelo enredo mirabolante e eloqüente, mas originalmente essa fanfiction foi escrita em 2006. Fase essa que eu me aventurei a escrever minhas primeiras histórias, aliás, essa é minha primeira fanfic, com adaptação para script.



Prólogo

É estranho como quando somos adolescentes tudo tem mais chama na nossa mente, simplesmente fazemos o que nos dá na telha sem medir nenhuma das conseqüências de nossos atos. Por que achamos que nada que fazemos naquele determinado ano de nossas vidas pode atingir anos posteriores. Como por exemplo, se rebelar contra uma rotina absolutamente normal e estável, para cair no mundo aos 16 anos de idade.
Essa é uma parte da minha história. Um dia eu acordei e decidi que viver duas vidas não era legal, e quando eu digo isso eu quero dizer, decidir entre ser a menina amada e mimada pelos pais, que é muito boa em conversar, ia bem nos estudos e nunca alterava sua voz, para a garota que extravasava seus sentimentos com alguns amigos que viviam a maior parte do tempo bêbados e não tinham nenhuma ligação emocional à nada. Naquela época era isso que eu achava, que eu era aquela menina meio doidinha com papo inteligente e tendência às bebidas destiladas, mas aquilo era tão anormal que quando decidi sair de casa numa madrugada de quinta-feira, a amiga que partilhava comigo aquele momento pela tela do computador não acreditou naquela decisão. tentou me dissuadir daquela movimentação equivocada, mas quem realmente pensa quando se tem 16 anos e está descomunalmente cansado?
Foi algo tão infantil, que na mochila que eu fiz pra ir embora havia um urso de pelúcia da minha imensa coleção. Já de bagagem pronta, o celular foi ligado direto pro bolso, como que com uma vontade inconsciente de receber um telefonema dos meus pais perguntando onde eu estava e me dizendo pra voltar. Aquela vozinha maluca, mas nunca insana dizendo: "pare com isso agora".
Mas eu não parei, na verdade eu nunca consegui parar, mesmo quando minha amiga não me acolheu em sua casa. Bem, não era como se eu quisesse ficar lá, seria o primeiro lugar no qual me procurariam, mas eu não gostei da recusa com gosto de volte pra casa.
E enquanto eu andava pela rua perdida nas imagens noturnas eu pensava que só teria de não sucumbir e voltar pra casa. Ali estava o motivo daquela fuga, não havia nada de errado com minha família, a cobrança e o medo de errar, estavam dentro de mim. Era eu quem me esforçava para não parecer medíocre, para nunca ter de ouvir um consolo ou ver um olhar de pena. Eu queria estar sempre pronta, sempre forte, nunca errada.


Capítulo 1

Newark não era o lugar mais seguro da terra, na verdade em alguns bairros era bem perigoso, mas eu não me importei de andar por quase uma hora até o centro. Ver a cidade amanhecer e depois acordar, era excepcionalmente belo pra mim naquele dia. Havia ganância nos meus olhos, o poder do sonho americano entorpecendo minhas veias.
Olhei pro letreiro da escola de artes próximo a Essex Country College, e apenas esperei. Sabia que meus amigos logo apareceriam por ali, todos estudavam nas escolas próximas, mas passavam praticamente todo dia no pequeno estacionamento que havia em frente à escola de artes. A árvore fornecia a sombra necessária para aguentar o estômago vazio e alguns bons litros de álcool as nove da manhã. Um tempo depois um grupo de pessoas despontou na esquina à minha frente, e dentre os vários rostos desconhecidos houve um que eu reconheci, me senti segura ao ver .
Sorri para ele e ele me sorriu de volta, e isso fez com que aproximação dele fosse seguida por todos os outros.
- Ei! Quanto tempo, o que está fazendo aqui ?
- Oi. Bem, eu decidi vir aqui pra procurar um lugar pra morar.
Imediatamente fechou a cara numa expressão de dúvida.
- Te expulsaram de casa por quê?
- Eu não fui expulsa.
Bastou àquela informação para ele não me questionar mais, tinha quase o mesmo histórico, uma história mais convincente e dramática que a minha, mas entendia bem o significado de cair fora de casa sem ter para onde ir.
Meu querido amigo me levou para o meio da galera, já acomodada pelo pequeno pátio gramado do local, me apresentou um a um e eu instantaneamente ia esquecendo os nomes depois de sorrir em cumprimento. Sentia-me um pouco deslocada e com fome, mas eu apenas tratava de falar e sorrir. Às dez horas se levantou e anunciou que iria resolver algumas coisas por ai, tradando-se dele, era melhor não questionar sobre o quê. Olhei-o, e talvez minha cara tenha soado como pânico, porque chamou atenção do outro menino no grupo e a do próprio .
- Fica tranqüila, eu vou estar em casa as seis, é só chegar lá.
Não era o consolo mais agradável se tratando do momento do dia em que estávamos. Assim que ele se foi, o menino, agora ao meu lado e não do outro lado do círculo em que estávamos se pronunciou.
- Prazer, eu sou .
- .
- Se não for muita intromissão, por que você tá saindo de casa?
- Por que quer saber? - Não fiz questão de ser gentil, ele mal havia olhado na minha cara anteriormente, mas eu havia decidido não recuar, então me retratei. - Desculpe. Eu só...
- Ok, tudo tranqüilo. Só perguntei porque posso ter algo pra você.
- Como assim algo pra mim? - perguntei curiosa e voltando minha atenção total à figura ao meu lado.
- Toma, bebe isso. - Me passou uma garrafa de bacardi pela metade, embrulhada em um saco de papel. - Eu tenho um irmão mais novo, e uma casa com duas suítes, assim que eu fiquei com uma delas, então há espaço suficiente para duas pessoas.
- Tá me oferecendo a sua casa?
- Também o meu irmão e minha cama.
Olhei desconfiada para ele.
- Nenhuma proposta sexual nisso. Só achei que para uma garota que tem medo de dizer por que saiu de casa, algo como a zona que o chama de casa não seria o ideal.
- Eu nem conheço você.
- Ok, ponto pra ela, mas há comida na minha casa.
- E uma mãe.
- Isso também, mas tenho certeza que Donna não vai querer se meter nos meus assuntos.
- Tudo bem, sei que não era para eu estar fazendo isso, mas qualquer coisa é mais agradável do que esperar até as seis da tarde.
- Ótima escolha.
Nos levantamos e sem nos despedirmos dos outros saímos para a direção onde eu julgava ser a da casa dele, algumas ruas depois ele me apontou seu carro. Minha mochila foi jogada no banco de trás assim que me sentei ao lado dele no banco do carona. O carro seguiu para o distrito de Ironbound, um bairro operário onde era a grande a concentração de imigrantes equatorianos e brasileiros. Eu nunca havia ido até aquela parte da cidade, o que era bom, por que não me procurariam ali.
morava em uma das poucas casas do bairro, um sobrado de dois andares de cor azul e telhas brancas, havia um pequeno jardim na frente, com uma espécie de alambrado separando a casa da rua. Ele parou o carro do outro lado da rua, e eu o segui até dentro da casa. A porta da frente dava para o hall da escada, ao lado esquerdo a sala, onde a mãe dele via televisão, havia ainda um corredor ao lado da escada com duas portas fechadas.
Ele subiu diretamente a escada e eu só o segui, entramos em uma das quatro portas do andar de cima.
- Hoje é um dia bom, quase nunca ocorre de meu irmão e minha mãe sentarem pra ver tevê. Pode por suas coisas ali. - disse ele apontando pra o armário aberto, mostrando um caos que parecia fazer alguma lógica na cabeça dele.- O banheiro é ali, ou na última porta do corredor.
- Não acha que deveríamos ter falado com a sua mãe?
- Você pode falar com eles depois. Tá com fome?
Deixei meus objetos onde ele mandou e parei de frente à mesa de desenho no canto do quarto. Mais a cima numa prateleira, alguns montes de cd. Deixei a curiosidade de lado e voltei a encará-lo, deitado na cama olhando pro teto. Olhei também e me deparei com a coisa mais insanamente incrível que eu tinha visto em um quarto. Todo o teto de gesso lotado com o que parecia ser páginas de uma história em quadrinho que eu nunca tinha visto.
- Quem desenhou isso? -disse deitando-me ao seu lado.
- Eu mesmo, no verão passado. Ainda não desenhei o final, não consegui chegar ao que eu espero que ele seja. Então eu só deito aqui e releio tudo.
- É incrível, você é realmente bom nisso.
- Tá com fome? Toda aquelas doses pela manhã me deixaram faminto.
Eu nunca iria dizer, mas ele havia adivinhado meus pensamentos, então eu concordei com ele sobre ele precisar comer, e descemos.
- Eu acho melhor avisar que eu estou aqui.
Ele olhou pra sala como se não quisesse fazer isso, mas então andou até a porta do cômodo.
- Mãe?
- Não era pra estar na escola ?
- Eu não tive aula, era pra senhora estar dando graças a Deus que eu não estou por ai na rua. A gente tem visita, minha amiga . vai ficar aqui uns dias, ela tá meio sozinha.
Donna se interessou e virou para nós, nos olhando de um jeito estranho.
- Como alguém fica meio sozinha? - questionou sob o olhar curioso do irmão de .
- Eu acabei de chegar em Newark, estou procurando um emprego e conhecia o do...
- Acampamento Steeves. Ela perguntou mês passado se eu conhecia um lugar pra ela ficar e eu disse pra ela ficar aqui. Tem o quê pra comer?


N/A: Essa fanfic já foi ao ar com o nome de My Charmed Dream, mas eu não gostava dele e da adaptação que eu tinha feito. Então pela segunda vez eu decidi reescrever essa história, que é original de 2006. Ela ainda está postada como veio ao mundo no orkut, querendo o link é só pedir. Essa nova versão será um pouco diferente da que eu postei da primeira vez, e antes que você ache que poderá ler o final, ele nunca foi ao ar.


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