Save Me From The Nothing I've Become

História por Núria M - Revisão por Deh Way
Indice: [1], [2] e Nota.


Capítulo 1 - A Morte é só o inicio?

's POV (point of view) - Ponto de vista

- Sor, o senhor só pode ta gozando! Eu não vou fazer um trabalho de grupo com o ""!
- Senhorita , não se preocupe, pois não será um trabalho em grupo? - Apaziguou-me o professor Jerônimo. Relaxei, mas o professor acrescentou - ? Afinal, só ele irá trabalhar, a senhorita irá orientá-lo de forma que a nota que ele tenha seja suficiente para vocês dois. E se não quiser, dou-lhe já um zero na pauta!
Olhei-o admirada.
- Então o senhor quer dizer que a minha nota será igual à dele?! - Apontei para o pior ser que existe neste mundo. Ele nem sequer olhava para mim, estava sentado no seu lugar a comer pastilha elástica com as pernas cruzadas em cima da mesa.
- Na verdade, sim! - Confirmou o professor, deixando-me desamparada. Será que ele estava bêbado? Eu não podia sequer estar perto de , quanto mais fazer um trabalho de Ética com ele! Mas, por mais que quisesse reclamar, isso não iria adiantar em nada, pois tratava-se do professor mais rigoroso de todo o liceu, e protestar só ia me prejudicar ainda mais. Por isso limitei-me a suspirar baixinho para que o professor não ouvisse. - Quero todos os trabalhos escritos em três semanas e as apresentações vão ser feitas através do power point e pelos parceiros que eu vou indicar? Portanto, no grupo da Iracema quem vai apresentar é o Rodevaldo? No grupo da Jucilda quem vai apresentar é o Gessine, no grupo do Domiciliano quem vai apresentar é o Jacinto?
Há medida que o professor continuava a dizer os nomes, deixava um rasto de lágrimas por onde passava? Afinal, de todos os grupos, ele apenas tinha escolhido os piores alunos para apresentarem?
Comecei a ficar nervosa, isto não podia estar acontecendo comigo! Apesar das minhas suspeitas estarem praticamente confirmadas, foi quando o professor finalmente disse "No grupo da , quem vai apresentar é o !", é que perdi as minhas esperanças! Que mal eu tinha feito na outra vida para receber este tipo de castigo? Além de ter de fazer o trabalho com o ; receber a mesma nota do que ele; teria também de deixar tudo em suas mãos, e eu tinha uma definição para isso ? SUICIDIO ACADÊMICO!
Estava tão atrapalhada em pensar nisso que nem me dei conta de que o sinal já tinha tocado e o meu "parceiro" já havia saído da sala. Arrumei depressa os meus materiais e fui atrás dele. Não demorei muito para o avistar no portão da escola, e corri até ele para o confrontar e ameaçar:
- , venha fazer o trabalho comigo amanhã às 15:00 horas na biblioteca da escola! Não precisa investigar nada! Disso trato eu!
O virou-se para mim e deu um sorriso de escárnio, sem parar de andar:
- De que trabalho que você está falando?
- Do nosso! Aquele que o professor Jerônimo nos mandou fazer, ta lembrando? - Disse, tentando reavivar a memória dele, que sabia ser muito curta. É o que normalmente acontece com macacos.
- Ahn? Esse trabalho? Olha, eu não vou fazer nada! Portanto, te prepara para ter o teu primeiro 0 na pauta, Einstein!
- Você só pode estar brincando! Não pode fazer isso comigo! Você sabe como preciso desta nota! Senão como vou ter uma média suficientemente alta para ir para o curso de medicina?
- Não sei? Te vira? - finalizou, virando as costas para ir embora.
- Epa, é sério! - disse, pegando-o no ombro, fazendo se virar - Pára com esse tipo de brincadeira! Nós podemos brigar muito, mas escola à parte!
- Own, é sério?! - sacudindo a minha mão do seu ombro, com brusquidão - Você é mesmo engraçada! Não foi hoje de manhã que estava só me mandando ir à merda na frente de todo mundo? E agora, precisa da minha ajuda? O mundo dá voltas, ehn? - vi ele fazer aquele sorriso idiota, e a única coisa que me apetecia fazer era lhe dar uma grande bofetada.
- Você se acha o máximo, né? Só por ter uma banda e ser muito popular na escola, não significa que você é melhor do que eu ou qualquer outra pessoa?
- E você? Só por achar que é auto-suficiente, não tem que tratar mal todos que tentam se aproximar de você?
Já tínhamos atravessado os portões da escola, quando eu disse:
- Ok, ! Peço desculpas! Nunca devia ter te dito isso, depois de você gozar comigo em frente a todo mundo, por considerar que eu não tenho amigos! - Afirmei ironica.
Atravessávamos juntos a passadeira em passos lentos, distraídos por causa da nossa discussão:
- , você não tem amigos por ser sempre assim! Toda a hora, com todas as pessoas!
- E você acha que eu me importo com você? Com as suas opiniões? Olha, se não quiser me ajudar no MEU trabalho, não tem problema! Mas sabe qual é o meu desejo mais profundo?
- Fala querida, sou todo ouvidos! - disse, me provocando.
- Quero que você morra! Muito cedo! - Disse, com todo o meu ódio e raiva que aquele ser repugnante me causava.
- Ahn, eu não! Eu desejo que você viva muito e que sofra demais! Sua? - hesitou, parecendo procurar uma palavra adequada à descrição necessária - alien!
Me virei para o responder, mas não consegui.
Tudo aconteceu muito rápido. Nem percebi o que tinha ocorrido:
Ouvi uma buzina de um carro muito perto do meu ouvido, vi o vir de encontro a mim, me empurrando, e de repente tudo ficou branco!
Sabia que algo estava muito errado! Tinha uma certa noção de que tinha sofrido um acidente, e que agora devia estar morta? Mas, então porque sentia todo o meu corpo arder e doer de uma forma infernal? As minhas veias pareciam estar sendo sugadas para fora do meu corpo (se é que ainda tinha algum)!
Nunca tinha pensado na forma como morreria? E, por momentos, fiquei com medo de que estivesse prestes a descobrir como era a sensação? A minha vida não era Perfeita de todo, mas ainda não estava preparada para morrer? Tentei explorar os meus sentidos, mas não conseguia sentir nem o tato, nem a visão. E não tinha força para tentar explorar os outros sentidos? Tudo era dor? e branco!
Nunca tinha pensado nessa cor como sendo dolorosa? Afinal, branco é a cor da paz, do alívio, da libertação da dor! Mas ali, nesse mundo imaginário (ou não) não haviam muitas certezas, pois era tudo ao contrário. Apenas fiquei parada à espera da dor desaparecer, de tudo acabar, de ver a luz no fundo do túnel? Mas isso não aconteceu! Ali, nessa dimensão entre a vida e a morte onde me encontrava, os segundos pareciam horas e os minutos dias, e de repente parecia que as minhas preces tinham sido ouvidas, porque comecei a conseguir abrir os olhos (ou aquilo que eu achava serem eles). Gradualmente a dor foi diminuindo e as minhas veias voltando para o interior do meu corpo. Os meus olhos conseguiam agora identificar outras cores, manchas. Apenas fiquei ali parada, com os olhos semi-cerrados observando as duas manchas à minha frente. Até que uma delas falou:
- Coitadinha dela! Desde que deu entrada no hospital ninguém veio visitá-la. Deve estar sozinha e sem amigos?
Outra vez aquelas palavras "sem amigos"! A princípio, isso me incomodava mais. Agora já nem tanto. Estou bem sozinha, não confiar em ninguém é bom! Assim também não me desiludo! Estremeci ao sentir uma dor aguda na cabeça. Ao que parece, não foi dessa vez que morri? Afinal, tinha razão. Talvez viva muito e sofra demais, mas já não tenho nada a perder? Os meus pais morreram há cerca de cinco anos, num acidente de avião, e nunca tive qualquer contato com os meus parentes mais próximos (a não ser, quando tinha de obter alguma autorização especial dos meus padrinhos - que eram os meus "responsáveis" ou educandos, como queira chamar), não tenho irmãos e os meus antigos amigos deixaram de me tentar consolar por causa dessas perdas. Sempre me consideram antipática com todos e nunca falo com ninguém no liceu? A única pessoa a quem dirigia a palavra era o pior ser deste mundo, a quem eu simplesmente ODIAVA! !
Bom, eu até percebo o porquê de não ter amigos? Não gosto das mesmas coisas que as garotas normais? Ouço Eminem e Lil Wayne em vez das músicas escrotas da Taylor Swift; dos Jonas Brothers e daquela criancinha que tem MEDO de sexo, chamada Justin Bieber. Não gosto das músicas sem sentido dos Mcfly (nunca sequer ouvi nenhuma, mas por que haveria de gostar?); não gosto de me vestir que nem essas putinhas: com mini-saia e tomara-que-caia; não leio essas porras conhecidas como bestsellers: Harry Puta (ou Potter, como quiser!); e Anoitecer (aquela saga da Stephanie Meyer); AMO filmes de terror em que toda a gente morre por causa do Diabo. No meu tempo livre, gosto de ler umas histórias feitas por fãs do Eminem, chamadas de fics, e de ver animes (desenhos animados, para as mais desinformadas!) como: Bleach; One Piece e, claro, Naruto Shippuden. Nunca tive grandes cuidados com a minha dieta alimentar, comendo todas as porcarias que me apetecesse. Mas, apesar disso, não engordava muito. Adoro ver futebol e sei todas as informações dos times atuais. Afinal, que garota (inteligente e culta) é que não sabe que o Chelsea conquistou 4 vezes o campeonato inglês; seis vezes a Copa de Inglaterra; e 4 vezes a Supercopa de Inglaterra?!
Por momentos me esqueci de onde me encontrava? Agora conseguia ver muito melhor, e quando acordei do meu devaneio, uma enfermeira magra e loira entrou no quarto, triste e resmungando:
- Aquela família dá uma pena! Pelo que ouvi dizer, o rapaz era filho único e também parecia ser muito popular, a julgar pelo fato de que toda a escola já veio o visitar desde que ele deu entrada no hospital!
- Mas essa tal de não é da escola dele? - Perguntou a enfermeira ruiva, que estava agora sentada na cama onde eu estava.
- É! Mas talvez estejam dando prioridade ao amigo que morreu, né Celestina? - respondeu a loira à ruiva.
- Oh, sim. Claro que é isso! Talvez mais tarde venham a visitar! Mas é realmente uma pena que o rapaz tenha morrido, ele parecia ser tão simpático e bonito! Sabe, até percebo o porquê de ninguém ter vindo visitá-la, afinal o tal de morreu por causa dela!
- É verdade? Pelo que dizia no relatório que o Bernardino me entregou, o tal de a afastou do caminho no momento em que ela ia ser atropelada, não tendo tempo para esquivar! - Respondeu a outra enfermeira, que estava no fundo do quarto.
- Realmente foi uma fatalidade! Mas, não fale assim? Quer dizer? Ela não teve culpa de nada! - Disse - Bom, eu fico com a senhorita essa noite! Podem ir embora. - ofereceu a enfermeira loira.
- Obrigada, Jonina! Então já vou embora que estou com muito sono! Tchau!
- Ok, tchau!
Após a Celestina e a outra enfermeira sairem do quarto, Jonina veio regular algo no meu soro, e depois de fazer isso também ela saiu do quarto. Quando tive a certeza de que todas as enfermeiras tinham saído, abri totalmente os meus olhos e permiti-me suspirar alto.
Com então ele tinha morrido? Que mau! Quer dizer? Todos os dias morrem milhares e milhares de pessoas! Isso não me afetava em nada! Mas, o fato de saber que isso tinha acontecido por minha causa, não apenas tinha me feito sentir muito mal, como me dava uma vontade de voltar atrás no tempo. Se eu não tivesse saído para discutir com ele da escola? Talvez isso não tivesse acontecido! Mas é a vida. Nunca irei saber se isso iria mudar alguma coisa? A única coisa que, realmente, me arrependo é o fato de que a última coisa que lhe disse foi o meu desejo de lhe ver morto! Inspirei ar suficiente e tomei força para chamar a enfermeira. Quando esta veio, pedi-lhe que me explicasse o quão grave era a minha situação e quando é que podia ter alta.
- Senhorita , a sua situação não é grave, e depois de alguns exames pode ir para casa. E isso será no mais tardar em dois dias?
Estes foram os dois dias mais longos da minha vida, pensei enquanto abria a porta do meu apartamento. Parecia que todo o liceu estava à espera que acordasse só para me vir deitar culpas da morte do, tão adorado, , e, claro, nem me importei. Limitava a mandar o dedo do meio a todos que passavam pelo meu quarto, incluindo algumas das enfermeiras que me olhavam como se eu fosse uma assassina.
O meu humilde apartamento se encontrava do mesmo jeito que o havia deixado da última vez. O hall de entrada era decorado com muitos cravos roxos, que agora estavam murchos devido à falta de água. Tinha, também, um tapete que eu mesma havia feito com desenhos abstratos, formadas por figuras geométricas. Em frente, a minha sala de estar com a televisão muito pequena e velha em conjunto com os sofás creme que peguei antes de irem para o lixo na vizinha ao lado. E na dianteira as escadas em caracol. Ao subi-las, senti uma pontada na cabeça.
Durante esses dias a minha dor de cabeça havia piorado de uma forma horrível, mas os médicos após fazerem análises viram que se devia ao fato de estar muito esgotada e estressada com tudo que tinha acontecido recentemente.
Durante estes dois dias fiquei "cúmplice" da enfermeira que ficava comigo, a Jonina. Ela me informava de tudo o que se passava no hospital, incluindo tudo sobre a família . O funeral de tinha sido ontem, e como esperado, havia ido muita gente. Tinha sido num campo verde e cheio de flores. Tirando isso, a Jonina contava-me sobre os dilemas e trapalhadas em que uma enfermeira normalmente se metia. Essas histórias tinham servido para me distrair e não pensar no dia em que teria de voltar para a escola, que seria na verdade, amanhã.
Resolvi tomar um banho para tirar o cheiro de hospital. Após me despir, liguei a torneira, e coloquei numa temperatura amena. Nem queria pensar em como todos iriam reagir quando vissem que EU (a incomoda, imbecil, antipática, malcriada e anti-social) estava viva e que o tão proclamado ídolo deles tinha morrido para me salvar? Por momentos, desejei que ele não tivesse morrido só para não ter toda aquela gente me odiando sem motivo? Podiam me chamar de fria, mas eu não tinha ficado com um sentimento de culpa por aquele rapaz ter morrido por mim? Talvez porque ainda não tinha acreditado que ele realmente havia morrido, ou então, porque ele havia feito uma escolha no momento em que me empurrou para fora do trajeto do carro, se suicidando. Afinal, se aconteceu é porque tinha de acontecer e ninguém é culpado por isso? O culpado é o DESTINO! Na verdade, o que nós chamamos de destino é o futuro escrito! Nunca acreditei nesse tipo de coisas, não gosto de pensar que não tenho o controle da minha vida.
Me assustei ao ouvir algo, e desliguei a torneira. Tinha a certeza de que estava sozinha em casa, então quem tinha falado?
- Quem está aí? - Perguntei, me sentindo realmente estúpida ao fazer essa pergunta.
Como não obtive resposta, saí da banheira e me enrolei numa toalha, espreitando para fora da porta do banheiro.
"Estou aqui! Você não consegue sentir? - disse novamente a voz. O mais estranho era que eu a conhecia, mas não podia ser quem eu imaginava? - Sou eu! Olha no espelho!"
Tive medo de obedecer o que a voz dizia, mas sem saber o porquê, fiz o que ela me disse?
- AAAAAAAAHHHH! - Gritei ao ver o reflexo de no espelho! - O que é que está acontecendo aqui? To vendo FANTASMAS! AAAAAAHHH! - Sentia tanto medo que era capaz de sair dali correndo, mas eu não era assim, nunca fui. Era uma garota fria, calculista e racional. Nunca acreditei em nada abstrato. Isto incluía a amizade; a alegria; o amor; e principalmente, fantasmas! Por isso, limitei-me a respirar fundo e a acalmar-me para depois lhe perguntar - O que raio você tá fazendo ? VIVO?! Você devia estar num caixão a 100 palmos abaixo da terra? E, no entanto, você está aqui, em minha casa, no meu banheiro e no meu espelho?
"Acredite, não tem nenhum outro lugar que eu poderia ficar mais angustiado em estar? Ainda sei muito pouco sobre isso! O que descobri até agora é que: ao que parece, realmente morri, mas ao mesmo tempo estou preso no seu corpo imundo, e você só consegue me ver através do espelho, e também descobri que consigo ver e ouvir tudo o que você vê e ouve! Mas só agora descobri como comunicar com você, porque desde que deu entrada no hospital, você não parou de pensar. E isso dificulta a minha comunicação"
- Você está no meu corpo?! Não acredito nisso! Não pode ser verdade! - E só a ideia disso me assustou. Ele é o pior ser que existe neste mundo, mas eu não o podia tratar mal, porque ele estava morto. Tenho os meus princípios e, «Nunca desrespeite os mortos!» era um deles! - Quero uma prova disso! - e me virei de costas para ele.
"E porque haveria de te dar?" - perguntou sarcástico.
- Porque se estiver correto, você está no meu corpo! - Afirmei, o convencendo. Se havia coisa que gostava, era de ter razão!
Depois de ver o algarismo que eu tinha feito com as minhas mãos, o número 3, perguntei-lhe:
- Qual é o número que eu tenho representado nas minhas mã?
- Três! - Disse, interrompendo-me.
- Ahn? - balbuciei - Foi sorte! Me diz então em que estou pensando! - Disse, concentrando-me em três coisas ao mesmo tempo: a minha comida preferida - pizza; o meu esporte preferido - natação; e a minha cor preferida - preto.
fechou os olhos e parecia se concentrar, quando disse simplesmente:
" Pizza; Natação; e a cor preta!"
Isto foi o suficiente para me assustar de vez! Com isso, saí do banheiro gritando em plenos pulmões:
- Sai da minha cabeça! Não quero você perto de mim! Já me custava te ver na escola a uma distância de pelo menos quinze metros de distância! Não quero você perto de mim! - E, enquanto gritava isso, abanava a cabeça como se ele fosse um chapéu que cairia se fizesse isso.
Abanei a cabeça com tanta força que fiquei tonta e caí no chão.
"Acha mesmo que eu quero ficar dentro de alguém tão repugnante como você? Eu tive um grande azar! Com tantas pessoas no mundo, tive que ficar na cabeça de uma ALIEN! Preferia ir para o Inferno!"
- Eu também! Nisso concordo com você! Que tal pormos fim nisto? - Propus, indo em direção à cozinha.
"O que é que você quer dizer com isso?"
Não o respondi. Abri a gaveta mais próxima e encostei uma faca afiada no meu pulso.
- Quero dizer que eu posso pôr fim ao nosso sofrimento com apenas um impulso no meu braço!
"Não!!! Pára com isso!" - Gritou desesperado.
Comecei a gargalhar. Nada me dava mais prazer do que ver o ser que mais odiava no mundo totalmente atormentado.
- Você se acha mesmo, né? Pensou mesmo que me ia suicidar por causa de você?!
"Sei lá, sua doida marada! - parecendo recuperar o fôlego depois de uma maratona.
- Com que então você tem medo de morrer? Bom saber que tenho uma forma de fazer chantagem sobre você?
"Pára de gritar, caramba! To ouvindo tudo o que você pensa, nem é preciso abrir sua boca nojenta! E eu não tenho medo de morrer?"
- Sério?! Não foi isso que pareceu? - Continuei falando, como se ele não me tivesse dito nada.
"Ah, sua vaca? Não devia estar um pouco mais agradecida por eu ter lhe salvo a vida em troca da minha?"
- Não, nem por isso? Caso consiga ouvir os meus pensamentos, eu não tenho nem um pouco de remorso de ter desejado a sua morte ou de ter sei lá, de ter causado-a?
"Quando penso tudo o que perdi só por ter seguido esse meu instinto insano?"
- Cara, por amor de Deus. - e olha que eu já nem acredito mais nele - PARE de falar! Não quero saber de quantas garotas você deixou para trás sem ter podido namorar, não quero saber de quantos fãs você deixou para trás sem ter podido dar o seu autógrafo; não quero saber de quantas vidas você podia ter salvo em vez da minha, porque eu acredito que vou diretamente para o paraíso só de ter apagado sua existência desse mundo?
"Cobra! Filha da PUTA!"
E, depois de dizer isso, foi como se ele tivesse desligado? Não voltei a ouvi-lo mais, e pensei que ele finalmente tinha ido para o além ou para qualquer lugar onde as almas penadas iam quando perdiam seus corpos. Não me quis animar muito, mas é como se diz, a ESPERANÇA é a ultima que morre.
Como não tinha nada para fazer, entrei no meu e-mail, e me surpreendi quando encontrei na minha caixa de entrada mais de 40 mensagens não lidas.
Nunca tinha recebido tantas mensagens na minha vida. E nem eram de publicidade? Eram realmente pessoas! Cliquei no lado esquerdo do mouse do computador, abrindo a primeira mensagem de uma menina, que anteriormente havia sido minha melhor amiga?
Não pude deixar de ficar surpresa com o que tinha escrito ali! Por um momento pensei que ela, acima de todas as pessoas, tinha dado pela minha ausência.
Na mensagem vinha escrito o seguinte:

De: arempity_ 1315@hotmail.com
Para: nerd_d+@hotmail.com
Assunto: Fw:
, toda a escola já sabe do que aconteceu entre você e ! Cara, nós sabemos que você não gostava dele, mas levá-lo a se matar por você é outra coisa completamente diferente!
Você não se afastou daquele carro porque sabia que ele te ia afastar dele? NUNCA pensei que chegasse a esse ponto! Ele era um garoto excepcional e você só começou o odiando porque soube que eu gostava dele! E, como te conheço, aposto que você não tá sentindo nem um pouco de peso na consciência por tudo o que você causou! Pois saiba que você é a principal culpada de tudo aquilo que está acontecendo? Tenho tantas coisas para falar com você, mas a gente se fala na escola.

Esse e-mail era tão escroto que tinha até dificuldade em expressar o nojo que sentia por uma garota tão pateticamente patética. Podia ter parado de ler, mas algo me impedia de fazê-lo. Não conseguia desgrudar os olhos daquele e-mail. Já sabia que a partir daquele momento que havia saído completamente ilesa - não completamente, pensei me lembrando da alma penada que tinha estado em minha cabeça - daquele hospital, não iria ter nem paz nem sossego no liceu. Mas, quando li aquela frase: "? a gente se fala na escola.", tive a minha certeza assegurada.
Voltei à caixa de entrada, me remexendo desconfortavelmente na cadeira de madeira mogno. Pensei em ler o resto dos e-mails, mas me arrependi ao ver os assuntos escritos neles: "abra se tiver coragem, assassina!"; "se não abrir falarei com você na escola?"; "sua víbora, você MATOU o meu cara!"; "MORRA, sua infeliz!"? Eram todos assim, que nem me incomodei em ler os outros.
Desliguei o computador, fui para a minha cama de casal. Ainda eram 20:00 horas, mas iria precisar de toda a minha força para amanhã, por isso acabei por dormir aninhada ao urso da minha mãe.

Capítulo 2 - My hell is everyone's heaven!


Quando acordei no dia seguinte eram 7:50 (e eu estava super atrasada, visto que a aulas começam às 7:30), mas sequer me importei, continuei a me vestir lentamente. Afinal, qual era a pressa de ir para o Inferno?
Infelizmente não pude ficar em casa de repouso mais um dia, pois as matérias começavam a se acumular e eu tinha que conseguir manter a minha média.
Ao arrumar minha bolsa coloquei meu livro recém havia adquirido entre os da escola. Ler era um hábito que eu conservava.
Tranquei a porta de casa e decidi verificar o meu celular... PUTA! Tinha 10 mensagens na caixa de entrada! Eu ODEIO sms! Por que escrever aquilo que se pode falar? Quer dizer, isso tira a emoção das coisas. E, além disso, como é que haviam descoberto meu número?
Enquanto tirava a minha bicicleta preta da entrada da casa, fui averiguando se havia algo de novo nas tais mensagens... Porra! Será que ninguém podia ser um pouco original nos xingamentos? Sempre a mesma coisa..."Você é uma assassina; psicopata; etc." Credo, a falta de originalidade desses meus colegas é que me faz ficar desanimada.
Fui pedalando até o liceu mais prestigiado da cidade, sentindo o calor que tinha desaparecer. Não havia tomado banho naquela manhã porque, enfim... Nunca tomava banho de manhã, só à noite. Além do mais, não queria correr o risco de ver o defunto outra vez.
- Caralho! ? Exclamei ao avistar a escola. Já tinha me esquecido de como era o meu Inferno que, no entanto, era o Paraíso para muitos. Na verdade, se o liceu não me trouxesse memórias tão desagradáveis poderia apreciar a sua beleza monumental. Todo o edifício principal era rodeado por um alto muro decorado com heras, que impedia de que um safado pervertido qualquer fosse foder os alunos.
?Estacionei" a minha bicicleta com cuidado ao lado do portão. Passei o meu cartão de estudante pela ranhura e assim que o computador processou os dados, abriram-se os portões me dando acesso ao interior do Inferno...
Caminhei ao longo do passeio entre o maravilhoso relvado, muito bem aparado, nervosa. Aquela escola sempre me intimidara. Não costumo me intimidar com nada, até porque não me importo com a maior parte das coisas que se passam à minha volta. Mas aquele liceu era imponente e majestoso? Duas palavras com as quais não combinava. Então por que estava lá? Porque os meus padrinhos ? sim, aqueles que não davam a mínima para mim ? tiveram um surto de peso na consciência e decidiram que o mínimo que podiam fazer por mim era me pôr no melhor colégio da cidade.
Ali estava eu, na porta da sala da primeira aula que teria nesse dia horrível que era nomeadamente Matemática! Minha disciplina preferida, com a melhor professora de sempre.
Tive que respirar fundo pausadamente duas vezes antes de tomar coragem e entrar para aquela merda.
- Bom dia! ? Declarei em alto e bom som.
- Bom dia. ? Responderam alguns antes de ver a quem se dirigiram. Todo mundo ficou pasmado ao me ver. Sabe, tipo pervertido que vê porno pela primeira vez.
Me dirigi ao meu lugar, que ficava no canto direito da sala.
- Senhorita , vejo que está inteiramente recuperada do horrível acidente de que foi vitima... - constatou a professora.
- Sim, senhora.
- Ainda bem. Em relação às matérias, espero que consiga nos acompanhar. No final da aula pegue os conteúdos de um dos seus colegas e estude-os. Caso tenha alguma dúvida não hesite em falar comigo.
- Sim, senhora. ? Falei o mais séria possível, mas por dentro estava gargalhando. Era ruim mesmo... Imagina que euzinha da Silva iria falar com qualquer um desses bestas tão cedo, e ainda por cima para pedir a matéria? Não me faltava mais nada.
- Continuemos então onde paramos. Sabemos que a equação da mediatriz é...
Simplesmente adorava Matemática! A sua estrutura; a forma como os números estavam organizados; a maneira como tudo parecia fazer sentido e principalmente a complexidade das fórmulas, fazia com que eu amasse a disciplina, mas naquele dia não estava com a mínima paciência para aquilo. Tinha que me preocupar com as coisas que me esperavam no primeiro intervalo que seria em breve.
"Ahn, pensando em matemática, alien?"
- Puta! ? Exclamei alto demais. Saí correndo da sala e todos os olhos estavam, uma vez mais, voltados para mim.
Provavelmente ninguém havia percebido o que tinha falado, já que tudo aconteceu muito depressa... Pelo menos, assim esperava. Já imaginou o mico se a professora vier me perguntar algo tipo:"Senhorita , que modos são esses?"
Corri depressa até chegar ao pátio principal, onde os alunos costumam ficar durante o intervalo. Sentei-me no"meu" banco. Este era todo rabiscado por mensagens antigas de amor e promessas do apocalipse. Tipo:"vocês do futuro irão morrer queimados, assim como eu!". E o mais engraçado era que os pirralhos que tinham escrito isso ainda estavam vivos, mas possuiam uma barba do tamanho do mundo.
- O que você tá fazendo aqui? ? Perguntei.
"Hahahaha, você achou mesmo que iria perder o seu primeiro dia de aulas?"
- Caralho, cara! Sai da minha cabeça! O que você quer?
"De você? Nada. Quero é ver como os meus amigos vão reagir quando souberem que a"assassina" voltou."
- Porra! Vou ter que ir consultar um espanta-espirito.
- ? ? Chamou com cautela a professora Radija. ? Você tá bem? Saiu tão depressa da aula que pensei que estava se sentindo mal...
- Não é nada, não professora. Tá tudo bem. Só me senti um pouco enjoada, mas já estou melhor.
"Enjoada? Ah, que desculpa mais esfarrapada."
- Bom, se você está melhor, pode matar a aula. Tenho certeza que depois você recupera as notas... Mas não se esqueça de ir para a próxima.
- Sim, senhora. Muito obrigada, professora.
"Oba! Vamos comer sorvete."
- De nada, querida. Se precisar de alguma coisa, é só falar.
- Ok.
"Comer sorvete, o escambau. Se eu resolvesse comer sorvete, comeria sozinha, e principalmente sem a companhia de fantasmas indesejáveis."
"Finalmente!"
"Finalmente o quê?"
"Você tá comunicando comigo sem falar! Muito mais comodo, não é verdade?"

- Ah. Vai te foder, .
"É um pouco difícil nessas condições, ou seja, morto!"
Teria rido se -e há sempre um"se"- não fosse o falando, (ou pensando, como você quiser) isso e se o sino não tivesse acabado de tocar, trazendo um monte de marginais para fora da sala prontos para me atacarem assim que me vissem.
Pensei em me esconder, mas o me chamou de covarde, e o meu orgulho falou mais alto.
- Ora, ora se não é a . ? Apontou um garoto que nunca vi, atraindo todas atenções sobre mim. Se dirigiu até mim, com uma garota ao seu lado.
- Pois sou eu. E você, quem é? ? Perguntei, toda snobe.
- Hahahaha. ? Riu ? Você não sabe mesmo quem sou? Eita, coisa mais deslocada.
"Caralho. Será que você ouviu bem? Ele acabou de te chamar de coisa?!"
- Desculpa se não sei quem é você... Sabe, não costumo ir muitas vezes no chiqueiro!
- Sua... - ergueu a mão para me bater, mas pareceu se arrepender imediatamente. ? Você tem muita sorte por ser mulher... Acho eu. Quer dizer, tenho algumas dúvidas quanto a sua feminilidade...
- Então somos dois. Porque eu também tenho dúvidas quanto a sua. ? Insultei.
"Opa. Você tá irritando o Stevie."
"Stevie Anderson? O quarterback mais popular da escola?"
"Esse mesmo, . Ele era um dos meus amigos mais chegados."
- , é melhor você não abusar... Tenho meus princípios, e não encosto dedo em mulher ou em projeto dela.
- Ahn, mas eu encosto. ? Afirmou inesperadamente a tal garota, que percebi ser a namorada de Stevie. E com isto, me deu um tapa na cara com uma força danada. ? Sua vaca! Você matou nosso amigo; nosso ídolo; nosso campeão. E aposto que tá aí no maior desleixo. Tem noção de quanta gente gostava do ? Ele era um cara super legal, que nunca iria sequer olhar para você e por isso o empurrou para a frente daquele carro.
De todas as coisas que ela tinha dito ou feito, essa foi a que me chocou mais.
- Eu o empurrei? ? Perguntei admirada. ? Você tá doida? Acha mesmo que eu iria empurrar ele para frente de um carro, sua louca! Se fosse o caso, estaria numa prisão.
- E é aí que você devia estar! Os polícias devem ter...
Gargalhei sem graça nenhuma.
- Será possível você ser tão estúpida? Por acaso você acha que consigo enganar polícias? Uau, devo ser mesmo boa.
Comecei a andar para trás ? feito caranguejo - até que não conseguia recuar mais devido a uma sólida parede atrás de mim. Por momentos aquela desconhecida ficou sem palavras, mas acabou por exclamar:
- Ahn, não quero saber. A única coisa que tenho a certeza é que você vai pagar muito caro por ter se atravessado no caminho de um rapaz tão promissor como ele.
"Já tou pagando!", pensei ao me lembrar da vozinha irritante que tinha na cabeça.
"Você deve achar que estou feliz por estar morto. E ainda por cima no seu corpo. Mas a gente discute depois. Sai daqui antes que ela te dê outro tapa!"
Claro que não iria fazer o que ele me disse, mas depois de refletir um pouco, reparei que estavam se agrupando muitas pessoas naquele pátio, e aquilo não podia ser nada bom.
"Como faço para sair daqui?", pensei mais para mim do que para o fantasma que estava dentro da minha cabeça. Apesar disso, claro, ele respondeu:
"Não devia te dizer isso, mas diga que tem que falar com Mannie e eles vão te deixar ir...
Não queria confiar nele, mas não tinha outra solução, estava rodeada por uma multidão enraivecida e não podia fugir por causa da parede detrás de mim. Pigarreei, preparada para mentir.
- Bom pessoas, vamos ter de conversar depois, porque agora tenho de ir falar com o Mannie...
- Com o Mannie? ? Perguntou Stevie, relaxando de uma forma quase sinistra.
- Sim, me deixem passar... - mandei. Uau. Eu minto bem.
Instantaneamente todos os que me rodeavam se afastaram, abrindo passagem como se fosse a rainha de Inglaterra. Não sou estúpida, me aproveitei do momento para sair logo dali.
Quando já estava suficientemente longe daquele bando de marginais, perguntei em voz alta:
- Quem é o Mannie, ?
"É o presidente da associação de estudantes."
- Ahn, e ele é assim tão influente?
", você estuda nessa escola? O Mannie é mais obedecido do que a própria diretora. Portanto, se você diz que tem que ir falar com ele, ninguém vai te querer atrasar."
- Hm, entendi. Agora me explica, por que você me ajudou?
"Isso só diz respeito a mim, sua alien."
Odeio quando ele me chama disso.
- Você se esqueceu que você está hospedado no meu corpo?
"Você acha que eu conseguiria esquecer, mesmo se quisesse? E eu sei que você odeia que te chame de alien."
- Que merda é essa? Você consegue ler todos os meus pensamentos, mas eu não consigo ler os teus?
"É o que parece. Agora pára de falar e começa a pensar, porque a minha cabeça tá começando a doer."
Ignorei o pedido dele.
- Cara, não te esquece que você tá na minha cabeça, tá bom? E eu não to sentindo nenhuma dor. Além disso... VOCÊ TÁ MORTO, CARALHO!
"Não sei te dizer porquê, mas sinto uma dor horrível... Por isso, pára!"
- Me desculpe, mas não vou parar. Isso não me afeta, portanto não vejo o porquê de te...
E, de repente, senti. Uma dor horrível que se centrava na minha cabeça, na zona do crânio. Parecia que uma minhoca enorme com dentes havia entrado no meu cérebro através do meu ouvido esquerdo e comido tudo ao seu redor para depois sair pelo meu ouvido direito.
- Porra! ? Exclamei ? Nunca mais quero sentir uma dor dessas.
"Então fala comigo através do seu pensamento, sua anta."
- Ou então posso escolher não falar. ? Contrapus teimosamente.
"Por mim, melhor ainda!"
Nem sequer lhe respondi, enquanto ia me dirigindo para a sala outra vez, porque o sinal já tinha tocado. Estava tão absorta nos meus pensamentos não-compartilhados que nem reparei no rapaz à minha frente. Sem querer lhe dei um encontrão e me apressei a lhe pedir desculpas.
- Não tem nenhum problema, .
Levantei a minha cabeça para poder ver com quem falava. PUTA! O rapaz era lindo. Traços bem definidos, loiro, olhos azuis como o mar e...
"Ah não! Só me faltava isto. Morrer, ficar preso no corpo de uma alien, e ainda por cima ter que ouvir os pensamentos típicos de uma adolescente apaixonada."
"Adolescente apaixonada? Você andou fumando? Nem conheço o cara."
", obviamente que não ando fumando, EU ESTOU MORTO. Ah, sei lá... Pára de babar..."
Resolvi ignorá-lo, ou pelo menos tentar.
- Como você me conhece? ? Perguntei completamente desajeitada. Depressa me recompus... Quer dizer, porra. Ele era um rapaz que, como todos, devia ser mulherengo e se achar o mais fodão do lugar.
"Eu nunca fui mulherengo e nunca achei que sou fodão... Eu tenho certeza que sou fodão!"
"Você não é rapaz..."
- debochei.
"Então já te mostro se sou ou não rapaz."
Fiz um esforço para parecer um pouco mais acessível, mas era um pouco difícil devido à minha vontade de matar o . (outra vez.)
- Conheço a maioria das pessoas deste liceu... Mas acho que nunca tínhamos sido formalmente apresentados. Sou o Mannie, o presidente da associação de estudantes.
-Ah, prazer. ? Disse, lhe apertando a mão.
Senti o gargalhar e tive que lhe perguntar o que se passava...
"Que escroto, . Você nunca teve namorado não? Que ridículo, cara. Onde já se viu cumprimentar um rapaz que você acha bonito com um aperto de mão?"
"Eu? Ahn? Quero lá saber o que você acha, estúpido!"

- Está tudo bem com você? Tá parecendo um pouco confusa... - Mannie perguntou, preocupado? Desde quando alguém se preocupa comigo? Isso tá me cheirando a armação.
- Mannie, ou como você se chama, volta de onde você veio e pára de gozar comigo, tá bom?
- Acho que houve um mal entendido aqui... - tentou em vão me explicar.
Cortei o mal pela raiz.
- Que mal entendido? Vai ficar lá com os seus colegas e me deixa aqui, ok?
Mannie reagiu um pouco mal ao meu pedido, mas não disse nada, se afastando em seguida... Mas claro, ele voltou e disse:
- Você deve ser um pouco louca... Espero que você tenha muitos amigos influentes que possam te proteger, porque a partir de hoje sua vida vai ser um Inferno... - e com um último sorriso, que estranhamente me pareceu sincero, ele entrou numa sala de aula me deixando ali sozinha outra vez.
Girei para trás e pude observar que mais ninguém me seguia ameaçadoramente como se fosse me esfaquear ou algo assim... E esse Mannie, hein? Coitado, nem percebi o que ele queria, mas pronto... Agora já se foi.
"Você é tão besta, ele só queria ser seu amigo, e você espantou ele."
"Amigo? Sei... Claro, acredito mesmo nisso." ? Pensei sarcástica.
bufou e não disse mais nada. Ótimo! Até que enfim um pouco de tranquilidade. Continuei caminhando em direção à sala onde teria Geografia. Ao andar, observei os alunos que se portavam como sempre, embrenhados em seus pensamentos mundanos e típicos de adolescentes fúteis. Havia um grupo que estava um pouco mais afastado de todos e estava incrivelmente calado.
"São os guys! Vai para lá, ! Tenho que falar com eles, tenho que ver eles."
"Você só pode estar doido! Um, você não pode falar com eles, e dois, não os conheço de lugar nenhum, portanto não vou para lá!"
", eu tenho que ir lá, por favor."

Nem liguei para o fato de ele estar pedindo «por favor».
?E o que ganho com isso?"
"Não sei... O que você quiser, mas me deixa vê-los mais de perto, e você podia dizer o que eu to pensando para eles."
", não vou fazer isso! Não quero. E isso não é tão importante assim..."
"É importante para mim..."
"Sim... Como dizia, não é importante."
", se você não me fizer esse favor... Vai se arrepender!"
"Oooh, partiu para a chantagem
? e sem controlar comecei a gargalhar ? Que medo! O que será que um morto pode me fazer de mal?"
"Se você não for falar com eles imediatamente, juro que você descobre!"
"Sabe, eu adoro desafios."

E com isto dei meia volta e continuei o caminho para a minha aula. Ouvi o bufar de raiva, parecia que ele ia chorar.
"Vai te foder. Até parece que eu iria chorar na sua frente, sua alien!"
"Own, acho que vou chorar, ele me mandou foder. Olha aqui seu moleque, por acaso você acha que eu te devo alguma coisa?"
"Claro que sim, eu salvei a sua insignificante vida!"
"Precisamente por isso que você me está devendo."
"Não to entendendo..."
", não sei se você já reparou, mas você está bem... Morto, quer dizer, mas não sofre. E não tem ninguém atrás de você esperando uma oportunidade para te esfaquear. Nem um monte de gente te chamando de assassino!"
"Preferia mil vezes isso a estar no seu corpo imundo. Sua porca, nem sequer tomou banho hoje!"
"Estúpido! Só tomo banho à noite para poder dormir mais fresca."
"Ah, quero lá saber... Seu corpo é fedido com banho ou sem ele."
Sentei-me na minha carteira de madeira, contei até dez muito devagar, usando o processo para me acalmar. Ao meu lado esquerdo estava sentada uma garota magra demais, que se abaixou para apanhar um lápis que tinha caído no chão.
De repente senti a minha mão esquerda se mover sozinha. Tipo, sozinha! Tentei pegá-la com a minha mão direita, mas não tinha força suficiente para reprimir o impulso que se seguiu. Quando dei conta, estava passando minha mão bumbum da garota que nunca vira.
"Oh my fucking God! O que você fez, ? Eu vou te..."
"Você vai o quê? Me matar? Tão engraçada, ."
"Isso não vai ficar assim!"

Nem consegui me concentrar no que ele dizia, porque a tal garota estava fazendo um escândalo:
- Credo. ? dizia ela, assim que consegui retirar a minha mão ? Além de assassina, a é lésbica. Sai de perto de mim, sua pervertida!
Ah, essa garota tá me torrando os nervos.
- Ouve aí, sua vaca, mesmo se eu fosse lésbica, a última pessoa com quem ficaria seria você.
- Não foi isso que pareceu. ? acusou, apontando para o seu bumbum ? Sei que tenho uma bunda espetacular, mas... você está sem controle. Acho que tenho de ir falar com o Mannie...
Ao meu redor ouvi pessoas sustarem o ar, como se ela tivesse me dito como iria morrer. Por amor de Deus ? e, nem acredito nele ? isso é tão ridículo!
- Eu não dou a mínima para o que você pensa... Mas me desculpe, não vai voltar a acontecer.
- Espero que não.
A pior aula de sempre passou devagar e eu só conseguia ouvir o professor falando sobre a atmosfera e a pressão demográfica... Oh, por favor. Estava quase dormindo, mas o fez o favor de me acordar.
"Porra. Faz o favor de ficar acordada que quero ouvir essa aula."
"Cara, você é tão escroto! Pra quê estudar, quando você nunca mais será ninguém na vida?"
"Quero lá saber, se concentra, sua alien!"
"Agora que to pensando nisso... Quanto tempo você vai ficar por aqui? Quero dizer, dentro da minha cabeça?"
"Ah, sei lá... Mas espero que não seja durante muito tempo."
"Cara, como você conseguiu controlar a minha mão?"
"Sei lá, pensei com força, e aconteceu! Você tem que admitir, foi uma jogada de mestre."
"Jogada de mestre, o caralho. Eu vou me vingar . Você vai ver."
"Oh, sim... Estou esperando totalmente ansioso para ver."

Notei que ele parecia sonolento. Será que fantasma sente sono? Que esquisito!
Ele não respondeu aos meus pensamentos e eu já tava encostada na parede ao meu lado, pronta para tirar uma soneca, quando o professor me chama ao quadro para resolver um exercício.
"Puta!"
"Isso que dá não prestar atenção na aula! Mas, tenho duas noticias. Uma boa e uma má."
"Ahn, pára com joguinhos... Diz então, primeiro a noticia boa."

A sala de aula era muito longa, então demorei alguns segundos a chegar ao quadro.
"A boa noticia é que sei a resposta para o exercício que você vai tentar responder e a má noticia é que não te vou dizer!"
"Você deve ter algum tipo de problema."
"Bom, não sou eu que tenho um fantasma na minha cabeça."

À minha frente estava um quadro preto enorme, e quando cheguei o professor me deu um giz. Olhei para o exercício e me arrependi de não ter prestado atenção à aula. Mas depois vi que no canto superior esquerdo do quadro estava a fórmula para resolver. Sem dar muito nas vistas ajeitei-me de forma que a pudesse observar melhor e descontraidamente resolvi o exercício de maneira correta. Yeah! Mais um feito corretamente, como sempre. Que emoção! (estou sendo sarcástica.)
Como sempre, o professor me parabenizou por ser uma aluna tão dedicada e depois nos dispensou. O sinal não tardou a tocar, fazendo com que os corredores anteriormente vazios ficassem mais cheios que banheiro público em tempos de diarreia.
Assim se passaram mais duas aulas sem que nada de incomum acontecesse.
No último intervalo fui até a cantina. Estava com muita fome. Sentia o estômago fazer aqueles barulhos, parecendo que era um carro cujo e motor não pegava.
Hum... Ninguém mais me chateara até o dia acabar, o que era de fato muito esquisito.
Ao virar a esquina, tinha cerca de três rapazes que pareciam estar a minha espera, me atiraram um conjunto de líquidos frios e saíram correndo.
"Puta que pariu! Tinha que falar cedo demais! Pronto , você está bem! Aqueles merdas não te fizeram nada! E além disso só falta mais uma aula para ir para casa e estar finalmente bem?"
começou a gargalhar. ?Merda. Você tá cheirando muito mal! E deve estar toda viscosa também? Eca. Ainda bem que estou morto!"
"Filho da puta, cala a boca. Pára de pensar, porra. Me deixa em paz, caralho!"
"Ooh, tá nervosinha, hein?"

Não sei como fiz, mas a partir daquele momento bloqueei os meus pensamentos dele. Já não o ouvia e tive uma súbita certeza que ele não conseguia me ouvir, mesmo se tentasse.
Entrei para a aula seguinte de cabeça erguida, vendo todo mundo, mais uma vez, apontar para mim e rir como se fosse um palhaço. Apesar de estar parecida com uma, não me incomodei nada ao ser gozada, novamente, por muita gente? Sempre fora assim comigo e agora mais do que nunca, era muito pouco provável que isso fosse mudar.

?s POV (point of view)

Porra! Estava pensando na vontade que tinha de ver porno quando a entrou em casa. Não sabia como ela fizera, mas conseguiu bloquear os seus estúpidos pensamentos de mim. Não é que eu queira saber o que ela pensa ou algo assim, é só que ainda sei muito pouco sobre esta segunda vida e não me agrada ficar assim, às escuras.
De repente, deixou de os conseguir bloquear e pensou:
"Agora vou tomar um banho quente, comer um bom lanche, depois direto para a cama? Amanhã é um novo dia, infelizmente."
Suspirei, farto:
", por que você reclama tanto? Pelo menos você está viva e?" - não consegui me conter e comecei a gargalhar quando vi o que ela estava tentando fazer. ?? , você vai tomar banho de olhos fechados?"
"Claro! Você achou que iria te deixar me ver nua?"
"Ahn, ainda bem que você me poupou desse sacrifício. Não quero ver sua celulite e estrias?"
"Seu anormal, não tenho estrias e muito menos celulite? Que horror."
"Então boa sorte com esse seu banho de olhos fechados."

Não comunicamos durante o banho. Ela estava cantando uma música, que reconheci ser Superman, do Eminem. Até que ela cantava muito bem. Mas eu estava muito ocupado a saborear o efeito que a água tinha sobre a e inclusivamente sobre mim. Porra! Que saudades tinha de surfar na praia mais próxima. A dificuldade de acompanhar o movimento de uma onda sobre uma prancha é muito cool. É, sou viciado em adrenalina? Tudo que é radical tem o meu apelido. Quanta coisa deixei para trás? E, sinceramente, de todas as coisas que sentia mais falta nada se compara a minha saudade de sexo!
Aí tá uma coisa em que eu era bom, e todas com quem estivera imploraram por mais? Bom, não foram assim tantas, por opção minha? Afinal, não ia dar o meu"instrumento" a toda e qualquer puta que aparecesse por aí? Isso era o trabalho do .
É isso que dá atrevessar em frente a um camião para salvar uma anormal. Nem sei porquê fiz isso... Porra! Mas, já tá feito. E, feito está.
Entretanto, acabou de tomar banho e tentava às cegas pegar a toalha.
?Ui!" ? deixei escapar, quando ela bateu o pé com força contra o sapato, que anteriormente tinha deixado por aí espalhado. Apressei-me a acrescentar ? ?Isso deve ter doído?" - e fingi rir ?"Bem-feito, assim você aprende, sua alien!"
"Vai te foder, !"
Puta! Essa garota é muito desleixada. Caralho! O pior de tudo é que mais cedo havia descoberto que a dor que ela sentia era provavelmente três vezes pior para mim. Então, quando a nova namorada do Stevie lhe deu um tapa... Aquela merda havia doído tanto, tanto... Ainda bem que consigo bloquear os meus pensamentos dela. Porque senão, acho que se cortaria todos os dias só para me infernizar a vida (ou a morte, como quiser).
Estranhei um pouco o fato de ela estar tão calada. Espreitei um pouco mais sobre os seus pensamentos, mas não consegui perceber nada, devido ao bloqueio da mente dela.
Uma das muitas coisas que era esquisita nela era que ambos não gostávamos de perfume. Que escroto. Nunca pensei em ter algo de comum com essa lambisgóia. Mas, enfim...
Comeu em silêncio os seus cereais de amêndoa ? Eca. ? E foi se deitar em seguida. Cacete! Odeio dormir cedo. E eram 21:35... Mas estava tão cansado...
Tipo, descobri também que o fato de controlar os movimentos da piranha me custa de tal forma... Que parece que andei surfando durante uma semana sem parar... Ou seja, estou muito consado...
A verdade que nunca admitiria era que tinha medo e saudades...
Medo de desaparecer... Ahn, sei lá. Nunca ninguém me disse que se morresse iria parar no corpo de uma imbecil.
E tinha saudades de tudo: da minha família, que ainda não havia visto; dos meus amigos; da minha casa (principalmente do meu quarto desarrumado); da televisão que odeio (porque é super-aborrecida); dos shows maravilhosos que o Mcfly dava (será que a banda vai terminar?); das garotas que me perseguiam sem nunca conseguir nada (bem, quase nunca... Até da escola eu tinha saudades (atenção! Escola, e não aulas...); tinha saudades do meu maravilhoso corpo!
Ahn e principalmente de bater uma boa punhe...
Devo ter perdido a concentração, porque a ouviu essa última parte, exclamando:
"Seu punheteiro de merda!"
"Ahn, vai-se tratar ... Vai dizer que não sabe que isso existe?
"Claro, seu idiota... Mas pelo menos bloqueie seus pensamentos para eu não ter que ouvir, pervertido!"
"Bom, já pude perceber que você nunca deve ter visto porno... Deixa eu te mostrar um pouco..."

Talvez porque não quisesse que eu parasse ou porque não conseguia reunir a concentração para fazê-lo, a não bloqueou os seus pensamentos e ficou vendo as cenas de sexo que lhe mostrava, berrando.
Quando comecei a ficar com dores de cabeça devido a gritaria histérica dela, parei de pensar em sexo. Ela ficou ofegante e exclamou zangada:
"Você vai se arrepender amargamente por isso... PORCO!"
"Acho que já tinha ouvido isso uma vez... Mas, até então, não vi nada."

Ahn, não sou assim com todo mundo, mas essa garota me tira do sério! Ela é egoísta demais... Ainda mais do que eu. Imagine só... Nunca pensei que isso fosse possível!
Não falamos mais... Vi ela se cobrir com uma manta pesada. Tudo ficou preto e supus que ela havia fechado os olhos; não conseguia ouvir nada a não se um programa irritante, que acho que se chama Britain?s Got Talent.
Puta! Não queria dormir. Ouvi uns barulhos esquisitos vindos da , mas não dava a mínima para o que ela tava fazendo.
De repente, tive uma ideia. Ahn, era diabólica, mas valia a pena!
Selei os meus pensamentos, para que a tivesse o seu sono de beleza (para isso uma noite não lhe chegava... Teria de dormir durante uns 100 anos) e fiquei pensando no que faria, caso meu plano desse certo.
Passado uns dez minutos, resolvi espreitar para a mente dela... Ela estava sonhando! Não precisava saber com o quê, mas a curiosidade foi maior e entrei, completamente, na mente dela...
Sonhava com um campo verde, ela se encontrava no meio dele sentada numa toalha de piquenique, com dois adultos à sua frente. Decidi me aproximar. Ao chegar perto o suficiente me escondi por detrás de uma árvore e pude ouvir o que ela dizia:
- Pai, mãe... Sentem comigo. Trouxe um pouco de bolachas de manteiga de amendoim, as nossas preferidas.
Eles obdeceram.
- Desde que vocês morreram a minha vida tem piorado gradualmente.
Com que então a megera era órfã? Bem, já devia ter desconfiado... Quer dizer, ainda não vira ninguém em casa desde que fiquei trancado na sua cabeça.
- Fiquem comigo! ? Vi ela implorar assim que eles se levantaram para irem embora.
Com um impulso, que não pude explicar, saí das sombras e ordenei:
- Fiquem com ela!
Os pais dela me encaram confusos, até que a mãe perguntou:
- Filha, você não nos tinha dito que estava sozinha?
- Sim, mãe? Estou! Esse paspalho é só um fantasma qualquer.
- Fantasma qualquer, sua estúpida?! ? Perguntei, avançando em direção a ela.
Puta que pariu! Agora que notei! Eram as minhas pernas que estavam avançando. Não eram as da ... Era o meu corpo! Caralho, eu sou foda! Fiquei tocando o meu corpo que nem um gay, mas nem me importei com esse detalhe. Parei de me acariciar, assim que o Sr. disse, sorrindo:
- Vocês são namorados? ? Perguntou, dirigindo-se à filha.
- Credo em cruz! ? Exclamamos ao mesmo tempo.
Teria rido se -merda com esse"se"- não fosse a e se os pais dela não me estivessem tratando como o txutxuzinho dela.
- ! Sai do meu sonho, imediatamente! Até aqui você vem me importunar? ? Perguntou ela.
Ahn! Então ela sabia que estava sonhando? Ia mandar uns bons"vai te foder, sua ordinária!", mas pude perceber que aquilo era uma coisa privada e ela queria estar sozinha... Em outras circunstâncias não sairia, mas tinha de concretizar o meu plano... Despedi-me da Sra. e do Sr. e saí do sonho dela.
Ao voltar ao meu espaço na cabeça dela, percebi que ela não havia acordado. Ótimo! Reuni todas as forças que tinha e abri os olhos dela.
Opa. A televisão ainda estava ligada e o quarto estava incrivelmente arrumado, como sempre.
Verifiquei se ela não havia acordado e comecei a me portar como um sonâmbulo.
Levantei o corpo dela da cama, desliguei a televisão (que irritante, porra!) e fui até o espelho, que havia no banheiro.
Porra! Só consigo ver o reflexo dela... Ah, não! Provavelmente para conseguir ver o meu reflexo outra vez, ela tem de estar acordada e sem bloquear a mente.
Observei a garota que me encarava no espelho. Tinha os lábios salientes e bem... um pouco bonitos, uns olhos muito grandes e cabelos compridos, usava um pijama com desenhos de ursos. Pensei em levantá-lo para ver o corpo que ela queria esconder de mim e mais tarde atirar isso na cara dela, quando notei que ela estava super-corada, e pude observar algo em seus olhos caindo... Puta! Eram lágrimas? estava chorando?
Será que era por causa de mim? Por causa de todas as coisas más que havia lhe feito hoje? Ou por causa dos pais que estavam mortos?
Fiquei mal ao ver a imagem dela tão acabada assim... Sim, eu a odeio. Mas não quero vê-la nesse estado. Quer dizer, agora esse é o meu corpo.
Limpei as lágrimas na face dela e fui para a cama outra vez. Merda, essa garota conseguia acabar com os meus planos mesmo dormindo. Caralho! Mas isso não muda nada... Eu odeio a e assim vou continuar por muito tempo.

Continua?
N/A: Pessoas!!! Ui, credo! Amei escrever esse capitulo, sério! Vocês acreditam que tive que ir pesquisar sobre palavrões? Hahahahaahah! Essa miúda é tão mal-criada que nem sei! Sabiam que, segundo um estudo feito o ano passado o palavrão mais pronunciado no Brasil é"Caralho"? ;) Podem ver tudo nesse site: http://lista10.org/adulto/os-10-palavroes-mais-utilizados-no-brasil/
Em relação ao conteúdo do capitúlo: Só consigo rir! Sério! Amo escrever essa fic! Quando ela chama o Stevie de porco, então?! Sério cagou na cabeça dele!
Gente, não fiquem com ilusões! O mcguy principal não gosta de vocês! Simplesmente, tem pena de você (mas, só por um segundo!)?
Vamos aos agradecimentos:
À Jéss Werner por ser uma leitora dedicada de minhas fics! E, me apoiar sempre!
À Carol Magalhães por me ajudar a manter a minha sanidade quando eu fico toda ansiosa e esquisita! (*correção: eu sou esquisita!)
À Hannah Albuquerque por ser muito fofa! E, escrever um dos comentários mais fofos que já li! Espero mesmo que acompanhe a fic até ao final? Iria gostar imenso!
À Tiemy e à Anne por serem minhas recentes leitoras e, por deixarem comentários lindos aí em baixo
Por agora é só mas, na próxima att agradecerei aos outros leitores (amores da minha vida!)
Conselho de amiga: Estão vendo esses"se?s" que eu tenho posto na fic? Pois é, não deixem que eles vos atrapalhe. Pois, são esses se?s que nos fodem a vida e, nos impedem de fazer aquilo que queremos?
Uma pessoa só se arrepende daquilo que não faz? (opa! Tou filósofa!)
Spoiler: (vou contar um pouco do vai acontecer no próximo capitulo, se não quiser, não leia!) Bom, preparadas? No próximo capitúlo: você vai fazer merda da grossa e, a vingança do seu mcguy vai ser tão má? Que você pode MORRER!
E, isso mesmo!! Agora clica aí em baixo e, me diz o que você acha que vai acontecer! Bjs e, até à próxima att e, leiam minha outra fic (caso ainda não o tenham feito!): I'm So Screwed (mcfly/ em andamento)

N/B: Hey! O que estão achando da história? Eu to adorando. Vai dizer, é uma história bem diferente! Só estou intrigada quanto a como eles vão ficar juntos... (sou romantica e gosto de finais felizes u.u') Mas só lendo pra descobrir né! Qualquer erro, mandem para o meu email. Beijoos.

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