Butterflies and Hurricanes (Muse)
Capítulo 1 -
?Eu não entendia exatamente o que eu estava sentindo. Só sei que era extremamente sufocante. Aqueles olhos intensos, e incrivelmente azuis me olhando, não como se estivessem apenas me olhando, e sim olhando o fundo da minha alma. Desvendando todos os segredos, nunca revelados, que minha consciência carregava. Segredos esses que nos últimos tempos estavam me mutilando por dentro, causando uma dor que ninguém deveria sentir.
Mas era só isso. Eram só os olhos extremamente, e sobrenaturalmente azuis que eu conseguia ver. Eu me esforçava para tentar desvendar, quem era aquele homem que simplesmente estava virando meu mundo de cabeça pra baixo, dificultando minhas noites e me fazendo sentir como uma adolescente. Se o resto fosse igual aos olhos que eu via, aquilo era a descrição de toda a beleza existente na terra.?
E então eu acordei, os olhos se foram, e simplesmente me senti desesperada. Por quê? Não faço a mínima idéia. Mas eu precisava daquela imensidão azul mais uma vez, mesmo sendo ela a causadora da minha insônia. Era 3PM e dificilmente conseguiria dormir outra vez, então fui para a sala e liguei a TV em qualquer canal, e estava dando Skins. Aquele seriado sempre causou em mim emoções que os outros não tinham; Uma mistura de culpa, tristeza e sentimentos ruins. Talvez porque minha juventude (que por acaso ainda não tinha terminado. Eu tenho 23 anos poxa! sou jovem sim!) tenha sido tão ou mais insana quanto a deles. Mas isso não é algo que eu realmente queira pensar.
Então, o sonho veio. E pela segunda vez só naquela noite os intensos olhos azuis invadiram minha mente, trazendo consigo algo mais, algo que eu não sabia definir, talvez excitação, ou curiosidade. Eu simplesmente não sabia definir quais eram, exatamente, as reações que aquele brilho e imensidão azuis causavam em minha mente e em meu corpo. E eles não passavam desapercebidos, eu sabia, só não admitiria. Afinal, é simplesmente doentio e louco, eu estar excitada ou ter qualquer tipo de reação com algo irreal. Com um simples sonho. Isso era o que eu achava até acordar naquela manhã de sexta-feira.
Estava toda torta e com uma dor insuportável no pescoço, Oh ótimo torcicolo em plena sexta-feira! Deveria ser proibido acordarmos doentes ou machucados logo no dia em que queremos sair e nos divertir. Isso era tão injusto, fazia anos que eu não me divertia realmente, e logo hoje, que eu iria sair com um cara lindo, que dizia estar gostando de mim (e que não era encrenca como pra variar todos os outros eram). Mas nos últimos tempos o universo estava conspirando contra mim. Eu sabia que merecia todo castigo do mundo, durante anos da minha vida me comportei como uma vadia, louca, sádica e insana, mas eu realmente preferia esquecer.
Me levantei e quando estava indo para o banheiro algo chamou minha atenção. Algo branco, retangular, com um leve volume, e bem embaixo da minha porta. Ta pra que todas essas explicações? Era um simples envelope. Eu não devia ficar desse jeito certo? Certo? Errado! Eu morava aqui há quase cinco anos, e nunca recebi cartas embaixo da minha porta. Ta, estranho. Mas como eu sou uma criaturinha curiosa e extremamente impulsiva, peguei a carta do chão, e antes de abrir me impressionei com a caligrafia, era masculina, e linda, com um ?ar? antigo. ?
Para ?
Eu girei o envelope uma, duas, três vezes na vã tentativa de achar o remetente. Como não achei nada, abri. E por algum motivo me surpreendi. Esperava uma grande carta,mas tudo o que encontrei foram quatro linhas daquela caligrafia impecável.
"Isso não é uma ameaça, nem um aviso. É uma simples constatação.
Nós nos encontraremos amanhã. Não importa onde você esteja ou com quem você esteja eu a encontrarei.
Não é como se você tivesse escolha de qualquer jeito. Você querendo ou não, nós nos encontraremos.
E não será um encontro agradável. (?Não para você, pelo menos?)?
Eu tremi. Sim eu tremi. Senti como se meu coração fosse saltar, sentia meu sangue gelado nas veias, um formigamento estranho nas duas pequenas cicatrizes em meu pescoço. Cicatrizes estas já esquecidas a muito tempo, e que eu realmente não desejava sentir. Confinei todas as lembranças, que o formigamento trouxe a tona, bem no fundo de minha alma, juntos com todos os outros sentimentos reprimidos no passado. Para não mais senti-las.
Li e reli várias vezes aquelas poucas palavras, que me fizeram tremer de medo, como eu só tremi uma vez. E não sentiria isso outra vez.
Não, eu era forte, tudo pelo que passei me tornara forte o bastante. Se esse sujeito queria vir ao meu encontro, que viesse. Eu estava preparada. Não que eu realmente estivesse, claro que eu não estava, mas eu precisava dessa motivação, precisava acreditar nisso; Não era verdade,eu não acreditava. Eu nunca fui forte. Não fui forte ao menos para defender minha mãe.
Flash back on
Meus pais viviam em constantes brigas. Meu pai bebia e batia na minha mãe. Um dia ele bateu tanto nela que a fez desmaiar. Eu joguei as garrafas na cabeça dele, e quando ele caiu no chão continuei jogando garrafas; Até hoje não sei realmente o que fiz com meu pai,só sei que fugi! Sai correndo como nunca antes havia corrido, não conseguiria mais defender minha mãe.
E Phillip me encontrou, me levou para casa dele e cuidou de mim. Por isso eu lhe era grata. Mas depois descobri que era uma troca de favores. Ele cuidava de mim, e eu lhe dava comida.
Alguns anos depois encontrei minha mãe. Ela estava bem, eu pedi desculpas, mas nunca adiantaria. Ela me odiava como odiava meu pai. Apesar de nunca ter feito nada a ela. Nunca entenderia a falta de perdão por parte dela.
Flash back off
Estava destruída com essas lembranças. Levantei minha cabeça pra evitar que as lágrimas indesejáveis caíssem. Fui para o meu quarto, guardei a carta na minha gaveta de coisas variadas (só um modo de dizer que a minha antiga gaveta de calcinhas hoje guardava tudo, menos calcinhas).
Fui tomar banho, fiz tudo normalmente. Passei meu dia vendo filmes de quinta na TV. Até filme pornô eu assisti! Mas graças a Deus meu celular tocou. Eu olhei no visor e era a . Minha melhor amiga.
-Fala vaca escandalosa! -Ahhh o amor entre amigas é algo lindo, tão leve, afetuoso, carinhoso e verdadeiro!
-Tudo bem vadia? -Tá ela conseguia ser pior do que eu. Merda.
-Tudo sim e você? -Não , não esta tudo bem, tem dois meses que eu vejo olhos azuis nos meus sonhos, hoje recebi uma carta que por mais que diga o contrário, parece sim ser uma ameaça. Todas as piores lembranças da pior época da minha vida resolveram voltar como uma enxurrada. É claro que eu não disse isso.
-Comigo está ótimo. Estaria bem melhor se a puta da minha melhor amiga não estivesse atrasada pra balada. E com um gato esperando por ela. E nesse momento têm umas duas garotas dando mole pra ele. O resto está esperando essas duas irem embora, claro. - Merda, estava tão absorta nos filmes pornôs e nas minhas lembranças que esqueci completamente do meu encontrinho casual dessa noite. Mas de qualquer maneira meu pescoço ainda estava me matando.
- , dormi no sofá essa noite, to com um torcicolo que está doendo muito.
-Já sei, sonhou com os lindos olhos azuis, acordou no meio da noite foi pra sala e dormiu no sofá?
-Sim. Desculpa okay. - e suas previsões. Sério aquela garota tinha alguns problemas. Tinha que ter. Ou talvez poderes. Ou talvez um foda-se.
-Ta bom. Tchau. - Ela desligou tão rápido que sequer deu tempo de me despedir. Eu sabia que era porque tinha aparecido um homem interessante e ela estava indo dar mole pra ele. Simples assim.
era minha amiga desde que cheguei a Miles City (cidade rural de Montana, pequena, fria, e pouco populacional. Perfeita pra quem quer fugir do passado de Los Angeles). Sim havia festas nas cidades vizinhas. E sim eram boas festas.Ok, nem tão boas quanto as de LAX, mas quebravam o galho.
Fiquei ali deitada por mais um tempo, até que meus olhos pesarem e eu cai no sono. Que tolinha eu fui ao pensar que dormiria bem essa noite.
"Aqueles olhos azuis mais uma vez me fitavam como se fossem perfurar minha alma. Mas havia algo a mais hoje. Um brilho diferente, cruel. Então eu escutei sua risada baixa, curta, fria, mas com uma carga de ironia que assustaria até o mais forte dos humanos.
Nesse momento eu tive uma certeza. Eu conhecia aqueles olhos. De outro tempo, outra vida, de uma época sombria. Mas a quem pertenciam, eu não conseguia me lembrar.
Por Deus isso era demais pra mim. A diversão veio em seus olhos, acompanhada de raiva, fúria, fogo. A diversão alcançou sua risada que desta vez foi alta e cruel. Ambas, a diversão e o medo, cresciam gradativamente conforme crescia o meu medo.
Me virei e corri, por puro instinto de sobrevivência, não acreditava realmente que fosse conseguir, mas mesmo assim corri, sem sequer sair do lugar. Me virei novamente em sua direção, e inevitavelmente dei pequenos passos para traz.
Tudo que eu via dele era um grande vulto preto. Apenas os olhos apareciam. Olhei em volta e caí. Como um soco no estômago, descobri que estava na floresta.
A floresta que foi palco dos meus mais pavorosos pesadelos. A floresta onde eu me tornei alguém desprezível.
?
Vocês me pagarão. Não importa onde, ou com quem estejam eu os encontrarei.?
As ultimas palavras DELE entrarão em minha mente.
Não era possível. Era coisa da minha cabeça, só podia. Eu sequer tinha realmente prestado atenção ao que aquele desgraçado havia dito.
Era ilusão.
Eu estava com medo do que estava por vir com o 'misterioso homem da carta?, por isso estou pensando essas coisas. O medo me fazia voltar àquela floresta, me fazia pensar em . Por isso estava criando uma ligação inexistente.
No fundo eu sabia que estava mentindo pra mim mesma. Sabia que quem quer que fosse o homem da carta, eu queria matar minha curiosidade. E se fosse o , eu morreria. Uma ultima risada cruel me acordou.?
O suor frio, meu coração acelerado, minha respiração descompassada. Uma certeza eu tinha, o ?misterioso homem da carta? não podia ser o desgraçado do .Ele não podia voltar. Não depois de tanto tempo, depois de tanta culpa, depois de tanto sofrimento, eu não merecia. Bom, eu acho que não merecia. Afinal também perdi uma amiga,uma irmã.
Então que eu tive um click. Será que ele realmente foi atrás dos meus antigos amigos? Merda, eu tinha excluído os números deles da minha agenda. Mas se ele tivesse realmente ido,eu estava morta.
Me levantei e fui fazer minha higiene matinal. E só depois fui perceber que eram quase meio-dia. O sonho nem foi tão longo pra mim dormir tanto tempo! Eu realmente devia ter sérios problemas mentais.
Enquanto tomava meu banho, me lembrei que era hoje que eu iria encontrar o homem da carta. Estava ansiosa, queria vê-lo. Meus alertas de perigo estavam apitando e mesmo assim eu queria o ver. Eu sabia que não seria um encontro agradável, mas eu era curiosa demais. E agora tinha certeza que além de vadia eu era masoquista.
Fui criada por um vampiro, por isso tinha meus sentidos apurados. Não como os de um vampiro, claro que não, mas eram mais sensíveis que o normal. Meu instinto de sobrevivência também era bem mais apurado.
Por estar, durante toda a minha vida, correndo risco de morte, meus instintos eram bem mais sensíveis, eles me avisavam muito tempo antes quando uma situação podia me colocar em perigo. Eu agradecia por isso, mas tinha certeza que meu pai de criação, Phillip, teria vergonha de mim agora.
Todos os meus instintos me diziam pra tomar cuidado, pra chamar Phillip, mas eu era masoquista e curiosa demais pra isso.
Sai do meu banho e resolvi ligar pra . Minha surpresa não foi tão grande quando descobri que ela estava indo para New York agora.
Então estava completamente sozinha nesse lugar. Sim,porque em cinco anos eu só tinha criado laços com ela. Haviam uns homens que eu falava de vez em quando, mas eram casinhos de sexta-feira a noite. Então,eu estava definitivamente sozinha.
Fui comprar um pote de sorvete e fiquei comendo o dia inteiro. Não pense que eu sou gorda por comer o tempo inteiro. Eu não sou, mas certamente vou ficar se continuar fazendo nada o dia inteiro. Eu não tinha nada pra fazer. Era colunista de um jornal regional, então de 15 em 15 dias era só escrever um bom texto e pronto, meu salário estava garantido. Não era muito mas me sustentava bem.
E como eu sou a pessoa mais preguiçosa do mundo dormi o dia todo. Acordei às 8PM e fui tomar banho.
Mais uma vez me peguei lembrando da minha mãe me dizendo que eu era a vergonha da vida dela. Que eu era uma traidora. Me lembrei na minha primeira transa. Não foi exatamente como todas as meninas sonham,foi um pouco a força. Mas foi boa, e eu praticamente pedi por aquilo. Se eu não me respeitava, quem me respeitaria?
Eu realmente me arrependia de tudo que fiz. Eu matei, não exatamente matei, mas fui cúmplice por varias vezes. Eu humilhei tantas pessoas pelo simples prazer de ver o sofrimento nos olhos das pessoas. Eu era má. Mas eu me arrependi. Sim eu me arrependi muito,muito mesmo de tudo que fiz.
Mas isso não parecia suficiente, pois aquele peso inumano na minha consciência insistia em ficar. Foi então que decidi fugir de tudo, decidi guardar todos esses sentimentos em meu coração, e desde então eles não saíram mas de lá.Todos os meus erros pesavam em minhas costas e eu simplesmente me levantei e joguei todos eles para um baú no fundo do meu coração. E realmente não queria mais pensar e muito menos sentir eles. E mais uma vez eu fui burra de pensar que realmente conseguiria não pensar mais naquilo aquela noite.
Eu sai do banho, coloquei um conjunto de moletom preto, e sai do banheiro. Me arrependi assim que vi aqueles olhos,ouvi aquela voz. Tive certeza. Os olhos que via nos meus sonhos eram os de . E aquela risada que me causou tanto medo, era dele.
Ele veio me encontrar. Todas as minhas desconfianças agora era fatos. E eu estava ali,na porta do banheiro do meu quarto,meu coração parecia ter caído até meus pés. E eu tinha congelado. Ele estava do lado da janela,olhando pro lado de fora, a lua iluminando o rosto pálido dele. Ele virou o rosto e me olhou. E mais uma vez tremi. Os olhos azuis intensos,cheios de crueldade.
-Olá, . - A voz tinha um tom de ironia, junto com frieza. Eu estava com medo.Muito medo. Então ele veio andando até mim, devagar, sedutor. - Como vai? Parece... Com medo. Medo de que? - Ele estava bem perto de mim agora, e começava a me rodear, como um predador brincando com sua presa.
Como eu há cinco anos.
Minha respiração havia parado. E eu não conseguia falar. Ele veio se vingar. Ele veio me matar.
E então eu falei, não sabia de onde minha voz havia saído, mas eu falei:
- Olá, . Você parece,hmmm... Recuperado. - Ele parou atrás de mim. Merda o que estava fazendo!? Brincando com fogo? Com fogo não, com algo muito pior, com um vampiro! - Pelo visto seus amiguinhos não eram assim tão importantes. Olha só, apenas cinco anos depois que eles morreram você esta bem!
Ele segurou em meus ombros por traz, e foi inclinando a cabeça pra falar algo em meu ouvido. Mas me surpreendeu quando fez um carinho em meu pescoço com a ponta do nariz. Deu uma leve risadinha e falou:
- Ele precisou te morder naquela noite certo? - Ele perguntou sem dar a mínima para provocação que eu fiz antes. E então continuou. - Depois que eu te mordi era pra você ter virado uma vampira. Mas ele não deixou. Ele tirou o veneno certo?
- Isso não é da sua conta! - Eu gritei saindo da frete dele. Ele não podia me fazer lembrar daquilo. Não ele podia, ele tinha todo o direito.
- O que foi querida, não é uma lembrança boa? - Ele perguntou. Eu havia ido para o outro lado do quarto, e agora ele estava vindo na minha direção. Ironia, diversão, crueldade e raiva transbordando em sua voz. - Não é bom lembrar de todas as pessoas que você ajudou Phillip a matar? Não é bom lembrar a quantidade de pessoas inocentes que você matou?
- CALA A BOCA! VOCÊ TAMBÉM MATA PESSOAS! - Eu estava ficando acuada. Ele estava a menos de um metro de mim e eu já estava encostada em uma parede.
- Sim, eu mato pessoas. Mas para minha sobrevivência. Eu nunca matei por prazer,eu nunca brinquei com a comida também. Mas você! Você é humana. E ajudava Phillip a matar as vítimas. Você atraia homens para um lugar fechado e os torturava até Phillip decidir se alimentar. - Ele chegou na minha frente e encostou o corpo em mim. Continuou falando baixo em meu ouvido. - E agora você vai ouvir o que eu tenho pra te dizer. Ou você prefere se tornar um monstro e poder matar sem culpa?
E então eu senti as presas dele em cima das minhas cicatrizes.
- Você não pode fazer isso. - Eu disse com certa dificuldade, já que ele estava me prendendo na parede e minha respiração havia ficado bastante difícil. Mas sim ele podia. Só não faria.
- Sim eu posso. Mas não vou fazer. -Ele disse como se estivesse lendo meus pensamentos. Saiu de traz de mim e se jogou na minha cama. E então continuou - Sua cama é bem macia sabia? Você fica reclamando dela, mas tem ótimas noites de sono aqui.
- O que? -Antes mesmo de pensar havia falado.
- Ora essa querida você vem sonhando comigo nos últimos dois meses por quê? Eu tenho vindo aqui todas as noites, olhando você dormir. E sei que você sonha comigo, só tenho muita curiosidade pra saber como você me vê? - Merda, merda, merda. Filho da puta desgraçado!
Eu respirei fundo e olhei bem nos olhos dele.
- O que você quer ? Vingança? Por termos matado seus tão preciosos amiguinhos? Você matou minha melhor amiga, minha irmã. Não tem direito nenhum de achar que é o único atingido. Por falar em amigos, vocêsabe onde se encontram os meus? - Ta, eu falei demais. Ele levantou, veio em minha frente, segurou meus ombros. Os olhos transbordando ódio. Então o inesperado aconteceu. Ele me beijou.
Sim ele me beijou. Com fúria, força, raiva, ódio, violência. E eu estava adorando. Sua mão direita veio para minha nuca e a esquerda apertou minha cintura. Sua língua estava pedindo passagem mas eu estava sem reação. Com os olhos abertos e os braços caídos ao lado do corpo. Inconscientemente deixei sua língua invadir minha boca e possui - lá para si.
No segundo seguinte nossas línguas estavam envolvidas em uma dança, ou seria uma batalha? Eu não sei muito bem, mas meus olhos já estavam fechados e minhas mãos espalmadas em seu peitoral definido. Suas mãos passeavam freneticamente pelo meu corpo dando ritmo ao nosso beijo.
Meu coração explodia ao mesmo tempo que algo gritava dentro de mim. Um sentimento nunca experimentado por mim antes. Eu o queria, o desejava de uma maneira incontrolável. Eu confiei em e simplesmente não sabia o porque.
Ele me prensou na parede com intensidade, entrelaçando nossas pernas. Sua boca desceu, traçando pequenos beijos pelo meu pescoço. E então eu senti mais uma vez, suas presas sendo fincadas com desejo em meu pescoço.
Hysteria (Muse)
Capítulo 2
?s Pov On
Eu havia mordido ela.
Foi por puro impulso. As vezes me achava um babaca. E eu era.
Queria terminar o que comecei naquela floresta. Precisava me vingar.
E atualmente a única maneira de fazer isso era utilizando o peso que ela tinha na consciência por tudo que fez. Transformei-a, para que ela matasse.
Agora ela mataria pela sobrevivência. Não que eu realmente fosse deixá-la sobreviver por muito tempo. Deixá-la-ia viva por tempo suficiente. Tempo em que eu a torturaria das piores formas.Torturaria utilizando as dores e lembranças mais sombrias e pavorosas de seu passado. Faria ela matar outra vez. E faria ela sentir na pele como é ser enganada.
Ela conquistava os homens, transava com eles, e os matava em seguida. Não exatamente ela os matava, mas Phillip, parceiro dela. E eu faria o mesmo.Utilizaria seus desejos, seu instinto sexual, que agora aumentaria drasticamente devido a transformação.
Um dos motivos pra eu tê-la transformado. E agora ela seria mais forte. Eu não poderia ter nada com ela enquanto humana. Mataria ela durante o sexo. Por isso a transformei.
Ela era linda não posso negar. Sexy, gostosa. E qualquer ser do sexo masculino desejaria aquela mulher ao primeiro olhar. Então, antes de matá-la ,me satisfaria. Sei que eu sou um canalha por isso, mas sim, eu a usaria. Como ela usou os homens que Phillip matou.
era como uma viúva negra.
Eu já tinha tentando transformá-la naquela noite na floresta. Mas aquele desgraçado do Phillip tirou o veneno do sangue dela.
Ele não queria que a filhinha virasse uma aberração como ele.
Eu ainda não conseguia realmente entender a ligação que eles criaram.
Eu sa que Phillip nunca teve relações sexuais com a . Se tivessem tido eu entenderia, ela era quente, macia, e simplesmente deliciosa.
Ela era uma das poucas humanas que conheciam as criaturas da noite. Como vampiros, lobos, feiticeiras e bruxas.
E talvez por isso eles pudessem ter uma ligação tão forte. Porque ele sa que nunca mais encontraria uma mulher, quente e que não tivesse medo dele.
E como eu sei que eles nunca tiveram nada?
Simples. Nós vampiros temos uma força de subrehumana. E como todo mundo, quando fazemos sexo não pensamos em muita coisa,inclusive em controlar a força. Como todo mundo nós aplicamos força porque sabemos que a maioria das mulheres quer mais e mais e mais. Só que se um vampiro aplicar força numa humana, ele a parte ao meio. Simples assim.
Eu até havia pensado em fazer algo antes de transformá-la. Mas a mataria, e isso estava fora de cogitação, por enquanto.
E eu teria que tomar todo cuidado do mundo pra não me distrair dos meus planos.
Trouxe-a pra minha ?casa?, para não haver nenhuma interrupção. Nesse momento ela estava deitada na minha cama, gemendo de dor e se revirando.
E eu não conseguia evitar imaginar ela gemendo de prazer, gemendo meu nome. Sim eu desejava aquela mulher tanto quanto queria ela morta. Por isso satisfaria ambos os desejos.
foi tão burra ao vir pra cá. Eu entendo que ela queria fugir do passado e esquecê-lo. E a melhor forma era vir pra uma cidade completamente diferente de LAX. Mas Miles City era uma cidade pequena, com pouquíssimos habitantes (pouco mais de 8.000), com muitas florestas e chuvosa. Muito chuvosa. O melhor lugar para vampiros. E eu não tinha contado direto com o sol, por isso podia sair de dia.
Então eu estava ?hospedado? na casa de um homem, que eu ?lanchei?.
O homem morava sozinho e a casa dele era pequena e no meio da floresta. Devia ser um caçador.
E então fui surpreendido com os olhos de me fitando. Com ódio, fúria, fogo, raiva e todos os sentimentos mais sombrios e mais odiosos que pode existir.
?s Pov Off
?s Pov On
Estavam tudo negro, todas as minhas lembranças passando como uma avalanche pela minha cabeça, e então eu senti uma queimação em minhas veias. Cada centímetro do meu corpo fervendo, não, fervendo é pouco, meu corpo estava entrando em um processo de combustão.
Dor e fogo eram tudo que eu sentia.
Ele não tinha me matado. Disso eu tinha certeza.
Mas ele me mordeu. Então isso significava... Não! Desgraçado, filho da puta. Aquele babaca me transformou! Como eu pude confiar nele.
Eu era uma burra.
Apesar de eu ter vivido ao lado de vampiros nunca quis realmente ser uma.
Mas o que eu não conseguia compreender é por que ele fez isso se veio aqui para me matar? Eu como uma recém-criada, seria mais forte e rápida que ele.
Ele devia estar querendo uma disputa justa, já que sa que eu não ia me entregar fácil.
Ela certamente estava achando que eu não teria habilidade e experiência. Tolinho, fui criada por vampiros. Tinha todos os meus sentidos já treinados. Conhecia todas as técnicas de luta.
E agora sim, eu iria entrar nessa briga. Agora ele ia me pagar.
Eu teria que matar. Teria que matar para sobreviver.
Então era isso que ele queria. Ele queria me fazer ter a necessidade de matar.
Ele sa que minha consciência me condenaria a cada dia da minha existência por isso.
Eu teria que me afastar da minha amiga por isso. Já que recém-criados nos primeiros meses ou anos, dependendo dos hábitos humanos da pessoa, sentiam uma sede incontrolável.
Phillip me explicou, que se os hábitos alimentares do recém-criado enquanto era humano, fossem bons. Se os manteve forte pelo menos. O tempo de sede incontrolável seria menor. Quero dizer, ele não sentiria tanta sede, e ela passaria em menos tempo.
Ou seja, ele não mataria o primeiro ser humano que aparecesse na frente.
Agora eu tinha que torcer para os meus novos instintos de vampira achassem meus hábitos alimentares bons. Pra mim poder pelo menos explicar pessoalmente a que eu não poderia ver mais ela. Não que eu fosse realmente falar que agora eu era uma vampira. Eu diria que ia viajar e talvez não voltasse.
E então meus pensamentos foram interrompidos por algo inesperado. Sede.
Então eu tinha me transformado. Agora eu era oficialmente uma vampira.
E tinha sede. Tinha fome. Queria sangue.
Abri meus olhos e me deparei com um pensativo ao meu lado.
E aquela imagem era perfeita. Ele era lindo.
Ver ele agora, me dava ódio. Queria estrangular ele. Queria destruir cada centímetro daquele corpo maravilhoso.
Mas ao mesmo tempo queria beijá-lo e agradecer por ele ter nos unido desta maneira.
A ligação de um vampiro com seu criador era muito grande. (finge que você nunca leu isso ta bom)
Mas no momento a sede e a fome eram bem maiores que esse desejo.
-Seja bem vinda ao meu mundo! - Filho da mãe!
Eu não sentia nada. Meu coração não batia. Minha respiração não era necessária. Não me sentia quente.
Eu era fria. Eu era fria. Não queria isso. Queria o fogo!Queria o calor!
- Desgraçado! ? Eu disse com a voz rouca enquanto sentava na cama.
- Uau! Seu humor não mudou hein? ? Fome, fome, fome, sede, sede, sede, de que eu chamaria aquilo daqui em diante? Eu sentia fome. Mas aquilo era chamado de sede. ? Sentindo algo? ?Ele perguntou me despertando dos meus pensamentos. E ele realmente parecia preocupado.
- Fome, sede. Do que eu chamo isso afinal?
- Sede. ? AEW! Descobri afinal!
Mas ai veio algo. Eu teria que matar um humano. Eu teria que matar outra vez. E entendi que isso fazia parte da vingança dele. Mas a necessidade era maior do que qualquer culpa que eu pudesse sentir em longo prazo.
- Vamos. Nós estamos na floresta ao sul da cidade certo? Têm mais caçadores como esse que você matou. ? Eu falei. E vi a expressão de surpresa dele. Eu conhecia bem essa cidade. E como eu disse, meus sentidos que já eram apurados agora estavam bem mais. Eu senti o cheiro de alguns humanos.
- Então vamos. ? Ele disse se levantando, pegou um sobretudo e me entregou.
- Pra quê isso? ? Eu perguntei sem entender o porquê de ele me entregar aquele, sobretudo. E ele simplesmente olhou meu corpo.
Droga! Eu estava de lingerie! Pra que ele tirou minha roupa afinal!?
- Você estava suando muito. Eu precisei tirar.
- Desgraçado, filho da puta! ? Eu xinguei enquanto dava uns soquinhos fracos no braço esquerdo dele. Ele segurou meus braços e se inclinou em cima de mim, me obrigando a me inclinar também. Por quê eu ainda estava nessa cama afinal? Já era para eu ter levantado droga.
- Não haja como se daqui a uns dias, ou talvez horas você não fosse implorar para eu tirar toda a sua roupa e te deixar nua, gritando e gemendo embaixo de mim.
- Tolinho, eu sempre preferi ficar em cima. ? Ele deu uma risadinha bem, sapeca, eu diria. E com a ponta do dedo desceu do meu queixo até a barra da minha calcinha, trasçando uma linha de fogo sob minha pele, ou seria de gelo?
Ele colocou o dedo menos de um centímetro dentro da calcinha e foi de um lado ao outro do meu quadril. E então soltou, fazendo com que uma leve dor corresse meu corpo por causa do atrito do tecido esticado da calcinha com a minha pele.
- Você é bem safadinha, sa . ? Ele sussurrou no meu ouvido antes de levantar e ir pra porta.
Eu ri e coloquei o sobretudo. E nós saímos correndo.
Eu vi um caçador a uns 2 km (tão legal conseguir ver assim tão longe!).
E no primeiro passo que eu dei, tive certeza, a antiga ainda estava ali, querendo voltar; E agora eu teria que decidir:
Se ela voltasse seria bem mais fácil sair viva desse jogo que decidiu fazer. Mas eu nunca mais conseguiria esquecer essas coisas. E ela poderia nunca mais ir embora.
Se eu a matasse. Minha luta seria bem mais difícil,e meus dias na Terra poderiam estar sendo contados.
E assim que encontrei o caçador não hesitei em mordê-lo sem ao menos falar nada.
E no momento que o sangue invadiu minha boca, já havia feito minha escolha.
?s Pov Off
?s Pov On
Eu não entendi muito bem quando ela não se importou de ter que matar uma pessoa. Ela estava sugando cada gota do sangue daquele homem sem um pingo de piedade.
Mas eu sa que depois isso iria pesar na consciência dela.
Pelo menos era o que eu esperava.
Talvez eu tivesse despertado a antiga . Mas se isso acontecesse,eu simplesmente mataria ela. Não antes de me satisfazer, claro.
Mas a mataria. Seria fácil.
Eu não a ensinaria nada sobre lutas nem sobre nossos sentidos e alertas.
Mas por algum motivo uma voz dentro de mim estava me chamando de burro.
Será mesmo que Phillip havia ensinado sua menininha essas coisas?
Se ele ensinou, eu acabava de dar vida ao ser que poderia me matar.
Mas se isso acontecesse talvez o jogo ficasse mais interessante. Mais equilibrado.
Ela atacou aquele caçador tão rápido.
Com tanta habilidade, que eu realmente estranhei.
Eu conseguiria ver um vampiro de 10 anos fazendo aquilo. Mas ela não tinha nem 1 hora!
Além disso, os sentidos dela estavam extremamente sensíveis.
Sim. Phillip treinou ela.
Eu estou oficialmente fodido. Pode me chamar de burro.
Tinha um brilho estranho nos olhos dela. Como se ela tivesse constatado algo ao morder aquele homem.
Ele era gordo. O sangue devia estar gorduroso e com muito álcool, já que eu estava sentindo o cheiro.
Mas para um recém-criado, sangue é sangue.
Ele estava caído no chão com uma expressão de dor, e ela agachada ao lado dele chupando o Sangue pela jugular (veia que se localiza no pescoço).
Era o melhor lugar pra fazer aquilo. O sangue vinha com pressão e você não precisava chupar de fato.
E então ela terminou.
Se levantou e parecia estar limpando o resto de sangue que havia na sua boca.
- E então , gostou? - Eu não resisti.
- Ele enfartaria daqui a um mês se continuasse bebendo uísque e comendo os hambúrgueres do Mc Donald.
- Eu imaginei.
- Mas não era tão ruim. Eu gosto de Jack Daniel?s. Só não gosto de MC Donald?s.
- Eu nunca comi.
- O que?! Como assim você nunca comeu?
- Ei! Eu tenho quase 200 anos. Nem existia MC Donald?s quando eu deixei de comer para beber.
Ela riu e veio andando até o meu lado e virou de frente para o corpo do caçador estendido a nossa frente.
- O que agente faz com o corpo? Deixa aqui? ? Ela me perguntou. E eu não sou o que responder. O sobretudo estava meio aberto e o sutiã dela havia descido um pouco, deixando à mostra uma boa parte do seio. E aquilo me fez pensar em coisas pra fazer essa noite. Ela percebeu a direção do meu olhar e viu a situação em que estava.
- Seu tarado! Eu aqui fazendo uma pergunta séria e você me olhando desse jeito! ? Ela disse me dando um tapinha leve no braço.
- Hey! Calma ai ta bom! O que eu posso fazer? Você é gostosa, apesar de ser uma vadia desprezível! ? Ta eu não devia ter dito isso. E eu só fui perceber quando no segundo seguinte o punho dela estava no meio da minha cara.
- Você é um nojento, desgraçado!
Depois de dizer isso ela saiu correndo para ?minha casa?.
Eu sei que não deveria dizer aquilo mesmo sendo verdade. Agora meu ?relacionamento? com ela seria algo bem mais difícil. E eu teria que apelar. Só não sei se seria certo.
Será que eu podia realmente fazer aquilo sem ser um monstro tão ruim quanto ela?
?s Pov Off
A Beautiful Lie (30 Seconds To Mars)
Capítulo 3
?s Pov On
Aquele desgraçado me chamou de vadia?! Eu adorava sim um dirty talk, mas porra! Nem transando agente estava! (Não que ambos não quisessem, estava meio obvio nos nossos olhos que queríamos) e ele ainda me chamou de desprezível. Vadia e desprezível na mesma frase não dá!
Eu sei que ambas são verdade. Mas eu estava tentando mudar, e ninguém parecia realmente se importar com isso.
Eu queria arrancar a cabeça do primeiro que aparecesse na minha frente, mas eu não faria isso. Eu ia me controlar.
Entrei na casa e me joguei na cama. Olhei pro lado e encontrei uma mala minha lá.
Levantei e a abri. Ela estava cheia de roupas minhas. E outras que não eram minhas, eu peguei uma dessa e nem era uma roupa realmente. Era um corset vermelho sangue extremamente sexy e em algum lugar ali devia ter o resto do conjunto.
Então tinha outros planos além de me matar quando veio me procurar... Interessante. Mas eu pensaria nisso depois.
Joguei o corset de volta na mala e peguei uma calça de moletom cinza e uma regata branca e me vesti. Agora que eu não sentia frio, era bem mais fácil usar minhas camisetas.
Não sei se ter uma mala minha aqui era bom ou ruim.
Bom porque eu não ia ficar de calcinha e sutiã apenas.
Ruim porque significa que ele quer me prender aqui por mais tempo.
Filho da puta esse viu!
E foi só falar no desgraçado que ele chegou.
Graças a Deus eu tinha acabado de colocar minha camisa e já estava deitando na cama de novo.
Ele olhou pra mim como se estivesse lutando com algo dentro de si. E disse as três palavras que eu nunca esperei ouvir da boca de
- Eu te amo. ? Ta, eu não esperava por aquilo. E eu não acreditava realmente. Mas ele falou com tanta convicção que algo dentro de mim amoleceu.
E mais inesperadamente ainda foi o que aconteceu em seguida.
Ele veio em direção à cama, não muito rápido. Sentou-se ao meu lado, meio que de costas pra mim.
Eu estava sentada na cabeceira da cama e ele senta ao lado do meu joelho mais ou menos.
Ele segurou a minha mão e começou:
-Eu nunca imaginei sentir isso por alguém. Por isso tenho tanto ódio de você. Afinal foi você quem tirou de mim as pessoas que eu amava como uma família. ? Eu engoli em seco. Ele olhou pros próprios pés e continuou - Tenho raiva de estar amando a assassina da minha família. Tenho raiva de você por me fazer te amar. Você não sabe o que é amar quem você sabe que pode ser seu algoz. Me perdoe por te odiar. Mas me perdoaetambém por te amar.
Ta meus instintos me chamavam de burra. Mas eu acreditava.
Pra falar a verdade eu não sa o que era realmente o amor. Talvez por nunca ter sido amada.
Eu só vi o que era o amor uma única vez. E foi logo com e aquela vadia que eu matei na floresta.
Flashback On
Eu estava indo para uma caverna que eu sempre ia quando estava frio em LAX. E hoje era um desses raros dias.
Eu passei por umas pedras que formavam pequenos montes e algo chamou minha atenção.
Era um homem de cabelos negros e olhos extremamente azuis e uma mulher ruiva, ela estava de costas pra mim por isso não vi bem.
Eles pareciam tão apaixonados.
O jeito doce que ele olhava pra ela. As risadinhas.
Um lindo casal... Até a noite quando eu vi tudo que eu não queria ver...
Ela estava transando.
E gemendo e quase gritando.
Tudo bem. Se não fosse pelo homem que estava lá.
Eu só podia estar vendo coisas.
Ela parecia estar tão apaixonada pelo homem dos olhos azuis que eu nunca imaginei que pudesse fazer isso.
Estava traindo ele. Com outro homem. E isso não era justo.
A dor que eu senti foi mais forte que o ser extremamente racional que eu geralmente era.
Então na noite seguinte quando encontrei os três na floresta. Não hesitei em matar os dois traidores.
Flashback Off
Talvez ninguém entenda porque eu fiz aquilo com ela. Mas é algo que esta fora até do meu entendimento.
Doeu tanto a ver traindo ele.
- Eu não sei do que você esta falando . ? Eu falei sem sequer ter pensado.
- Como assim? ? Ele perguntou. Nem eu entenderia aquilo se não fosse eu quem tivesse dito.
- Eu não sei o que é o amor. Eu não sei como se sente quem ama e muito menos quem é amado. Me desculpe, desculpe mas eu nunca entenderia.
Ele respirou fundo e pareceu pensar.
Mas quando falou, eu realmente quis morrer.
- Quando você ama alguém está disposto a dar a vida pela pessoa amada. Quando você ama sua vida passa a depender do ser amado. Tudo o que você vê é aquilo. É como uma obsessão. É incontrolável. É destrutivo. Você mata e morre quando ama. Os seres humanos só vêm o lado bonito do amor. Porque eles não querem ver que um sentimento tão puro pode sim matar. Por isso muitas pessoas acham que não conhecem o amor. Porque elas só vêm o lado mais bonito dele. Eu vejo o lado sombrio. E é esse lado que geralmente se mostra primeiro. É esse lado que te faz pensar que odeia o ser amado quando não é realmente isso. - Quando ele terminou de falar estava suando, e no fundo eu sa porque só não queria acreditar.
- Mas quando matam o ser amado, cresce um sentimento de vingança dentro de si. E tudo que você quer é fazer justiça. Por mais que isso não traga o ser amado de volta,
TE faz sentir melhor pra seguir com sua existência que agora julga miserável e desnecessária. É difícil viver sem o ser amado sabendo que ele nunca mais estará ao seu lado. Mais difícil ainda quando você é imortal e tem toda a eternidade te esperando. ? Ele olhou pra mim. E só havia dor nos olhos dele. Talvez ele entendesse o que eu havia dito.
- Você não acredita no que eu estou dizendo certo?
- , você não conhece minha história. Você não entende o que me levou a fazer o que fiz.
- Então o que te levou a fazer o que fez? Por que você matou Rosalie? ? O ódio na voz dele só confirmava tudo que eu havia dito antes. Mas eu não queria acreditar que eu estava certa. Eu nunca ouvi um eu te amo.
- Por que você nunca abriu seus olhos? Por que você esta mentindo pra mim? Você não vê que fazendo isso só esta se tornando um monstro?
- Eu sou um monstro. ? Ele disse isso com um tom de sarcasmo e ironia. ? Você me convenceu disso.
- Não você não é um monstro. - Eu puxei o queixo dele e fiz com que ele olhasse dentro dos meus olhos. ? Se você quer me matar agora, simplesmente me mate. Porque eu posso ter feito coisas horríveis, mas tenho certeza que isso que você esta fazendo é muito pior. Eu nunca fui amada. O único sentimento que alguém teve por mim foi ódio e uma gratidão que Phillip sentia por mim. Ele me criou e em troca eu facilitava as coisas pra ele quando o assunto era comida. Eu não conheço o amor. ? Eu estava lutando contra todas as barreiras que existiam dentro de mim pra falar aquelas coisas. O olhar de passou de dor para arrependimento ou algo do tipo.
Ele levantou e foi pra frente da cama. Em pé de costas pra mim.
Eu abracei meus joelhos e escondi meu rosto de forma que ele não visse as lágrimas que insistiram em descer.
Eu estava certa, ele não me amava.
Mas por que isso doía tanto?
E antes que eu pudesse me segurar às palavras saíram da minha boca junto com o choro
- Por que você amava tanto ela?
- Porque ela era linda de espírito. Porque ela me amava...
A partir daí eu não escutei nada. E mais uma vez o ódio me dominou e eu não me controlei. Fiquei de pé e comecei a gritar entre as lágrimas que ofuscavam minha visão
- Te amava? Ela te amou durante o dia e a noite estava fazendo sexo selvagem gritando embaixo daquele outro cara que eu não sei o nome! Foi por isso que eu os matei! Porque eu vi o quanto você amava aquela vadia! E eu vi que ela não merecia, ela te traia com aquele outro debaixo do seu nariz! Abra os olhos ! Você não pode me julgar. Você não me conhece por mais que pense o contrário.
tinha ouvido tudo de costas pra mim.
Quando eu terminei ele virou e veio na minha direção.
Quando estava na minha frente segurou em meu pescoço me levantou e me apertou na parede.
Era ódio puro que exalava dos olhos dele.
- Você é uma vadia desgraçada que não tem o direito de falar às mentiras que esta falando da Rose. Você não passa de uma puta que transava com os caras pra continuar recebendo o mínimo de atenção de um assassino que te criou por puro interesse. - Ele apertou mais ainda meu pescoço . ? A Rose nunca faria isso.
Ele me soltou. E eu caí no chão.
E eu percebi o quanto as palavras dele eram falsas.
Nem ele mesmo estava acreditando nas próprias palavras.
E eu era a pessoa mais masoquista do planeta que estava implorando pela morte.
- Nem você mesmo acredita no que disse não é mesmo ? ? Eu disse enquanto me levantava.
- Me fala um único motivo pra não te matar nesse momento.
- Ora essa ! Foi você quem disse que me ama e sou eu quem tem que te dar motivos pra não me matar?
- Vadia! ? Ele gritou e virou me olhando.
- , se você quer me matar me mate. Me fale um único motivo que eu tenha para continuar viva.
- Eu.
- O quê?
- Você vai ficar viva por mim. Eu vou fazer você pagar por tudo que fez. E você vai se arrepender.
- Eu só te peço que abra os olhos.
Dizendo isso eu saí de lá. E simplesmente corri.
Corri de todos os monstros que viam com as lembranças daquela noite.
Certa vez li em algum lugar, que paramos de procurar os monstros embaixo de nossas camas, quando descobrimos que eles estão dentro de nós.
Isso era verdade. Talvez fosse a maior verdade do mundo.
Esse era o grande motivo pra eu não gostar de ficar sozinha.
Meus monstros me atacavam de uma forma que às vezes era difícil fugir. Eu sempre corria, mas eles me encontravam.
E agora, que fez o favor de despertar todos esses monstros, era ainda mais difícil de fugir. Era quase impossível.
E então vi ao longe, ele.
A última pessoa no mundo que eu queria encontrar agora.
Continua...
n.a: Terceiro capítulo, e o nervosismo começa a me dominar! Depois de excluir a fic do computador e ter vários problemas com o Word do Windows seven, deu tudo certo! Nem acredito nisso =D
Bom, eu criei um blog de criticas às fics o Into a Fiction , preciso de uma equipe pra me ajudar, se alguém quiser me adiciona no MSN e nós conversamos ( Tata0286@hotmail.com ). Beeijos People :*
n.b:Essa fic me mata do coração ;0 Bom, gatinhas, se encontrarem algum erro me comuniquem pelo email: nandasakalo.beta@gmail.com