All Time Blow

História por Gabi Ormezzano & Lu Pinheiro - Revisão por Deh Way
Indice: [1], [2], [3], [4], [5], [6], [7], [8], [9], [10], [11], [12], [13], [14], [15], [16], [17],
[18], [19], [20], [21], [22], [23], [24], [25], [26] e [N] @


Um

A Curiosidade Matou o Gato...

Como vocês sabem, artistas sempre têm os temidos "assuntos proibidos" em suas entrevistas. Basicamente, é uma lista de coisas que o entrevistador não pode perguntar. E é claro que nós, da NME não respeitamos nem um pouquinho essa lista.
Somos curiosos, e fomos atrás do motivo do término do - aparentemente sólido - namoro de e .
O que conseguimos? Um raivoso "Ela sabe que está errada e isso é o que importa!" de e um magoado "Não quero falar sobre isso!" de .
Vago, não?
Bem, de uma coisa temos certeza: A Warped Tour vem aí... E junto com ela, shows de All Time Low e Maliciously Betrayed.
Mal podemos esperar!

A primeira coisa que fez ao ler essa reportagem foi simples, ela riu. Sarcasticamente.
Como poderia ter esquecido?
Era julho. Verão. Época da turnê mais esperada por todos os adolescentes: Warped Tour. Turnê que ela e sua banda, Maliciously Betrayed tocariam, junto com a banda de seu ex, All Time Low. A vida não podia ser mais adorável.
Afinal, o que poderia ser mais legal do que sair em uma turnê de um mês com seu ex-namorado - que era um completo cachorro?
O mais irônico era que a menos de duas semanas atrás ela achava simplesmente o máximo ter a oportunidade de sair com , , , Rian e suas companheiras de banda , Elle e Scarlett todo o dia durante um mês.
Então ela rapidamente se lembrou da escória do mundo da música (que não, não era ); Groupies.
Só de pensar, sentiu um arrepio na espinha.
era o tipo favorito delas. Bonitinho, estiloso, tocava numa banda, tinha talento - não que elas se importassem com o último. E bem, era daqueles. Adorava uma atenção feminina. E ao pensar nisso, outro arrepio na espinha e olhos se enchendo de lágrimas.
- Ele que pegue herpes, gonorréia, clamídia e fique sem sexo até o fim da insignificante existência dele. - Murmurou raivosamente, mordendo sua torrada logo em seguida.
- Falando sozinha? Isso é um dos primeiros sintomas de distúrbios psicológicos. - Brincou , guitarrista da banda e sua melhor amiga, servindo-se de um copo de suco. Ao perceber o que lia, seus olhos se arregalaram.
Era fácil perceber sobre o que a revista falava. As fotos gigantes dela e junto com enormes rasgos no meio não deixavam dúvidas.
- ELLE, EU DISSE PARA JOGAR A KERRANG NO LIXO! - Berrou , irritada.
Segundos depois Elle - a pequena baixista da Maliciously Betrayed - apareceu de pijamas.
- A Kerrang tá aqui, bem na minha mão. Como é que ela estaria aí e... Oi . - A loira, que já era pálida, perdeu ainda mais a cor ao ver o que lia.
- Me deixa ler. - Pediu , calmamente.
- Não! - Disseram as outras duas em tom uníssono (como sempre faziam ao cantar os backing vocals).
- Ótimo. Vou ir até a banca da frente comprar. De pijama. Mastigando minha torrada. Parecendo o Simba de "O Rei Leão". Já estou imaginando as manchetes de amanhã e... - Começou com drama, se levantando e indo em direção a porta que levava ao hall da cobertura que dividia com suas companheiras de banda.
olhava pra porta. Depois viu preto, Elle havia jogado a revista em sua cara.

Maliciosamente traída?

Garotas adolescentes do mundo todo: festejem! O delicioso do All Time Low, está solteiro novamente!
Pelo menos é o que diz a nossa correspondente, Anne Smith. De acordo com ela, o casal mais popular do Pop-Punk atual não está mais junto à quase duas semanas!
A notícia ainda foi confirmada pela assessoria das bandas - que pertencem à mesma gravadora, não é uma fofura? -, com um simples "Sim, é verdade".
O motivo? Uma incógnita completa!
De um lado, temos uma (vocalista da adorável girlband Maliciously Betrayed) chateada, e de outro, um irritado.
De que lado você está? Nós da Kerrang estamos do lado vencedor, claro.

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- Delicioso... - Ironizou - Desde quando é delicioso? Bolo de chocolate é delicioso. Ruffles com ketchup é delicioso. ? Definitivamente não é delicioso.
Pude sentir e Elle revirando os olhos.
Silêncio constrangedor.
- Bem... Que tal assistirmos TV? Alexa Chung deve estar fofocando sobre alguém nesse exato instante, e isso sempre é divertido. - Falou , otimista.
Essa era . Com uma mente um pouco mais lerda do que a normal e um otimismo contagiante.
- Eu não faria isso se você-ê... - Cantarolou Scarlett, sentando-se na bancada da cozinha. Alta, ruiva e de pernas torneadas pela bateria, ela era deslumbrante.
fingiu não ouvir e ligou a TV na MTV.
Alexa Chung comentava as mais novas fofocas do mundo da música. E enquanto fazia isso, várias scans de revistas passavam pela tela. E nove em cada dez eram sobre e . Elle desligou a TV assim que uma foto dos dois se beijando no backstage de um show tomou conta da tela de 50 polegadas da cozinha.
- Quando você e terminaram não comentaram tanto assim. - Murmurou para .
- Bem... Quando eu e terminamos, nem a Maliciously Betrayed, nem nós éramos tão famosas. E nós deixamos bem claro que continuaríamos amigos e que o motivo do término foi simplesmente falta de tempo. - explicou, sorrindo fracamente.
"Continuaríamos amigos". Para ser honesta, e nunca tinham sido realmente amigos.
- Diferente de certo alguém... - Sugeriu Elle.
- Sem querer ser indelicada, mas já sendo... Por que você e terminaram? - Essa era Scarlett. Dizia tudo o que vinha a cabeça.
sentiu três pares de olhos a encarando.
- Não quero falar sobre isso. - Respondeu num suspiro, escondendo o rosto atrás de uma reportagem qualquer da Kerrang.
"Olha, Panic at the Disco vai lançar um álbum novo em fevereiro... Que legal" Começou a se distrair vendo as imagens. Por que tinha namorado se um ser chamado Brendon Urie existia de verdade?!
- Ah, qual é. A gente já tá nessa há duas semanas. Duas semanas! Você passou metade do tempo trancada no seu quarto escrevendo músicas, que por sinal ficaram muito boas... - Todas acenaram afirmativamente. - E o resto no home theater vendo True Blood suspirando pelo Eric. - Scarlett respirou fundo. - A gente sabe que é difícil, afinal, você e o eram grudados. Mas nós somos suas melhores amigas, e não repórteres enxeridas da NME.
- Não quero falar sobre isso. - Repetiu, se levantando e indo em direção ao home theater.
Realmente precisava se distrair, esquecer de sua insignificante vida de vocalista de banda. Nada que uma dose de Eric Northman não resolvesse...


Dois

acordou com cheiro de panquecas. Panquecas queimadas. Nada bom. Olhou no relógio e viu que eram exatamente quatro da tarde. Que tipo de ser fazia panquecas há essa hora? Então ouviu um "MERDA!" da cozinha. Ele ainda havia se perguntado?
Andou cambaleante até a cozinha, piscando várias vezes até seus olhos se acostumarem com a claridade e tentando arrumar seu cabelo (tentativa falida).
- Ei. O que temos pro café? - Perguntou, abrindo a geladeira.
- Temos as minhas deliciosas panquecas... - pareceu pensar por um instante - Bronzeadas. E tablóides cheios de fotos dos pombinhos. Ops! Ex-pombinhos. - Ele deu um sorriso amarelo, e revirou os olhos - O que vai querer, Senhor ?
- Passo os tablóides e fico com as panquecas bronzeadas. - Respondeu, pegando uma das panquecas - Cara, isso tá mais pra panqueca com queimadura de terceiro grau, necessitando de um hospital imediatamente.
deu uma risada falsamente histérica, murmurando em seguida "Melhorou rapidinho do pé-na-bunda...".
- Cadê o e o Rian? - fazia um esforço terrível para mastigar as panquecas, que pareciam feitas de borracha.
- Dã? Dormindo, claro. Tá cedo ainda.
- São quatro horas da tarde.
- Ce-do. - Repetiu pausadamente, como se estivesse falando com alguém mentalmente atrasado.
- Quatro horas da tarde. - frisou a palavra tarde - Ou seja, tar-de, caso você não tenha entendido.
- Gracinha. - .
- Fofinho. - .
- Adoro gayzisses matinais. - Falou sonolento, e sem camisa, como sempre . (N/A: Isso só vale se for com o Merrick, haha) - ... Posso te fazer uma pergunta?
sentiu um embrulho no estômago. Desde que não fosse sobre ela, estaria tudo bem.
- Hm, claro.
- Por que você tá comendo um pneu?
riu - pela primeira vez em dias.
, ficou vermelho.
- Quer saber? Eu cansei. Nunca mais vou cozinhar nada pra vocês. Vocês que morram de fome. - Disse, irritado, o que só fez e rirem mais ainda.
- Vocês me acordaram, droga! Ei, isso é uma dieta nova? Madeira queimada em troca de kilos a menos? Aposto que foi o que inventou essa! - Brincou Rian.
O local onde os rapazes do All Time Low se hospedavam era uma típica casa suburbana, com suas janelas grandes, móveis confortáveis e cômodos espaçosos. Tinham voltado uma semana antes de uma turnê de outono com Metro Station e Boys Like Girls, e em menos de três dias sairiam em mais uma turnê, dessa vez a tão esperada Warped Tour.
- De qualquer jeito, melhor as moças se apressarem, a gente tem meia hora pra chegar ao centro. - Avisou , tirando o avental que usava e jogando na cara de .
- Comasim? - Perguntou , quase cuspindo suas panquecas pra fora.
- Nossa cara, que nojo. - Reclamou Rian - Tua mãe não te deu educação não? Eu to vendo o seu esôfago daqui.
deu o dedo e revirou os olhos. Como eles eram imaturos...
Como se ele não fosse, certo?
- Como assim? - Repetiu , dessa vez com a panqueca no estômago.
- Lancelot, o manager acabou de ligar. Reunião com a galera da Warped pra definir as cidades que a gente vai tocar, os palcos e tudo mais. - Explicou um sério , pela primeira vez na vida - Qual é caras, parem de me olhar com essa cara surpresa. A gente tem Warped daqui a três dias!
Ótimo, Warped Tour. É claro que ele não esquecera, mas ela tinha chegado tão rápido!
As últimas semanas tinham passado como um borrão para . Ele não passava quase um minuto sozinho, sendo distraído e arrastado - contra a sua vontade - pelos seus companheiros de banda. , Rian e até tinham o levado para a Disney - que não ficava nem um pouquinho perto de Baltimore - somente para distraí-lo dela.
Por mais ridículo que parecesse, nas últimas duas semanas ele tinha criado um gosto por revistas de fofoca, especialmente as que falavam dos dois. Às vezes ria e - por mais que odiasse admitir - às vezes quase chorava. E foi em uma dessas revistas que leu:
" ' segue em frente', onde uma 'amiga pessoal' dizia que John Ohh, do The Maine está totalmente de olho nela. Eles totalmente poderiam ter sido um casal, se não tivesse a fisgado antes."
É. John Ohh. Por que ele se apaixonaria por ?
Pergunta errada, pensou . Por que ele não se apaixonaria por ?
Ele ainda lembrava do jeito que ela era animada e engraçada no palco, até mesmo quando seu humor estava péssimo. Também se lembrava do seu cabelo, que tinha um cheiro cítrico forte e ao mesmo tempo doce - como ela; da mania que tinha de dormir de barriga para baixo, sempre escondendo a cara em algum lugar - na curva do pescoço dele, na maioria das vezes; do jeito que enrolava a ponta dos cabelos nos dedos quando estava desocupada; e da maneira que corava toda a vez que percebia que simplesmente não conseguia tirar seus olhos dela.
- , acorda. - estalou os dedos bem na frente de seus olhos, tirando-o de seu devaneio - Acabei de falar com o Lancelot. Coloca uma roupa decente e dá um jeito nesse seu cabelo.
- O que tem de errado com o meu cabelo? - perguntou confuso e tentando abaixá-lo, ao mesmo tempo que tomava o resto do suco de laranja de .
deu de ombros.
- Você não quer que a te veja nesse - ele fez cara de nojo - estado, certo?
sentiu como se pudesse cuspir tudo na cara de - que percebeu isso também e se afastou rapidamente.
- Ela vai estar lá?
- Se a Maliciously Betrayed vai, por que a vocalista não iria? - Disse impaciente - Agora vamos logo, tente ficar bonito.
- ISSO É IMPOSSÍVEL! - Ouviram a voz de no fundo. riu levemente e bufou.
- Eu disse tente.




- , pare de olhar para a porta. - Mandou Scarlett, brava - Você não quer parecer desesperada, certo? E por que você ainda não foi dar em cima do John Ohh? Se chegar e ver vocês dois juntos, ele vai ter um treco e...
- Pelo amor de Deus Scarlett, ele tem namorada. E ela é super legal. - Respondeu , categoricamente. Não que ter uma namorada contasse pontos negativos sobre John.
Ele era alto... E você sabe o que dizem sobre garotos altos.
- Isso não é problema. Você é legal também. - A baterista deu de ombros, e revirou os olhos - Não é, Elle?
- Muuito legal. - Murmurou.
As duas explodiram em gargalhadas, enquanto e Elle as encaravam sem entender nada.
- Elle, da próxima vez, tente ser mais discreta ao encarar a bunda do Caleb Turman, ok? - Falou .
Caleb, que conversava com o resto do Forever The Sickest Kids, ao perceber que falavam sobre ele, piscou, recebendo um aceno e um sorrisinho charmoso das quatro.
Desde quando elas tinham amigos tão gostosos? Ah sim! Desde que criaram a banda nº 2 da lista das "100 Melhores Bandas de 2009".
A banda número um? A dele.
- Bem... - Começou Lancelot - Acho que vamos ter que começar a reunião sem o All Time Slow - Ele começou a gargalhar sozinho. - All Time Slow! Entenderam?! Entenderam?! Por que eles são devagar e não chegaram até agora. Slow! Entenderam?!
Todos os membros do The Maine, Forever the Sickest Kids e Maliciously Betrayed começaram a rir histericamente - e de maneira muito falsa.
Lancelot - o manager, e chefe deles estava na casa dos cinqüenta anos, apesar de tentar esconder tudo com botox. Tinha uma mania incontrolável de contar piadas extremamente sem graça, e de se achar o gostosão.
- Oh Scarlett, vejo que você não está rindo, minha querida.
- Ah, cala a boca, seu velho babão! - Scarlett levantou-se e foi andando até a porta decidida - Eu tenho mais o que fazer, fala sério.
Todos a encaravam assustados. Era quase uma regra fingir que Lancelot era engraçado e corresponder seus flertes - e isso se encaixava aos garotos também.
Lancelot não tinha muita... preferência.
encarava o chão entediada. Já estava acostumada com Scarlett e sua dramaticidade, até que sentiu o cheiro dele invadir o ambiente. Perfume masculino, sol e chiclete de menta.
- Nossa, o cabelo dele tá horrível. - Elle sussurrou.




- Cara, olha o jeito dela. Parece que quer chorar. - Rian bateu nas costas de .




- É, ele tá todo acabado. - Completou - Você não tá perdendo nada amiga.
não queria olhar para , mas sentia seu olhar a perfurando, e a curiosidade de vê-lo depois de tanto tempo aumentava a cada instante.




- Olha a roupa que ela tá usando. Que mau gosto, roupa de ir na padaria. - Comentou .
- Gay. - Murmuraram , Rian e ao mesmo tempo.




- Não sei aonde vocês tão vendo acabado ali amigas. Pra mim ele continua uma delícia em forma de . - Scarlett deu de ombros, ao mesmo tempo que Elle e diziam um "Scar!" irritado - E , cabeça erguida, lembra? Você que deu um pé na bunda dele, não o contrário.




- Ah caras, ela continua gostosa. - Falou , recebendo como resposta um "Minha avó tá mais gostosa que ela" de e um "Cala a boca, animal" de Rian.
- Ela tá igual pra mim. - Respondeu , sentando-se na poltrona oposta a de .
- Bem, bem... Então os All Time Slow chegaram! - Exclamou Lancelot - Vou promovê-los. Agora vocês são os All Time Late, que tal?
Todos riram histericamente, alguns - como e - com direito a engasgos e batidas na perna.
- Essa foi ótima, cara! - disse, sua voz num tom de falsidade inimaginável - Então... Eu vou poder levar aqueles pesos no ônibus de turnê? - Sua voz tornou-se séria de repente.




- Galera, vamos dar uma saída? Tomar alguma coisa, dar uma dançada, sei lá. - John comentou, sorrindo e fazendo uma dançinha levemente brega.
- Cara, ele é gostoso... Mas essas breguiçes são de matar. - Elle sussurrou para , mantendo um sorriso falso no rosto para John.
se espichava para tentar ouvir o que o All Time Low conversava, estava entediada e percebeu que tinha um clima estranho entre os garotos da banda.
- Então, você vai? - Perguntou para , que parecia distante.
- Sei lá cara, não to afim, acho que vou pra casa. Meu CD novo do Michael Bublé acabou de chegar. - disse desanimado, dando um sorriso triste - Além do mais, hoje sai a nova edição da People. Tenho que passar na banca e pegar.
- OH MEU DEUS! - Gritou . "Ele tá de fossa, ele tá de fossa, ele tá de fossa". Ficou repetindo mentalmente. - OH MEU DEUS, OH MEU...
Parou de gritar ao perceber que e a olhavam estranhamente.
- Erm... Eu acabei de lembrar que... Meu ex-namorado tem sífilis. É. Isso. Sífilis. - Respondeu ela. arregalou os olhos.
- Eu nunca tive sífilis! - Gritou ele indignado.
- Você não é meu único ex-namorado, ok? - parecia ofendida - O ex-namorado que eu to falando é o... Bem, você não conhece. Adios.
- Ei, , volta aqui! - gritou, seguindo a garota rapidamente, enquanto se sentia confuso.
- Certo. - Ele disse, indo embora.




- Merda, onde a se meteu...? - Murmurou , procurando a garota.
- Ele tá de fossa também, ! Acabei de ouvir ele e conversando e ele comprou o CD do Michael Bublé. Do Michael Bublé, você me ouviu direito?! - disse desesperada, enquanto Elle e Scarlett davam gritinhos animados.
- Tanto faz - disse desanimadamente. - Ele deve estar numa fase jazz. Vou para casa ver The O.C. e comer sorvete. Talvez até um pouco de Grey's Anatomy. Tchau.
Ela saiu andando, deixando , Scarlett e Elle com caras de pena. se juntou a elas, com a mesma cara. Eles se entreolharam e disse decidida:
- Vá chamar e Rian. Tenho um plano.




- Ei, ! Espera aí. - John Ohh surgiu do nada, com um enorme sorriso no rosto.
- Ah, oi John. - colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha e sorriu timidamente.
Ele até poderia ser chamado de amigo, mas com todos os rumores de que eles estavam juntos era extremamente estranho encará-lo.
- Olha... Eu tenho que conversar com você. É meio sério e você vai achar que eu sou louco mas... - Ele estendeu uma página rasgada da Popstar. - Eu preciso te pedir um favor.

Ohh My God!

Você não vai acreditar quem nós, da Popstar, encontramos saindo escondido do último show das Maliciously Betrayed - ou pelo menos tentando sair - escondido! O TDB (tudo-de-bom) John O'Callaghan (ou simplesmente John Ohh, para os íntimos, como NÓS!), vocalista da incrível The Maine.
Não é de hoje que rumores circulam sobre as faíscas de John Ohh e , - vocalista das MB - e ver John tentando sair de fininho só nos deixou mais curiosas!
Onde tem fumaça, tem fogo, ou nesse caso, um belo par de chifres na cabeça da namorada de John, a assistente de produção Justine Jones, que vai trabalhar na Warped Tour junto com os dois... E , ex-namorado de .
Será que teremos um quadrado amoroso?
Bem, tudo o que sabemos é que... De quatro é mais gostoso!

começou a gargalhou ao ler a última linha. Que coisa mais... Ridícula!
- Nossa, eles tão cada dia piores. - Ela devolveu a revista para John, que deu um meio sorriso - Sinto muito por isso. Quer que eu escreva uma carta pra Popstar negando tudo?
- Ahm... Meu favor é um pouco mais complexo que isso. Quero dizer, eu realmente não me importo de ser chamado de seu novo namorado, mas minha namorada se importa. Bem, ex-namorada. - Suspirou John - Ela terminou comigo depois disso. Eu tentei explicar que só fui no show para falar com o Lancelot, mas ela não acreditou e...
- E...?
- Eu quero muito voltar com ela. E com o lance seu com o , eu só pensei que... Sei lá, o clima entre vocês tava bem intenso na reunião, e eu tive uma idéia. - Ele disse animado. - Então, é o seguinte... Quer namorar comigo?
- HEIN?! - disse, achando que não tinha ouvido direito.
- Não de verdade, sua bocó! De mentirinha, pra fazer eles ficarem com ciúmes e valorizarem a gente. - Explicou John.
- John. Isso não é Warped School Musical. Isso é a vida real. A gente não pode sair brincando com os sentimentos dos outros assim! - Ela disse indignada, quase gritando.
- Shiu, sua aleijada! Nós somos famosos, você não pode ficar gritando a história da sua vida para os paparazzi! - John deu pulinhos, nervoso. - E ainda mais, não vi o te olhando muito na reunião. E você estava totalmente secando ele. - Ele deu um sorriso vitorioso.
- Ah, que se foda, to dentro. John Ohh... é sua nova namorada.


Três

Quatro Semanas para o fim da Warped Tour

colocou a colher dentro do sorvete de Hägen-Dazs, pelo que parecia ser a milésima vez, enquanto via uma reprise de Grey's Anatomy na pequena TV do ônibus de turnê, com os olhos cheios de lágrimas.
Ouviu sussurros e se virou, encarando as suas três companheiras de banda com uma cara estranha.
- Vocês tão esquisitas. - Ela arqueou uma sobrancelha.
- Então... Primeiro dia de Warped, huh? Achei tão bom que nós não tocamos hoje, né? Só ficamos vagando por aí, fazendo amizades e sendo Maliciously Betrayed, sabe? Isso é tão legal, fazer amizades com seres humanos e ser Maliciously Betrayed. Não que seja legal ser maliciosamente traída, mas...
- , cala a boca. - Scarlett a cortou, irritada, revirando os olhos.
- Vocês continuam estranhas... - Falou , cruzando os braços. - O que vocês estão escondendo?
- O quê? A gente? Escondendo? Só a Scarlett que está sempre escondendo a sua coleção de brinquedinhos sexuais, né? - Elle riu nervosamente e Scarlett revirou os olhos novamente, lhe dando um tapa na cabeça.
- Ignora elas. Na verdade, a gente tá indo numa festa com o Escape The Fate. E eu sei que você não tá muito a fim de sair, então a gente resolveu nem te chamar. - Scarlett mentiu descaradamente, sem nem se importar.
- E é obrigatório usar tudo preto ou vocês só estão querendo combinar? - Ironizou , ainda não totalmente convencida.
- , é uma festa do Escape the Fate. Você quer o quê? - Respondeu . - Vai ser super rock'n'roll e...
- E... Você não vai querer ir porque o All Time Low vai estar lá. - Scarlett cortou novamente.
- Inteiro. - Completou Elle. - Inteirinho.
se mexeu desconfortavelmente no sofá ao pensar em numa festa com Escape the Fate.
Ela ia mesmo perder a primeira noite de Warped no ônibus de turnê?
- Ah, que legal. Vocês vão a festa que eu vou ver se dou uma saída com o John Ohh.
Scarlett, e Elle trocaram olhares desconfiados, enquanto começou a trocar mensagens com ele.
- A gente tá indo ok? Não nos espere acordada. - Brincou .
- Tá... - Respondeu avoada, fechando o flip do celular - Vou trocar de roupa e dar uma volta. Qualquer coisa, me liguem!




- Ah não, não morra Denny Duquette... - Murmurou para si mesmo.
Ele não poderia ficar mais patético. Usando uma calça de moletom folgada e comendo chocolate enquanto via um episódio qualquer de Grey's Anatomy, era a imagem de uma garota de fossa.
Ouviu risadas vindas dos bunks - lugar onde eles dormiam - e levou um susto. Tinha que mudar de canal, já que havia - finalmente - convencido os outros garotos da banda de que estava bem e "pronto para negócio".
- Maldito controle velho... - Reclamou, apertando desesperadamente os botões do controle remoto da TV, que estavam grudados desde que derramou refrigerante neles.
- Ei cara, você tá vendo... - Começou Rian. respirou aliviadamente ao conseguir mudar de canal - ... Clube do Travesseiro?
- Ah... A trilha sonora é muito boa. E aquela garota é gostosa. - falou a primeira coisa que veio a sua mente.
- ... Ela tem uns dez anos. - Falou confuso.
- Então, preto huh? - Mudou de assunto, encarando a roupa dos amigos.
- É... A gente tá indo numa festa. - Explicou sorrindo.
- Das Maliciously Betrayed. - Completou Rian, encarando estranhamente.
- Vai ser legal. Todas vão estar lá. Todas. - Frisou .
- Hm... Legal. Eu não to muito a fim de sair, mas de qualquer jeito, obrigada por me convidarem. - ironizou, revirando os olhos. - Acho que vou pra praça de alimentação comer alguma coisa.
- Ótima idéia, amigão! Vai comer uma banana split... Sozinho, sem ninguém. E... - parou e percebeu que todos o encaravam. - Independência cara! Sabe?
- Eu entendi. - Cortou .
- Tá. A gente tá indo. Tchau. - Rian e arrastaram para fora do ônibus.




John caminhava, sentindo a brisa fresca passar pelo seu rosto, arrepiando seus braços.
Amava noites como essa, elas o faziam pensar melhor. E nesse momento, seus pensamentos vagavam pelo drama que ele havia criado.
Admirava muito a atitude de ao fingir ser sua namorada, e honestamente, não conseguia pensar em alguém melhor para desempenhar esse papel. Mas isso não diminuía a culpa ao pensar na reação de Justine e quando descobrissem o "namoro" dos dois.
Estava decidido a fazer qualquer coisa para ter sua garota de volta e sabia que não era o único; isso o fazia se sentir um pouco melhor. Todavia, não podia mais pensar nisso, por agora pelo menos, já que tinha chegado na porta do ônibus da Maliciously Betrayed.
Bateu três vezes e a porta foi aberta pela pequena cantora. Ela não parecia muito bem e isso o fez sentir um pouco mal, mas sabia que os esforços dos dois não seriam em vão.
- John, já chegou! - Ela exclamou surpresa. - Isso é ótimo! Estava quase chorando vendo Extreme Makeover. Como eles sempre conseguem nos fazer chorar, hein? - Ela perguntou, mas balançou a cabeça quando John riu. - Vamos, vamos, homem. Tenho que chegar em casa antes da meia noite, senão meu pai te pega.
- Sim, oh, minha honorável Lady das maliciosamente traídas! - Ele esticou um braço para apoiar, já que ele era duas vezes seu tamanho, e o ônibus era muito alto para ela. - Serei sua torre se for Rapunzel.
- Hein? Moço, você não deveria ser o príncipe ou alguma coisa assim? - Ela perguntou confusa, mas divertida.
- Não. Não ia dar certo. Eu tenho mais jeito pra torre mesmo. E com o meu tamanho comparado com o seu... - Ele deixou no ar as palavras.
- Está, por acaso, dizendo que sou baixinha? - Ela parou de andar com ele, o que o fez parar também.
- Na verdade... Sim. - Ele disse sorrindo, que logo se transformou em uma risada quando ela soltou uma exclamação de indignação.
Foi nesse exato momento que avistou os dois juntos. Suas mãos se fecharam em punhos, seus olhos se endureceram e seu coração reclamou. Pareciam tão bem juntos. Ela estava feliz. Queria que ele fosse a razão de suas risadas.
Eles seguiram andando e conversando, mas principalmente se divertindo. não conseguia fazer com que seus pés não os seguissem. Era um reflexo automático.
- Vamos comer? - John perguntou. - Estou faminto.
- Quando você não está faminto, Ohh? É um fato cientificamente comprovado que John Ohh é um poço sem fundo.
E lá foram eles. A torre e a princesa. E o príncipe em seu encalço.




- Odeio mato. Tem mato no meu cabelo. - Reclamou Scarlett pela milésima vez.
e Elle se encararam na escuridão, bufando e revirando os olhos juntas.
- A gente já ta chegando. Combinamos de nos encontrar no matagal atrás do ônibus do 3OH3! às dez e meia. E... Aqui estamos. - apertou o botão de luz em seu relógio. - São dez e meia em ponto. Uau.
- AH MEU DEUS! - Gritou Elle escandalosamente - TEM UM BICHO ALI! - Ela pegou uma fruta no chão e jogou com toda a sua força, recebendo um "Outch" como resposta.
- Cara... A gente fez um pacto de "não agressão", lembra? - esfregou a testa, onde havia um hematoma vermelho. - Sabia que não podia confiar em vocês, Maliciosamente Traídas.
- Desculpa . - Elle corou violentamente. - É que você tava se esgueirando nas árvores e...
- É que ele gosta de brincar de Tarzan. - Cortou Rian - Vamos direto ao ponto. O Plano.
Todos olharam para com expectativa.
- Woa... Woa... Peraí. - Falou ela. - Meu plano era hm... A gente se reunir e decidir O Plano.
- E qual vai ser o plano, gênia do mal? - Perguntou sarcástico.
- Eu tenho uma idéia... - Começou Scarlett, um sorriso maligno tomando os lábios de todos os presentes.




remexia seu chilli com pimenta, sem muita vontade de comê-lo. Ultimamente não andava comendo muito. As únicas coisas que realmente passavam por seu estômago eram as enormes doses de sorvete que tomava enquanto se distraia vendo TV. De resto? Nada.
John, sentado ao seu lado, já estava no quarto prato de chilli, e talvez não fosse parar tão cedo.
- ... Então eu falei pro Pat "Cara... Isso não é cerveja". - Terminou ele, e por mais que não estivesse afim, ela teve que rir. John era hilário.
- Ai que nojo. Sério, nunca mais vou olhar pro Pat do mesmo jeito. - fez uma careta e John sorriu, enfiando mais uma enorme colher de chilli na boca. - John, eu estava brincando quando comentei que era um poço sem fundo, não leve tão literalm...
Ele engasgou de repente, ficando vermelho e com falta de ar.
- Meu Deus John, respira. - deu tapinhas em suas costas, preocupada.
- É a... - Tosse - Justine. - Sussurrou ele, os olhos brilhando de expectativa. - Ela tá olhando pra cá! Tá funcionando! - Comemorou.
- Aonde? - Perguntou , se espichando para olhar.
- Perto da porta.
Uma garota alta, de cabelos castanhos claros com algumas luzes vermelhas e olhos azuis escuros os encarava fixamente, com uma expressão vazia no rosto.
conhecia bem essa expressão: ciúme. Era a mesma que fazia a encarando bem atrás de Justine.
- ... Essa é a hora! - Exclamou John - Me beija.
Seu olhar se encontrou com o de e por um instante percebeu o que ele sentia. Tristeza, raiva e o maldito e sempre presente orgulho. Às vezes seu olhar e o dele eram como imãs - uma vez grudados era difícil de separar - e aquela era uma dessas vezes.
Doía ver daquele jeito - com os cabelos bagunçados e roupas amassadas - mas ela sabia que não estava muito melhor. E afinal de contas, foi ele que começou tudo aquilo.
Fechou os olhos e grudou seus lábios nos de John - que eram quentes e tinham gosto de chilli. Tão rápido quanto começou, o beijo - que era acolhedor e calmo - terminou.
Encarou John, tinha uma expressão vitoriosa no rosto e tentou sorrir.
Sabia que se olhasse para a porta seria como se estivesse gritando "Ei, olhe para mim, estou beijando John Ohh e você está aí!", mas ela não se importou. Queria ver dor nos olhos dele, a mesma dor que sentiu ao vê-lo na cama com ela. Mas não estava mais lá.




Três Semanas e seis dias para o fim da Warped Tour

- Por que vocês não nos contaram? Hein? Qual é o problema de vocês? Ele tá no bunk dele até agora e a gente tem um show daqui à uma hora! - afastou o telefone de seu ouvido, fazendo uma careta, enquanto continuava gritando.
- A gente não sabia ok? Ou você acha que nós não iríamos avisar se soubéssemos que eles tavam juntos? - Respondeu , encarando a nova edição da Kerrang que tinha uma reportagem de duas páginas sobre o mais novo romance da Warped Tour, John Ohh e . - Nós os queremos de volta tanto quanto vocês. Ela continua se entupindo de sorvete toda a noite, só que agora a condenada abandonou Grey's Anatomy e passou pra dramalhões mexicanos de última qualidade que passam no MexicamTV, de madrugada! Madrugada! - Berrou - Juro que se ouvir mais um "José Eduardo Manuel, eu te amo mais que tudo" quando eu quiser dormir, eu me mato.
- Pelo menos não é você que tem que ouvir Michael Bublé vinte e quatro horas por dia! É bom esse plano da Scarlett e do Rian funcionar, senão estamos perdidos. - parecia cansado.
- Eles vão começar o plano hoje à tarde. Não se preocupe. Scarlett raramente faz alguma coisa errada.
- Então... O que você vai fazer hoje à noite?
- ... Não começa.




- Esse parece melhor que aquele ali. - dizia, enquanto se esticava para pegar na prateleira do supermercado óleo de amendoim.
- Porra , as marcas são todas iguais. Só precisamos de óleo de amendoim. Pega aí o mais barato. - Rian disse, revirando os olhos e pegando uma marca desconhecida.
- Não! Essa marca sempre me faz passar mal e...
- Por que vocês estão brigando para escolher óleo de amendoim? - perguntou, fazendo soltar um grito de susto.
- O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO AQUI?! - Rian gritou descontrolado.
- Comprando mais sorvete... - disse assustada. - Vocês cheiraram ou alguma coisa assim?
sacou o celular do bolso decidido e ligou para um número enquanto o olhava estupefata.
- O jabuti saiu da toca, repito, o jabuti saiu da toca. - sussurrou de um jeito que pôde ouvir normalmente.
- Isso eu já percebi, seu lesado. Ela saiu para comprar sorvete de chocolate. - Scarlett bufou, enquanto se podia ouvir um gritinho alarmado de Elle. - O jabuti saiu da toca?! Como você pode a deixar sair, Scarlett?!
- Exatamente o que eu pensei, esquilo. O jabuti estava rondando nosso ninho enquanto comprávamos a Coisa. Como você deixou isso acontecer, raposa vermelha? - disse desesperado. cansou de esperar e saiu andando para a sessão refrigerada. Rian soltou um suspiro de alívio, enquanto discutia avidamente com Scarlett.
- Me dá o telefone, Scarlett - Elle disse decidida. Ouviu outro bufo da parte de Scarlett e começou a falar. - Desculpa pelo comportamento da Scarlett. Ela está desse jeito porque o sol nasceu brilhante hoje. Enfim, conseguiu despistar a , leão das montanhas? - Ela perguntou animada.
- Sim, ela foi pra sessão refrigerada. Já o foca foi pagar a coisa. Primeira parte da missão um foi cumprida. - Falou , dando uma risada assustadora logo em seguida.
- Ok... Medo! - Elle desligou o celular, entregando-o para Scarlett logo em seguida. - Daqui a pouco eles vão estar aqui. Temos que chamar o Lancelot.
- Deixa comigo. - Scarlett sorriu maliciosamente, discando um número - Alô? Lancezinho...?




- PORRA, ACORDA SEU FOLGADO GAY! - batia nervosamente na parte de cima do bunk de . - O ALL TIME LOW TEM SHOW DAQUI À MEIA HORA! MEIA HORA!
- To acordado, to acordado. - Murmurou bocejando. - Que merda cara. Tem bastante tempo ainda.
- Bastante tempo? A gente ainda tem que passar na porra do ônibus da Maliciously Betrayed, porque o Lancelot marcou uma reunião de emergência. Então, coloca uma roupa decente que eu não gosto de ficar vendo macho de cueca. - Reclamou .
andou até o banheiro, coçando os olhos e bagunçando mais ainda o cabelo. Seu reflexo no espelho estava um pouco melhor do que no dia anterior, suas olheiras estavam sumindo e por conta dos shows no sol, estava ficando menos pálido.
Não sabia como tinha conseguido ter uma boa noite de sono, já que antes de adormecer a imagem de e John juntos o atormentou.
"Ótimo!", pensou ele. "Mal acordei e já vou ficar com os dois na minha cabeça!".
Vestiu a primeira blusa da Glamour Kills que achou e percebeu que usava a mesma cueca a três dias. Deu de ombros. Não era como se alguém fosse reparar, certo? Colocou uma calça de Rian - que ficou um pouco grande para ele - e saiu do ônibus, dando de cara com falando estranhamente no celular.
- O suricato está guiando o jegue até a toca. Coelho, o jabuti está aí, certo? - tentava sussurrar.
- Cara... Com quem você tá falando? - arregalou os olhos assustado. Suricatos, jegues, coelhos e jabutis? Que merda era aquela? - Você não bebeu né? Porque se bebeu, acaba esquecendo os acordes das músicas e...
- Câmbio, desligo. - Falou rapidamente, fechando o flip do celular e sorrindo estranhamente. - Vamos.




- Reunião com o Lancelot? Agora? Por quê? - Sussurrou para . - E o que ele tá fazendo aqui? - Ela mexeu a cabeça em direção a , que se mexia desconfortavelmente no sofá do ônibus das Maliciously Betrayed.
O ex-casal estava dividido por , que estava extremamente aborrecida por ser obrigada a sentar entre os dois.
- É uma reunião com as duas principais bandas do palco Hurley. Ou seja, nós e eles. - Explicou ela.
, Elle e Scarlett comentavam um clipe de hip-hop que passava na MTV Hits - que envolvia mulheres seminuas e carros grandes -, parecia brincar com os próprios dedos, já e conversavam baixinho entre si.
- Ahm, Lancelot? Nós temos um show daqui a pouco. A reunião não pode ser depois? - Perguntou .
se arrepiou e fechou os olhos. Desde que entrara no ônibus o cheiro dele intoxicou todo o ambiente, deixando impossível respirar direito.
A resposta de Lancelot foi cortada pela chegada de Rian e - esbaforidos - com várias sacolas na mão.
- Desculpe o atraso. A gente se perdeu no caminho de volta. - Explicou Rian sorrindo amarelo - De qualquer jeito, trouxemos uns lanchinhos... - Ele foi fuçando na sacola. - Uma coisa que o usa quando faz exercícios e...
- CARALHO! RIAN, ISSO NA SUA MÃO É ÓLEO DE AMENDOIM? - Berrou Scarlett, a voz desafinada devido à falsa histeria.
Tudo aconteceu rápido demais.
Rian levou um susto pelo grito de Scarlett, deixando a embalagem de vidro de óleo cair, se quebrando e espalhando todo o conteúdo pelo chão. Scarlett foi ficando vermelha, a respiração falha e a mão tremendo.
- Qual é o problema dela? - Perguntou , confuso.
- Ela é extremamente alérgica a qualquer coisa que tenha amendoim. - Explicou assustada. - Especialmente óleo de amendoim.
Seus olhares se cruzaram por alguns instantes e o coração de ambos acelerou. O contato visual dos dois foi interrompido por um barulho de sucção e engasgo vindo de Scarlett.
- Merda, a garganta dela tá fechando! - Gritou Elle. - A gente tem que tirar ela daqui.
pegou os braços de Scarlett e Rian as pernas, levando-a para o lado de fora. Um carrinho de golfe com dois médicos chegou pouco tempo depois, levando Scarlett até a enfermaria.
- A Scarlett não vai poder dormir no nosso ônibus. - Falou . - Tem óleo de amendoim em todos os lugares.
- Não se preocupem garotas... - Começou Lance. - Tirem as coisas de vocês do ônibus agora. Vou mandar desinfeta-lo e depois, direto pro mecânico. Ouvi uns barulhos estanhos lá dentro. Isso vai demorar algumas semanas, mas enquanto isso, o Rian aqui - ele deu uns tapinhas nas costas de Rian - deu uma idéia brilhante.
- E qual seria essa idéia? - Perguntou cautelosa. Aquilo não estava lhe cheirando bem. E não era porque estava bem ao seu lado.
- O ônibus dos rapazes do All Time Low tem seis bunks e uma suíte com cama de casal. É o maior ônibus da turnê, sabe como é... - Ele deu uma risadinha - Eles são nossos garotos de ouro! - Mais tapinhas, dessa vez em e . - Vocês oito vão poder se hospedar confortavelmente. Vai ser divertido, certo?
- Muito divertido. - Responderam Elle, , Rian, e animados.
- Extremamente divertido. - disse sarcástica.
- Mal posso esperar. - A falsa animação de era evidente.
- Como... Acampamento de verão! - Exclamou Lancelot.
- Como acampamento de verão. - Concordaram os sete.
O jeito com que seus companheiros de banda se encararam fez e estranharem.
Eles nunca pareceram gostar de acampamento de verão tanto assim.


Quatro

Três semanas e três dias até o fim da Warped Tour

As risadinhas que vinham da suíte pareciam ecoar pelo ônibus, zombando dos dois.
Os membros de ambas as bandas haviam decidido fazer um rodízio do quarto - cada semana um casal - e os casais foram definidos por "afinidade".
Tanto quanto ainda estavam tentando entender onde eles tinham alguma afinidade.
- Para , eu quero dormir!
- E eu to te impedindo, ?
- Na verdade, tá sim!
Risadas, risadas, risadas.
Aparentemente era tudo o que as pessoas naquele ônibus eram capazes de fazer: rir.
Os quatro dias que passavam dividindo ônibus pareciam mais como quatro meses com e se ignorando o máximo possível.
Diziam "Bom dia" e "Obrigado" e eram sempre formais um com o outro.
, , Scarlett, Elle, e Rian haviam se tornado inseparáveis, sempre conversando e... rindo.
Eles não paravam de rir!
olhava impaciente para a TV. Passavam sempre as mesmas coisas. Filme ruim, filme ruim, noticiário com desgraças, série de TV ruim, filme que ele já viu, Dançando com as Estrelas, desenho, filme que ele já viu, filme ruim, videoclipe de manos, filme ruim...
- Dá pra você parar em um canal? - Falou impaciente.
resmungou alguma coisa que ela não entendeu, e a garota levou um susto ao sentir seu celular vibrar.
- Virgem Maria! - Ela exclamou, fazendo levar um susto também e olhar para ela.
Não era Virgem Maria, era, na verdade, John, seu falso namorado, que ultimamente era o único que conseguia a fazer sorrir.
Ele e , quando cantava no chuveiro.
Apesar dele não saber disso.
- Alô? Oi John.
- Oi ... Então, onde o ônibus de vocês tá? O nosso tá bem atrás do caminhão de comida, então imagina o estado da galera aqui! - riu do comentário de John.
- To vendo que você não vai sair da janela do ônibus. - Ela começou a brincar com as pontas dos cabelos, rindo de outra besteira que John dizia. - Nosso ônibus tá perto do Forever the Sickest Kids. Dá pra ouvir a música alta que o Kyle tá ouvindo daqui e...
Aquela era a verdadeira . A dele. Não aquela garota fria, mal-educada e impaciente.
"Talvez ela só seja assim comigo..." Pensou .
A maior vontade dele era simplesmente explicar tudo. Forçar a o ouvir, custe o que custasse, e faze-la perceber o quão errada estava.
Só que algo chamado orgulho existia, e este não o deixava dizer tudo o que estava entalado em sua garganta.
Certo, que estava entalado em seu esôfago.
- De qualquer jeito, acho que amanhã vamos pra Phoenix no Arizona, certo? - parecia animada com a perspectiva de chegar ao Arizona.
John respondeu algo que não conseguiu identificar e ela respondeu simplesmente com um "Ok, te vejo lá".
- Gosta de ficar ouvindo a conversa dos outros, ? - Perguntou ela, o encarando nos olhos.
deu um sorriso irônico.
- Se não tem nada passando na TV. - Ele deu de ombros.
O ônibus deu um pulo e um trovão ecoou ao fundo, fazendo dar um gritinho.
- E-eu vou dormir. - Falou ela, passando as mãos pelos cabelos nervosamente.
sabia como ela odiava trovões.
- A estrada de Flagstaff até Phoenix é cheia de lombadas. Se eu fosse você, esperava mais um pouco até o ônibus balançar um pouco menos.
Como se previsse, o ônibus pulou um pouco mais alto dessa vez e um "Outch" foi ouvido dos bunks.
Alguém provavelmente tinha batido a cabeça.
E pelo drama feito, eles tinham quase certeza que era .
encarou o caminho que teria que fazer. Passaria por no apertado sofá, pela "cozinha/sala de jantar", andaria pelo banheiro e chegaria até seu bunk - o mais alto do lado esquerdo. (http://bit.ly/9vsWT).
Se fosse em uma situação normal, ela faria aquilo sem nem pestanejar, mas com o balançar do ônibus, o barulho alto dos trovões e a proximidade de - que não tirava o sorrisinho irônico do rosto - tornava tudo mais difícil.
"São no máximo uns quinze passos, . Esqueça da sua síndrome de Bella Swan e ande quinze passos sem cair no chão".
Colocou as mãos na cabeceira do sofá e foi andando lentamente, rezando para não tropeçar e cair de cara no chão.
Um trovão ecoou a poucos quilômetros de distância, iluminando o ônibus e fazendo perder o equilíbrio, tendo que se apoiar em .
Um sorriso torto enfeitava seus lábios, seu cabelo caía um pouco em seus olhos castanhos (que andavam frios), mas que agora pareciam brincalhões.
Nesse momento tudo parou. se concentrou em suas mãos, quentes e suaves em seus ombros. "Se ela fosse minha..." Uma parte do pensou. "Se ela fosse sua, seu panaca, nada disso estaria acontecendo. Vocês provavelmente já estariam se pegando no sofá". A outra parte deu sua opinião.
suspirou pesadamente, tentando acalmar seu irritante coração, mas só piorou as coisas. Seu cheiro, uma mistura de perfume masculino, sol e chiclete de menta, invadiu suas narinas sem pedir permissão, a afetando e a deixando sem ar.
Uma das mãos de estava em sua cintura, a apertando fortemente, já a outra estava um pouco abaixo de seus ombros. A posição dos dois - principalmente a dela - era extremamente constrangedora.
Suas duas mãos estavam na nuca dele, fazendo com que ela o olhasse de cima, enquanto seus joelhos estavam entre as pernas de .
sentia sua respiração quente em seu rosto - que provavelmente estava vermelho de vergonha - e percebeu pelo jeito que ele a olhava e pela maneira que seus lábios foram se abrindo lentamente, que eles iriam se beijar. pigarreou, tirando suas mãos da cintura da garota.
- Você não tem que ir dormir? - Perguntou ele, passando as mãos pelos cabelos da nuca, nervoso.
- Isso. Dormir. Claro. - Ela sorriu fracamente e foi andando até seu bunk.
foi andando logo atrás dela, dando um aceno de cabeça antes de fechar a cortina.
se deitou no bunk e chorou baixinho, para que ninguém a ouvisse.
Ela nunca se sentiu tão idiota em sua vida.

Três semanas para o fim da Warped Tour

Às vezes se perguntava por que continuava trabalhando em algo tão difícil e cansativo, como a música. Era quando ouvia o grito dos fãs, a voz deles cantando suas músicas que se lembrava. Em seu primeiro show ela mal conseguia encarar a platéia, preferindo cantar somente para . Aquele lance de "Imagine a platéia nua"? Não adianta nem um pouco.
Agora, o palco era praticamente sua casa, ela se sentia totalmente à vontade nele, e o fato de estarem tocando para milhares de pessoas não a intimidava - pelo contrário. Em shows grandes era difícil ver o rosto - e a reação - da platéia, o que a deixava mais confortável.
- Quero que quem saiba cantar, cante! - Gritou , terminando com a terceira garrafa de água do show e jogando-a na platéia.
- Essa música se chama Falling for You! - Falou , um sorriso gigante nos lábios, apesar de ter uma leve dor de cabeça e o mal-estar.
Sentiu um arrepio percorrer sua espinha quando os primeiros acordes invadiram seus ouvidos. Essa foi a primeira música que ela e escreveram juntos - a primeira de muitas.
Ela ria ao ler alguns cartazes loucos como "Elle, me toque como toca seu baixo" ou "Quer minha baqueta, Scarlett?".
Continuou a passar os olhos pelo palco e o viu. nunca esquecia as letras de suas músicas, mas ao perceber que estava lá, atrás das cortinas, um branco tomou sua mente.
Ele a observava do mesmo jeito que a observava antes do término: com um sorriso orgulhoso como se dissesse "Ei, aquela ali é minha namorada".
engoliu em seco e sentiu uma tontura forte seguida por uma fraqueza. Em que parte da música elas estavam mesmo?
Pontinhos pretos invadiam sua visão e parou totalmente de cantar para se apoiar no microfone.
- What have you done to me now? - Elle cantou a encarando preocupada.
"Você tá bem?" Perguntou por leitura labial.
Saiu cambaleando na direção onde estava, seus ossos pareciam pesar toneladas, enquanto sua visão ficava embaçada.
Viu os doces olhos de e em seguida, não viu mais nada.


Cinco

As pessoas falavam muito rápido e todas ao mesmo tempo. Ela não entendia nada. , Scarlett, Elle e... .
O que fazia ali? Ele deveria estar no palco, afinal o All Time Low tocaria logo depois da Maliciously Betrayed.
- Ela não anda comendo nada ultimamente. - dizia preocupado. - Vocês tinham que obrigá-la a comer mais.
- Quem você pensa que é pra colocar a culpa na gente? Foi você que ferrou com a cabeça dela, em primeiro lugar. - Brigou . - Você é frio, nem tão frio, frio, legal, frio, "ei, vamos quase nos beijar", frio de novo.
sabia que não devia ter contado para sobre o "quase beijo" dela e de .
- E além do mais, quem mandou ser um calhorda imbecil? - Falou Scarlett.
- Por que eu sou um calhorda imbecil? - parecia confuso.
- Se não fosse um, a não teria terminado com você em primeiro lugar.
A porta abriu-se de repente.
- O que aconteceu com ela? - A voz de John parecia preocupada.
- Só amigos podem ficar aqui. - disse friamente.
- Então o que você tá fazendo aqui? - Replicou John com o mesmo tom.
- Ei, ei, sem briga, ok? Vamos todos ficar quietinhos pra acordar tranqüila, ok? - Elle disse, tentando acalmar os ânimos.
se concentrou no silêncio do quarto e adormeceu novamente.




- Será que vai demorar muito pra ela acordar? Eu to ficando preocupada. - suspirou. - Quero dizer, mais preocupada.
- Eu já acordei. - Murmurou fracamente. - Eu só quero sair daqui.
- Desculpe pequena, mas você vai ter que ficar mais umas horinhas aqui. - As mãos grandes e quentes de John envolviam as dela e ele tinha um sorriso sapeca no rosto.
sabia o motivo. Era porque estava no quarto.
Grande parte do namoro falso dela e de John era baseado na amizade. Quando se beijavam era extremamente esquisito - apesar de John ser lindo de morrer - e desconfortável.
Quase como beijar um primo seu que você já gostou; o lance de dividir DNA broxava totalmente.
- Pequena. - Ela ouviu resmungar.
- Que bom que você já tá acordada, ! - Comemorou Elle. - Você deixou todo mundo super preocupado.
- Você tem que lembrar de se alimentar, . - Falou , sua voz calma e doce. - A médica disse que essa rotina doida de dormir tarde, acordar cedo e ficar pulando no sol por uma hora e meia, junto com o fato de que a senhorita anda se alimentando super mal... - Olhares de censura foram lançados a . - Levaram você a cair dura no meio do show.
- Eu tava sem tempo, ok? E ocupada. - Defendeu-se . - E além do mais, eu comia sorvete.
- Sem tempo pra comer? - Ralhou Scarlett. - Você nunca foi do tipo "uma-folha-de-alface-e-um-copo-d'água". E sorvete não conta, senhorita .
Por mais que não fosse "um poço sem fundo" como John, ela nunca dispensava um bom prato de comida.
E todos sabiam o motivo da mudança; Ele.
O clima ficou pesado no pequeno quarto de hospital.
- Bem, agora ela já aprendeu a lição, certo? Não queremos ninguém morrendo aqui, ok? - Brincou , sorrindo amarelo. Todos riram levemente.
Nada como piada de morte no meio de um hospital.
- Isso mesmo amor, tem que comer direitinho. - John beijou sua testa. - Agora que a Bela Adormecida já acordou... - riu e revirou os olhos. - Eu tenho que ir. O show do The Maine é as oito e já são sete e meia. Te vejo depois?
fez sinal afirmativo com a cabeça e suspirou pesadamente.
John estava saindo quando a porta se abriu, deixando a mostra , Rian, e inúmeras sacolas.
- Olha, a Bela Adormecida já acordou! - Exclamou .
- Já fizeram essa piada, . - Cortou e ele fez bico.
- Droga. De qualquer jeito, nós trouxemos comida para a senhora desnutrida... - Começou.
- Muita comida. - foi tirando várias embalagens plásticas das sacolas.
- E... Uma reportagem super divertida da Kerrang! - Rian entregou a um papel impresso. - Leia em voz alta, por favor.

Maliciously Baby?

Hoje à tarde os fãs de Maliciously Betrayed levaram um susto!
E quem nos conta o porquê é a repórter Anne Smith da Kerrang.
Aparentemente, a vocalista saiu voando do palco no começo da sétima música, "Falling For You" e não voltou!
Metade dos fãs ficaram indignados, como Carolyn Pudd "Eu paguei para ver um show de quinze músicas, e não sete. Fiquei decepcionada".
Já a outra metade ficou preocupada "Espero que não seja nada sério e que ela melhore logo" desejou Harry Flones. "Eu achei que depois de começar a namorar John Ohh, melhorou bastante, mas aparentemente ela ainda sente falta de ". Palpitou Melanie Joynter.
Nós da Kerrang temos fontes secretas e confiáveis dizendo que...
" não bebe álcool desde o começo da turnê" Conta.
E o que isso quer dizer? Gravidez!
Nós só queremos saber quem é o papai... Vai ser um All Time Baby? Ou talvez um Baby Ohh? (Não achamos nenhum trocadilho com The Maine, nos desculpem!).
De uma coisa temos certeza: Aqui na Kerrang, você saberá primeiro!

A sala ficou silenciosa.
- Oh... - Scarlett.
- Meu... - .
- Deus! - Elle.
- Cara isso é hilário, não é? - Perguntou - A gente não conseguia parar de rir quando leu isso na internet.
- É claro que eu não bebo álcool desde o começo da turnê. - Falou revirando os olhos. - Eu tenho 20 anos ainda. Não quero ser presa!
Todos riram.
- Se for assim, eu estou grávido também. - Disse , dando de ombros.
- Cara... Você bebeu álcool ontem. - Rian o encarou.
- Ah, é. - coçou a nuca sem graça.
Mais risos.
amava a risada de . Ela era pura, estranha e fazia você querer rir junto. E ouvi-lo rir, depois de tanto tempo só o ouvindo resmungar, a animou. Por mais que quisesse odiar , pelo que ele havia lhe feito, ela não conseguia. Quanto mais ela se forçava ao ódio, mais seu coração parecia querê-lo de volta.
Ela parou de rir para analisá-lo. Seus olhos castanhos estavam com ruguinhas nos cantos devido ao riso, os cabelos bagunçados - mas dessa vez propositalmente bagunçados -, a sua blusa GK roxa e velha que ele usava quando estava sem opções, estava amassada - talvez ele houvesse dormido no pequeno sofá da enfermaria? - e ele parecia feliz.
Naquele momento - com eles rindo, dividindo comida e um brincando com a cara do outro -, sentiu como se nada tivesse acontecido entre ela e .
Só que é claro que vinte segundos depois, recordou-se de tudo.




Duas semanas e cinco dias para o fim da Warped Tour

- Eu não agüento mais esses dois juntos. - Sussurrou Elle para .
Estavam na after party do show de Dallas, Texas, onde tudo o que se podiam ver era couro, chapéus de cowboy e álcool. Muito álcool.
seguiu o olhar de Elle, e olhou John e fazendo shots de tequila.
Todo aquele lance de não beber álcool? Havia passado no momento em que a Warped Tour recebeu um novo patrocinador: Jose Cuervo, a famosa marca de tequilas.
- Ela não gosta dele de verdade, sabe? - Elle deu um gole em sua margarita. - O jeito que ela olhava para era sei lá... Paixão. Já com John é...
- Cumplicidade. - Completou , terminando com sua cerveja. - Sabia que pessoas bêbadas sempre dizem a verdade?
- Isso é uma ótima idéia. - A loira abriu um enorme sorriso. - Mas comigo, demoraria pra se abrir, mesmo bêbada, mas já com a ... - Ela pegou o celular. - Alô, coelho? Esquilo e leão da montanha tiveram uma idéia pra ajudar o jabuti e o jegue. Isso, pode trazer o suricato. A gente avisa a raposa vermelha e a foca depois.




se esgueirou entre os corpos dançantes e suados para achar Elle. Alguém a empurrou por trás e quase caiu.
- Porra, , qual é o seu problema?! Você tava totalmente entediado, daí eu deixo você vir comigo e como pagamento me dá um empurrão que quase me deixa sem dentes? - Ela disse brava, fazendo arregalar os olhos de medo.
- Ah, desculpa . De verdade. - Ele disse, todo arrependido.
- Own , claro que eu te desculpo! Só tava fazendo doce. - Ela dá um enorme sorriso e o deixa para trás, para falar com Elle e .
- Que menina mais bipolar, eu hein.
- Oi, galera, o que vocês têm para mim? - disse, no melhor estilo três espiãs demais.
Elle deu um sorriso maquiavélico. balançou a cabeça em direção de e John, que ficavam gritando vira,vira,vira sem parar.
, que acabava de chegar e estava olhando a cena, deu uma outra risada maquiavélica.
- Você consegue essa fácil, fácil .
Ela riu e puxou uma cadeira pra mesa dos dois, sentando e abrindo um enorme sorriso.
- E aí, casal? - Perguntou ela.
John e se entreolharam - ambos vermelhos e cheirando a álcool - e começaram a rir histericamente.
- Ouviu essa, Johnny? - riu, bebeu e falou ao mesmo tempo, quase engasgando - Casal!
- Sempre adorei a Elle. Tudo o que ela fala é uma piada! - Falou John, deixando confusa.
Primeiro, ela era . Segundo, ela não tinha dito nada engraçado.
- Ahm, o que eu falei de engraçado?
- CASAL! - Gritaram os dois ao mesmo tempo, levantando as garrafas de tequila e as batendo.
Agora não eram mais shots de tequila. Eram praticamente bombas de tequila.
- Casal... quer dizer, isso é engraçado, certo? - respondeu entre risadas.
- Porque agora não somos John e Ohh ou... Ohh. - John começou a filosofar, confuso. - Somos um só!
- A gente deveria criar um nome em comum, para nós dois usarmos. Tipo... Brangelina, só que com nossos nomes, entendeu? - Ela conseguiu acompanhar John na filosofia.
- Sei! - Começou animado. - Não... - Completou.
- Não importa agora. O que importa é se podemos dividir nosso segredo. - falou, sem fazer sentido.
, que até agora estava totalmente alheia à conversa de bêbados se concentrou e deu um sorriso angelical.
- Que segredo? - Ela perguntou docemente.
- É secreto. - sussurrou, colocando um dedo nos lábios de . - Shhhh!
- É um segredo secreto! - John gargalhou escandalosamente.
- Que segredo? - Ela repetiu, com expectativa.
- Eu e o John. - começou, soltando uma risadinha. John ficava fazendo barulhos de tambores.
- Aham... - falou quase dando pulos na cadeira.
- Nós não somos, eu e o John. Somos a ... Espaço grande... John. Porque a gente não tá junto. É tudo de mentirinha!




mal podia acreditar em sua sorte. Mandou mensagens de texto chamando todos para um canto afastado da boate, a excitação correndo por suas veias.
- Então... Qual é a boa? - Perguntou curioso. - O concurso de camisetas molhadas estava bem divertido.
Todos reviraram os olhos e deu um tapinha no ombro de .
- Elle e ... Vocês tem uma missão. - Falou ela.
Todos riram maleficamente, menos Scarlett.
- Esse lance de risadas maléficas tá ficando meio old. - Ela deu de ombros.


Seis

- Vamos, senhorita bêbada, vou te levar para o ônibus. - Falou , segurando pelos ombros e a guiando.
- EU SOU UM AMENDOBOBO YEAH! - Gritou, com todos os pulmões.
- Ah, cala a boca, pelo amor de Deus! - Implorou . - Boa sorte para vocês dois.
- Acho que quem precisa de boa sorte é você. - Disse Elle.
O caminho do bar até o ônibus não era longo, mas com uma vocalista incrivelmente bêbada e uma guitarrista irritada, poderia demorar um pouquinho mais do que o normal.
riu e os dois andaram de volta para o bar, onde John estava cercado por groupies estupradoras.
- Vamos para casa, John? - Elle disse, fazendo uma voz tranqüilizadora.
- Casa? Mas casa... É onde o coração está. - Filosofou John, deitando a cabeça na mesa e olhando para os dois com expectativa.
- Faz ele dormir, Elle. - sussurrou pelo canto da boca.
Elle deu um suspiro resignado e passou a mão pelos cabelos de John. Que música ela iria cantar?
Lembrou-se de e sorriu.
- Eu sou um amendobobo, yeah... - Ela começou com sua voz de backing vocal. John foi fechando os olhos lentamente - Você é um amendobobo yeah... - Ele deu um sorriso e Elle (N/A: confuso, haha) foi diminuindo o tom de voz.
- Somos amendobobos, yeah...
John deu um ronco e o balançou para ver se ele realmente dormia.
- Boboamendobobo, YEAH! - Elle se animou e cantou alto, um silêncio constrangedor tomando conta do bar.
Todos viraram a cabeça em direção a eles.
- É assim que se faz, Elle. - disse dando tapinhas nas costas de Elle, que parecia querer enfiar a cara no enorme copo de chopp de John.




- Turn a book, i'm a page half unread. - cantou Weightless animada e bêbada, enquanto tomava banho no box apertado.
chegou ao ônibus bem no momento em que ela cantava outra parte da música, errada. Ficou confuso, já que só ficava animada quando John estava por perto. E ela sempre sabia a letra das músicas.
- Me dá um T! Me dá um O! Me dá um A! O que falta pra soletrar toalha? - Ela cantava a música do jeito líder de torcida, enquanto saia do banho com uma toalha enrolada em volta do corpo e da cabeça.
- ! O que você tá fazendo aqui? - Ela cantarolou. deu um sorriso ao perceber que ela estava bêbada. bêbada era uma coisa incomum e extremamente divertida.
- Vim procurar o , mas parece que ninguém está aqui.
- É, eu sei, ninguém nunca está aqui para nós quando precisamos. - Ela disse, balançando a cabeça em negação. - Mas de qualquer jeito, a acabou de sair. Ela disse que eu fico retardada quando estou bêbada, mas eu não tô retardada, então como eu posso estar bêbada? - Ela fez uma filosofia sem sentido, enquanto tentava acompanhar a faladeira.
- O.k., eu vou procurar pelo , mas já volto. Não faça nada drástico e não saia da cama. - Ele foi pegar um copo d'água e entregou para ela. - Beba isso até se sentir melhor, certo? Isso... Deita na cama. - Ela deitou e ele a cobriu, ainda com a toalha no cabelo e no corpo.
Eles estavam na suíte, era o primeiro dia dos dois no revezamento.
- Tchau, . Vai com Deus! - Ela gritou, balançando a mão e dando tchauzinhos. - E volta logo!
riu e acenou de volta, ouvindo voltar a cantarolar alguma outra música errada.




- Hey, ! - disse, saindo do ônibus e avistando com alguém nos ombros.
Era uma cena engraçada, já que era meio magro e o cara em seus ombros era o dobro de sua altura.
- Cara, vem aqui me ajudar! Ele é grande demais. - ofegou, enquanto ia em sua direção.
- Esse aí é o John Ohh? O que aconteceu? - perguntou, preocupado.
- Ele bebeu a tequila do novo patrocinador com a , mas não agüentou, e foi nisso que deu. - Ele deu de ombros, enquanto os dois levavam e procuravam algum lugar para colocar o bêbado.
John foi depositado - de maneira nem um pouco delicada - em um banco de madeira perto os ônibus de turnê com um baque. suspirou aliviado, se espreguiçando.
- Gatinho, vem cá! - Elle apareceu de lugar nenhum, gritando.
- Tô indo, Elle! - Ele gritou de volta, e se virou para o para falar mais baixo. - Foi mau cara, eu tenho que ir. As mulheres me chamam. - Deu uma piscadinha maliciosa e saiu andando em direção à Elle.
Ela deu um sorriso safado e o abraçou pela cintura e os dois saíram andando em direção ao além.
- Mas, ! - gritou desesperado. - Ah, que ótimo, mais um bêbado pra adicionar a lista.
- Ei, cara, eu não tô bêbado! Eu estou feliz, é diferente. - John disse, dando um susto em .
- Cara... Você não estava desmaiado?
- Nem, só tava com preguiça de andar. O foi muito gentil em me levar. - Falou John, a cara enfiada entre as vigas de madeira do banco.
- Ah, tá. Então... Por que você está feliz? - viu que ele estava (obviamente) bêbado, mas queria que ele continuasse falando para não desmaiar.
Todos sabiam que os organizadores da Warped não agüentariam mais um músico em coma alcoólico. Só Gabriel Saporta já tinha dado prejuízo o suficiente para uma década de turnês. Não que os hospitais da região reclamassem, é claro.
- Minha namorada tá com ciúmes, ! Tá funcionando! - John disse feliz, sentando no banco e levantando uma mão em hi-five.
- A tá com ciúmes? Como assim?
Ele estranhou. A garota parecia bem feliz para uma namorada com ciúmes.
E normalmente quando estava com ciúmes de , ela não bebia, só fechava a cara.
Mas novamente, ela era assim com ele. Quem sabia como ela era com seu novo namoradinho?
- Não, seu bobinho! - John gargalhou de maneira tipicamente bêbada. - Minha namorada de verdade! O amor da minha vida e a razão do meu viver! A Justine. - Ele disse, arregalando os olhos logo em seguida. - Não! Era pra ser segredo! Promete que não vai contar para ninguém, ? Porque senão, ela não volta pra mim. Promete!
- Claro, seu segredo está seguro comigo, John, pode confiar. - disse, sorrindo e entendendo tudo.
só estava com John para fazer ciúmes em Justine. E possivelmente nele também.
passou a mão em sua barbicha imaginária e pensou:
"Interessante"


Sete

Duas semanas e quatro dias para o fim da Warped Tour

Festa de arromba!

Engana-se quem acha que nossos rockstars favoritos da Warped Tour são movidos somente ao "amor a música".
Nós da NME sabemos que não. Especialmente depois da entrada de um novo patrocinador, Jose Cuervo na jogada.
Segundo Bela Talbot, a festa ontem foi boa, especialmente para nossa vocalista favorita, , da Maliciously Betrayed que se envolveu em uma briga de bar com Caleb Truman do Forever The Sickest Kids.
O motivo?
Uma garrafa de tequila.
É claro que as más línguas - e temos que nos incluir nisso - dizem que a briguinha não aconteceu só por causa de uma simples garrafa de tequila. Aparentemente, Caleb confrontava sobre seu término com , seu amigo e...

Sua cabeça começou a ficar pesada novamente e ela fechou os olhos, aliviando um pouco a dor que sentia.
As pessoas diziam que "Karma é uma vaca". tinha certeza que só diziam isso porque não conheciam a senhora ressaca. Essa era uma vaca mesmo.
Ela tinha encontrado a revista dobrada no criado mudo ao lado da cabeceira da cama, junto com um bilhete que dizia "Bom dia, senhorita bêbada" (com direito a um desenho de sorriso) e um copo d'água.
Ela não tinha dúvidas de quem havia deixado aquilo para ela: .
Por mais que a curiosidade a matasse para continuar lendo, a dor de cabeça falava mais alto.
Ouviu uma batida leve na porta e esta abriu levemente, um rosto flutuante aparecendo entre a fresta.
- Hm, posso entrar? - tinha um daqueles sorrisos.
Aquele sorriso de pessoa esperta que está escondendo alguma coisa. E odiava aquele sorriso.
- Claro, o quarto é seu também. - Ela tentou sorrir, mas teve certeza que deve ter feito uma expressão esquisita, de pessoa com dor.
- Bem, eu ainda não tive a oportunidade de aproveitar o quarto, se você entende o que eu quero dizer. - Ele arqueou as sobrancelhas e o queixo de caiu um pouco.
- Oh meu Deus. - Seus olhos se arregalaram (N/A: With my eyes just as wide as my mouth can be...) - Me desculpa, não sabia que você queria desvirginar alguma garota aqui na suíte. - Ela ironizou. - Não que as garotas com as quais você dorme são virgens, quero dizer, a maioria são aqueles insetinhos toscos chamados groupies, apesar de você ter uma boa quantidade de fãs de dez anos que provavelmente não devem ser sexualmente ativas... - não conseguia parar de falar. Talvez ainda estivesse com um pouco de álcool no sangue.
- , cala a boca! - riu e ela o encarou, confusa. - Depois que eu voltei do meu encontro com o J... - Engasgo. - , você já tava dormindo e hm, não tinha como eu deitar com você e dormir aí com você.
- Eu tava ocupando a cama inteira? - deu um enorme gole no copo d'água e pressentiu outra diarréia verbal. - Me desculpa, mas é que os bunks são tão apertados e quando a gente tem um pouquinho mais de espaço a gente tem que aproveitar e...
- Você tava dormindo pelada.
H20 voou pela suíte.




- Seu panaca, você me viu pelada?! - se desesperou. Apesar de estar completamente bêbada, ela tinha quase certeza de que tinha se enrolado com a enorme toalha felpuda de Scarlett.
Mas todo mundo sabe como toalhas são frouxas...
- Não tem nada que eu já não tenha visto. - Ele interrompeu seus pensamentos, e o olhou com suspeita. Mas tudo que estava pensando se desvaneceu quando seus olhares se encontraram.
"Oh, Deus", ela pensou. "Está mais quente aqui ou é só impressão?".
- A... A... Almôndegas. - disse gaguejando. Seu olhar fez que as malditas e sempre ativas (quando estava por perto, pelo menos) borboletas se agitassem em sua barriga.
- Está com fome? - disse, parecendo sério, mas em seus olhos tinham um brilho de divertimento. Ele sabia que quando ficava nervosa, ela falava nomes de comida italiana.
- Na verdade, estou faminta! Eu realmente deveria me trocar pra... - Mas não pode continuar, porque já a tinha interrompido.
- Sim, vai se trocar que eu te levo pra almoçar. - Ele já a empurrava na direção do banheiro. - E nada de enrolar, certo, mocinha? Você deve estar realmente faminta. - Ele mandou outro de seus olhares quentes e só conseguiu gaguejar:
- Ca... Canelone! - E se virou rapidamente para entrar no banheiro. Ouviu a risada de , distante.




- Maldito. Arrogante, irritante. - sussurrava resmungando enquanto colocava calças jeans. - Mandão, fofo, delícia... - Ela bateu a mão na boca. - Traíra, gracinha da . Não! Qual é o meu problema, senhor?! - Essa última parte ela disse alto o bastante para responder:
- Seu problema é que demora mais de cinco minutos para se arrumar.
- Só por isso vou colocar a blusa o mais devagar possível. - Continuou a resmungar baixinho. Quando abaixava a blusa, lembrou-se de como era antes de ontem. Certamente não falava tanto.
- Puta que pariu! - Ela bateu continuamente a mão na testa. - Cérebro, seu estúpido mamute aleijado. Ele sabe. - Ela encostou a cabeça na parede fina do banheiro. "O bêbado do John deve ter contado pra ele. Igual eu fiz com ". Ela pensou, batendo a cabeça na parede uma vez.
- Há, mas ele não sabe que eu sei que ele sabe! - Ela exclamou baixinho, desencostando a cabeça da parede e se animando. - Então se eu fingir que não sei de nada não vai ser tão constrangedor.
Ela saiu de perto da parede e foi direto para a porta decidida e corajosa.
Certo, risca os últimos dois adjetivos.




O carro de era um Volvo prateado, brilhante e... Ok, brincadeira. Era um Hummer verde escuro.
não era Edward Cullen.
- Então, onde quer comer hoje? - perguntou totalmente alheio aos pensamentos, tendo uma festa de arromba na cabeça de . - Tem um ótimo restaurante italiano não muito longe daqui.
- Ah, minha vontade de comida italiana já acabou. Na verdade, nem estou com fome mais! - Ela mentiu descaradamente, e só para provar isso, seu estômago protestou.
- Certo... Eu vou ter que escolher, então. - Abriu o carro e abriu a porta para e foi para o outro lado, sentando na cadeira do motorista e olhando para ela.
Ela mandou uma olhada rápida para ele e virou a cabeça rapidamente também.
acelerou o carro e saiu do estacionamento em que todos os ônibus estavam. Ela ficava lançando olhares nada discretos na direção dele. Sabia o porquê disso. Quando tinha saído do banheiro já tinha visto que ela tinha notado sua estranheza e ligado a situação com John. Mas ela não tinha percebido que ele sabia que ela sabia que ele sabia em primeiro lugar do namoro falso!
Então obviamente, quem estava em vantagem era ele.
2.
1.
- Aonde vamos? - perguntou, olhando para as unhas. Estavam um lixo, mas precisava olhar para algum lugar que não fosse alto, charmoso e hm... Extremamente gostoso.
- Surpresa. Liga aê a rádio. - Ele disse calmo. Ela apertou o botão de on e começou a tocar uma música calmante. Mas esta acabou rapidamente, e ambos puderam ouvir a voz do locutor:
"Essa é a rádio Old Times. Nesse bloco tocaremos as românticas! Então, querido ouvinte, se estiver sofrendo de amor, ouça um pouco e tome uma atitude para com sua amada!"
"Isso vai dar merda.", pensou desesperado.

"She loves you, yeah, yeah, yeah
She loves you, yeah, yeah, yeah
She loves you, yeah, yeah, yeah, yeah

You think you've lost your love
When, I saw her yesterday
It's you she's thinking of
And she told me what to say

She says she loves you
and you know that can't be bad
Yes, she loves you
and you know you should be glad..."

- Não estou muito animado pra Beatles hoje não, . - disse, disfarçando seu embaraço.
"She loves you?! Pelo amor de Deus, mas que escolha boa, senhor locutor!", Ele pensou, sarcástico.
- Ok... - Ela parecia envergonhada também. Apertou outro botão.

"He kissed my lips
I taste your mouth
He pulled me in
I was disgusted with myself

Cause when I'm with him
I am thinking of you
Thinking of you
What you would do if
You were the one
Who was spending the night
Oh I wish that I
Was looking into...

You're the best
And yes I do regret
How I could let myself
Let you go
Now the lesson's learned
I touched it I was burned
Oh I think you should know..."

"Thinking of you?" pensou. "O que é, tinha uma conspiração contra mim agora, é isso?"
- Eu realmente prefiro a Lily Allen. - Ela murmurou. - Fuck You é uma música muito mais interessante.
- Só muda de rádio, mulher. - disse suspirando, quando viu que já estavam chegando.
- Ok, ok, não estressa... - Ela apertou o maldito botão de novo.

"Unanswered questions would be the only thing to stop them now..."

- Olha, , tá tocando Circles! Essa música é super velha, mas tão boni... - começou a tagarelar, mas foi diminuindo a voz até parar de falar para ouvir a música.

"He was the poet while she was the muse,
but she had a pen that she knew how to use,
with a touch of redemption, a hint of elation;
a recipe for disaster."

Eles se olharam longamente, enquanto estacionava e desligava o carro.

"Go back to the place we knew before
retrace our steps to the basement door,
I'll ask you if the rain still makes you smile,
Like so much time that we spent in the fall
it put color in our cheeks while the air turned cold,Preceding what became our bitter end."

A música já tinha acabado e a voz do locutor era ouvida claramente no silêncio do carro:

Essa música foi pedida por uma fã anônima, e dirigida ao lindo, e por enquanto separado casal, e . Se vocês estão ouvindo a nossa ilustre e humilde rádio, a fã manda essa para vocês se juntarem e se lembrarem dos bons tempos...

De repente, o volante pareceu incrivelmente interessante para , tanto quanto a sua unha para .
Ele sabia que o shopping que planejava levá-la era alguns quilômetros à frente, mas o clima no carro estava ficando insuportável.
- Olha, um restaurante mexicano! - Os dois falaram ao mesmo tempo, quebrando o silêncio.
Ambos se encararam e sorriram.
Tinha algo em seu sorriso. Ele era de lado, misterioso e divertido, como se soubesse a melhor piada do mundo, mas não pudesse dividir com ninguém. E seus olhos formaram aquelas ruguinhas - malditas ruguinhas - que ela não via há um bom tempo, e que achava um dos charmes de .
O restaurante era pequeno e aconchegante, decorada com as cores do México - vermelho, branco e verde -, e com pequenas mesas de madeira espalhadas pelo lugar. Se tivessem opção não almoçariam lá. O lugar era... Uma espelunca.
- Então... Lugarzinho exótico esse, né? - sorriu levemente e viu encarar assustado um grupo de latinos que trocavam pacotes num canto do restaurante.
- Não escolha nada com peixe, ok? - Falou ele preocupado. A última coisa que os organizadores da Warped precisavam eram dois músicos com intoxicação alimentar. - Ou que tenha porco. Talvez a gente devesse ficar longe da carne bovina, só por precaução. Quer saber? E se a gente fosse pra outro lugar?
- Ah, ... - Ela deu um sorriso malicioso. - O que é a vida sem alguns riscos?
estava prestes a replicar quando a garçonete chegou.
Pele morena, cabelos castanhos compridos e curvas extremamente generosas - destacadas por um enorme decote.
- Meu nome é Esmeralda e eu vou servi-los essa noite. - Ela abriu um sorriso.
O olhar de - que antes era preocupado em relação à comida do lugar - passou para aquele olhar.
O famoso olhar "Eu não estava encarando a bunda dela, querida, eu te amo e, além disso, olhar não tira pedaço". (N/A: Sim, esse olhar existe. Infelizmente)
revirou os olhos.
Mães são todas iguais e só mudam de endereço? Errado. Homens são todos iguais e só mudam de endereço.
- Estão prontos para pedir? - A garçonete tirou uma caneta de seu decote, lentamente.
- O que você sugere, Esmeralda? - O tom galanteador em sua voz, e o jeito que ele se ajeitou na cadeira como um pavão, não deixou dúvidas.
estava flertando com outra. estava flertando com outra em sua frente.
passou os olhos rapidamente pelo menu, um sorriso maldoso se formando em seus lábios.
- Ele vai querer o número 6. - Respondeu ela, fechando o cardápio e o entregando a Esmeralda, que arregalou os olhos. - Com maionese caseira extra. - Acrescentou.
- Corajoso. - Ela abriu um sorriso admirado - E você, cariño?
- Eu vou ficar só na água, obrigada.
Esmeralda percebeu seu sorriso e pareceu entender tudo, segurando o riso.
- Um burrito-bomba de frutos do mar, porco, feijão e maionese extra saindo. - Cantarolou ela.
- Achei que você só tinha pedido uma água. - falou confuso.
- E eu pedi só uma água. - Sorriu - Mas você pediu o número seis.


Oito

sentiu seu estômago se remexer novamente enquanto ele dava outra mordida.
Se bem que ele não se remexia, e sim dava voltas 360º.
A senhora Gonzalez - mãe de Esmeralda, cozinheira e fundadora do restaurante "O Purgacito", onde eles se encontravam - o encarava cheia de expectativa, com um sorriso gigantesco.
- Oh, espero que você esteja gostando, querido. Eu coloquei um pouquinho do meu tempero especial só pra você. - Falou ela.
o encarou, mordendo o lábio inferior para segurar o riso.
- Está maravilhoso, senhora Gonzalez, muito obrigado. - Respondeu , engolindo mais um enorme pedaço do burrito-bomba.
- Você poderia comer mais uns dez desses, né?
Por mais que uma - pequena - parte de quisesse de volta, outra parte - essa bem mais predominante - estava com uma vontade imensa de matá-la da forma mais lenta e dolorosa possível.
O problema não era os frutos do mar, o porco, o feijão ou a maionese extra. O problema era os quatro juntos.
- Se quiser, eu posso mandar fazer mais um para você. Por conta da casa! - Exclamou a senhora Gonzalez animada.
Depois que descobriu que ambos eram "cantantes conocidos" - tudo por causa de um fã perdido de Maliciously Betrayed que chorou ao ver com - ela não queria sair de perto dos dois.
- Oh, muito obrigado, senhora Gonzalez. - Ele enfiou o último pedaço de burrito-bomba na boca, o estômago protestando por espaço. - Mas eu vou ter que passar essa oportunidade. Temos uma longa viagem até Tampa, na Flórida, sabe como é. Não podemos perder o ônibus. Os s e os vocalistas são as coisas que eles mais esquecem na turnê... - Brincou ele.
A senhora Gonzalez fez uma cara triste.
- ... Mas é claro que eu não me importaria de levar uns burritos para a viagem. - Completou ele.




- Você enlouqueceu, certo? - Falou nervoso, passando as mãos no cabelo enquanto não tirava os olhos da estrada. - Sério, o que você estava pensando? Tava querendo me matar? É isso que você e seu namoradinho tão tramando? - Ele fez uma vozinha esquisita. - "Ei, vamos matar o , assim nós acabamos com o All Time Low e o The Maine pode conseguir sua fama!"
já estava cansada de ouvir esse mesmo sermão desde que saíram do restaurante mexicano, à meia hora atrás.
- Você é egocêntrico demais né? Acha que sem você o All Time Low não vai pra frente. - Bufou ela. - Até parece. E além do mais, The Maine não precisa da sua morte pra ficar famoso.
passou a mão nos cabelos novamente, enquanto estacionava o carro.
- Você é bipolar? Qual é o seu problema, ? Me diz, qual é o seu problema?
- Você, . Você é o meu problema! - Ela gritou furiosa, batendo a porta do carro com toda a força possível.
Entrou no ex-ônibus do All Time Low e atual Maliciously Low - idéia tosca de - batendo o pé. Ao passar pela parte espelhada da cozinha, viu seu reflexo. Foi como se tivesse sido transportada à quase dois meses atrás. Ela parecia quase a mesma, os cabelos bagunçados, o rosto vermelho e a vontade de gritar pro mundo inteiro que era o maior imbecil do planeta. E claro, aquela irritante vontade de chorar até querer vomitar.
Trancou a porta da suíte e se jogou na cama, os cabelos se espalhando pelos travesseiros como um leque. Sabia que como parte de uma das "regras do revezamento por afinidade", o quarto devia ser dividido por igual e permanecer sempre com a porta destrancada.
Honestamente? Ela não dava a mínima.




Duas semanas e dois dias para o fim da Warped Tour

Sentiu seu olhar o examinando, aquele irritante jeito de desprezo, como se precisasse se auto-afirmar para todos na sala. Coisa que não era necessária, já que só haviam os dois na suíte que dividiriam até o fim da turnê.
Elle tinha descoberto que o espelho atrás da porta trazia más energias e havia se recusado a dormir lá. E todos - , Elle, Rian, , Scarlett e - haviam deduzido misteriosamente que o melhor a fazer seria deixar e ficarem lá por mais tempo. Afinal, eles pareciam "tão estressados e necessitados de conforto".
cansou de ser analisado e a encarou. Ela corou levemente e voltou a olhar o teto.
Eram onze horas da noite - incrivelmente cedo. - e não havia nada para fazer. Os livros que lia e os DVDs que assistia haviam sumido, a TV da suíte estava fora do ar, seus notebooks foram "pegos emprestados" por e enquanto seus iPods estavam sumidos. Tudo isso misteriosamente.
Se não estivessem a 110 km por hora, provavelmente estariam em alguma festa se ignorando totalmente, como haviam feito nos últimos dois dias.
Mas estavam trancados no mesmo cubículo, na mesma cama, e a única coisa que conseguiam fazer era encarar o teto.
Desde quando eles tinham ficado tão... Broxantes?
- Você sabe, que eu sei que você sabe, que eu sei que você sabe, certo? - Ela interrompeu o silêncio de repente.
- Sei. - Falou ele friamente. - Por que você fez isso?
- Era um favor. John é meu amigo. Por que não? - Respondeu no mesmo tom.
- Certo. Por que não? - Ele perguntou sarcasticamente e com desprezo. - Talvez porque na última vez que vi Justine ela estava chorando em um canto qualquer.
Ok, ela não estava chorando exatamente por John Ohh, na verdade tinha batido o dedão do pé em uma quina, mas quem era ele para fazer achar outra coisa?
- Sério? - começou, e seus olhos foram se enchendo de água. - Eu não queria magoá-la! Juro! Só estava fazendo um favor para meu amigo. Não era para ela ficar ass... - Percebeu que tinha falado merda, então só deitou com as costas viradas para ele e limpou da bochecha, as lágrimas já presentes.
Não queria se humilhar de novo.
sentiu a culpa o enchendo. Ele via seus ombros delicados se mexerem desengonçadamente, por causa do choro. E a única coisa que podia pensar era: "Fui eu que fiz isso? De novo?"
Não conseguiu se segurar e foi em sua direção. Deitou no colchão delicadamente e passou o braço pela cintura dela. Sua cabeça estava entre seus cabelos, e ele desejou ficar daquele jeito por toda vida, com ela aconchegada em seus braços e nenhuma preocupação imediata.
Mas simplesmente não podia esquecer a sua história juntos. E o que o fez se lembrar de tudo foram os suaves sons que ela fazia enquanto chorava.

Dois meses antes

? Amor? - gritou da base da escada, jogando sua mala de viagem no sofá.
Ela subiu correndo as escadas, animada para deixá-lo surpreso. Estava em turnê por três meses e tinha conseguido dois dias de folga. Tudo o que queria era se jogar na cama e dormir até que o apocalipse chegasse.
Ou talvez fazer outras coisas que envolvessem sua cama.
- ? Seu ursinho chego-ou. - Ela cantarolou, abrindo a porta do quarto e quase tropeçando em alguma coisa familiar.
Um sutiã. E não era seu.

De volta à atualidade

Eles provavelmente estavam lembrando-se do mesmo momento, porque ela levantou como uma bala e foi para o canto mais distante da pequena suíte.
- Não me toca... Só não me toca, ok? - Ela disse, respirando dificilmente.
Aqueles poucos segundos, para ela, foram com se nada tivesse acontecido. Ela pode sentir o cheiro do e sentir seu calor. E pensar em como aquilo era bom não melhorava em nada sua situação.
O bastardo a tinha traído. Enquanto ela confiava nele com todo o seu maldito coração, ele tinha mastigado, cuspido e pisado em cima de todo seu relacionamento. E esfregado o pé no cimento ainda por cima.
- Por que não posso te tocar?! - Ele se descontrolou. - POR QUÊ?! - Gritou ainda mais alto e se levantou indo em sua direção.
- POR CAUSA DA SUA MALDITA FAXINEIRA! - Ela partiu pra cima dele e bateu em seu peito. - Que... - Tapa. - você... - Tapa. - provavelmente... - Tapa. - nem lembra o nome! - Depois do terceiro tapa no peito dele, sua mão já tinha se cansado.
O rosto do foi ficando menos vermelho e ele ficou olhando fixamente para ela. não conseguia desviar seus olhos do rosto dele, e eles foram se aproximando cada vez mais.
Quando colocou as duas mãos nos lados do rosto de ela estremeceu e colocou os braços em volta de sua cintura. Os dois estavam tremendo de emoção, e não conseguiam desgrudar o olhar um do outro.
Quando já dividiam a respiração, morna e reconfortante, e iam fechar seus olhos para aproveitar melhor o beijo que tanto esperavam, a porta foi aberta de supetão.
- , , por que vocês ainda não saíram do... - O casal se separou em um instante, mas John já tinha visto o bastante para fazer suposições. - Cara, qual é a sua? O que você tá fazendo com a minha garota? - Ele apontou para e forçou sua voz para ficar mais grave. Viu que os dois o encaravam com a sobrancelha arqueada e sorriu amarelo. - Então... Melhor eu ir pra lá. Tchau.
Nem tinham percebido que o ônibus já estava parado, há uns dez minutos.
, que tinha se recuperado (um pouco, pelo menos) do momento intenso, ficou olhando para e falou para John:
- É, acho melhor eu te seguir. A gente se vê, .
E saiu do quarto, fechando a porta suavemente. E de repente sua última fala, para , pareceu uma promessa. Uma promessa bem escura. E proveitosa.
Ela amaldiçoou John mentalmente, mas a única coisa que disse foi:
- Nhoque.




Duas semanas para o fim da Warped Tour

- Pode assinar isso pra mim? Meu nome é Kelly. Com dois "L". E "Y" no final. K-E-L-L-Y. - Soletrou a garota, as mãos tremendo de emoção. - Não "Kellei", como muita gente escreve. É só Kelly. Quer que eu soletre de novo?
sorriu encorajadamente. Já estava acostumada.
- Não precisa. - Escreveu um "Para Kelly, keep rockin?, ". - Aqui está. - Ela entregou o pôster nas mãos trêmulas de Kelly, que em seguida foi falar com Elle.
Rockin? era o mais novo single da Maliciously Betrayed.
Não falava nada sobre , John O'Callaghan ou chifres nascendo bem no meio da testa. Na verdade, era sobre casos de uma noite e posições sexuais. Scarlett tinha escrito a letra e só tinha feito a melodia.
Começou a arrumar os vários pôsteres em cima da mesa sem levantar o olhar.
- Oh Meu Deus. - Ela ouviu a próxima fã dizer. Normalmente era assim que as pessoas se apresentavam. - !
Arqueou a sobrancelha. Nenhuma fã normal a chamava pelo seu nome completo. Ao encarar a fã em sua frente, percebeu que ela podia ser tudo menos normal.
Usava uma faixa de cabelo rosa-choque escrita " + = Love", sua blusa era estampada com uma foto dos dois se beijando e uma frase que ela não conseguia entender, e seu short jeans estava todo bordado com coraçõezinhos e as iniciais do casal entrelaçadas.
Tenso.
- Eu mesma. - deu uma risada fraca. Sabia que existiam fãs psicóticas por . E até algumas poucas psicóticas por ela. Mas psicóticas por... Maliciouslylovecouplesalltimeforever?
Porque era isso que estava estampado na blusa da garota.
- Olá. Meu nome é Janice. - Ela estendeu a mão e a apertou confusa. - Sou presidente e fundadora do fã clube "Maliciously Love Couples All Time Forever", que foi criado logo depois de você e anunciarem seu relacionamento publicamente. E estou aqui em nome do grupo todo para pedir um favor.
- Ceeerto... - engoliu em seco. - Qual é o favor?
A garota era fundadora de um fã clube sobre ela e . E ainda perguntava qual seria o favor?
- Só me ouça, tá bem? Vocês não percebem que estão cantando mentiras pra nós, fãs, todos os dias! Em "Love Like This" do All Time Low, vocês prometem se amar pra sempre! - O tom de voz de Janice foi aumentando e foi afastando sua cadeira pra trás cada vez mais - Em "Away From Home" da Maliciously Betrayed, você diz que não vê a hora de chegar em casa pra ficar nos braços do seu amor. Que na época que a música foi escrita há uns... - Ela parou pra pensar por um instante. - Dois meses antes de "Out Loud", o primeiro álbum de vocês ser lançado, era obviamente , já que isso foi no auge da era -. E...
- Olha Janice, eu... - Começou , antes de ser interrompida por Janice, que aumentou mais ainda a voz.
- E em "Breathe" você fala que não respiraria sem aquele que te faz sorrir, que é uma metáfora pra . E adivinha? VOCÊ TÁ RESPIRANDO BEM AQUI NA MINHA FRENTE! - Gritou Janice.
limpou uma gota de cuspe que caiu em sua bochecha e respirou fundo. Tinha que ser paciente com Janice, afinal, sabia como era sentir que tudo o que acreditava era mentira. Foi assim que ela se sentiu quando completou 11 anos e não recebeu sua carta de Hogwarts. Pelo menos isso lhe rendeu inspiração pra uma música, "Owl at My Window". As garotas da Maliciously Betrayed ficaram extremamente chateadas quando ela não foi escolhida pra trilha sonora de Harry Potter - que só tocava aquelas músicas instrumentais chatas.
Pelo menos "Owl at My Window" tocou em um dos filmes da saga Crepúsculo, o que as fez ganhar rios de dinheiro.
- Janice... Eu sinto muito. - passou a mão direita pelos cabelos, jogando a franja pra trás. - Juro que se tivesse algo que eu pudesse fazer, eu faria.
Ela se arrependeu de dizer aquilo no momento em que as palavras saltaram de sua boca.
- Sério? Porque eu sei de algo que você pode fazer. - Um sorriso malicioso surgiu nos lábios de Janice.
Fudeu.


Nove

- Você sabe que eu nunca vou te perdoar, não sabe? - Reclamou ao ler mais uma vez o papel em suas mãos.
Uma entrevista para a Maliciously Love Couples All Time Forever.
- Ah, não é tão ruim. É só apertar on, ler e responder as perguntas pra câmera. Você já fez isso milhões de vezes, . - Falou como se não fosse nada.
E não seria mesmo, se não fossem pelas perguntas...
A luzinha vermelha da câmera começou a piscar, enquanto pigarreava e lia a primeira pergunta.
- Rodada relâmpago. - Falou. - Como vocês se conheceram? - Ela parou para pensar por um segundo.
- Festa da Hopeless Records. - Disseram ao mesmo tempo.
Um sorriso bobo atravessou os lábios de , e ele colocou uma mecha insistente atrás da orelha dela, que respirou fundo.
- Qual é a segunda pergunta, ?
- Hm... Quando vocês perceberam que eram perfeitos um para o outro? - Ele se mexeu desconfortavelmente no sofá do ônibus.
- Quando vi seu sorriso pela primeira vez. - Sussurrou ela.
- Quando ouvi a sua risada. - respondeu mais para do que para a câmera.
Ele largou o papel com as perguntas em cima da mesa e colocou sua mão no pescoço de , puxando-a para perto antes que ela pudesse falar ou fazer qualquer outra coisa.
Seus joelhos se esbarraram e tocou seus lábios com o dela, aproveitando a maciez familiar que eles tinham. Ela pareceu tensa por um segundo, mas em seguida deslizou suas mãos pelos seus ombros, em seguida por seus cabelos e começou a beijá-lo de volta.
O gosto de seus lábios a lembravam de sofrimento... E de memórias boas demais para serem esquecidas.
Primeiramente o beijo foi gentil, e depois árduo e faminto. As mãos dele, de sua nuca deslizaram para seus quadris, até a barra da blusa xadrez roxa e preta que usava. O toque quente dele por dentro de sua blusa parecia derretê-la, cada beijo e toque dele era como fogo.
Paixão, raiva, desejo, arrependimento, tudo se misturava naquele momento.
se deitou no sofá, puxando pela camiseta para ficar por cima dela.
Com a mesma mão que o puxou, tirou a mesma e a jogou no chão.
Ambos agradeceram mentalmente o fato da porta do ônibus estar trancada, o que impedia qualquer interrupção. Eles não iam agüentar mais uma dessas.
Ele desabotoou a blusa que usava, cada botão parecendo mais desafiador que o anterior, até que esta foi fazer companhia para a camiseta de no chão. Logo os tênis Vans que usavam e o short de se juntaram a festa. Ela abriu o cinto dele, seus olhares se encontrando quando a calça de parou em seus joelhos.
As pupilas dilatadas, o rosto corado, o sorriso - aquele sorriso...
sentia falta do gosto de , de seu toque, da sua pele contra a dele, daquele sentimento, da adrenalina, da impressão que era tudo a primeira vez.
sabia que se perguntasse "Tem certeza disso?" talvez perdesse a chance de matar a saudade que sentia da garota, da sua garota.
Ele sabia que era errado, mas não se importava.
Com o gosto de suas bocas se misturando e o calor de seus corpos se dividindo, tudo o que ele sabia era que o errado nunca pareceu tão certo.


Dez

"Arrependa-se de algo que você não fez, e não de algo que fez"; era isso que a mãe de dizia quando ela era pequena, e batia em alguma garota no parquinho.
Ela não estava arrependida, só um pouco... Confusa. Queria interromper o silêncio - que não era muito bem um silêncio.
ouvia as batidas do coração de , sua respiração calma e ouvia também o barulho de risadas e gritos distantes que vinham de algum show da Warped.
Uma das coisas que ela mais odiava era não saber o que ia acontecer em seguida. era do tipo que não via um filme ou lia um livro sem antes ler uma resenha completa dizendo tudo o que acontecia. Foi assim que ela descobriu que o que sentia não era arrependimento e sim angústia. Angústia de não saber o que ia acontecer em seguida.
Antes era fácil - chegar perto o suficiente, mas nunca tocar. Mas e agora? Talvez o sexo resolvesse as coisas. Ou talvez complicasse ainda mais.
Sabia que estava dormindo, pela maneira que ele ressonava. Apesar de serem cinco da tarde, ele parecia no auge do sono. se levantou lentamente, tomando cuidado pra não acordá-lo, e vasculhou a pequena sala em busca de suas roupas. Prendeu os cabelos num coque desarrumado e saiu do ônibus na ponta dos pés, sem rumo.
Fazia um bom tempo que ela não ficava sozinha. Estava sempre cercada por suas companheiras de banda, por John, por fãs, por jornalistas, por amigos, por não amigos... Era bom poder ouvir seus pensamentos pra variar.
Foi andando em direção oposta à muvuca do palco principal - que no momento estava tomado por Forever The Sickest Kids, que tocava "What Do You Want From Me" - até chegar na área onde o ônibus do The Maine estava.
Bateu na porta e ouviu vozes, mas ninguém respondeu a suas batidas.
- Estranho. - Murmurou para si mesma, abrindo a porta e entrando - Tem alguém...
Ela ouviu um grito ensurdecedor, sentiu uma dor muito forte na cabeça e em seguida caiu no chão de susto.
- ? ? ? É você? Ah, me desculpa! - Sentiu uma mão forte ajudando-a a se sentar no chão e abriu os olhos, tonta. - Eu levei um susto, você não devia ter entrado do nada, tava vendo Madrugada dos Mortos e...
A primeira coisa que viu foi os olhos azuis esverdeados de Garrett a encarando assustados.
tateou o chão e leu a capa do livro que Garrett havia jogado nela.
- "Manual de Sobrevivência aos Zumbis"? Sério? - Arqueou uma sobrancelha, dolorida. Ele deu um sorriso amarelo e colocou o livro em cima do sofá.
- Presente de fã. Eu vou pegar um gelo pra você, fica aí sentadinha no chão tá bom? - Ele deu dois passos e abriu o frigobar, quebrando cubos de gelo numa toalha e entregando pra ela - Espero que não fique roxo.
- Eu também. - Falou , apertando a toalha na testa - Já to até vendo os jornais amanhã. - Ela fez uma voz de locutor de rádio - "Vocalista das Maliciously Betrayed apanha de namorado" ou "Vocalista das Maliciously Betrayed é agredida por fãs de seu ex".
Garrett riu fracamente e sentou-se ao lado dela no chão do ônibus.
- Eles pegam meio pesado com você né? - Sorriu e colocou sua mão sobre a dela.
sentiu um arrepio percorrer a espinha e engoliu em seco. Na boa, qual era a dela?
mal tinha saído de suas calças e John ainda era seu "namorado". Qual era a dos arrepios na espinha? tinha 20 anos, não era mais adolescente pra poder culpar os hormônios.
- Quer saber Garrett, eu tenho que ir. Falar com o John, sabe como é. - Ela levantou-se rapidamente e o encarou de cima.
Ele parecia ainda mais adorável.
"Foco , foco. Você só veio aqui pra falar com John, não pra arrumar mais confusão."
- Claro. Acho que ele tava no ônibus do 3OH3! a última vez que eu falei com ele. - Garrett respondeu - Vê se da próxima vez bate antes de entrar.
- Mas eu bati! - pareceu ofendida.
- Então grita! - Replicou ele - Te vejo depois?
concordou com a cabeça e desceu o ônibus encarando seus próprios pés. Garrett era fofo, engraçado, bonito, inteligente, entendia como era estar numa banda... Mas só tinha um problema, o mesmo de todos os outros caras que conhecia. Nenhum deles era .

Ouviu os acordes de "Trouble" do NeverShoutNever! vindo do palco acústico e saiu andando em direção a ele. Talvez conseguisse ver um pouco do show, afinal, um pouco de Christopher Drew não fazia mal à ninguém.
Ah, qual era seu problema? Estava a fim de Christopher Drew também?
Esbarrou em alguém alto - bem mais alto que ela - e murmurou um desculpa.
- Ah, o que é isso pequena, pode me atropelar quando quiser. - Brincou John.
- Exatamente quem eu queria encontrar. - Eles trocaram um abraço apertado e pôde ouvir alguns "cliques" de câmeras fotográficas ao fundo.
- Precisamos conversar, não precisamos? - Ele falou, abraçando-a pela cintura e ambos foram andando até o refeitório da Warped.
- Precisamos.




- Pão, carne, esse trem aqui, esse molho verde, esse queijo... O que é isso, homem? - John falava rapidamente, pedindo seu sanduíche.
nunca tinha visto tanta coisa em um só lugar.
- Pode por chocolate. Ah, e o ketchup! Claro, ketchup e mostarda - Ele disse como se fosse totalmente normal pedir chocolate com ketchup e mostarda.
Nunca se sabe na Warped Tour.
- E você senhorita, o que vai querer? - O pobre homem suspirou, enquanto tentava achatar o sanduíche de forma que entrasse na boca de alguém.
- Uns cookies. - Ela murmurou. O que fez John arquear as sobrancelhas e fazer uns sinais para o atendente pra duplicar a dose.
Realmente... Pobre homem.
Enquanto pegavam seu lanche e se sentavam, John falava sobre como seus planos estavam funcionando maravilhosamente.
- E aí, ela disse, toda doce e inocente, minha Justine: "Oi, John" e seguiu andando. Foi lindo. - Ele puxou uma cadeira para ela e se jogou na da frente.
- John, você não se incomodou que eu cancelei nosso acordo? - Ela perguntou apreensiva. Não entendia por que John não estava subindo nas paredes de raiva por não ter ainda nem beijado Justine. Enquanto já tinha feito coisas que fariam sua mãe ruborizar. Vezes sete.
- , não se esqueça que fui eu que contei para ele quando tava bêbado que nem um leprechaum com dor de ouvido. Mas parece que o plano está funcionando bem pra você, hein?
Ela colocou a parte do leprechaum no fundo de sua mente, esperando nunca mais ouvir outra coisa como essa, e respondeu:
- Sem comentários.
Ele deu um sorriso e pegou a mão dela.
- Eu desejo toda a sorte do mundo pra você. Que vocês tenham filhos como coelhos! - Ele deu uma risada e se encolheu quando ela deu um tapa nele, rindo.
- Então você está terminando comigo? - Ela tinha parado de rir, e estava olhando para ele com uma cara aparentemente séria, mas seus olhos estavam brilhando de diversão.
- Percebi agora que não somos compatíveis. - Ele fez a mesma cara que ela, e falou mais alto para o repórter que não estava nem um pouco disfarçado em uma mesa próxima, com um gravador na manga, chapéu de palha gigante e óculos atriz de cinema. - Então eu quero terminar.
Eles já tinham conversado sobre isso antes, e ela tinha achado melhor, quando eles terminassem, que John falasse que ele que tinha terminado, para facilitar as coisas com a Justine.
- Então vai me trocar por Justine? - Ela exclamou, empurrando a cadeira para trás e começando a chorar.
Deus, abençoada seja sua mãe quando a colocou na aula de teatro em vez da de ballet.
- Sim, , não esqueci do meu amor, mesmo quando disseram todas aquelas mentiras sobre eu estar traindo ela com você. Espero que você entenda e volte para o seu verdadeiro amor, ! - Eles saíram em direções opostas, enquanto o repórter disfarçado quase chorava de alegria por ter uma sorte desse tamanho.




despertou devagar, se espreguiçando e esfregando com as costas da mão os olhos. Ouviu o barulho do chuveiro e deu um sorriso radiante quando se lembrou do que tinha acontecido.
"Finalmente", ele pensou." Finalmente ela voltou para mim. Vou contar toda a minha versão da história e ela vai perceber como foi boba e voltar a ser como era antes.".
Levantou-se da cama e foi procurar uma blusa que o favorecesse (como se precisasse) e alguma bermuda.
Parou na metade do caminho.
Ele sabia que gostava de seu corpo magro (N/G: Meninos anoréxicos, tsc) coberto apenas por uma boxer.
Ouviu o chuveiro se fechando e saiu correndo pra ficar ao lado da porta do banheiro. Apoiou-se na parede, colocando um pé nesta e ficou olhando sensualmente para a porta, no maior estilo James Dean de ser. Só que um James Dean de boxers e corpo esquálido.
Ouviu duas portas se abrindo ao mesmo tempo.
A primeira, com enrolando uma toalha no quadril, o que não é uma coisa muito bonita de se ver, já que ele não tinha enrolado totalmente no corpo.
A outra, revelando encarando os dois. Em choque.
Todos os três congelaram e e falaram ao mesmo tempo:
- Não é o que você está pensando! - se jogou para debaixo das cobertas, cobrindo-se até o queixo e se contorceu sem saber o que fazer até perceber que tinha duas opções:
1) Entrar no banheiro e fechar a porta
2) Ou podia juntar-se a embaixo das cobertas.
Ele resolveu fazer o número dois.
- AAAAAH, SAI DAQUI SEU BICHA! - empurrou para o chão o que fez a toalha se perder no meio do caminho.
- AAAAAH, SE COBRE! - gritou, tampando os olhos com uma mão. E é claro, deixando um espaçinho entre os dedos para espiar.
puxou o travesseiro de para cobrir suas partes, na mesma hora em que esta entrava no quarto.
- Gente, o motorista vai parar o ônibus em outro lugar e... - Começou ela.
Os quatro deram um grito assim que o motorista acelerou o ônibus e o brecou bruscamente alguns segundos depois.
tropeçou, caindo em cima de , que saiu escorregando pelo chão e terminou com a cara no travesseiro de , que estava nas partes de , que bateu com a cabeça no criado-mudo enquanto rolou da cama e caiu em cima da vocalista.
- Caralho, que gritaria é... - Começou , entrando no quarto junto com Elle e Rian.
- PORRA! - Gritaram os sete ao mesmo tempo.
, , e de dor. , Elle e Rian de surpresa.
- Fecha os olhos Elle, você é jovem demais pra ver isso!
- Fecha os olhos , você é jovem demais pra ver isso!
Um tampou os olhos do outro desengonçadamente, ao mesmo tempo em que tentavam se esquivar da mão que tentava tapar seus olhos para ver.
- Sempre soube que esse lance de juntar ônibus não ia dar certo. A gente tá junto há duas semanas e o swing já começou. Imagina no fim da turnê, isso aqui vai virar uma suruba total... - Rian olhou feio para os quatro jogados no chão.
- Ei, eu ouvi alguém dizer suruba...? - Scarlett espichou para ver o que acontecia dentro do quarto e seu queixo caiu - Ah, vocês tavam se divertindo? Por que não me chamaram? - Ela parecia chateada.
Todos reviraram os olhos.
levantou-se e deu a mão para ajudar . Ela parecia envergonhada e ajudou , que continuava com a cara enfiada no travesseiro que estava nas partes de .
estendeu a mão pra , que fez uma careta.
- Eca, eu não vou tocar na sua mão. Não depois da onde ela esteve.
- Ok, primeiro eu estou limpinho. Segundo, não é como se você não tivesse tocado nas "minhas partes"... - Ele fez aspas com as mãos -... Antes, certo? Afinal, a gente teve um relacionamento, lembra?
- Prefiro não lembrar. - mentiu. Os dois ficaram se encarando.
- Ceeerto. - quebrou o clima tenso - Pode ficar com o meu travesseiro, . - Ela apontou sem graça pro mesmo - Eu vou pegar o seu.
- Na boa ? Eu não acho que o travesseiro do esteja tão limpo quanto o seu. - Raciocinou .
- Vai pastar, . - jogou o travesseiro na cara de , que desviou a tempo de se salvar.
- , SE COBRE!
- Oops. Foi mal.


Onze

Uma semana e cinco dias para o fim da Warped Tour

começou a viver uma nova rotina. Um rotina extremamente estressante, deva-se dizer.
A rotina de evitar .
Começava cedo. Nunca "acordava" antes de sair do ônibus. Sorte dela que as paredes eram finas - ela podia o ouvir dizendo "Tenho que ir, show nos espera" - e que os shows de All Time Low ocorriam quase sempre no período da tarde (o mais cheio) e os da Maliciously Betrayed mais à noite, quando as crianças já tinham ido para casa e elas podiam tocar as letras quase pornográficas de Scarlett.
apostava que ela só escrevia essas coisas porque não tinha que ficar gemendo no microfone, coisa que ela tinha que ficar fazendo na frente de milhares de pessoas.
- Nossa, saca que horas são! A gente tem que ir, tchau garotas. - Ela ouviu dizer e em seguida ouviu a porta do ônibus bater.
Respirou aliviada. Eram duas da tarde e ela tinha uma entrevista com Buzznet às duas e meia. Sabia que se chegasse um minuto atrasada, os rumores de que ela era uma "diva metida" já começariam.
Saiu correndo da cama e tomou uma ducha rápida, sem lavar os cabelos. Um dos truques que aprendeu em turnê era passar talco no cabelo pra disfarçar a oleosidade. Nojento, mas funcionava quando não se tinha tempo.
Vestiu uma regata branca, um short jeans meio largo e rasgado - que havia ganhado de uma fã no dia anterior - e um par de chinelos. Fez um rabo de cavalo alto e colocou o wayfarer que muda de cor, que tinha roubado de Gabriel Saporta, vocalista do Cobra Starship (N/G: Sempre quis esse wayfarer! D:).
Saiu da suíte na ponta do pé, pronta pra se jogar no primeiro bunk que aparecesse se qualquer sinal de fosse notado.
Se era possível dormir na mesma cama que uma pessoa e sequer falar com ela?
Bem, se não fosse, tinha feito isso possível.
- Bom dia. O que tem pro café? - Perguntou pra Elle, que assistia uma reprise de Oprah na pequena TV da cozinha.
- Aqui a gente só tem pão velho e... - Ela começou a revirar a mesa - Sobra do Starbucks do . - fez uma careta - Não sei porque você não vai logo pro refeitório. Lá tem tudo. Tudo mesmo. Scarlett comeu enrolado de pimenta hoje de manhã.
As duas fizeram caretas.
Scarlett era exótica em quase todos os sentidos.
- Não dá. Muitas pessoas, sabe como é. - Explicou dando de ombros e mordendo um pedaço do pão velho.
- De qualquer jeito, ainda bem que você acordou, eu já tava ficando desesperada. É melhor você ler essa matéria antes de ir fazer a entrevista da Buzznet com a . - Elle tirou uma revista debaixo da fruteira - vazia - que ficava na mesa.

This is the end of you and me...

Aparentemente quando The Maine escreveu "This is The End" eles estavam prevendo a relação de seu vocalista, John Ohh e de .
Segundo nossas fontes - muito confiáveis - John Ohh terminou o relacionamento de duas semanas e meia com , dizendo que "Nunca havia a amado, que Justine Jones era a rainha de seu coração e que ela tinha mau-hálito".
Pobrezinha!
Graças a Deus, todos nós sabemos que não ficará com o coração partido por muito tempo, afinal, pra que se remoer sobre John Ohh quando se tem , do All Time Low em suas mãos?
Mas de uma coisa temos certeza: poderemos ver All Time Low, The Maine e Maliciously Betrayed nos Hurley Acoustics, que irão ao ar ao vivo dia...

- Não sei se rio ou se choro. - rasgou a folha que continha a tal reportagem, amassou e a arremessou no lixo, fazendo uma cesta.
Adorava quando as revistas aumentavam em 300 vezes o que realmente tinha acontecido.
- Você sabe que vão perguntar sobre isso, não sabe? - Elle fez sua melhor expressão compreensiva.
- Claro que não. A vida pessoal está nos assuntos proibidos, esqueceu? - mordeu o lábio inferior, insegura - E além do mais, "Rockin?" acabou de sair. Vão querer falar com a gente sobre o single, não sobre se eu namoro John Ohh ou .
- , não seja tão inocente. "Assuntos proibidos" não existem pra esses repórteres. - Elle bufou.
- Se não existem então, por que pedem pra gente falar o que é ou não proibido? - Irritou-se .
- Pra saberem exatamente o que perguntar! Eles não se importam com seus sentimentos, só com vender esse lixo que chamam de revista.
- Essa entrevista tá marcada há um tempão. Duvido que perguntem alguma coisa sobre a minha vida pessoal. De qualquer jeito, eu to atrasada. Adios! - saiu correndo do ônibus decidida.
Nem tudo na Maliciously Betrayed era sobre sua vida pessoal, certo?




- Então... Vamos começar de um jeito divertido. Por que vocês não dizem sobre o que é Rockin??
A repórter devia ter uns 40 anos - muito bem escondidos com botox -, os cabelos louros platinados - falsos - e o sorriso com 50 dentes deixando e pouco a vontade.
- Bem... A letra foi escrita por Scarlett, a nossa baterista. - Começou - E fala sobre como não tem nada de errado em ter casos de uma noite só com caras, não importando o quão estranho isso pareça e...
- Ok, interessante. - Cortou a repórter e as duas a encararam incrédulas - Agora vamos focar em você, . Como você se sentiu quando e John Ohh partiram seu coração?
Merda.




- Pensa bem, não foi tão ruim assim... - falou otimista, tentando animar sua amiga.
Elle e Scarlett encaravam as duas confusas.
Estavam sentadas numa tenda atrás do palco principal, esperando serem chamadas pra tocar.
- Não foi tão ruim assim? - deu uma risada irônica - Depois de perguntar como eu me senti depois de ter meu coração partido, essa vaca perguntou qual dos dois era melhor na cama! E quando a foi ao banheiro ela terminou a rodada de perguntas embaraçosas com um "Que chifre doeu mais?". - Ela bebeu sua água com raiva, desejando que aquilo fosse algo mais forte.
- Outch. - Falaram as três ao mesmo tempo.
- Pelo menos você conseguiu se esquivar da maior parte das perguntas! - Elle deu um soquinho no braço de , sorrindo - Duvido que dê pra ver seu desconforto pelo áudio.
- Foi uma entrevista em vídeo.
- Outch. - Repetiram.
- Na boa? Não dá pra ficar pior! - Reclamou . Ela olhou pra trás e suspirou - Na verdade, dá sim. Lancelot tá vindo na nossa direção.
O manager vinha gingando, usava uma blusa laranja com estampa havaiana, um par de chinelos de couro e uma calça jeans branca apertada que não deixava nada pra imaginação.
- Oh, exatamente quem eu queria encontrar, os meus docinhos maliciosamente traídos! - Ele tinha um sorriso gigante no rosto.
- Lá vem... - Murmurou Scarlett, revirando os olhos.
- Preciso falar com você rapidinho. - Lancelot puxou da sua cadeira de plástico e a levou pra um canto da tenda - Quero que você esteja amanhã às duas e meia na sala onde vamos gravar o Hurley Acoustics, tá bom?
- Mas a gente só vai ir pro ar lá pras cindo da tarde! - Exclamou ela - E como a Maliciously Betrayed não vai tocar amanhã eu fiz planos até as cinco. - Mentiu ela.
Ok, não era bem uma mentira, já que ela tinha planejado ficar longe de o dia inteiro.
- Eu tenho uma surpresinha, ok? Se você for eu... Te livro das próximas três entrevistas que aparecerem! - Exclamou ele, enquanto pensava.
Participar de uma "surpresa" de Lance e se livrar de três entrevistas? Talvez não fosse tão ruim.
- Você sabe como eu odeio surpresas. Me diz o que é. - Pediu, fazendo sua melhor cara de cachorro abandonado.
- É surpresa, sua boba! Só esteja lá. Bom show, meninas! - Ele gritou para as outras três, que sorriram falsamente.
mal voltou para a rodinha e uma das assistentes de produção apareceu chamando as garotas para o palco.
- Já tá tudo preparado pra vocês. - Falou ela, encarando curiosamente , que percebeu.
- Ah tá, valeu. - Respondeu Elle, fazendo um aquecimento vocal com , logo depois.
Scarlett começou a se alongar e começou a encarar a assistente com a mesma intensidade.
Sabia que a conhecia de algum lugar, algo nela lembrava John Ohh...
- Oh. Oi, prazer em te conhecer. - estendeu a mão, sorrindo nervosamente. Justine hesitou por alguns instantes. - Eu não mordo, sabia. - Brincou.
- Eu sei que não. - Replicou friamente, apertando a mão de - Então, é verdade?
- Hm? - Ela se fez de desentendida.
- Que você e Johnny terminaram? - Justine cruzou os braços, arqueando a sobrancelha.
revirou os olhos.
- Não que seja da sua conta. - Desdenhou ela - Mas sim.
- Interessante. - Falou Justine, fria.
- Interessante. - Repetiu.
adorava John - não, havia passado à amá-lo - e por mais que só tivessem virado realmente amigos por causa de Justine, ela não conseguia tirar um pensamento de sua mente.
Justine era uma vadia.
- Eu tenho que ir, sabe como é. Fazer seu trabalho valer a pena. - fez joinha e mordeu o lábio inferior. Sabia que se estivesse falando com a nova-ex de seria bem pior com ela.
Ok, apague isso.
Ela mal conseguia pensar em como se sentiria se começasse a namorar alguém.
- Olha Justine... Eu realmente espero que você e John se acertem. Ele é ótimo, ótimo mesmo. - Ela deu ênfase no mesmo - Espero que você dê a ele o valor que ele merece.
A expressão fria de Justine desapareceu lentamente de seu rosto, dando lugar a um sorriso envergonhado.
- Ele é incrível. E bem... Você não é ruim quanto eu achava. - As duas riram fracamente - Eu espero que você se acerte com o . Ele é um cara muito legal. Legal de verdade, quero dizer... Ele é muito bonito e talentoso também, não é? E ele tá solteiro, já que eu li na Alternative Press que vocês ainda não voltaram... Hm, você acha que ele sairia com alguém da produção?
- Fica com o John Ohh, ok? - Cortou irritada.
Ela sabia que era legal, bonito e talentoso, não precisava ouvir isso de Justine.
Ou de milhões de fãs.
- Hm, tá bom. - A produtora a encarou assustada.
Os primeiros acordes de "Rockin?" começaram a tocar e subiu correndo para o palco, estranhamente aliviada.
Parecia que tudo estava finalmente se acertando.
Parecia.


Doze

Uma semana e quatro dias para o fim da Warped Tour

Ficou rolando um tempo na cama, aproveitando o silêncio antes de tomar coragem e ir tomar um banho.
O relógio de seu celular dizia que era uma hora da tarde, então ela tinha muito tempo para matar ainda.
Usou o secador em cima da pia do banheiro apertado para dar um jeito em seu cabelo, escovou os dentes lentamente e passou maquiagem - maquiagem de verdade, não o "gloss-lápis" que usava todo o dia.
Olhou pro relógio novamente. Uma e meia.
Por que o tempo não passava quando ela queria que ele passasse?
Estavam em Orlando, e como não tinham nada pra fazer até as cinco da tarde, Elle e Scarlett resolveram visitar Mickey. Já decidiu passar o dia todo vendo shows de outras bandas, enquanto teria que ficar pra descobrir a "surpresa" de Lancelot.
Não que ela estivesse muito animada, nada que envolvesse Lance era bom.
Saiu do quarto sem nem se preocupar, sabia que All Time Low tinha show meio dia e Hurley Acoustic logo depois, o que a deixaria livre deles - , na verdade - até as quatro; hora que a Maliciously Betrayed tocaria.
Pegou o MacBook de - já que o seu tinha sumido misteriosamente - e entrou no seu Twitter. Quase nunca tinha tempo de fazer isso, e a maioria de seus tweets eram coisas monossilábicas como "Comendo" ou "Tocando".
Resolveu mudar isso.

@MB Perguntem o que quiserem. Vou tentar responder o máximo possível!

Clicou no "@MB" pra ver as replys que tinha tido.
Sorriu aliviada ao ver que boa parte das perguntas não tinham nada a ver com John e .
Respondeu as mais aleatórias, que perguntavam seus filmes favoritos, pior momento na turnê, se fosse lésbica qual dos membros de sua banda namoraria e pedidos de ir para algum país.
Muitos dos tweets eram de apoio, dizendo que ela não precisava de ou de John. Ela sorriu. Seus fãs eram os melhores do mundo.
Ficou lendo e respondendo os tweets deles sem nem prestar atenção no relógio, até que ouviu...

Some people think they?re always right, others are quiet and uptight, others they seem so very nice nice nice nice nice oh oh, in fact they might feel sad and wrong?

- Merda, cadê? - Ela fechou o laptop, procurando desesperadamente por seu celular - Argh Julian, não cala a boca não, espera eu atender!

Twenty nine different attributes, and only seven that you like, oh oh, twenty ways to see the world, oh oh or twenty ways to start a fight oh oh?

Seguiu a voz de Julian Casablancas, dos Strokes - que cantava You Only Live Once - até a suíte, jogando travesseiros, lençóis e roupas pra trás até achar seu celular largado embaixo de uma meia suja de .
- Alô?
- , cadê você? - bateu com a mão na testa - São duas e QUARENTA! Acho bom você já estar pronta e vindo pra cá AGORA!
O telefone foi desligado na sua cara enquanto ela saía correndo atrás de um carrinho de golfe que a levasse até a sala Hurley.




- Cabelo e maquiagem nela AGORA! AGOORA! - Gritou Lancelot esgoelado.
fez uma expressão de dor ao sentir seu cabelo ser puxado pra trás e preso num coque "moderno e rebelde" - nas palavras da cabeleireira. Base, pó e blush foram aplicados em tempo recorde enquanto a estilista separava um vestido roxo, uma sandália preta e um colar estranhamente exagerado - tudo Hurley, claro - pra ela vestir.
A blusa velha do The Hives e a bermuda jeans que ela usava, tinham sido jogadas em algum lugar do camarim bagunçado e tinha a leve impressão que nunca mais as veria.
- Preparada, querida? - Lancelot parecia muito mais simpático agora que ela já estava arrumada - Sabe o que vai fazer, certo?
- Hm, na verdade não. - Respondeu confusa.
- Oh, eu não te contei? - Ele tampou a boca com as unhas perfeitamente manicuradas.
- Não. Você disse que ia ser uma "surpresa do Lance" - fez aspas com os dedos.
- Ok... Bem... Hm... - Lance parecia não saber como começar - Você vai fazer uma participação especial num Hurley Acoustic!
- Ah. Que susto, achei que tu fosse me meter em outra photoshoot. - Ela suspirou aliviada.
Os dois foram andando em direção ao estúdio em que a banda estava gravando seu acústico e parou de repente.
- Mas... Eu nem sei que musica essa banda vai tocar. Você precisa me dizer qual é pra eu não ferrar com tudo.
- Ah, todo mundo sabe essa parte da música - Ele deu de ombros e começou a cantar desafinado - I'm not coming back, I've done something so horrible, I'm horrified....
- É terrible, I'm terrified. - Cortou .
Ela parou por uns instantes, tentando se lembrar da onde conhecia aquela musica.
Quando Lancelot percebeu a cara de horror que fez, a agarrou pela cintura e começou a arrastá-la até o estúdio.
- AH, NÃO, NÃO, NÃO! - Gritou ela - TUDO MENOS ISSO LANCE, POR FAVOR!
A porta de metal, com uma luzinha em cima onde se lia "Gravando", parecia estar cada vez mais perto enquanto se debatia.
Um segurança encarou confuso os dois enquanto Lancelot gritava "ABRE".
Uma hora ela se debatia nos braços de Lance. Na outra, já estava dentro do estúdio tendo a porta de metal batida na sua cara.
- Abre, por favor, Lance, por favor! - batia na porta, fazendo o barulho ecoar pela sala.
- Oh, I can see now that all of these clouds are following me in my desperate endeavor...
Rian limpou a garganta, fazendo-a se virar lentamente para encará-los.
Eles estavam sentados em banquinhos formando um meio circulo, com um banquinho vazio bem no centro. quase riu histericamente ao ver que seu banquinho era exatamente do lado do de , o que os obrigaria a ter contato corporal.
Ela sorriu falsamente, saiu correndo e sentou-se em seu banquinho, sua perna esbarrando com a dele fazendo seu estomago se revirar.
Malditas borboletas.
- To find my whoever, wherever she may be?
Ela engoliu em seco antes de cantar, seus olhos grudados no de , que parecia concentrado na melodia.
- I'm not coming back - Sua voz saiu um pouco falha - I've done something so terrible, I'm terrified to speak, but you'd expect that from me, I'm mixed up, I'll be blunt?
(Eu não irei voltar, eu fiz algo tão terrível, estou com muito medo para falar, mas você esperaria isso de mim, estou confusa, vou ser insensível...).

Então percebeu.
Ela estava sendo insensível, confusa e medrosa. Cantou sem nem prestar atenção, somente se perdendo nos olhos de .
- I guess I'll go home now, I guess I'll go home now, I guess I'll go home now, I guess I'll go home?. - Murmurou ele, a encarando pela primeira vez que ela entrou na sala.
- CORTA! - Gritou o produtor - Muito bom garotos. Pausa de dez minutos na transmissão.
- Precisamos conversar. - Falou .
teve um deja vu.
- É. Precisamos.




pegou a mão de , olhando para essa com apreensão. Não sabia o que pensar, o que fazer e como reagir. Ele sabia que ela estava evitando-o o máximo possível, provavelmente pensando que o que tinha acontecido simplesmente sumiria se não tivessem nenhum tipo de contato.
"Pois não vai sumir não." pensou decidido.
Queria de volta aquele sentimento de segurança e... Amor que tinha enchido seu coração quando aquele momento lindo e perfeito tinha acontecido...
Certo, isso era um pensamento gay que vinha das profundezas do seu intestino, porque nunca que ele admitiria que precisava de para ser feliz. Não naquele momento, pelo menos (N/Lu : depois, talvez; piscadinha, piscadinha).
- , pra onde diabos você está me levando? - Ela sussurrou, já que toda hora passava gente da produção pela porta que eles estavam escondidos.
- Eu não sei... Na verdade, aqui tá ótimo. - Ele ligou a luz e encostou-se à parede.
Ninguém sabia, mas profundamente na mente de , ele sempre quis ser James Dean; o cara que é sempre sexy e pega todas as mulheres que quer e...
- Então, o que você quer conversar comigo? - se encostou na parede oposta a dele, mas o quarto era quase um armário, o que não deixava muita distância entre o casal.
- Err... - Ele começou envergonhado, mas continuou decidido, com sua raiva aumentando mais e mais. - Eu queria conversar sobre esse seu comportamento de jardim de infância. Acha que me evitar vai mudar o que já aconteceu?
- Bom, obviamente não é comportamento de jardim de infância, já que eu estou te evitando por causa de sexo. - Ela disse irônica. - Além do mais, , eu não ligo para o que você pensa. O que eu fiz foi um ato idiota e imaturo.
, que estava quase roxo de indignação, foi se aproximando dela até que quando respirava e seu colar estranho roçava em .
E ela estava respirando que nem uma doida.
- Acho que gosto de fazer atos idiotas e imaturos. - Ele juntou sua boca com a dela, e tudo o que pôde pensar foi "Merda" antes de agarrar os cabelos de e o puxar em sua direção. Queria absorver todo, até que toda a sua vida desaparecesse e só ficassem ele e ela.
passou a língua em todos os possíveis recantos da boca dela, e ela pensou que não seria justo não fazer o mesmo com ele. Então ela fez. E mais.
Ela mordeu seu lábio de baixo o fazendo gemer, e gemer ainda mais quando ela lambeu essa área para suavizar o que tinha feito.
- Você me deixa doido! - rugiu, com a voz rouca e a respiração falha.
- Eu sei. - sussurrou com uma voz surpreendentemente rouca e sexy, sorrindo com malícia e fazendo gemer outra vez e a puxar pela cintura para mais perto de seu corpo.
Ele dava pequenos beijos no pescoço dela, a deixando arrepiada, e querendo mais. Quando ele beijou sua boca de novo, agora mais devagar e suave.
Ela pulou para o seu colo, precisando de menos distância, precisando dele mais perto e agora.
Ele foi passando sua mão pela sua cintura e foi subindo e subindo, até o ponto que era insuportável estar com o vestido posto. Foi meio complicado para tirar, mas nada pode parar dois astros de rock que tem um passado sórdido juntos, se pegando dentro de um quarto/armário.
Ok, astros de rock/poprock/punk/etc.
Eles estavam curtindo a pegação, sendo que estavam dentro de um quadrado (N/G: Brasília, MAOÊ -n). já estava sem seu vestido, como mencionado anteriormente, e sem sua camisa e com o cinto do jeans solto.
Ela, ainda com as pernas ao redor da sua cintura, chupou o lugar atrás da orelha aonde sabia que fazia enlouquecer e voltou a beijá-lo como nunca.
- Esse deveria ser um momento gravado em vídeo. - comentou, beijando delicadamente o pescoço de , depois de um tempo. - Cadê aquela sua filmadora? Ela nos fez praticar coisas doidas e imaturas. E praticar mais. - Ele continuou dando uma risada quente, ainda no pescoço dela. estremeceu e deu uma risada sexy, dando um tapa no ombro dele.
- Para de me zoar, . E a filmadora está com você, não comigo, ué. - Exatamente no momento que ela terminou de falar os dois se tocaram o que tinham dito.
- Espera aí, a filmadora tava com você! - Os dois falaram ao mesmo tempo e ficaram se olhando por um tempo.
- Ah, o deve ter pego pra se divertir um pouco. - disse, tentando soar despreocupado. - Tinha gravado o ato todo, né? É, deve estar com o mesmo.
- , isso não me deixa nem um pouco mais tranqüila. Mas tá bom, a gente procura depois. Sim, sem preocupações. - Ela deu um beijo nele e se separou de novo, sorrindo. - Sem preocupações. Só eu e você e o... - Ela olhou para baixo.
- Não, meu pênis não tem nome, ! Que tipo de doente você acha que eu sou... - Ela levantou uma sobrancelha. - Capitão Arnold, mas se você contar para alguém sobre isso...
- Fica tranqüilo, , isso fica entre nós. - Ela disse, segurando o riso. - Que tipo de nome é Capitão Arnold? E por que você colocou esse nome nas suas partes baixas?
- Essa é uma conversa para outra ocasião. - ele disse, muito vermelho. E a beijou de novo, principalmente para finalizar a conversa.
Pareciam ter se passado horas, e ainda não tinham passado para o próximo passo. Ainda.
Ela já estava alcançando os botões do jeans dele quando a porta abriu de supetão e e entraram de fininho.
Os quatro se entreolharam, sendo que ainda estava pendurada em . estava com a cara enfiada no pescoço de .
E as mãos dela, bem...
- Certo, esse é o famoso momento tenso que tanto falam, hein? Nunca entendi até essa linda ocasião. - disse, quebrando o silêncio do quarto e fazendo e se apressarem para colocar a roupa de volta.
- É mesmo, . Isso me lembra de Vegas. Bons tempos... - disse, tirando a cara do pescoço de , as mãos da calça dele e olhando para o além.
Todos concordaram com a cabeça e olharam para o além também...


Treze

Seis meses antes da Warped Tour...

respirou fundo, inspirando o perfume bom de . Se aconchegou mais nos braços dele, sentindo seu calor. A única coisa que os aquecia - além de si mesmos - era o lençol fino do hotel que estavam.
A Cheap Date Tour tinha começado a uma semana e todos os managers já sabiam: Não precisavam alugar quartos separados para e .
- Hm, bom dia princesa. - Ele espreguiçou-se e beijou a testa dela, que deu um sorriso bobo.
- Bom dia, príncipe. - Murmurou ela.
- Príncipe? - fez uma careta - Sou mais o vilão fodão.
- Ah, claro. Pena que vilões fodões não ficam com a princesa. - Riu ela - Então por isso eu vou embora. - ameaçou levantar-se da cama.
foi mais rápido, envolvendo a pequena cintura dela com o braço, e levantando seu queixo e forçando-a a olhar para ele.
- Talvez a gente possa mudar o fim dos contos de fada.
- Talvez. Ninguém nunca provou se o "E viveram felizes para sempre" era verdade. - Ela deu de ombros e sentiu pousar um beijo leve em seus lábios.
Ultimamente, só sentir o perfume de já era o suficiente para deixá-la louca. Então, imagine com o simples contato de seus corpos.
Ficou por cima dele, envolvendo sua cintura com as pernas.
depositou beijos por todo colo dela, enquanto tentava lembrar o que faria no dia. Talvez se não fizesse nada poderiam ficar na cama o dia todo.
- O que você vai fazer hoje? - Perguntou ela, sua voz tremendo um pouco.
- Hm, dia de folga. - Mentiu ele.
não precisava saber que tinha uma entrevista com Kerrang às duas da tarde, precisava?
- E - beijo na nuca - você?
tentou lembrar-se.
- Eu também! - Ela levantou os dois braços em direção ao teto e riu, quase caindo da cama - Faz séculos que eu não tenho um! Vamos fazer alguma coisa diferente, !
- Claro! - Ele riu da empolgação da garota - Que tal, hm... Ficarmos na cama o dia todo? - Sugeriu.
saiu de cima dele, saltitando até o banheiro.
- Eu posso fazer isso quando eu quiser, dã. - ouviu o chuveiro sendo ligado - Vamos pra Vegas!
revirou os olhos e suspirou.
Quando ele não fazia algo que queria?
Que tal... Nunca?




- Tem certeza, moço? - perguntou para o recepcionista do hotel, desesperada. - Vegas? Eles disseram exatamente isso? Tipo: "Seu Recepcionista, vamos para Las Vegas!"
- Sim, senhorita. - O recepcionista, Carl, o nome que estava no crachá, disse, um pouco calmo demais para estar falando com uma garota desesperada, guitarrista de uma banda chamada Maliciously Betrayed. - Eles disseram, para ser mais exato: "Uhul. Vamos para Vegas!" e saíram de mãos dadas, e acho que pegaram o carro do senhor .
- Muito obrigada, Carl. - disse já distraída, indo na direção do elevador, correndo.
"Deus! Eles não podem fazer isso! Todo mundo sabe que quem quer casar vai pra Vegas! E estamos a dez quilômetros de lá. Preciso de ajuda. Não posso ser cúmplice dessa besteira." Ela pensou, entrando no elevador e apertando freneticamente o botão do quarto andar.




- Eu quero dois copos de whisky, por favor. - disse, com a língua já um pouco enrolada. - E uns amendoins! Sim, amendoins são booooooons. - Ela sorriu idiotamente para o bartender, o fazendo sorrir de volta, com flerte.
- Pra já, gatinha. - Ele deu uma piscadela.
- QUAL É MANO? - Gritou - VAI ARRUMAR TUA MINA!
- Relaxa nenémzinho. - começou a fazer voz de bebê - Eu tenho certeza que o... - Ela tentou ler o nome no crachá, mas tudo o que enxergou foi embaçado - O... O... An... - Cerrou os olhos pra tentar ver melhor - Andrew não piscou por mal.
Andrew - que provavelmente tinha sido treinado pra não contrariar pessoas bêbadas - assentiu, trazendo os dois Whiskys e amendoins.
- Bem vindos a Vegas, senhores.
- Obrigado, Andrew. - e disseram ao mesmo tempo.
Seven Things - da Miley Cyrus - começou a tocar, e deu um pulinho, atendendo o celular.
- Ops. Fala, zinho!
- Aonde vocês estão? - Perguntou .
- Oh. Onde nós estamos, amor? - cutucou , que encarava dois Elvis que estavam ao lado deles no bar.
- Vegas. - Ela deu de ombros.
- Vegas, . - Respondeu , encarando os dois Elvis junto com - E tem Elvis aqui, cara!
- Dá pra ser mais específico? - Bufou - O que vocês tão fazendo aí?
tentou tapar o bocal do celular, mas acabou tapando o local onde ficava a bateria.
- O que estamos fazendo aqui?
- Hm... - pensou por uns instantes - O QUE A GENTE TÁ FAZENDO AQUI? - Gritou ela.
Um dos Elvis sorriu pra ela.
- Vocês não sabem o que fazer? Tem uma capela aqui do lado. Casamentos por 50 dólares. - Sugeriu Elvis.
- , passa pra AGORA. - Gritou do outro lado da linha, desesperada.
- Alô, fala neném. - Riu .
- Tamos na entrada de Vegas. ONDE VOCÊS ESTÃO? - afastou o celular do ouvido com uma careta. Ela saiu do bar sendo seguida por , e tentou ler o que estava escrito na placa.
- Vigésimo nono encontro de Elvis. AH, AGORA EU ENTENDI! - Os dois começaram a rir - Agora a gente tá andando até a "Love me Tender - Capelinha do Amor do Elvis". Encontramos vocês aqui, tchau!
A capela estava cheia de casais - alguns tão bêbados quanto os dois - que conversavam entre si enquanto esperavam o padre-Elvis.
- Tá muito cheio aqui. - Reclamou - Vem, entra aqui.
Ele abriu a porta de um confessionário rosa e branco decorado com letras de músicas de Elvis, enquanto puxava pela mão.
fechou a porta do confessionário e mordeu o lábio inferior.
- Algum pecado pra confessar, senhor ?




- Merda, merda, merda! - Reclamou - Qual é o problema desses dois?
- Relaxa. Agora nós temos uma pista de onde os dois estão. Sei que aqui é Vegas, mas não deve ser difícil encontrar o Vigésimo Nono Encontro de Elvis que fica do lado da Capelinha Blue Suede Shoes. - deu de ombros.
- É capelinha Love Me Tender. - Corrigiu - e namoram, Blink 182 volta, Patrick Stump emagrece, mas você continua o mesmo idiota de sempre.
- É, idiota que tem o carro que te trouxe até aqui. - Desdenhou ele - Vamos deixar as nossas diferenças de lado e ir atrás dos "Bêbados em Fuga", ok?
brecou de repente, fazendo dar um grito.
- ALI! - Ele apontou pro lado - O carro do !
- Como você sabe que é o carro dele? - arqueou a sobrancelha.
- Só o é brega o suficiente pra colocar dadinhos de pelúcia roxos no retrovisor. - Respondeu .
- Verdade. - Concordou - Vamos nos hospedar aqui e ir atrás deles tá?
assentiu, procurando por todos os lados uma vaga para estacionar o carro.




- Bem, o primeiro pecado que eu me lembro foi quando eu tinha sete anos e roubei um doce na banca de jornal e... - Começou ele.
- ? - o prensou na parede, a diferença de altura dos dois sendo mais visível agora.
- Sim?
- Cala a boca.
As mãos de estavam geladas, uma foi parar na nuca dele e outra nas suas costas, fazendo estremecer.
- Mas por quê? Você pediu pra eu... - Ele não conseguiu continuar a falar, já que o puxou para baixo pela gola da camisa, juntando seus lábios.
- Tá bom, ué... Se era isso que você queria... - Ele a beijou e continuou a beijá-la, no confessionário da capelinha Love Me tender, em Las Vegas.




- Oh, Deus, acho que não conseguiremos alcançá-los! Eles devem já estar casados e nós somos os piores melhores amigos do mundo e... - , que já estava a beira de lágrimas, parou de falar e soluçou.
- Ah, querida, não fique assim! Eles nem devem ter chegado aqui. Olha, vamos perguntar para o moço Elvis. - disse tentando tranqüilizá-la, a levando pela mão.
Elvis olhou para eles e deu uma piscadinha de flerte para .
- Pombinhos! O que um lindo casal como vocês está fazendo em nossa amada capela? Não irão se casar, certo? Tão jovens... - Ele lambeu os lábios olhando para e deu outra piscadinha, essa para .
"Óóótimo, um Elvis bissexual dando em cima de mim e da minha garota. Ou ex-garota." pensou, passando um braço em volta da e encarando o Elvis, de cara feia.
- Qual é a sua mermão? Essa mulher é minha, tá pensando o quê?! - empurrou a cabeça da contra seu peito, não a deixando respirar.
- Ai, , por todos os deuses, foco! - Ela tirou a cara dele e deu um tapinha em seu peito. - Seu Elvis, nós não vamos nos casar, só estamos procurando nossos amigos. Sabe, para eles não fazerem besteira.
- Ah, minha cara rosa sem espinhos, se está falando dos que eu acho que está não se preocupe com o casalzinho feliz, eles já devem estar no hotel agora.




e , também conhecidos como o casalzinho feliz, andaram em direção do hotel de mãos dadas. cantarolava uma música, feliz, e fazia barulhos de bateria para acompanhar.
- Ainda bem que nossa sessão de pegação me fez ficar um pouco menos bêbada, né xodozinho da zinha? - Ela puxou a bochecha dele e ele abriu um sorriso. - Senão nós estaríamos casados agora! Imagina! Quem é idiota de ficar bêbado em Vegas e ir para uma capela e se casar?
- Mas , nós somos blasfemadores, fizemos besteirinha em um templo de Deus! - disse, encarando o céu com medo.
- Ah, , pelo amor da virgem, nós fizemos besteirinha em um confessionário! No momento em que saímos de lá já estávamos perdoados.
- Ufa, ainda bem. - Suspirou ele, aliviado.
revirou os olhos.
Às vezes achava que corrompia a inocência dele.




- Eu sou a pior melhor amiga de todas as piores melhores amigas de todo o mundo, ! - se lamentou, de novo, para .
Ele estava assustado, pensando que o All Time Low e o Malisciouly Betrayed estavam acabados, porque do jeito que falava, parecia que e já tinham encomendado bebês gêmeos para o natal.
- Não é não, amorzinho, eu sou o pior melhor amigo de todos os piores melhores amigos de todo o mundo. Vai, vira que você se sente melhor.
Já estavam na... Bom, nenhum dos dois se lembrava de quantos copos de uísque tinham tomado.
Sim, esse tanto.
Estavam no bar onde acontecia o encontro de Elvis, bebendo o máximo possível, pois disse que ia ter um ataque se não bebesse álcool nos próximos cinco minutos. concordou totalmente, afinal o único momento em que ele recusaria álcool seria no fim do mundo.
Não queria encontrar Deus bêbado, certo?
No final das contas, os dois estavam mais pra terra dos duendes do que para o planeta Terra, então resolveram dar uma volta por Vegas.
E sim, você sabe como isso acaba.
- Olha lá, zinho, a capela bonita. Ela está cheia de corações e luzes... - olhou para a capela e depois para o céu.
- Amorzinho! Tive uma idéia! Podemos nos casar também! - a pegou no colo e foi cambaleando em direção a capela. ria como uma doida, e enlaçou seus braços no pescoço dele. - Seremos uma linda família: eu, você, , a e os gêmeos. Claro que já teremos o pequeno Junior, então os gêmeos e ele poderão brincar!
- Mas, , nós nem estamos namorando mais... SIM, VAMOS NOS CASAAAR! E vai ser uma menina e o nome dela vai ser Hipérbole.
E foi assim que do Maliciously Betrayed e do All Time Low se casaram na capelinha Love Me Tender, dos Elvis de mentirinha, em Las Vegas.




- Hangover is a bitch, han-go-ver is a be-e-e-a-tch... - Murmurava , enquanto tentava achar os acordes certos.
- Outch. - Gemeu , abrindo os olhos lentamente - Onde estou? Quem sou eu? ? Você não tentou abusar de mim de novo né...?
- UAT? - arregalou os olhos - Do que você tá falando, ?
- Eu? Ahm... Nada. - Ele sorriu amarelo - Como você tá?
O hotel vagabundo no qual os dois se encontravam era típico. Tinha as cortinas floridas, o carpete sujo e o que mais incomodava: o lençol pinicante.
estava sentada ao pé da cama, o violão de nas mãos e um caderno de letras apoiado nas pernas.
- Bem. Eu já pedi suco de tomate no serviço de quarto, deixei meio copo pra você. - Ela sorriu, mordendo o lábio inferior ao ver vagando pelo quarto atrás de sua cueca.
Ele tomou o restante do suco e tirou o violão dela, se aproximando até seus narizes se encostarem.
- Eu gosto muito de você, sabia? - Murmurou, a respiração quente dele a fazendo se arrepiar enquanto ele beijava o seu maxilar e o lóbulo da sua orelha.
- Que bom. - Respondeu , a voz falha - Porque eu gosto muito de você também.
sempre achou que o que ela e tinham seria passageiro.
Foi aí que percebeu que estava enganada.




- Ah, droga. - piscou várias vezes, tentando acostumar seus olhos com a luminosidade. Ele foi apalpando a cama até apertar algo mais... Molinho.
- Tira a mão daí. - Reclamou , sem nem perceber quem a apertava - AH MEU DEUS, UM TARADO!
Ela se levantou num pulo, jogando tudo o que tinha a seu alcance no suposto "tarado".
- ARGH, TÁ DOIDA MULHER? - saiu correndo da cama e foi se esconder atrás da poltrona do quarto - SOU EU, PÁRA DE DOIDERA!
- EU QUEM? - Gritou ela, tirando um abajur da tomada e mirando no ponto atrás da poltrona.
- ! ! - Ele levantou as duas mãos em sinal de rendição.
Foi aí que percebeu.
- ...
- Ufa, se acalmou?
- ... - Repetiu ela.
- Que é? - Perguntou ele, saindo lentamente do seu esconderijo.
- O que é essa coisa brilhante na sua mão esquerda? - engoliu em seco.
- Te faço a mesma pergunta. - encarou a mão dela assustado.


Catorze

De volta aos tempos atuais, uma semana e quatro dias para o fim da Warped Tour

- Bons tempos... - disse.
- Eu lembro do que aconteceu depois! Eu e encontramos vocês no meio de um Cassino e nós voltamos correndo pra fazer um show em Albuquerque! - Riu , se lembrando do acontecido - Mas então... O que era a coisa brilhante na sua mão esquerda?
- Era um anel dourado em forma de dadinhos. Cabia direitinho no meu anular. - Sorriu .
- E você também tinha um, ? - arqueou a sobrancelha.
- Aham. Também no anular da mão esquerda. O engraçado é que a gente nem lembra como eles foram parar lá, né repolhinho? - Ele sorriu docemente pra - A única coisa que eu lembro desse anel é que tinha uma letra de musica gravada dentro... Você lembra qual era?
- To tentando lembrar. - A amiga encarou o além pensativa.
- Era de "Love Me Tender?" - mordeu o lábio inferior pra não rir.
- Love me tender, love me long, take me to your heart, for it's there that I belong and we'll never part.* - Cantarolou no ouvido de , que suspirou.
"Maldito coração acelerado" Reclamou mentalmente.
- Que boa memória, cara! - riu - Era essa frase mesmo.
- Que engraçado! Era essa frase que os Elvis gravavam na aliança de quem se casava na capelinha Love Me Tender! - fingiu estar surpresa.
- Mas eu e não nos casamos. - foi se afastando lentamente de - Quero dizer, a gente saberia, né?
- O que acontece em Vegas, fica em Vegas. - Falou cético - Mesmo se a gente se casasse, não ia ser válido em outros lugares, certo ? - ficou calado - Certo ? - Repetiu , sua voz ficando mais aguda.
- Acho melhor vocês procurarem um advogado, senhor e senhora . - disse, simplesmente.
riu histericamente.
- Não. Não mesmo. Senhora Stump, eu aceito. Senhora Turman? Lá estou eu. Senhora Casablancas? Já sou desde os onze anos. Mas senhora ? Não, não e não! - Ela saiu correndo do armário.
- Puts cara. Eu sou um homem casado. - começou a bater a cabeça na parede.
- Quem diria? seria o primeiro a se tornar um homem direito... - o encarou orgulhosamente, limpando uma lágrima imaginária.
- NÃO, ISSO NÃO PODE ESTAR ACONTECENDO COMIGO, OH SENHOR! - Os gritos de eram abafados pela porta do armário - CÉUS, EU DEVO TER COLADO CHICLETE NA CRUZ, SÓ PODE!
- Eu vou hm... Falar com ela.
Saiu da sala, encontrando sentada, a cabeça enterrada no meio dos joelhos.
- Amiga, não é o fim do mundo. - sentou-se ao lado dela, colocando um braço ao redor dos ombros de .
- Eu sei, eu sei. Mas eu tenho vinte anos, caramba. Vinte! E eu sou casada. - Ela disse a palavra com nojo - E agora, vou me divorciar, cara! Isso não faz sentido.
- Você descobriu que foi casada há cinco minutos, relaxa. - riu fracamente - E além do mais, você e não são casados casados. E desde quando alguma coisa na nossa vida faz sentido? Quero dizer, conhece alguma banda de garotas que assinou o primeiro contrato com 16 e não pára de sair em turnê desde então? Eu nem lembro o rosto da minha mãe direito.
As duas se encararam e mordeu o lábio inferior.
- Tanto faz. Casada eu não fico. - Ela levantou-se num pulo, estendendo a mão para - Vem. Eu tenho que achar um cartório.
- E acha que vai se divorciar sem mim? - abriu a porta, parecendo desolado - , um homem direito? Nah, isso não soa bem. Vamos, vou me divorciar de você.
- Eu pedi o divórcio primeiro. - arqueou a sobrancelha - Então, tecnicamente, eu estou me divorciando de você.
- Mas, eu te pedi em casamento, então eu que estou me divor... - foi interrompido.
- CALEM A BOCA! - e gritaram ao mesmo tempo.
- Porra, já empataram a minha foda, agora querem ficar fazendo birra de "Nhénhé, eu que vou me divorciar de você, nhénhé". - revirou os olhos - Os dois vão dar um pé na bunda do outro igualmente, então... Vamos pro cartório logo.

* Me ame com ternura, me ame por muito tempo, leve-me ao seu coração, pois é lá que eu pertenço e nós nunca nos separaremos.




- Em que posso ajudá-los? - Perguntou uma senhora simpática de peruca. Era a recepcionista do cartório, que encarou e cobiçosamente.
- Hm... Eu queria saber como é que faz pra, você sabe, entrar com o processo de divórcio. - falou, desconfortável com as olhadas nada discretas que a senhora dava pra seu... Jr.
- Ah, preencham isso aqui. - Ela estendeu dois formulários, um pra ele e outro para - Mas um casal tão, tão bonito como vocês...
- Er, eu não sou casado com ele. Toma . Boa sorte. - deu o formulário pra garota e saiu correndo, sentando-se em uma daquelas cadeiras de espera.
sentou-se ao lado dele, suspirando cansada.
De manhã, seu maior problema era evitar . Agora, era ajudar sua melhor amiga com o divórcio.
- Ei, me passa aquela revista? - Pediu ela, apontando pra uma People.
entregou a revista pra ela e se mexeu desconfortável em sua cadeira, encarando - que folheava a revista distraidamente - com rabo do olho.
Como ele poderia conversar normalmente com ela sendo que, a ultima conversa que tiveram - entre beijos - era sobre o Capitão Arnold?
- Ah, é claro... - revirou os olhos, e esticou o pescoço para ler.

Alguém parece uma bruxa...

Honestamente, como do All Time Low, John Ohh do The Maine e - segundo as más línguas - Bill Beckett do The Academy Is... podem todos estar - ou estarem, no caso de Ohh - apaixonados por isso?
Será que para eles, a beleza interior conta muitos pontos? Porque ultimamente, não andamos vendo muita beleza exterior em .
E isso vindo da vocalista da banda eleita a mais sexy do ano!
O que está acontecendo?
Deixamos a pergunta no ar para vocês responderem.

A nota era complementada por um seqüência de fotos de ao longo da carreira - desde o começo, com aquelas fotos "vergonha alheia" - passando pela época "ícone de estilo" e chegando aos tempos atuais onde ela parecia... Melancólica e vazia.
Era estranho ver o que os outros pensavam dela. A maioria das vezes era mentira, mas uma mínima, minúscula parte era algo que ela não conseguia enxergar sozinha.
estava afundando, e o principal motivo disso estava sentado bem ao seu lado.
Como ela podia cantar músicas sobre "como não podia se deixar abalar por homens? quando ela mesma não podia dar o exemplo"
Então ali, no cartório, enquanto e preenchiam os papéis do divórcio ela constatou três coisas.
Uma: Era hipócrita.
Duas: Precisava de férias.
Três: Estava morrendo de fome.
- Ei, , vamos pegar alguma coisa pra comer?




A velha olhou para e triste.
- Mas vocês querem se divorciar? Tão novinhos, um casal tão bonito! - Ela secou uma lágrima e olhou para os dois de novo. - Realmente é uma pena. Vão perder todos os benefícios!
se inclinou interessado e olhou para , que estava balançando a cabeça.
- É mesmo? E que benefícios seriam esses? - Ele ignorou , que ficava invertendo os olhos e batendo o pé no chão pra fazer ele parar. não estava totalmente contente com essa situação. Ela só queria o divórcio pra seguir com sua vida.
- Oh, mas é claro que têm benefícios! Deixa eu ver... - Ela colocou um dedo na cabeça e começou a enumerar os motivos. - Bom, primeiro, vocês ganham uma promoção grátis no McDonald's e descontos na Disney no dia dos casados. Ah, mais quinhentos dólares por mês, passagens de avião mais baratas. Os carrinhos de supermercado são diferentes, paga menos juros comprando aviões de caça. Tem uma sessão só sua no WalMart com coisas exclusivas. A televisão fica mais colorida e a internet mais rápida. - Ela limpou os óculos com a blusa, colocou de volta e olhou para eles. - Tem mais coisas, mas acho que eu esqueci.
Eles ficaram olhando pra ela, estáticos. E saíram correndo de lá.
A velhinha deu um sorriso macabro e disse:
- Sempre funciona.




- Então, ... Como você está? - perguntou, um pouco nervosa. Realmente não sabia o que falar para ele, que parecia estar na mesma situação.
- Estou ótimo, e você? - Ele mordeu o sanduíche para não ter que falar com ela. Não que não amasse ouvir sua suave voz sussurrar em seu ouvido, seus suspiros de desejo. Ele só não agüentaria ouvir-la discutir sobre o "relacionamento" deles sem paixão, sem vontade.
- , vamos para com esse comportamento amigável? O que vamos fazer sobre nosso relacionamento? - Ela perguntou, e deu um suspiro.
- Que relacionamento, ? Você não queria nem olhar na minha cara até eu tomar uma decisão! Você não se importava! - Ele disse, com a boca cheia.
- O quê? Não entendi o que você disse. - Ela apontou para a boca dele, mas foi muito tarde, porque ele já tinha mordido outro pedaço do sanduíche.
- Goidncnhd cjenad chdnehn! - Ele falou de novo com a boca cheia, e foi exatamente isso que ela ouviu.
- O quê?! Dá pra falar que nem gente? - Disse ofendida. mastigou e revirou os olhos - Parece que você nem liga pro que eu penso.
- Njao laidjgo? - Ele riu sarcástico, pedacinhos de pão voando de sua boca - Mhuais do quyeu vuxe pkejensa!
- Você é muito criança, . - cruzou os braços e sentiu irritação borbulhar em suas veias.
Odiava ser chamado de infantil. Odiava ser chamado de . E odiava quando ela fazia aquela pose. Aquela pose de "não, eu não ligo pro que você pensa porque eu sou incrível, linda e cheirosa demais, e além de tudo, estou sempre certa". E era aí que ela se enganava; não estava certa.
- Eu me importo mais do que você pensa. Não só com você, mas com nós dois, com o nosso "relacionamento". - Ele colocou o sanduíche num guardanapo e fez aspas com os dedos - O problema, é que você nunca, nunca me deixa te explicar. - Quando ela ia interrompe-lo, indignada, ele colocou o dedo indicador cheio de ketchup nos lábios dela - É claro que o problema não é só seu. Tem também o fato de eu estar sempre, sempre no lugar errado e na hora errada. Você não entende? Pode me evitar por mil anos, namorar outros, ou hm, fingir que namora. - ele arqueou a sobrancelha - Mas eu não vou desaparecer, . Nem do seu lado, nem da face da terra e nem do seu coração. Eu vou estar aqui pra você, querendo ou não.
Ele tirou o dedo do lábio dela, pegando um guardanapo e limpando o bigode de ketchup que criou.
Naquele momento, parecia o Bambi, do desenho animado. Os olhos arregalados, surpresos e inocentes, como se estivessem esperando por tudo, menos aquilo. E tinha que admitir, aquela diarréia verbal tinha sido uma surpresa até pra ele.
- , eu...
- Mudança de planos! - puxou uma cadeira da mesa vizinha e sentou-se nela - Eu e continuaremos casados.
ainda encarava .
- Decidimos que ia ser mais prático pra nós dois, afinal, ficamos casados por seis meses sem perceber, então, o que seriam mais algumas semanas? Quando a turnê acabar nós vamos ter um tempo de folga, aí vamos pensar tudo com calma. - Explicou - Ei... Vocês estão bem?
Os dois permaneciam em silêncio.
não sabia o que pensar.
- Eu falei pra não comerem aqui, essa lanchonete tem uma cara tão suspeita... - olhou para os lados, desconfiado - Vamos embora?
- Vamos. - Murmuraram e ao mesmo tempo.
- Ótimo. Eu dirijo, esposa. - deu uma piscadela pra .
- Ok, maridão.
Os dois foram rindo alegremente até o carro.
- A gente podia passar numa concessionária de aviões de caça, né? - Sugeriu a guitarrista.
- Que ótima idéia, querida. Vamos ver se os descontos são reais. - Os dois fizeram um hi-five - Algum problema pra vocês dois?
- Hm, acho que vou pegar um táxi de volta pra Warped. Quer ir junto, ?
- Eu er, eu tenho que pensar. - Ela deu um olhar significativo pra ele.
- Ok. Vejo vocês depois então.




caminhava calmamente, o sol se pondo às suas costas e um vento fresco batendo em seu rosto.
"Hey Monday" tocava ao fundo, e ele estranhou, afinal, eles já tinha tocado de manhã. Olhou no relógio. Cinco e meia.
e estavam ferradas. Muito ferradas.
Já estava prestes a entrar no ônibus quando ouviu alguém o chamando.
- zinho!
Ele gelou. Conhecia aquela voz. Conhecia aquele tom. Conhecia aquele diminutivo. Não podia ser; não agora.
Virou-se lentamente, rezando pra que fosse apenas sua imaginação.
Mas não, não era.
Era tudo culpa do destino.
- Precisamos conversar. - Ela sorriu enormemente, os dentes brancos contrastando com os lábios vermelhos.
- Não, não precisamos. - começou a subir os degraus do ônibus, quando sentiu as unhas pontudas dela ao redor de seu braço.
- Precisamos sim. - Ela deu um sorrisinho enigmático - Tenho algo que te pertence.
- Então me devolva. - Ele deu de ombros.
- Não posso. Não de graça. - Riu ela.
- Então pode ficar pra você. - soltou seu braço da mão dela, voltando a subir, batendo os pés.
- Tem certeza? - Cantarolou a mulher - Não quer dar uma olhadinha antes? - virou-se e gelou.
- Aposto que tem muita gente que mataria pra ter isso. E que pagaria bem alto. Estou te oferecendo primeiro por, você sabe, ética. - Ela deu de ombros.
- Onde você arrumou isso? - A voz dele saiu grossa e cheia de raiva.
- Não posso denunciar minhas fontes. - Riu alegremente - Então... Quer conversar comigo agora? - Um sorrisinho malicioso se formou nos lábios dela.
Não, ele não queria.
Mas precisaria.
O destino estava com a câmera - e o vídeo na mão.


Quinze

Uma semana e dois dias para o fim da Warped Tour

Maliciously Betraying Your Fans!

Ontem, fãs de Maliciously Betrayed não puderam acreditar em seu azar quando Lancelot - tour manager da banda - anunciou que ambos shows que a banda faria no dia - Hurley Acoustics e Palco Principal - foram cancelados!
E o motivo? Desconhecido!
Esperamos que dêem uma boa desculpa dessa vez, não uma "Intoxicação Alimentar" como da ultima vez. Ainda mais com o fim da nossa querida e amada Warped Tour muito próximo!
Qual é a de vocês, garotas? Nós da NME teremos que coloca-las na sessão Divas?




Felizes Para Sempre! Ou não

Anunciado o motivo do cancelamento dos shows da Maliciously Betrayed: Um casamento!
E não, não foi entre e ! e Imperato anunciaram hoje - dois dias após o cancelamento dos shows - que o motivo de tudo isso foi a comemoração do aniversário de casamento dos dois!
O que mais surpreendeu não foi esse anúncio repentino - "Ei, estamos casados!" - e sim que o fato dos dois terem trocado alianças há mais de seis meses!
Parabéns atrasado pros pombinhos!
E quem sabe, e não seguem esse exemplo?




segue em frente?

O e maravilha da banda All Time Low, foi visto ontem à tarde entrando no ônibus de sua banda com uma moça misteriosa.
Como será que vai reagir?
Será que ela vai buscar apoio nos braços de William Beckett, como andam dizendo?
Só o tempo dirá.
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primeiro rasgou as folhas que continham as notícias das revistas - apesar da última ser impressa e ter sido colocada no seu criado-mudo por Lancelot, o manager.
Encarou as três folhas em sua frente e sentiu a raiva subir por seu corpo, como odiava tudo aquilo.
Rasgou pedaço por pedaço, várias vezes, até restar somente um punhado de papel. Colocou tudo dentro de um saco, mandaria pra reciclagem.
Na boa, da onde tiravam tudo aquilo? Ela sequer conhecia Bill Beckett!
Ouviu duas batidas leves na porta e a cabeça de surgiu.
- Bora encher a cara com o All Time Low? Eu sei que nos últimos dois dias você anda pensativa e negando todos os programas que a gente sugere, mas... Acho que tá na hora de você botar essa carinha linda pra fora, certo? - Ela puxou pra fora da suíte com um sorrisinho no rosto, mas parou no meio do caminho - Peraí. Você não pode ir vestida assim.
As duas encaram o que vestia.
Uma boxer vermelha com coraçõezinhos brancos, um par de meias azul neon e roza chiclete, respectivamente e uma blusa laranja do Pateta que Scarlett lhe tinha trazido da Disney. "Um pateta para uma pateta", foi o que ela disse.
- De que adianta ser da banda eleita a mais sexy de 2009 se você se veste que nem uma... - parou de falar.
- Uma...? - cruzou os braços e arqueou a sobrancelha.
- Er. Nada. - A amiga deu uma risadinha sem graça. - Ok, eu vou escolher sua roupa...
gelou.
Não que se vestisse mal, mas é que o estilo das duas era muito diferente. Ela era rock'n'roll e o estilo de era mais para "vamos dançar nas campinas coloridas pelo sol, grama e flores".
- Isso, isso, não, talvez... - Ela remexia a mala de .
Na primeira turnê que fizeram aos 16, tentaram enfiar o mundo nas malas.
Agora, elas já sabiam que só com as roupas que os fãs lhe davam, podiam sobreviver a turnê inteira.
- Pronto, usa isso. - enfiou um emaranhado de roupas nos braços de e a jogou no banheiro, fechando a porta.
Um par de botas de salto pretas, uma meia calça rendada e um vestido meio larguinho xadrez. Nada mal.
Tinha dias em que acordava se sentindo uma baleia, horrorosa e chata.
Mas naquele momento, ela não se sentia nem um pouco assim.
Roupas bonitas faziam milagres.
Saiu do ônibus com o braço entrelaçado no de , sentindo-se esperançosa e feliz. Tinha pensado por dois dias e chegado à uma conclusão:
Tudo o que disse era verdade.
E ela mal podia esperar para sentir aquele frio na barriga que sentia toda a vez que o tinha em seus braços.
E guerra de borboletas que sentia quando ele a beijava e fazia outras coisas muito interessantes.




Já era sua quarta cerveja, talvez quinta. Estourando, sexta.
Nos últimos dias, tinha perdido um pouco a noção de tudo, e o motivo tinha nome e sobrenome: .
Sua .
Parecia com ela, tinha a mesma voz doce e o mesmo perfume, mas não era a mesma.
Não tinha a mesma empolgação no palco, só falava quando algo era perguntado diretamente a ela, ficava calada nos cantos, pensando e escrevendo no bloquinho de idéias da Maliciously Betrayed.
Ela não o evitava, mas também não fazia questão de tentar contato.
- Então , quem é a loira misteriosa que subiu no seu ônibus? Li isso no Perez Hilton hoje, e devo dizer, deve ser uma loira muito boa pra te fazer esquecer a . - Brincou Scarlett, com um fundo de verdade.
- Não sabia que você era fã de blogs de fofoca, Scar. - deu um sorrisinho seco, terminando sua cerveja e em seguida pedindo outra para o garçom.
A última coisa que ele queria falar - principalmente no estado que estava - era sobre aquilo.
Maldito destino.
- Falando no Diabo, ele aparece! - Riu Rian - , você não morre mais!
sentiu os pêlos de sua nuca arrepiarem e inspirou fundo, o perfume dela entrando em seu nariz e confundindo ainda mais sua cabeça.
Ele ouviu o ranger de uma das cadeiras de madeira da mesa serem puxadas e olhou para o lado.
Lá estava ela. .
Só que esta, era a de verdade, não o clone fajuto que estava em seu corpo nos últimos dois dias.
- Ah, falando de mim né? Por isso que as minhas orelhas tão queimando. - Ela fez sinal para pedir uma bebida e três garçons surgiram. arqueou a sobrancelha - Acho que só preciso de um.
- Eu pego seu pedido. - Falaram ao mesmo tempo e ela deu uma risadinha sem graça.
Tinha passado de "pálida e desnutrida" para "vocalista da banda mais sexy" em meia hora.
Impressionante.
- Só quero uma cerveja.
- É pra já.
Os garçons foram se estapeando até o bar e não duvidava nada que a conta viria com três números de telefone atrás destinados a ela.
E isso fez seu sangue ferver.
Ele sentiu suas pernas roçarem a mão dela pousada displicentemente em sua coxa, quase tocando na dele.
O olhar subiu da coxa dela até seu rosto, e ela tinha um sorrisinho de lado, tomando um gole da sua bebida - entregue em tempo recorde.
- Me encontra nos fundos daqui a cinco minutos? - falou discreta, tirando a franja do rosto.
Quando ia responder, sentiu seu celular vibrar no bolso de trás. Era uma mensagem.
Não se esqueça do nosso acordo.
Gelou. Não. Ele não ia esquecer.
- Caras, to com uma dor de cabeça do cão. Vou pro ônibus. - empurrou a cadeira pra trás e evitou olhar para . Sabia que não resistiria - Paga aí a minha conta Rian, depois a gente acerta.
Saiu do bar o mais rápido possível, os dedos voando pelo teclado enquanto ele respondia.
Até quando isso vai durar?
Poucos segundos depois, sentiu o aparelho vibrar novamente.
Até quando eu quiser.
E ele não tinha como escapar.




A cerveja já não descia tão áspera quando antes, e ela já nem reparava se o que bebia era mesmo cerveja.
A verdade era: já tinha ignorado . Mas nunca tinha ignorado .
"Pior que o ódio é a indiferença."
Deus salve sua mãe e suas frases de biscoito da sorte.
No colégio, não era a garota mais popular da sala, mas sempre tinha algum garoto para ser sua marionete. Depois da fama, tudo isso se multiplicou por mil.
sequer tinha olhado para ela.
Fez um sinal estranho com as mãos para o garçom - bonitinho até - que a atendia e menos de dois segundos depois a garrafa vazia em suas mãos já tinha sido substituída por outra gelada e cheia.
- Não acha melhor parar por aqui, ? - A mão de estava em cima da sua, mantendo a garrafa colada à mesa - Sei que você é levinha, mas eu não quero te carregar pra fora.
- Me deixa. - Murmurou, tentando puxar a garrafa - Estou gatinha e fui rejeitada, quero beber até todo mundo estar tão gatinho quanto eu.
- Galera, acho melhor a gente já ir. - Ele fez apoiar-se em seus ombros - A doida aqui quer beber até todo mundo ficar gatinho, e até o chegar nesse estágio, a cerveja mundial já vai ter acabado. - riu fracamente.
Na porta do bar alguns fãs e jornalistas esperavam, e quando saíram uma gritaria começou.
Os fãs queriam fotos. Os jornalistas queriam furos.
- Como anda a vida de casados? - Um deles gritou para e , que andavam de mãos dadas.
abriu um sorriso sincero, trocando um olhar com a garota.
- Não poderia estar melhor.
- Quando sai a sua nova linha de roupas?
- O mais rápido possível. - piscou várias vezes devido ao flash.
- Bebeu demais, ? - Falou uma fã maldosa - Comprei ingressos pra amanhã, vê se não cancela.
- To bem, obrigada pela preocupação. - Ironizou , abrindo o maior sorriso falso do mundo.
- Viu que o foi encontrar a loira misteriosa depois que sai correndo do bar? Foi só você chegar que ele fugiu. - A mesma fã falou.
O sorriso de não diminuiu, e os músculos ao redor da boca começaram a doer. Fechou os olhos, sendo guiada por até o carro.
Um, porque seus olhos estavam doendo por causa dos flashs.
Dois, porque não queria deixar as lágrimas caírem.
Ao ouvir a porta fechar, os flashs foram barrados por causa dos vidros escuros e a gritaria abafada.
- Pronto, estamos em paz agora. - deu tapinhas reconfortantes nas costas de , e ela se aconchegou no peito dele, as lágrimas escorrendo em silêncio.
Sabia que enquanto o mundo estivesse de olhos nela, nunca estaria em paz.


Dezesseis

Uma semana e um dia para o fim da Warped Tour

Loira misteriosa ataca novamente!

Parece que foi esquecida de vez!
Fontes seguras disseram que no bar Sharp's, um dos mais famosos de Atlanta, Geórgia, houve uma grande confraternização de bandas da Warped, incluindo All Time Low e Maliciously Betrayed.
E o que não sabem é que Imperato e - MB - chegaram lá pelas onze da noite, e no instante que entrou, foi embora!
E o mais estranho?
Poucos minutos depois, foi visto vagando pela Warped na companhia da mesma loira misteriosa de três dias atrás!
Queremos conhecer sua nova namorada, .
Nós, da Alternative Press não mordemos...




Parecia que ela tinha engolido dez bolas de pêlos, quatro xícaras de vinagre e batido sua cabeça contra uma parede um milhão de vezes quando acordou no dia seguinte.
ressonava tranquilamente ao seu lado - onde deveria estar - e por um instante, gelou.
- Não, não, não, não! - Gemeu ela.
Depois percebeu que ele estava totalmente vestido, incluindo meias e tênis.
Suspirou aliviada.
Andou com as pernas bambas até o banheiro, chamando Gabriel, Hugo, Mário e a família inteira na privada.
odiava vomitar. Sempre ficava chorona, com a garganta doendo e voz de travesti depois.
Resolveu tomar um banho e escovou os dentes três vezes enquanto fazia isso, prendendo os cabelos molhados. Sabia que era errado e "maltratava os fios", mas no momento ela estava pouco se fodendo.
Então se olhou no espelho.
Só não gritou pra não acordar - que parecia um daqueles filhotinhos gordinhos de pet shop que você tem vontade de apertar até os olhos saltarem pra fora.
Ela parecia meio inchada, com os olhos pequenos - e as olheiras grande demais - e meio amarelada. ficou um tempo tentando se lembrar do que a lembrava, e quando lembrou, quase vomitou pela quarta vez na manhã.
Uma mistura de Amy Winehouse com Courtney Love às cinco da manhã... Dos seus melhores dias.
Scarlett dizia que só tinha uma coisa para se fazer em dia de ressaca: colocar sua roupa mais confortável, ficar em casa até o mundo parar de girar, vomitar tudo o que ingeriu nos últimos três meses e parar de achar legumes engraçados.
queria muito fazer isso.Mas não podia, então simplesmente vestiu uma blusa de - que ela tinha igual, só que era menor e sem o cheiro delicioso -, um short preto e colocou os maiores óculos escuros que achou - que a deixavam com cara de mosca.
Saiu da suíte com medo de que alguém a visse daquele jeito e se jogasse pela janela de pavor.
- Bom dia, gatos. - Ela falou baixinho. Não tinha jeito, teria voz de travesti até a semana seguinte.
- Bom dia, bêbada. - Rian bateu de leve na cadeira ao seu lado - Temos muitos sucos e comidinha leve pro seu estômago dodói.
e estavam sentados no sofá, vendo Jackass, enquanto Elle mordia e mastigava sua torrada devagarinho com sentado ao seu lado.
- Cadê a Scarlett? - murmurou, encarando .
Amava óculos escuros; você pode observar sem ser observado. Um fato tão conhecido que usaram até em uma propaganda de cerveja.
- Dormiu no ônibus do 3OH!3. - Respondeu ele, e todos trocaram sorrisinhos maliciosos.
- O que ela tá fazendo no ônibus deles? - Elle, a inocente, perguntou, depois de ter limpado os farelos de torrada de sua blusa.
Todos pararam e a encararam até ela olhar com uma grande "?" na cara.
Rian suspirou, murmurando algo como "Abençoada seja a inocência das crianças".
passava algo em sua torrada, seus braços ficando flexionados e durinhos, a manga da camisa ficando apertada.
Céus, ele devia estar fazendo aquilo de propósito.
- O que você tá comendo, ? - sorriu um pouquinho, tentando parecer divertida e sedutora.
Na sua mente, ela falhara. Já na dele...
- Patê de queijo gorgonzola com atum e pedaços de cereja picadinhos.
Gabriel era longo demais.
foi ao banheiro e chamou o Hugo mais uma vez.




- Tá olhando o quê, seu imbecil? Vai atrás dela! - Rian jogou um morango na testa de , que encarava o lugar vazio onde antes estava .
- Ah. Por que eu? - Ele arqueou a sobrancelha, voltando a morder sua torrada com o patê nojento.
- Quer que eu vá? Já que eu sou, obviamente, quem ela quer lá, dando um apoio moral. - Ironizou Rian.
- Deixa de ser cabeça de melão , e vai dar uns tapinhas nas costas dela. sempre chora depois que vomita. - Elle revirou os olhos e jogou uma banana em - Vai, uma banana pra um banana. - Ele conseguiu desviar da banana por pouco e foi até a porta do banheiro sob os olhares atentos de Rian, Elle, e -que tinham parado de ver Jackass.
- Privacidade, por favor? - arqueou a sobrancelha.
- Cara, você tá num ônibus de cinco metros de cumprimento com paredes mais finas que papel e ainda quer privacidade? Sai dessa. - riu - Vai logo ou quer que eu jogue uma fruta em você?
- Há-há. , o rei das piadas. - deu uma risada falsa, batendo na porta duas vezes. - ? Quer ajuda?
- To legal. - A voz dela saiu meio grogue enquanto ela saía do banheiro.
- Tem certeza? Não acha melhor ir, sei lá, tomar um ar? - Ele sugeriu.
- Tá querendo se livrar de mim, ? - arqueou a sobrancelha e cruzou os braços.
Oh não. A pose "não, eu não ligo pro que você pensa porque eu sou incrível, linda e cheirosa demais, e além de tudo, estou sempre certa", pensou .
Quinhentas respostas maldosas e sarcásticas passaram pela mente dele, mas ignorou todas elas e respondeu a única que era verdade.
- Eu nunca tentaria me livrar de você. - Deu um meio sorriso, e sentiu seu ego aumentar um pouquinho ao ver as bochechas dela ficarem mais vermelhas com o que ele tinha dito.
Todos fizeram um "hm" sugestivo e lançou um olhar matador, que os calou.
Menos . - Hmmmmmm. - Continuou ele, mordendo o lábio inferior e dando alguns gemidos.
pegou a banana que estava no chão e jogou nele com toda a sua força. - HEADSHOT! - Ela e fizeram um hi-five, e um formigamento percorreu todo seu corpo quando suas mãos se tocaram.
- Quer sair daqui? - Sussurrou .
- Quero. - Muito mais do que você imagina, completou mentalmente. Pegou sua carteira e saiu do ônibus, indo na frente.
- Vou tomar um frozen iogurte com o . Adios. - deu um aceno e recebeu de volta quatro pares de olhares maliciosos - Ah, qual é. Iogurtes são inocentes!
- E eu sou um homem direito! - Replicou , rindo - OUTCH! Brincadeira, esposa.
- Bom mesmo. - fechou a cara. riu dos dois e foi saltitando até a porta do ônibus.
talvez só tinha sido estranho na noite passada por ter bebido demais. Talvez.




E esse "talvez" foi ficando um "obviamente não" a cada passo que ela dava.
parecia não conseguir olhar no rosto de . Tinha, na verdade, uma expressão que desde que ela entrara na Maliciously Betrayed, quase não tinha visto.
A expressão que fazia garotas tremerem de medo e perderem todos seus sonhos.
A expressão de "vou te dar um toco".
sentia no fundo de seus ossos que ele iria a dispensar. Como uma mosca... Porque ela era feia, idiota, arrogante-
- Então, como você está? - interrompeu a divagação auto-depreciativa de .
- Ah, você sabe... Muito ma-, er, PERFEITAMENTE BEM! - Ela se corrigiu. Odiava confiar em o bastante pra falar o que tinha na cabeça. Porque estava muito mal. Podem chamá-la de vidente, mas simplesmente sabia que o que iria dizer a ela agora, e não apareceria em seu livro "As Dezoito Ocasiões Que Eu Sempre Vou Me Lembrar, Tirando As Relacionadas A Sexo, Já Que Irei Mostrar Esse Livro Aos Meus Netos". Sim, essas palavras cabem na capa do caderno.
- Hmm, isso é bom, certo? - Ele perguntou meio assustado do ataque dela e meio incerto de como agir.
simplesmente estava ferrado.
Iria falar para a mulher que ele amava, a mulher que era a razão do álbum "Coisas Que Vão Ter No Meu Casamento Dos Sonhos" existir, que não poderia a ver mais.
E não porque não queria, já que ainda dormia abraçado com o ursinho chamado Lady Gaga (não podendo comentar que a pelúcia é assexuada, já que ficava realmente chateado) que tinha conseguido jogando Tiro ao Alvo no último Carnaval em que tinham passado juntos.
Ele iria fazer essa coisa maldosa, horrorosa, inimaginável com porque aquela mulher estava o chantageando.
- ? - balançou as duas mãos na frente do rosto de , tirando ele de seus estupor. - Então, o que queria falar comigo?
- Eu? - perguntou, apontando pra si mesmo.
riu e respondeu: - Não, , o outro , o Turner. Mas é claro que é você!
- Q-quem disse que eu queria falar com você?! - perguntou, desesperado. - Eu não tenho nada pra falar não! Tchau, !
E saiu correndo.
"Pelo menos ele não me deu um toco", pensou alegremente, fazendo uma dançinha da vitória.
Pessoas olhavam para ela estranhamente, mas ela estava aliviada demais para perceber. "Pelo menos ele ainda não me deu um toco" pensou ela em seguida. E a dancinha da vitória terminou assim que seu celular começou a tocar.
- Aham. Não to fazendo nada. Merda. Já to indo, Lance.




- VOCÊ PROMETEU! - Gritou emburrada.
- Eu prometi que ia te tirar das próximas três entrevistas. Reuniões secretas não tem nada a ver. - Lancelot deu um sorriso calmo - Eles já estão te esperando lá dentro, boa sorte.
Lance abriu a porta e empurrou pra dentro - cena que já estava se tornando comum.
Ela nunca tinha estado naquela sala antes, a tão temida "Sala de Reuniões Itinerante". Sabia que para usa-la, era necessário pagar e bem, a maioria dos managers preferia fazer as reuniões no ônibus a enfiar a mão no bolso e alugar uma sala.
congelou ao ver quem estava na sala.
O amado e odiado Pete Wentz.
E mais uns quinhentos engravatados.
- Ah, chegou quem faltava. Bem-vinda, . Agora feche a porta e sente-se.
Ela olhou ao redor, confusa. No telão haviam logos da Clandestine Industries* e imagens do desfile que a grife tinha feito na NY Fashion Week. Gabriel Saporta (http://bit.ly/aDQb6Z) mexia em seu iPhone, mostrando algo para Travis McCoy (http://bit.ly/9zmXvP), enquanto Hayley Williams, do Paramore (N/A: acho que não precisa de foto, haha) acenou para ela. Brendon Urie (http://bit.ly/9kmHOW), do Panic! At The Disco anotava fervorosamente em seu caderno.
- A maioria de vocês não sabe por que está aqui, e eu peço calma. - Pete sorriu fracamente - Vocês estão aqui por fazerem parte do presente e do futuro da música. E agora, farão parte do futuro da moda.
Um dos engravatados limpou a garganta e pediu a vez para falar, o que Pete concedeu de má vontade.
- A Clandestine Industries é a marca de roupas com mais influência do mundo da música. Mais influente que a Glamour Kills. - Ele disse revirando os olhos, como se "Glamour Kills" fosse algo nojento - Nós somente não usamos nossa influencia. Mas isso mudará hoje.
- Ei, Saporta, psiu. - Chamou .
- Hm? Diga. - Ele tirou os olhos do iPhone por uns instantes.
- Achei que você tivesse uma linha pra Glamour Kills. - Ela perguntou confusa.
- Oh, querida, Gabriel Saporta é de quem pagar mais. Assim como a Maliciously Betrayed, presumo. - O vocalista do Cobra Starship deu um sorriso atrevido.
- Como assim? - arregalou os olhos.
Ela podia ser tudo, mas ela não era uma vendida.
- A Fueled By Ramen e a Decaydance fizeram um acordo com a Hopeless Records, a sua gravadora. A Maliciously Betrayed passa a ser da FBR e algumas bandas da Hopeless vão poder ter mais divulgação. Acabei de ler na internet. - ouviu uma voz atrás de si dizer e ela se virou rapidamente, dando de cara com uma mão estendida a sua frente.
- Prazer. William Beckett. Mas todo mundo me chama de Bill (http://bit.ly/bsyQ7C).

*Clandestine Industries é uma outra marca de roupas, ao mesmo tempo rival/parceira da Glamour Kills. Só que a Clandestine é mais... exclusiva, digamos.

Dezessete

Uma semana e um dia para o fim da Warped Tour

- Eu sei quem você é. - respondeu, um meio sorriso aparecendo em seu rosto apesar dela querer evitar - Mas esse lance da MB passar pra Fueled by Ramen é mentira, quero dizer, eu não fiquei sabendo de nada e eu duvido que as garotas saibam.
- Você sabe como essas gravadoras são. Não se importam com o que nós queremos e sim com o que faz eles ganharem mais dinheiro. - Bill pareceu um pouco amargurado, e seu cabelo caiu um pouco sobre seus olhos, e ele os tirou em câmera lenta.
Talvez fosse em velocidade normal, mas para tudo o que envolvesse cabelos e caras bonitos era em câmera lenta.
- Sr. Beckett, vejo que pode se unir a nós. - O engravatado que continuara falando sem parar disse, um sorriso maldoso nos lábios - Espero que a viagem de Barrington (N/A: Cidade do "The Academy Is...") até Atlanta não tenha te cansado. Matou as saudades da família?
- Sim senhor. - William revirou os olhos, nervoso, e bufou - Vamos logo com isso, certo? Eu ainda tenho mais quatro dias de férias.
- Tinha quatro dias de férias. - Pete lançou um olhar culpado a ele - Depois eu te recompenso, cara.
- Continuando... Estatísticas revelaram que depois que aquele Alex Gaskarth... - O coração de deu um pulo - Usou aquela maldita blusa do porquinho voador as vendas desse modelo aumentaram em 50%. E isso somente com uma blusa e com um vocalista meio-famoso. - Um outro engravatado apertou um botão e imagens dos vocalistas ali presentes apareceram no telão - Agora imaginem isso...
Outro botão foi apertado, e as fotos foram substituídas por montagens de cada um deles usando roupas da Clandestine Industries.
- Dividiremos você em duplas. Cada dupla criará uma coleção com nome à sua escolha e cinco modelos de camisetas. Vocês terão uma semana.
- Peraí! - Interrompeu , confusa - Todo mundo aqui faz parte da Decaydance e FBR, mas eu não. Eu sou da Hopeless e não tenho nada a ver com isso.
- Ah, eu já ia me esquecendo! - O engravatado deu um sorriso maléfico - Queria que todos fossem gentis com um membro da mais nova banda da Fueled By Ramen, . Bem vinda a família, querida.
- O que...? - Os olhos de se arregalaram.
Gabe Saporta levantou os olhos do aparelho e olhou pra ela com um sorriso compreensivo. Haley e Pete deram tapinhas reconfortantes nos ombros de .
- E as duplas são...




- VOCÊ NOS VENDEU? NÓS SOMOS PESSOAS, NÃO OBJETOS!
Os gritos de Scarlett poderiam ser ouvidos há quilômetros de distancia, mas nenhum membro da Maliciously Betrayed parecia se importar com isso.
O ônibus das bandas se movia em alta velocidade em direção a capital do Alabama, Montgomery, onde seria o próximo dia de Warped.
- Cara, vai ser impossível dormir com essa barulheira. - se revirava no bunk em cima de .
A "conversa" entre Lancelot e as garotas estava acontecendo na suíte - o único lugar naquele ônibus além do banheiro que tinha uma porta - e tinha decidido dormir num bunk.
Fazia um tempo que isso não acontecia, e ele sentia falta do espaço da cama.
E de ter alguém respirando fracamente ao seu lado.
- Garotas, vocês não percebem que isso foi um avanço. Com a FBR, a divulgação que vocês terão, imaginem isso! Turnê mundial, suas músicas nas melhores rádios, VMAs... Não era isso que vocês queriam? - Lancelot tentava explicar.
- Era Lance. Era isso que a gente queria, mas não desse jeito. - respondeu calma. Era a única nesse estado de espírito.
Talvez fosse o casamento.
- Eu não acredito nisso. O que os funcionários da Hopeless vão pensar? E os nossos fãs? Se já achavam que nós éramos vendidos por ficam andando com o All Time Low, agora vão ter certeza disso. - Reclamou Elle.
- EI, NÓS OUVIMOS ISSO! - gritou do seu bunk - Malditas pessoas que ficam dizendo que nós somos vendidos! - Ele murmurou e logo voltou a dormir.
- Amanhã o MySpace de vocês será atualizado, com novas fotos e a informação que vocês estão na FBR. A FBR também fará um anúncio oficial sobre isso. Já que não querem ter fama de vendidas, escrevam vocês mesmas o anúncio. - Falou Lance profissional.
- O que você quer que a gente escreva? "Nós ficamos sabendo ontem que nós somos da FBR agora, sendo que essa negociação acontece à meses. É, nós somos objetos vendidos. Beijos, amamos vocês, Elle, , e Scar"? - falou pela primeira vez desde que pisou no ônibus.
- Não. Escrevam que estão animadas com isso. Que é um sonho virando realidade e que vocês nunca imaginaram que chegariam na mesma gravadora que seus ídolos. Porque eu sei que apesar de me odiarem, vocês não podem acreditar na sua sorte. Eu até faria uma saída triunfal agora, mas como o ônibus está a cem km por hora, não tenho por onde sair. - Lancelot deu de ombros.
- Ah, eu sei um lugar pelo qual você pode sair. - Scarlett olhou ameaçadoramente para a janela. As meninas trocaram sorrisos cúmplices e Lancelot pigarreou.
- Quero o anúncio pronto até amanhã no meio dia. Vocês estão liberadas de qualquer show até depois de amanhã, ordens da FBR. Descansem, contem a história pra alguns fãs que daqui a dois segundos já estará no twitter como vocês estão felizes com a mudança. - Ele foi em direção à cabine do motorista, provavelmente para "conversar" com ele.
- Odeio admitir que ele tem razão. É a Fueled by Ramen, PORRA! - Gritou Elle dando uma risada escandalosa logo em seguida - Vamos dormir porque eu quero estar linda para a minha coletiva de imprensa.
- Coletiva de imprensa? Bebeu? - a encarou confusa.
- Ah. Sem coletiva de imprensa então? Que droga. De qualquer jeito, a gente acorda e faz o anúncio, ok? Quero aproveitar meu dia livre pra conhecer o Alabama. - Elle deu um abraço apertado em cada uma e foi até seu bunk - , sai daí.
saiu do bunk sonolento e foi andando de olhos fechados na cama, se jogando nela.
- Tem alguma coisa embaixo da minha barriga. - Reclamou ele, com a cara enfiada no travesseiro.
- É a minha mão. - deu um meio sorriso e ajeitou-se na mesma posição que ele.
Barriga pra baixo, olhando um pra cara do outro.
- Ops. - Ele abriu os olhos, tirando os cabelos destes e retribuindo o sorriso - Então... Deixaram a Hopeless, huh?
- Não quero falar sobre isso. - Foi tudo o que disse, tirando sua mão e deixando-a do lado da dele.
- E sobre o que você quer falar?
- Nós.
Antes que pudesse se esquivar, ela segurou a mão dele com força.
- Eu odeio isso. Odeio. Odeio o fato de você estar aqui, do meu lado, dividindo uma cama comigo e não querer nem me tocar. Sendo que antigamente isso seria praticamente impossível. E o fato de eu estar sempre, sempre te encarando, esperando que você me encare de volta e isso nunca acontece, o fato que eu estou a cada segundo prestando atenção em cada movimento seu e você nem me nota. É isso. E eu odeio. - respirou fundo e soltou a mão dele - Pronto. Agora pode fingir que não ouviu nada, virar pro outro lado e ir encontrar com a sua loira misteriosa amanhã de manhã.
percebeu a respiração de ir se acalmando, até ela adormecer. Pegou a mão dela - quentinha, macia e pequena - e apertou de leve.
- Eu percebo. - Murmurou ele - E me mata não poder retribuir.
E assim os dois adormeceram, de mãos dadas e corações partidos.




- ? - a chamou, batendo na madeira do bunk com o punho. - ?! Você tá viva? - Ele começou a balançá-la.
- , se você não me soltar agora eu vou ter a disposição de levantar e de te afogar na água da privada. Depois que o tiver saído de lá.
- Ai, , desculpa. - Ele disse, todo triste.
Ela suspirou e se sentou, esfregando as mão nos olhos. - Tudo bem, , só me fala o que é. São 3 horas da manhã e eu dormi as duas.
- Sabe o que que é? - Ele se retorceu todo. - Tô com vergonha de falar.
- Você fez de novo xixi na cama? - Ela o olhou compreensiva.
- Não... É que... É-que-eu-tive-um-pesadelo-muito-ruim-e-estou-com-medo-de-dormir-sozinho. - Ele disse, sem respirar, e sentiu seu coração amolecer. O cabelo de estava bagunçado e ele ficava brincando com a barra de sua camisa. Seu espírito materno reencarnou e ela foi para um lado, deixando um espaço para , levantando o cobertor.
- Entra aí, mas não faz muito barulho pra ninguém acordar, tá bom?
Ele assoprou na nuca dela, passou um braço por sua cintura e a aproximou de seu corpo. - Tá bom, esposa. Boa noite.
E assim sentiu todo seu espírito materno ir embora. Se apertou mais contra e abraçou o braço que estava a envolvendo. - Boa noite, marido.




- .
- .
- .
Ela sentia o dedo de Elle entre as suas costelas e reclamou alguma coisa que nem ela mesma entendeu.
- CARALHO PORRA ACORDA SUA VADIA SONOLENTA! - Scarlett gritou e pulou da cama.
- QUEM MORREU?
- Ninguém. A gente só precisa falar sobre o anúncio. - Elle explicou.
- Tá, mas cadê a ?
Elle e Scarlett se olharam e deram um sorrisinho satisfeito. - Ocupada com o marido dela.
- Ah claro. Ok, voltando ao anúncio. Já começaram a escrever alguma coisa? - Ela foi andando até o banheiro e fez sua higiene matinal enquanto as garotas liam o começo do anúncio - Acrescentem um "O apoio de vocês é muito importante blábláblá" e "É um sonho virando realidade", e pra mim, já tá ótimo.
- Eu acho que... - Começou , entrando no quarto e fechando a porta rapidamente.
- Ouch! Err, toc toc, posso entrar?
- Hm, quem é? - Scarlett arqueou a sobrancelha e a porta foi aberta.
- William. - sorriu.
- Eugene. - Elle.
- Fucking. - Scarlett.
- Beckett. - .
As três o encararam de queixo caído e deu uma risada sem graça.
- Vocês esqueceram do "Jr." no final. - Brincou Bill.
- Claro, William Eugene Beckett Jr. - As três falaram juntas.
- Vocês se importam se eu pegar a emprestada por uns instantes? - Ele mordeu o lábio inferior, como no clipe de About a Girl e todas as garotas da sala suspiraram.
incluída.
- Claro que a gente não se importa. - empurrou pra cima de Bill - Toma, ela é sua.
Ele riu e os dois saíram da suíte.
- Posso te chamar de , certo ?
- Claro. Então, acho que nós temos uma linha de roupas pra criar, certo, dupla?
- Certíssimo, dupla.
Eles trocaram um sorriso e foram andando em direção ao ônibus provisório do The Academy Is, trocando idéias sobre como fariam sua linha de roupas, e nem perceberam que alguém os observava nas sombras.
Não era paparazzi, fã ou repórter de fofocas.
Era , que se sentia no meio de um dèja vu. Só que não era uma lombriga chamada John Ohh acompanhando sua mulher. Era William Eugene Fucking Becket Jr.


Dezoito

Uma semana e um dia para o fim da Warped Tour

I say don't you know? You say you don't know? I say take me out!
- Bill, achei que a gente tinha combinado: sem celulares durante o trabalho. - Brincou .
Os dois estavam sentados no chão, com várias folhas de papel espalhadas, contendo desenhos e idéias para a linha de roupas que ambos teriam que criar.
- Eu sei, eu sei, vou desligar. - William tirou o celular do bolso e ao ler o nome, franziu a testa - Sinto muito, mas eu tenho que atender essa.
- To brincando, pode atender.
estranhou a reação de Bill, que saiu da sala onde estavam - mais uma sala alugada pela FBR - e andou até o corredor. A voz dele ficou abafada pela porta fechada, mas mesmo assim, pode ouvir trechos.
- Eu sinto muito... Claro que me importo, você... Olha, tenta me ouvir... A gente vai ter que dar um jeito nisso...
Ela largou o lápis que segurava e foi engatinhando até a porta, silenciosamente.
A curiosidade matou o gato.
Pois bem, curiosa.
E a OK! Magazine tinha dito que ela era uma gata.
Hora de agir como tal...
Miau.




- , psiu, . - tentou chamar o amigo discretamente no meio de um Meet&Greet.
- Que foi, porra?
- Não é porra, é , ok? - Ele cruzou os braços ofendido.
- Tá bom, tanto faz. Fala logo, eu tenho que encontrar meu docinho daqui a cinco minutos, então por mais que eu ame meus fãs, quero que esse Meet&Greet acabe logo. - fez uma careta pra uma fã enquanto tirava uma foto com ela.
- Tá... - assinou os peitos de uma loira que lhe lembrava sua ex, Lisa - Você hm, tá sabendo de alguma coisa entre a e o Beckett?
- Só sei o que todo mundo sabe: que o Perez Hilton disse que os dois estavam juntos. O que provavelmente deve ser mentira, já que ele anunciou milhões de vezes que os dentes do Rian são falsos e todo mundo sabe que isso não é verdade. - deu de ombros.
- Tem certeza? Quero dizer, a não te falou nada? - mordeu o lábio inferior e autografou um Put Up or Shut Up.
- Nada mesmo. Tipo... Só quando viu o clipe de Summer Hair e falou que ele era gostoso. Mas todo mundo já sabe disso. - falou e em seguida arregalou os olhos.
- O QUE? Bill Beckett? Gostoso? Ele parece um palito! Até o John Ohh é mais gordo que ele! - Disse exasperado.
- Falando o quê de mim? - O vocalista do The Maine apareceu, cruzando os braços - Tem um minuto, ? Preciso falar com você.
- Tá, espera um pouco. - disse, enquanto tirava uma foto com outra fã, a foto saindo provavelmente com sua boca dançando a macarena.
- Não, não, sem esperar! Eu tenho que falar com voc-
- OOOOOOH, DEUS, É O JOHN OHH! - Uma fã deu um gritinho de esquilo, levantando as mãos para o alto, fazendo todas as outras fãs perceberem que o "gatão" do John Ohh estava num Meet&Greet do All Time Low. Todas as outras imitaram a garota, o que acabou dando em merda, já que todas queriam a chance única de tirar fotos/dar seus peitos para autógrafo com todos. Elas começaram a se aproximar, empurrando os seguranças e dando golpes de Tae Kwon Do nos pobres.
deu um grito de mulherzinha, e saiu correndo loucamente em direção à saída de emergência. Todos os seres da sala deram uma pausa para contemplar a corrida ninja de , e foi aí que os outros membros da banda e John Ohh conseguiram sair de fininho.
Quando eles entraram em uma tenda privada, Rian e deram um hi-five em , que estava sorrindo todo convencido.
- WTF foi aquilo, homem? Mudou sua opção sexual, porque eu tenho um "amigo" que-
John Ohh foi interrompido por , que explicou: - Não é isso! Esse é nosso esquema para quando as fãs enlouquecem e querem estuprar o .
olhou para o além e estremeceu, mostrando para Rian seu braço "Olha, até arrepiei!".
- Ok, sem mais enrolação. venha dar uma volta comigo para termos uma conversa. - John Ohh disse, com uma cara "séria", andando para fora da tenda, tendo uma saída estratégica.
, e Rian fizeram um "iiiiiiiiih" conjunto. - zinho vai levar broquinha do papai, vai? Ele vai? - falou com voz de bêbê.
deu dedo para eles, ausente. Enquanto andava atrás de John Ohh, pensava que provavelmente a bronca que receberia seria bem merecida.
Sempre era.




- Christine, eu não posso ir para casa agora! Já tive minha folga. - Bill sussurrou como se tivesse gritando para o celular. se aproximou mais da porta, com sua curiosidade transbordando. - Eu sei que ela está com saudades, e eu também estou! O problema é que eu tenho um trabalho que está colocando comida na mesa para não só ela, mas você também.
Ele parou para escutar um pouco, passando as mãos nos cabelos, frustrado e com razão, já que a pessoa no outro lado da linha estava gritando a ponto de conseguir escutar.
- Você quer férias?! Sério mesmo?! Você não faz nada da vida, mulher. Nada. Você nem cuida de Genevieve, ela tem uma maldita babá!
gelou e se aproximou mais ainda, a ponto de estar o mais próxima possível dele sem ele conseguir vê-la.
- Se você tentar contar para todos que ela existe, Bandy, eu vou fazer questão de que você não consiga andar na rua sem que pessoas joguem coisas em você. Vou fazer você ficar tão seca que vai ter que se mudar com os papais de novo. Então não tenta me chantagear falando que vai contar a todos que eu tenho uma filha, porque ela não merece isso, e você não vai merecer o que vai te acontecer se você disser. - Ele já estava falando alto o bastante para que, se ela não fosse uma intrometida do caramba, teria ouvido. Todos os membros do corpo de paralisaram, e ela deu uma inspirada de ar forte. Pôs a mão sobre seu coração, que estava batendo a mil por hora.
Bill esperou a pessoa do outro lado da linha falar alguma coisa, pelo tom de voz bem mais calma, e deu um suspiro realmente grande.
- Ok, Christine, eu estou um pouco ocupado agora, mas já te ligo. Espera uns 5 minutos, ok? Eu ainda quero conversar com ela. - Quando ele disse isso, sua face relaxou e ele conseguiu até fazer aparecer um sorrisinho em seu rosto. continuou sem se mexer, até ouvir Bill desligando o celular, andando em sua direção e sentando com as costas na parede contrária à dela e os joelhos juntos ao peito. Ele olhou para ela, como se soubesse que ela tinha estado lá todo o tempo.
- Então, o que você vai fazer?




John Ohh andava de um lado para o outro. não tinha percebido antes, já que ele não olhava para a bunda de homens, mas as calças de John Ohh estavam especialmente torando naquele dia.
Ele balançou a cabeça para escutar o que ele tinha começado a falar.
- ! Como assim você não está agora com a sua mulher?! Sabe o que eu sofri para que vocês ficassem juntos de novo? Sabe? Nããão, ele não sabe! - John falou para o céu. estava meio que paralisado, já que não tinha conseguido nem piscar duas vezes antes dele terminar a frase. Ficou impressionado com a habilidade de John Ohh.
Quando ele ia falar de novo, o parou com a mão, negando com cabeça, de um lado para o outro. - Espera um pouco, homem! Do que você está falando?
- Estou falando sobre a "loira misteriosa" que não é ! Eu ainda estou com a minha Justine, e vocês dois merecem ser tão felizes como eu estou. - Ele fez uma pausa. - Talvez.
o ignorou e colocou as mãos nos bolsos. - John, eu estou realmente grato, mas não quero falar sobre isso.
- Mas, , saiu em revistas! Tipo a AP. E SAIU NO PEREZ HILTON! Todo mundo lê o Perez Hilton! , você tem que me dizer que é mentira. Porque se não... E essa ! Eu vi na NME que ela estava saindo com Bill Beckett! Como assim, Bill Beckett?! Mesmo ele sendo bonito e tudo o mais, ele é mais magro que eu!
- EXATAMENTE! Como assim ela quer sair com ele! Ele só é sexy em About a Girl! Ele tem um cabeção, e tem esse cabelo sedoso. Que garota quer um cara com cabelos sedosos se pode ter o aqui?
John deu um sorriso conhecedor para ele. - Você está com ciúmes de novo? - Ele fez uma pausa e olhou confuso para . - Então por que você está com essa piranha? Eu sei que a quer você de volta, só pelos olhares longos que dá pra você, qualquer hora que passa por perto.
deu outro suspiro. - É complicado. A única coisa que eu tenho a dizer é que eu a amo mais do que ela me ama, portanto eu estou sofrendo com isso mais que ela. - John Ohh quase sambou no lugar de frustração.
- Mas não faz sentido! Se você a ama, não tem nada de complicado. Vai lá, dá um chute na bunda desse Beckett e tasca um beijo da sua garota. - Ele fez outra pausa. - E talvez até, se tiver um ônibus "barra" armário "barra" quarto por perto vocês podem até fazer mais que dar uns beijinhos. Justine realmente gostou aquela vez que nós-
- Eww, Ohh, não fala dessas coisas perto de mim. Eu não gosto de ter imagens mentais do seu Capitão Arnold.




- Que diabos você está falando, William Eugene Beckett Jr.?! Você não pode chegar assim do nada, falando que tem uma filha e me perguntar, todo calminho, - nesse ponto, fez uma voz "falsete" de Bill. - "E então, o que vai fazer?" - se levantou do chão em que ela estava agachada, deixando um Bill risonho na frente dela.
- Não disse com essas palavras. Eu estou perguntando se você vai ligar para alguma revista e falar que o vocalista do "The Academy Is..." tem uma filha de 2 anos. - Ele disse, com toda a calma do mundo.
- Você acha isso engraçado?! Que tipo de pessoa você acha que eu sou ao ponto de perguntar se eu teria a coragem de ligar para essas pessoas -que não se importam a mínima se o que elas colocam em suas ridículas revistas de fofocas vai ou não estragar a vida de alguém- e falar que o GRANDIOSO Bill Beckett escondeu que tem uma criança por 2 anos?!
Nesse ponto ele já tinha tirado o sorriso do rosto e tinha se levantado também.
- Eu não estou dizendo nada, então, por favor, , não coloque palavras em minha boca. - Ele disse, realmente bravo. De repente ele desmoronou. Seu ombros caíram e ele colocou as duas mãos em seu rosto. - Oh, Deus, me desculpa. Eu só estou tão cansado. Tão, tão cansado que você não faz idéia. Acho que eu quero que você faça isso. Quero que você conte pra alguém pra que todo esse pesadelo acabe.
sentiu sua raiva esvair como fumaça enquanto olhava Bill se deprimir. Ela o pegou pela mão e o levou de volta a sala onde eles estavam fazendo os projetos para as camisas da Decaydance. O obrigou a sentar no chão e se sentou na frente dele.
- Bill, eu não quis dizer aquelas coisas. Mas se você realmente quer contar para todos o seu segredo, não acho legal você tentar colocar essa responsabilidade para mim.
Ele apertou a mão que ela estava segurando. - Eu só queria que todos os meus amigos soubessem que eu tenho a criatura mais linda do mundo. Queria que eles vissem que, quando ela sorri, faz covinhas nos dois lados da boca. E que quando ela dorme, ronca que nem um caminhoneiro. - Eles dois sorriram um para o outro. Bill riu. - É, ela realmente ronca muito alto...
sorriu para ele e deu palminhas em sua mão. - Bill, só não sei por que você não conta para todos que tem uma filha e que você a ama...
- Você disse tudo antes. Essas revistas só iriam atrapalhar a vida dela. Imagina quando -e não "se"- ela entrar para aulas de balé e tiver uns paparazzi tirando fotos e colocando em revistas que qualquer um pode ver. E quando ela tirar uma nota ruim vai sair na Alternative Press falando que eu não educo minha filha bem. - Ele parou de falar e olhou para os olhos dela. - Eu não quero isso, . Mas ao mesmo tempo eu quero tanto que dói.
- Bill, mas de quem é essa criança? Quero dizer, você não a fez sozinho... Qual é o nome dela? Como ela é? Onde ela está? Qual é a sua cor favor-
Bill começou a rir e interrompeu o falatório de . - Nós temos todo o tempo do mundo para isso. Eu tenho que ligar para a mãe dela agora, já que ela me avisou que se eu não ligasse em 5 minutos ela deixaria meu bebê com a babá e iria viajar.
Quando Bill levantou e tirou o celular do bolso, teve uma idéia súbita, e deu um grito alto: - HEY, BECKETT!
Bill deu um salto enorme e olhou para ela, massageando as orelhas. - Que é, ? Eu to do seu lado, não precisava gritar.
Ela levantou-se em um pulo e andou em sua direção. Bateu palmas de felicidade, sorrindo que nem uma lesada.
- E se ela passasse um tempo com você, aqui na Warped Tour? Eu poderia te ajudar a cuidar dela. - ela se interrompeu, olhando o rosto de Bill. Ele provavelmente achava que queria fazer uma pequena família com ele. Corrigiu seus pensamentos. - Como amigos. Se a sua vida amorosa é um desastre, imagina a minha. Não tenho nenhuma intenção de ir para cama com você, Bill. - Ela fez uma pausa. - Ok, às vezes eu tenho essa intenção, mas daí eu me dou um chute no traseiro e tiro essas idéias da cabeça.
- Você está falando sério, mesmo? - Ele não podia parar quieto de ansiedade. - Você me ajudaria a cuidar da minha filha, sem se importar com o que as outras pessoas vão pensar, até o fim da Warped?
hesitou, repensando se realmente tinha coragem de fazer isso. provavelmente teria um ataque de pelancas quando a visse andar por aí com Bill e um bebê. Mas quando olhou no rosto de Bill e viu uma esperança tão grande que quebrou seu coração. Alem do mais, só faltava uma semana para o fim da Warped. Ela olhou pra ele e disse:
- Sim.




, enquanto andava, pensava sobre o que John Ohh tinha dito para ele. Suas palavras flutuavam em sua cabeça como o pó 3D de Avatar. Quando passou na frente do ônibus do "The Academy Is...", ouviu uma risada bastante conhecida. Uma que ele lembrava de tempos distantes, em que tudo estava perfeito e que ele jurava que iria se casar com ela. Era a risada de . Uma risada de felicidade absoluta, que ele só ouvia quando ela estava perto de suas amigas ou dele. Aparentemente ela tinha aberto uma exceção.
- Ai, Bill, cala a boca. Essa piada foi a mais sem graça que eu já ouvi! - bagunçou o cabelo de Bill e ele colocou o braço em seus ombros. Quando ela olhou para frete, lá estava . Seu coração se apertou, borboletas tiveram ataques epiléticos em seu estômago e ela sentiu uma vontade sobrenatural de sair correndo, pular no colo dele e lhe dar um beijo.
Só para tirar a expressão de cachorrinho abandonado de seu rosto.
- Hey, , quais são as boas novas? - Bill perguntou, inconsciente da tensão que se propagava no ar.
- Estou bem, William, e você? - Ele perguntou com uma voz fria como gelo. Acho que naquele momento Bill percebeu a troca de olhares entre os dois.
- Então, , quando é o seu próximo show? - perguntou, apreensiva. Estava tentando reconquistar ele, e sair abraçada e rindo com Bill Beckett não era o melhor dos caminhos. Portanto saiu de baixo do braço de Bill, fingindo que ia amarrar os cadarços. O problema era que ela estava de chinelos, então todos perceberam sua manobra.
- Já tive um hoje. - Ele respondeu.
Fez um silêncio elétrico, pesado e irrequieto. continuava a encarar a , ela procurava pontas duplas, sempre olhando para baixo e Bill finalmente clareou a garganta.
- Acho que a tem que ir para o show dela então. Você quer levá-la? Eu tenho que arrumar umas coisas e falar com algumas pessoas, - ele deu uma piscadinha feliz para - e acho melhor ela não ir sozinha.
Antes que pudesse responder, se agarrou ao seu braço num aperto mortal.
- Ótimo! Eu me sinto muito desprotegida por aqui. - não respondeu nada, só balançou a cabeça na direção de Bill, dando tchau, e andou com em direção aos palcos.
Ela, ainda segurando o braço de (como se eles estivessem dançando a ciranda), tentava pensar desesperadamente em algum assunto, mas a poupou e perguntou com a voz desanimada.
- Você e Bill estão saindo? - Ele se apressou a completar. - Não que eu tenha nada a ver com isso...
- Como assim você não tem nada a ver com isso? - perguntou, com raiva. - Pra sua informação, eu não tenho nenhuma intenção de ter nada com Bill, a não ser amizade. Outra coisa: eu comecei a andar com ele porque a Decaydance nos obrigou, e então porque percebi que ele é um dos caras mais legais e com um bom coração que eu já conheci. E só estou o ajudando em uma fase ruim de sua vida. - Quando ela terminou de falar, percebeu que a fala dela era tão sem sentido que provavelmente não acreditaria nela.
só deu de ombros e sentiu seu coração pular de felicidade. Ele acreditava nela, porque sabia que o olhar que John Ohh tinha dito que ela dava a ele era esse que ela lançou naquele momento. Se ela continuasse a amá-lo, tudo estaria bem. Quando ele saísse de toda aquela confusão com Destiny ela estaria lá por ele. Pelo menos foi o que ele disse a si mesmo.
Quando eles chegaram lá, ela saiu andando, ainda brava. Ele não conseguiu se segurar e puxou o braço dela.
Ela caiu em seus braços e ele deu um breve beijo, mas um com tanto sentimento que sentiu vontade de chorar.
- Eu te amo também. Tenha um pouco de paciência, por favor.
Deu as costas para ela e saiu andando.
Ela olhou em sua direção e virou também, com o coração aquecido, não olhando para trás.


Dezenove

Mesmo dia, 15 minutos depois.


- ! O que diabos se tá fazendo aí, cantando a música do Aladdin?! - Scarlett perguntou, estressada. - Nós temos um show pra fazer! Vai, vai, vai! - , que estava, de fato, cantando a música do filme Aladdin, deu um sorriso radiante para Scar e logo para Elle, que também entrou no camarim, vermelha e inquieta.
- Qual é o seu problema? - Ela perguntou, mas logo olhou para Scarlett, percebendo que não iria responder. - Qual é o problema dela?
Fez secso louco e selvagem com Bill Beckett?
- NÃÃÃO! , você NÃO FEZ ISSO ANTES DE MIIIM! - Scarlett quase teve um colapso emocional, mas entrou na sala quando ela começou a surtar.
- Galeraaaa! Cinco minutos pra entrar no palco, vocês estão prontas? - Ela também estava radiante. As revistas de fofoca diziam que o casamento tinha feito bem para os dois, e suas amigas podiam ver isso ainda mais detalhadamente.
- ! Meu amorzinho! Você já olhou para o céu hoje? Já viu as cores do arco-íris? Mesmo que hoje não tenha um, você pode ir ao show do Cash Cash e olhar por um momento. Não são lindas, neons e coloridas as cores? Não te fazem ter vontade de sorrir e gritar de alegria? - perguntou, se aproximando e segurando as duas mãos de .
Ela as apertou e respondeu a com lágrimas nos olhos. - Sim, minha cara melhor amiga. Hoje mesmo eu parei por um segundo na platéia daquele show e pensei: "Mas que maravilha da natureza são essas cores! Quero que elas vivam em cada uma de nós!". E por um segundo eu olhei para o céu e até sua música virou neon e bonita, mas isso foi só por um segundo, porque não sou tão louca assim. - Elas sorriram uma pra outra. Elle e Scarlett (que ainda estava em choque com o que Elle tinha falado) ficaram em silêncio pelo "momento" todo e balançaram as cabeças em uníssono.
- Meninaaaaaas! - Lancelot entrou com o que algumas pessoas poderiam chamar de estilo, se ele não estivesse usando uma blusa com estampas havaianas e ENORMES pizzas debaixo do braço. - Show daqui a dois minutos e vinte e nove-oito-sete-seis...
Elas saíram correndo e arrumaram suas roupas direitinho. Quando entraram no palco e uma multidão enorme as saudou, percebeu que mesmo a vida estando difícil, e que ela não tinha paciência nenhuma pra o que tinha em mente, ela sempre teria fãs que a amavam e que seria assim até o fim da Malisciously Betrayed (bate na madeira).
E isso a fez sorrir ainda mais.
- COMO VOCÊS ESTÃO, KNOXVILLE?




Um Malisciously Betrayed realmente suado, nojento e cansado saiu do palco. As quatro estavam morrendo de cansaço e ao mesmo tempo animadas demais pra dormir ou descansar. A que deu a idéia foi .
- Genteeee? - Ela disse, ainda com sua repetição apaixonada constante de vogais. - Vocês estão cansadas demais?
- Nop. - veio de todas elas.
- Ok, okeeeey! O que vocês acham de nós tirarmos algumas fotos com os fãs e assinarmos algumas coisas?
Elle, Scarlett e , que estava mais animada das três, concordaram felizes e saíram juntas para a saída que as levava para o público.
- Eu adoro quando os fãs ficam surpresos que a gente vai tirar foto com eles sem pedir dinheiro nem nada. - Scarlett disse, batendo ritmicamente suas baquetas (que ela ainda não soltara) ao som de Hot Mess nos auto-falantes. - Acho esses Meet&Greet mó furada, porque só pessoas com "fontes" e com dinheiro podem entrar.
- A coisa de pessoas com "fontes" é que elas têm "fontes". Senão você não teria uma "fonte" e sim uma pessoa que trabalha em um lugar privilegiado que é sua amiga. Imagina se você pudesse conhecer seu maior ídolo calmamente sem nenhuma interrupção, e que ele conversasse com você? - Elle disse, amarrando seu cabelo num coque. Ela acrescentou depois. - Não que os Mett&Greet's daqui te dão muito tempo pra fazer isso.
- Para a sua informação, eu não precisaria de um Meet&Greet para falar com o meu maior ídolo, já que eu vou para cama com ele toda vez que vou para Paris.
Depois dessa afirmação despreocupada, , e Elle pararam de andar e olharam para Scar assustadas.
- E quem é seu maior ídolo para que você quisesse "domir" com ele toda vez que vai a Paris, que são muitas, já que você è de Paris? - perguntou, com a boca aberta.
- Segredo. - Scar disse e deu um sorrisinho esperto, antes de sair para o calor e para a multidão de fãs as esperando.
- Quem vocês acham que é? - Elle perguntou para as duas, já ouvindo os gritos das(os) fãs do lado de fora.
- Euuuu não sei! Mas iremos descobrir! - disse, em seu melhor estilo Power Ranger.
- Ok. - Elle e disseram quando saiu correndo alegremente para a saída.
- Deus, nós não somos mais Malisciously Betrayed... Somos As Loucas De Pedra. - disse, finalmente andando em direção à saída. Quando ela fechou a porta atrás dela, Elle riu e gritou:
- Não me inclua nisso! - Uns quatro caras que tinha passado lá naquele momento a olharam como se fosse louca, já que estava gritando para o nada. - EU NÃO SOU LOUCA! - E saiu dali, rindo ainda mais.




Diferentemente da Malisciously Betrayed, os integrantes do All Time Low não estavam tão felizes. Com uma exceção, é claro.
- Porra, , que porralouca é essa?! Porra! - gritou do banheiro, onde tinha encontrado uma cueca no chuveiro em uma condição não muito boa.
- Que é, zinho? O que o bebê ti-mamãe, ti-papai quer? - disse, todo feliz, deitado no sofá, vendo TV e comendo geléia em forma de ursinho.
- Porraaaaaaaaaaaa, ! - gritou da cozinha, quando encontrou seu sanduíche de nutela com margarina e presunto Parma na geladeira só sobrando as casquinhas em volta do pão, que ninguém come. - Meu sandubão!
- Hihihi, - deu uma risadinha, tampando a boca com a mão e continuou a comer seus ursinhos.
- Puta que pariu, ! Eu IMPLORO! Por favor, só muda de canal? Eu morro de medo desse desenho! - Rian pediu, bolando planos maléficos para conseguir tirar o controle da mão do .
- Não. - disse, dando outra risadinha e olhando para a TV, que estava passando Coragem, o Cão Covarde. Ele realmente gostava do Coragem, ele era todo rosa e pequenininho. O fazia lembrar de sua ursinha, toda rosinha e pequena perto dele.
Seu celular começou a tocar, o distraindo o bastante para Rian se esgueirar e roubar o controle, mudando de canal rapidamente. Mas nem ligou, já que já tinha atendido ao celular.
- Alô. Se for qualquer mulher, e eu digo qualquer mesmo, sem ser minha ursinha, que quiser que eu vá ai "conversar" com você, já pode ir desligando o telefone porque sou um marido bom e direito! - Ele tinha visto o identificador de chamadas, mas não importava, já que ele estava falando a verdade.
- Aiiiiiiiiiiiiiii, onildo, você é tão cuticuti da mamãe! - gritou loucamente no telefone, fazendo Rian se encolher, fazendo um careta e dar um sorrisão.
Eles continuaram a falar no telefone, e saiu do banho, ainda molhado, mas com uma toalha nos quadris. Foi na cozinha e pegou o sanduíche que estava preparando e deu uma mordidona, enquanto ele estava de costas tirando as gorduras do Parma. Ele levou o sanduíche com ele para o quarto, para se trocar e sair para seu "encontro" com a Destiny.
- NÃÃÃÃÃO, OUTRO NÃO! - ele ouviu gritar da cozinha, mas nem isso o fez sorrir. Estava deprimido demais com a conversa que tinha tido com . Ele não pensava que ela iria esperar por ele todo esse tempo, o quanto fosse que Destiny continuaria com aquela chantagem.
Chegou arrumado na sala, com ainda se despedindo de com vários "não, desliga você primeiro". Quando finalmente estava na porta, desligou o celular e falou:
- Ei, , a disse que a estava falando com uma loira lá onde elas estão assinando autógrafos... Ela disse que era muito suspeito e que a loira tinha levado para um lugar mais discreto. Ela achava que você quereria sab-
Ele não terminou a frase, porque já estava correndo loucamente para onde tinha deixado a algumas horas atrás.
Rian, ainda olhando para a porta, não percebeu , que tinha engatinhado até onde estava, conseguiu roubar o controle, mudando rapidamente para o Cartoon Network.
- NÃÃÃÃO, DE NOVO NÃO!




- , ! Tira um foto comigo? - Um fã se inclinou e se virou para perto dela, e a menina tirou a foto. - Nossa, nossa, eu te amo!
- Puxa, obrigada! - Ele disse, dando um sorriso. As outras meninas da banda faziam exatamente a mesma coisa, talvez tirava fotos animada demais e deixava tudo borrado, mas o que contava era a intenção.
- ! - A mesma voz, uma voz que ela tinha arquivado na cabeça e pensando que tinha esquecido. Era a presidenta do grupo "Maliciously Love Couples All Time Forever", Janice.
Merda, merda, merda!, pensou. Eu e o não devolvemos nem a filmadora nem a gravação da "entrevista" que tinham tido, e que Janice tinha os mandado fazer.
Ela já saía de fininho quando Janice a pegou pela manga e a puxou para dentro de uma tenda. Quando os seguranças avançaram para barrá-la, só deu um aceno com a cabeça e "seguiu" Janice, entrando em na tenda vazia. Janice ainda usava a faixa no cabelo escrito + = Love, o que era um pouco estranho... Será que ela tem um armário só de faixas desse tipo? Ela vende ou alguma coisa assim?
- Não precisa ficar com medo de mim ou qualquer coisa assim, porque eu sei onde está a fita, e você vai me ajudar a recuperá-la. - Ela disse, tirando do bolso um papel dobrado, que quando desdobrado, mostrava vários planos mirabolantes.
- O quê? Com quem está a fita?! Quero dizer, eu pensei que tinha sido e suas perversões...
- Ai, ai, tão ingênua. Enfim, quem roubou a fita foi a minha irmã gêmea, Destiny. Eu, sendo muito idiota como sou, disse a ela que tinha feito um plano para fazer vocês dois irem pra cama, colocando perguntas para a entrevista que fizessem vocês se lembrarem dos bons tempos...
- Mas, Janice! Isso é horrível e manipulador! - exclamou, horrorizada.
- É, mais não fui eu que curti a coisa, foi? Enfim, de novo... Eu não iria mandar a fita pra lugar nenhum, só queria que ficassem juntos. Mas Destiny tem a mesma obsessão por que eu tenho por você + , e ela roubou a fita e tá fazendo sei lá o que com ela! - Janice, agora, estava realmente com raiva. - Aquela piranha tentando roubar o zinho de você, como pode! Acho que ela está fazendo alguma coisa que está fazendo ele se separar de você. Então você vai me ajudar com o plano...
- Mas Janice-
- Na-na-ni-na-não! Sem palavras! O plano é o seguinte:


Vinte

Seis dias para o fim da Warped Tour

- Por que é que a gente tá fazendo isso mesmo? - perguntou pela décima nona vez.
- Porque faz dois dias que eu não consigo fazer essa pestinha tomar banho. E eu sou Bill Beckett, não desisto nunca! - Bradou Bill pegando a pequena Genevieve no colo - Abre o chuveirinho pra mim, ?
Ela se arrepiou com a maneira que seu nome soava em seus lábios e automaticamente se condenou por isso.
Lá estava ela, , 20 anos, vocalista da segunda banda mais sexy do mundo, ligando o chuveirinho do ônibus que dividia com mais sete pessoas - que no momento estavam no show do John Mayer -, porque um cara que ela estava levemente afim tinha pedido pra ela ligá-lo.
E por que ele queria que ela o ligasse?
Porque ele estava com as mãos ocupadas demais tentando fazer sua filha de dois anos parar de se debater e tomar logo um banho.
É, filha.
"Você não deveria estar pensando no seu plano com a Janice, ? E o ?" uma parte sua perguntou.
", quem? Olha quem está aqui bem do seu lado! William Eugene Fucking Beckett! Reaja! Você é ou não é a vocalista da banda mais sexy do mundo?"
Outra parte sua respondeu.
"Segunda banda mais sexy!" Corrigiu a primeira parte.
"Calem a boca as duas!" Foi o que ela pensou.
- Ei, Genevieve! - Chamou - Olha quem está aqui! O senhor patinho de borracha! - Ela começou a apertar o bichinho, fazendo um barulho irritante bem na orelha de Bill, que fez careta.
Genevieve começou a rir dentro da banheirinha de bebê, jogando água que estava dentro desta pra fora.
- Ah não, você molhou o papai... De novo. - William reclamou, mordendo o lábio inferior daquele jeito - Você pode cuidar dela só um pouquinho? Tenho que pegar umas toalhas dentro da bolsa.
- Claro, dá ela aqui pra mim.
se agachou no minúsculo banheiro, fazendo caretas pra Genevieve, que agora se divertia com o patinho.
Ela nunca gostou de crianças, mas também nunca as odiou. Pra ela, crianças eram neutras, que nem a Suíça ou o Brendon Urie.
Mentira. Brendon Urie nunca seria neutro.
Mas que tinha jeito com crianças, isso parecia inegável. Genevieve tinha simplesmente grudado nela, e cada instante que estava no palco, ela sentia seu coração se apertar com saudades da pequena diabinha de Bill.
E isso a deixava simplesmente louca.
Ela conhecia a pequena menina há dois dias. Dois dias! E já estava totalmente apaixonada por ela. E claro, um pouquinho apaixonada pelo pai dela.
"E a porra do ?" Sua mente a lembrou.
, que fazia seu maldito estômago se revirar, suas bochechas corarem e seus pensamentos escaparem de sua cabeça...
- Ai não bebê, você molhou a tia inteira! - acordou de seus devaneios com um jato d'água na cara. Genevieve tinha uma expressão emburrada, como quem diz "Por que você está pensando em outro cara se meu pai tá aí do seu lado?".
- Trouxe toalhas. - Bill chegou salvando o dia... Sem camisa. (N/G: Vou ajudar vocês haha http://bit.ly/13tF0l).
- Você está sem camisa. - concluiu bestamente.
- Hmm, acho que sim. A minha molhou e tá toda grudenta, tem algum problema? - Ele arqueou a sobrancelha e engasgou.
- Problema? Nenhum.
- A sua blusa molhou. - Concluiu ele bestamente.
- Tem algum problema...? - Provocou , olhando para sua blusa.
Regata. Branca. Tecido fino.
Transparente.
- É um belo exemplar de sutiã de bolinhas. - Bill deu um sorriso travesso e recebeu um tapa na barriga descoberta - Outch! Esse foi um belo exemplo de um tapa ardido. - Reclamou.
Genevieve começou a rir histericamente, e riu junto.
- Poxa filha, você gosta de ver o papai apanhando? - Bill deu um beijo na testa da filha e voltou a dar um banho dela - Se a blusa estiver grudando, pode tirar se quiser. Eu não tenho problema nenhum com isso.
fez uma concha com as mãos, enchendo-as de água e as jogando em William, fazendo Genevieve rir ainda mais.
- Ah é?
Ele fez o mesmo, fazendo o queixo de praticamente atingir o chão.
- BECKETT! - Ela pegou o chuveirinho, direcionando-o direto para a cara de Bill, molhando-o inteiro...
Juntamente com todo o chão de carpete da suíte, já que eles tinham deixado a porta do banheiro aberta.
Com a guerra de água dos dois, Genevieve dava gritinhos de criança - é, aqueles bem agudos -, isso se misturando com as risadas dos dois "adultos".
- Shh, shh. - Bill colocou as mãos em cima dos lábios de , os dois deitados no chão do banheiro totalmente molhados - Acho que o show já acabou.
tirou Bill de cima dela e se olhou no espelho.
Cabelos bagunçados, roupas totalmente molhadas... Iam achar que ela e Bill estavam querendo fazer sexo aquático!
- Merda, merda. - Ela se enrolou numa toalha e jogou a outra em cima de Bill - Eu vou tentar distrair eles enquanto você sai pela janela do banheiro, tá?
- O quê? Você tá louca? - O rapaz molhado pegou a filha no colo - Eu estou com uma criança aqui, não posso sair pulando janelas.
- E nem pode deixa-los ver a sua criança. - Sussurrou nervosa - Já sei! Eles sabem sobre a linha de roupas. A gente pode dizer que estava hm... Tingindo alguma coisa, por isso a banheira, e pronto.
- Ok. Enfio a Genevieve na banheira, jogo uma toalha nela e saio correndo. Pronto. - Ele fez o que falou - Depois me leva a bolsa dela?
- Levo. Tchau Bill. - Os dois deram um abraço desajeitado, William contou até três e saiu correndo pelo ônibus, berrando um "Tchau ".
tentou arrumar o banheiro da melhor maneira que pôde, mas trocando antes a blusa totalmente molhada.
- Ei. - A porta fechou-se com um clique e o perfume de (misturado com um cheiro horrendo de suor) dominou o quarto - Você não devia ser demitida por usar uma blusa dessas? - Brincou ele.
Ela olhou para a blusa que usava. Glamour Kills, é claro.
- Droga, é o costume. - Tirou a blusa na frente dele sem nem se importar.
- Belo sutiã de bolinhas. - Elogiou , dando um meio sorriso.
corou, não pelo elogio, mas pelo fato de ser a maior piranha do mundo e já ter ouvido aquilo antes, há menos de cinco minutos atrás.
- Então... O show foi bom né? Ao julgar pelo cheiro de suor que você tá exalando. - Ela tampou o nariz fazendo uma careta.
- Foi incrível. Elle, Rian, Scarlett e ficaram pra after party, o casal-casado decidiu ir pegar um cinema depois do show e eu vim pra cá, sozinho. - Ele deu de ombros - To fedendo tanto assim?
- Assim e mais. Vai tomar um banho, . - foi o empurrando até o box, e ligou o chuveiro em cima dele. tremeu por causa da água gelada, e a puxou pra dentro do chuveiro, fazendo-a dar um gritinho.
- Ai , que frio. - Reclamou ela.
- Tira a blusa. - a ajudou a completar tal ato, tirando a sua logo em seguida.
Ele a abraçou bem forte, mas não era um abraço convencional.
Era aquele abraço no qual a pessoa mais alta agarra a outra pelo pescoço, fazendo a pessoa baixinha mal conseguir respirar.
- Você é quentinho. - Murmurou , encostando seu rosto no peito de , ouvindo o coração dele bater rápido.
Ela sorriu bobamente ao perceber que tinha esse poder sobre o coração de .
olhou pra cima no momento que ele olhou pra baixo, o jato de água do chuveiro fazendo o cabelo dele vir todo para frente, como uma versão masculina - e incrivelmente sexy - da Samara, do Chamado.
Ela ficou na ponta dos pés para - tentar - encará-lo nos olhos.
E o beijou, como nunca tinha beijado, somente para provar algo:
Todos podiam brincar com o seu coração.
Mas ele só tinha um dono.
.




(Coloquem pra carregar, se quiserem: http://bit.ly/hrXFR)

What She Came For, do Franz Ferdinand tocava, deixando o ambiente cheio e esfumaçado com um tom sensual e misterioso.
Pelo menos era isso que achava, e bem, ela já estava na terceira garrafa.
Ela se balançava de um lado pro outro, tentando fazer algo mais complicado que isso, mas falhando miseralmente e derrubando um pouco de cerveja em um pobre coitado.
- Ops, foi mal!
- Ih, bebendo pra quê, princesa?
John Ohh sorriu, ficando com ruguinhas ao redor dos olhos, colocou as mãos na cintura dela e os dois começaram a se balançar no ritmo da música.
- Seu namorado não vai ficar com ciúme de ver a gente dançando assim? - Provocou ele.
- Que namorado? - Ela olhou pra cima e o encarou nos olhos.
- Ah sim. Namorados. - John colocou ênfase no "s?" do final e recebeu um tapa no braço - Brincadeirinha, !
- Não achei engraçado. - Ela fechou a cara.
Toda a cena com Bill mais cedo, a tensão entre os dois e logo em seguida, os beijos seguidos de sexo com tinham a deixado confusa.
Qual era seu problema?
Ela tinha que estar sempre entre dois caras?
Em uma mesa, no canto direito, e o resto do All Time Low jogavam um jogo estúpido envolvendo bebida que, basicamente, toda a ação significava beber.
E do lado oposto, Bill e alguns amigos da Fueled by Ramen - Saporta, Urie, Wentz - conversavam e riam.
encarou o teto, de olhos fechados, seu corpo grudado no de John enquanto ambos dançavam.
- Então princesa, o que vai ser? Direita ou esquerda? - Ele forçou sua voz para a de um apresentador de talk show ruim.
- Não quero escolher. - Murmurou ela.
- É , às vezes, principalmente quando você cresce, você tem que fazer escolhas e arcar com as conseqüências. Já falei disso com , e parece que ele está tentando escolher o caminho dele. - John falou, com a voz mais séria que tinha ouvido sair dele. - E você, vai crescer ou não?
- Sem pressão, John Ohh. Cantores de rock deveriam não ter toda essa carga sobre eles, principalmente cantores de rock famosos. Eu deveria ter uma assistente que arrumasse minha vida, não ter que comprar sorvete no supermercado porque escolhi o caminho errado. É todo o ponto de ser uma estrela. - Ela falou, desanimada.
- Já pensou em o que vai acontecer em cada caminho que escolher. Com , ou com Bill? Where will your life be gone in five minutes time? (Onde sua vida estará daqui a cinco minutos?) - Cantarolou ele, citando a letra da música que tocava.
E o que respondeu?
Que ela, honestamente, não fazia a mínima idéia.


Vinte e Um

Cinco dias para o fim da Warped Tour

Mãos.
Mãos na cintura, atrás da nuca, dentro da blusa, na parte interna da coxa, no rosto, mãos puxando para mais perto e afastando para pegar mais ar...
Bebidas.
Bebidas em copos, em roupas, no chão, na mesa, na boca de alguém, no sapato de outro alguém...
se odiava por ter amnésia alcoólica.
Ao abrir os olhos, suspirou aliviada. Pelo menos estava no seu ônibus.
Ela pôde sentir uma respiração no seu ouvido esquerdo e seu coração se acelerou de novo.
"Ótimo , você não consegue passar nem uma noite sozinha!" Pensou amargurada.
Mas ela também pôde ouvir outra respiração no seu ouvido direito, e fechou os olhos novamente.
- Estou imaginando coisas. - Murmurou pra si mesma.
Ela achou que a respiração do lado esquerdo tinha sumido, até que ela deu um ronco imenso bem no seu ouvido.
"Vai ver eu to dormindo com a Scarlett e a Elle. A Scarlett ronca muito" Tentou se acalmar e se mexeu um pouco, encostando na perna da pessoa do seu lado direito "Mas... Nenhuma das duas tem pernas peludas desse jeito. Merda".
Olhou de um lado. .
Olhou do outro lado. Bill Beckett.
- QUE PORRA É ESSA? - Ela deu um grito agudo.




- AAAAAAAH! - Os dois gritaram ao mesmo tempo, muito alto. caiu da cama e Bill bateu a cabeça na cabeceira (de um jeito impossível que alguns acidentes acontecem).
Eles gritaram de novo quando seus estômagos e suas cabeças protestaram com o movimento súbito.
- Cacete, minha cabeça! - uivou, colocando as duas mãos no cabelo e os puxando.
- Acho que vou vomitar! - Bill lamentou, fazendo aquela cara de "vou vomitar, cadê o vaso".
só não gargalhou com a situação porque estava sentindo duas vezes mais dor que os dois juntos, e estava desesperada para descobrir se os três tiveram "relações" à trois.
- O que aconteceu, porra?! - Ela gritou, e os três gemeram ao mesmo tempo. - Puta merda, minha cabeça tá pulsando de dor.
abriu a gaveta do criado mudo e tirou um Tylenol, pegando um copo de água do banheiro.
Ele tirou seis e deu dois para a e para o Bill, pegando dois ele mesmo. Eles revezaram o copo, calados para que a cabeça não doesse tanto. Os três subiram na cama, com no meio, de barriga pra cima e as mãos no estômago.
- E aí? Vocês vão me falar o que aconteceu, ou eu vou ter que procurar uma revista de fofocas pra descobrir?
- Nós fomos para uma das festas de finalização da Warped Tour, que os nossos managers nos obrigaram a ir, pra propaganda. Depois de vários, e eu destaco o vários, drinques, nos ficamos realmente bêbados, e teve a idéia de nós irmos em um clube strip, porque nós três estávamos deprimidos por vários motivos. Depois de mais uns drinques depois, você, , perdeu 100 dólares para uma stripper travesti, porque você a achou uma gracinha. - Bill respirou fundo e continou. - olhou para uma stripper, o que te deixou puta da vida, mesmo que o lugar fosse lotado delas. Vocês tiveram uma discussão bêbada e começaram a se pegar do nada. Eu fiquei de vela, mas aí você disse que estava com sono e dormiu na cadeira. Eu e nos olhamos e nos agarramos, e admitimos nosso amor mútuo impossível, carregamos você para cá e deixamos você dormir, enquanto demonstrávamos como o nosso amor era verdadeiro. - Bill terminou, e deu um sorriso satisfeito quando só o que ouviu foi um silêncio muito tenso.
- O QUÊ?! - gritou, gemendo e caindo na cama de novo. - Eu sei que eu te acho uma pessoa realmente atraente, mas não trairia minha ! Nunca!
ficou em silêncio, sentando de repente e perguntando para Bill: - Vocês têm isso gravado?
- Ai, , claro que a última parte era mentira, sua doida. Eu até que pegaria o , mas ele só pega mulhé, fazer o que? - Ele deu de ombros e virou de lado, dormindo de repente e roncando, meio bêbado.
- Caraca, quase tive um ataque do coração agora. Quando ele disse aquilo lá a única coisa que eu pude pensar foi " , se eles não tiverem gravado isso, você pode pegar sua tesoura de jardinagem e castrá-los, porque não vai servir pra mais nada". - deitou de novo, virando em direção a e sorrindo quando ele a olhou assustado. - Claro que eu não pensei com exatamente essas palavras, mas você sacou a idéia.
se afastou um pouco, com medo por Capitão Arnold, que não queria morrer tão novo e ativo.
- Sabe, , às vezes, especialmente quando você faz essa cara, eu fico me lembrando do meu Tio Rudolph, e isso não me faz sentir muito bem.
riu e subiu em cima dele, com cada perna em um lado de seu corpo.
- Ai, amor, você é tão fofinho como uma chinchila. Acho que vou te chamar de , a chinchila vocalista. - Ela lhe deu um selinho e apoiou sua cabeça em seu peito, se esticando e deitando em cima dele. Um tempo depois ela dormiu, mas não conseguia tirar aquela frase da cabeça.
"Mesmo eu sendo um idiota, lerdo e retardado, ela me ama e me acha fofo. E esse pensamento foi o mais gay e de quarta série que eu já pensei na minha vida, tirando os que eu pensava na quarta série, que mesmo assim não eram tão gays e agora eu vou parar de pensar, porque estou ficando muito filosófico, e quem é filosófico é o Capitão Arnold."
E ele dormiu com um sorriso nos lábios e uma no colo.




- Eu sempre quis ter um tênis que quando você pisava, ele acendia luzinhas, mas minha mãe dizia que só meninas de 5 anos usam isso. Eu tinha, de fato, 5 anos, mas aquela era a época de "uísque sem parar" dela, então eu não discutia. - parou de falar, fazendo desenhos na barriga de , que ainda estava tão bêbado quanto ela, mesmo que fossem nove horas da manhã.
- Eu sempre pedia uma Barbie de aniversário, mas minha mãe dizia que era gay demais, e que eu estava parecendo com o . - Ele parou para fungar. - Isso deixa marcas, sabe? Com quem o lego Star Wars teria filhos? Só queria que nascessem mais legos pra eu brincar, com as roupas da Barbie de brinde, sabe?
- Não, mas eu entendo o que você acabou de falar. - Ela murmurou, desenhando um coração escrito "Barbie + Lego Star Wars = Amor". - Você acha que é normal que nós ainda estejamos bêbados de ontem à noite?
- Acho que sim, já que nós ainda não paramos de beber. Mas acho que ainda está fazendo efeito porque nós dois bebemos outra coisa que piora a situação. - disse, fazendo mistério.
- O que é? Açúcar? - perguntou, dando risadinhas.
- Não, esposa. Nós estamos bêbados de amor! - Ele gritou, e gritou junto, e eles dormiram cinco segundos depois.
Elle, Scarlett, Rian e olharam aquilo acontecer na sua frente, e riram tanto que quase tiraram e de seu coma do amor.
- Se isso for amor, por favor senhor, me poupe. - Scarlett comentou, secando uma lágrima.
- Ah, mas você não acha uma gracinha o modo em que eles ficavam abraçadinhos enquanto falavam de sua infância perturbada? - Elle perguntou, parando um segundo e repensando, respondendo com todos os outros:
- Não...


Vinte e Dois

Cinco dias para o fim da Warped Tour

- Ei, psiu! - ouviu vagamente, sua cabeça ainda latejando um pouco, mesmo que fosse almoço.
Ela estava em uma lanchonete perto onde os ônibus estavam estacionados, bebia café sofregamente e comia uma torre de panquecas.
- ! Psiiiiiiiiiiiiiiu! - Ela ouviu de novo, desta vez mais forte, e virou a cabeça para trás.
Janice estava usando óculos de abelha e um lenço na cabeça, e se ela queria ser discreta com essa roupa, não estava conseguindo mesmo.
levantou rapidamente da cadeira e levou sua xícara e seu prato de panquecas para a mesa dela, se deslizando no banco.
- E aí, Janice. Como você me encontrou? - Ela comeu outro pedaço da panqueca.
- Tenho minhas fontes, e isso não vem ao caso. - Ela desprezou o assunto com a mão. - Venho aqui para avisar que já consegui a planta da casa onde Destiny mora, e o lugar onde ela guarda o vídeo.
- Janice, mas o lugar onde ela mora também é sua casa. Você não precisaria de planta nenhuma. - comentou, confusa.
- Eu sei, mas isso deixa a situação mais séria do que eu só pegar a fita na caixinha de jóias da minha irmã pentelha. - Ela olhou feio para , e continuou. - Como eu estava dizendo antes de ser rudemente interrompida: Consegui tudo para nós invadirmos o lugar e nos apossarmos do alvo.
- Ok, Janice, isso é bem legal, mas como vamos saber se Destiny não fez uma cópia da fita?
- Ha, muito engraçado. Minha irmã é tão estúpida que ela provavelmente fez uma cópia e guardou no mesmo lugar da original. - Ela revirou os olhos. - Minha casa é na próxima cidade que vocês irão, a penúltima parada da Warped Tour. Temos que ter tudo preparado até lá.
- Certo. - pausou, e olhou para Janice confusa. - Janice, o que nós teremos preparado até lá?
- Deus, todos os vocalistas de bandas são estúpidos desse jeito? - Ela revirou os olhos mais uma vez. - Já tô vendo que vou ter que dar uma de babá. Mas que óootimo!
- Hein?
- Ai, só cala boca, vai? Eu vou contar o plano, mas você tem que chamar suas amiguinhas de banda pra ajudar. - Ela deu um celular para que pudesse usar. - Ah, e não esquece da , tá? Acho que vou mudar para o fã-clube " e são o casal mais fofo ever, e eles nos dão vontade de apertar a bochecha deles de tanta fofura sobrando", fiquei sabendo que a presidente desse fã-clube se casou com um tal de Elvis de uma capelinha em Las Vegas, então acho que vou preencher o cargo. Deve ser bem menos retardado que o meu casal.
- Hein? - arqueou a sobrancelha.
Aquela pequena insolente tinha chamado-a de retardada?
- Esquece.




- Pera aê. Você tá falando pra gente que nós vamos invadir a casa da sua irmã gêmea, porque ela roubou uma fita de vídeo em que tem a e o fazendo "coisas" que eu particularmente gosto de formas variadas, e que você mandou eles gravarem para ver se ficariam juntos mesmo. E agora ela está chantageando para que ele namore ela para que ela fique famosa, ou alguma coisa assim? - Scarlett perguntou, olhando com uma expressão séria para Janice.
- É EXATAMENTE ISSO! - Janice gritou, jogando as mãos para os céus e agradecendo aos deuses. - Caralho, vocês demoram mil anos pra entender a coisa mais simples do mundo, hein?
- Epa, não fala essa palavra feia perto de mim, meus ouvidos de lady são sensíveis. - falou, tampando os ouvidos, que não escutou quando Scarlett comentava baixinho: "Palavra feia, minha bunda. Ela adora um, e do ainda mais".
- Ewwww, - Elle, Janice e gritaram juntas, e só continuou cantando uma música de ninar com os dedos nos ouvidos.
- Ok, ok, ordem na reunião! - exclamou, trazendo toda a atenção para si - Janice, isso me parece bem simples mesmo. O que eu não estou entendendo direito é por que está aceitando a chantagem.
- E é aí que está a parte mais dramática da estória. está fazendo isso porque não quer que você se sinta exposta se a fita vazar, porque sabe que você odeia mais que tudo as notícias da mídia.
Todas fizeram um "Awwww", e acrescentou:
- Meu fariam o mesmo pra mim e ainda mais.
Todas ignoraram, e continuaram a discutir sobre o plano.
- Já sei! Nós faremos Destiny confrontar enquanto nós entramos na casa, entramos no quarto e arrombamos a caixinha de jóias. - Scarlett disse, já decidida que esse seria o plano.
- Então, Scarlett, você tem alguma alma gêmea por aí para nós fazermos um fã-clube sobre? Porque parece ser a única que pensa por aqui, com a minha exceção, é claro. - Janice disse, e começou a desenhar o plano para que , Elle e entendessem.
- Sim, eu tenho uma alma gêmea. - Todas congelaram e olharam para ela com espanto - Todos os homens do mundo. - Ela pausou para dar mais efeito - E algumas mulheres também.
- Essa noite está ficando cada vez mais traumatizante. - Elle comentou, batendo a cabeça na mesa, enquanto Scarlett ria loucamente e as outras ainda a olhavam com expectativa, provavelmente congeladas em suas expressões anteriores.
- Essa Warped Tour ainda nem terminou e já é a melhor. - Scarlett disse, olhando para o além, como se lembrasse de coisas - A única coisa que falta é eu pegar William Beckett e Gabriel Saporta juntos, é claro, mas eu consigo fazer isso em menos de uma semana.
- É... - Elle confirmou - Sem dúvida a mais traumatizante de todas.




Bill olhou para a parede, sem ter idéia que naquele momento ele estava sendo mencionado em uma conversa pervertida (já que Scarlett estava no meio) entre mulheres.
, que já tinha sido mencionado, nem de perto tão promiscuamente como Bill, estava sentado na frente dele, olhando para a xícara de café.
Tinham se encontrado na saída de seus ônibus e sem saber o que fazer, o convidara para conversar.Eles estavam passando por um daqueles momentos de silêncio tenso, que você fica com vontade de falar qualquer coisa bem retardada só pra ocupar espaço no ar, mas todos sabem que como não tem nada pra falar, só ficar calado faz mais sentido.
- Então... Você gosta de queijo? - começou, olhando rapidamente para Bill.
- O quê? - Bill perguntou, realmente confuso.
- Você nunca viu 'Ela é o cara'? Pelo amor de Deus, eu acho melhor sair desse recinto. Não ter visto 'Ela é o cara' é pior do que não ter visto Crepúsculo, só que 10 vezes pior, porque tem aquele cara bonitão... Er, esquece...
- Ok... - Bill concordou, olhando o como se ele fosse anormal. O que era uma meia verdade.
- Então... Você vem sempre aqu-
- Pelo amor de Deus, ! O que você quer? - Bill exclamou, fazendo pular na cadeira, derrubando café em seus dedos.
- Cara, você tá chapadão? O que eu fiz? Só tentei fazer uma piadinha sobre 'Ela é o cara' para descontrair o ambiente, mas se você não curte essas coisas alegrinhas, bom, que se dane você!
- Cara, eu só tô perguntando porque você tá me dando agonia! Tipo, para de ficar me olhando 'ameaçadoramente' porque não está funcionando nem um pouquinho! Você já se olhou no espelho? Um hamster pode te dar uma voadora e te derrubar! - Bill terminou de falar e olhou para .
Os olhos dele começaram a encher de lágrimas e ele fungou duas vezes antes que Bill se derretesse e desse a volta pela mesa para bater nas costas dele.
- Olha, , se uma lágrima sequer cair pelos seus bonitinhos olhos, vou contar para John Ohh e ele vai espalhar para toda a Warped. - Ele olhou com pena para ele quando fungou mais baixinho. - Agora me conte o que aconteceu para te deixar assim.
- É só... Q-que eu amo ela taaaaaaaaaaaaaaaaaanto. - se lamentou, batendo a cabeça na mesa.
- Hein? Você tá bêbado? Eu sabia que tinha alguma coisa errada quando você começou a falar sobre queijo. - Ele negou com a cabeça, fazendo a cabeça de bater na mesa mais forte ainda.
- Nãoéissoéqueeuachoqueelanãomeamamaaaaaaaaais... - continuou com suas lamúrias, e Beckett continuou não entendendo nada que dizia.
- Ok, vamos tentar de novo. Inspira, expira, inspira, expira. No três você vai falar... bem... devagar, certo? - concordou. - Um, Dois Três!
- . - suspirou, olhando para Bill. - Ela que é o problema. Por que em nome dos santos ela ficaria com alguém como eu em vez de ficar com alguém como Bill Beckett?
- É, eu também me perguntava sobre isso. - Bill riu quando olhou para ele com uma cara de mal. - Não que eu tenha nenhum interesse pessoal nela, porque ela vem sendo uma melhor amiga perfeita para mim. Mas mesmo se eu gostasse dela desse jeito... ! Se tivesse todo o time de rugby da Austrália e você passando por ela, ela babaria por você. Porque você é o único que faz o coração dela perder umas batidas. Você é o cara que ela acorda pensando e dorme sonhando. Você, e só você, , que faz ela dar aquele sorriso que todos suspiram de inveja por não ser o alvo. É sobre você que ela escreve em seu diário, e é com o seu sobrenome que ela rabisca como se fosse o dela. É tudo sobre você, . Porque ela te ama tanto que o sol nasce e põe sobre seus pés. E se eu fosse você, não me sentiria ameaçado por alguém como eu (por mais ameaçante que isso seja), porque não sou eu o cara. Você é o cara.
- Acho que esse discurso foi o mais inspirador, dramático, lindo e chorante que eu já ouvi/li/senti na minha vida. - , que estava parado atrás de Bill e , olhou para Rian e , que estavam no seu lado, secando os olhos e passando a mão pelo nariz pra não deixar nada escorrer - Se eu não fosse hétero, e se eu também não estivesse apaixonado pela minha cupcake rosinha, eu iria fazer alguma coisa sobre isso, mas nessas circunstâncias...
- Graças a Deus. - Bill murmurou, fazendo rir e se levantar da cadeira.
- Ok, galera, uma abraço em grupo que eu tô no sentimento.
Todos se juntaram e deram um abraço realmente gay.
- Ai, ai, agora me sinto melhor. Mas o que eu faço se tudo que você acabou de dizer não for verdade? E se for só uma crise de vida de uma vocalista famosa? - perguntou, olhando para os três, seus companheiros de banda e de merda, e Bill Beckett o cara que faz o sorriso mais sexy em 'About a Girl'.
- Ah, , essa é a beleza e a maldição do amor... Você nunca irá saber. - disse, parecendo um segundo sábio e conhecedor do mundo, mas então ele arrotou e estragou tudo.
- Ewww, , que noojo! - Todos os meninos se separaram, e Bill olhou para estranhamente antes de olhar novamente e dar uma piscadinha.
- Eu vou dar um jeito pra você saber se ela te ama pra sempre, , ou eu não me chamo William Eugene Fucking Beckett Jr!


Vinte e Três

Cinco dias para o fim da Warped Tour

- , o que diabos você está fazendo aqui? - Bill Becket perguntou, olhando para ela de um jeito estranho.
- Do que você tá falando, meu filho? Me explica logo porque eu não tô com a mínima paciência de ficar perguntando do jeito que eu estou perguntando agora. - ela terminou de falar e balançou a cabeça - Só me explica logo, que a vodka tá no sistema ainda.
Ele deu aquele sorriso para ela, todo paciente, e se sentou no seu lado, no ônibus do The Maine.
- Tá bom, você quer saber por que eu to sentada nos degraus do ônibus do The Maine, e explicar, eu irei! - Ela se levantou para fazer um discurso - Só para a sua informação, eu estou lendo esse livro de sobrevivência ao Apocalipse Zumbi que o Garrett me emprestou, e ele é ótimo, deixa eu te dizer. Se todo o plano de "dischantagear" o não der certo, um apocalipse vai ser o último de nossos problemas, mas enfim. - ela deu de ombros e ignorou a risada alta de Bill - Outro motivo de eu estar sentada aqui (não mais sentada, mas isso não vem ao caso) é que esse ônibus deveria ser meu. Porque ele é muito perfeito! Sério, só tem cara gato pintado nessa porra! Eu ficaria com ele do jeito que ele está e faria um bigode de porteiro em todo mundo, porque eu acho um charme bigode de porteiro.
Bill concordava plenamente, e até adicionaria que se os integrantes (com bigodes) morassem junto enquanto ele estivesse lá não teria nenhum problema, mas ele tinha assuntos (um pouco) mais importantes para se resolver. Porque era com aquele casal que ele tinha que lidar e - Bill pausou no meio do pensamento e olhou para .
- O que você quer dizer com "dischantagear?" O que você não me contou, senhorita ? - Ele olhou para ela severamente, e ela ficou vermelha.
olhou para Bill e repensou. Ela não falaria pra qualquer um que existia uma sextape dela e do , mas ela e Bill tinham passado por tanto juntos! Ela abriu a boca e quando ia começar a contar a história, John Ohh apareceu do nada, aparentemente saindo do ônibus ao lado. O que era estranho, já que o ônibus do lado era de uma banda só de homens. Bem, estranhezas de lado, olhou para John também e decidiu contar pra todo mundo mesmo. Eles eram como seus melhores amigos gays e é bom quando alguém te ouve e não te julga como nós mulheres fazemos. Bem, nesse sentido ela estava um pouco enganada. Ela abriu a boca e tudo saiu mais fácil que vômito de bêbado.
- QUE PORRA É ESSA?!?
- ME DÁ O CEP DESSA PIRANHA QUE ELA VAI DESCOBRIR O QUE É BOM.
- VOCÊS SÃO IDIOTAS?! SEXO NA FRENTE DE CÂMERA? ESSA MERDA É A WARPED TOUR, NÃO BIG BROTHER, CACETE.
- AAAAAAAAAAAAH, CALEM A BOCA, VOCÊS DOIS! - explodiu depois de ter ouvido um minuto daquela gritaria. - Eu pensei que vocês não iriam julgar! Porra, a me deu menos bronca em dois dias que vocês me deram agora! Relaxem! Eu estou tendo uma crise e vocês têm que me ajudar, senão eu vou ter um ataque de diva. Um. Ataque. De. Diva.
Eles calaram na hora e balançaram as cabeças juntos, com os olhos desesperados.
- Me desculpa, zinha! - Falaram em uníssono.
- Bom mesmo. Então, eu já tenho uma solução: a Maliciously Betrayed e associados vão invadir a casa da Destiny, a Vadiazinha e vamos ROUBAR a fita e sua cópia! Amanhã! - Ela terminou, triunfante.
Os dois olharam para ela com expectativa, como se esperando por mais, mas quando ela não acrescentou mais nada eles se entreolharam e viraram para ela.
- Que porra é essa? - John Ohh perguntou, na lata. Bill pareceu doído, e murmurou "Eu não iria me expressar dessa forma, exatamente" - Vocês parecem um bando de criançinhas de jardim de infância brincando de ser espião. Eu sei que isso pode ser extremamente gratificante em brincadeiras sexuais, mas esses são assuntos extra-oficias, minha amiga! - fez uma cara de nojo, mas John continuou de qualquer jeito - Eu te deixo sozinha um tempo pequeno e você já arrumou mais coisa para eu me preocupar. - Deu um suspiro.
- Quem é que tem os ataques de diva aqui? - Bill perguntou para o ar, porque e John Ohh já estavam com um nariz encostado no outro, trocando insultos.
- Você não manda em mim, seu bobão.
- Sua desmiolada cabeça de batata.
- Eu vou chutar sua canela se você não calar a boca.
- Nem ligo, você é uma chata bobona.
- Para de me imitar, eu acabei de falar que você é um bobão.
- Só se eu quiser, sua-
-Ok, galerinha, hora de diminuir os "insultos" de ursinhos carinhosos e vamos nos focar no assunto em questão. - Bill os separou - Se vocês se acostumarem a falar esses palavrões vai ser complicado explicar para a imprensa.
Os dois se olharam com desconfiança e cruzaram os braços ao mesmo tempo.
- Acho que eu tenho uma solução melhor. Agora, , você vai ouvir até o final e não vai abrir a boca até eu deixar, ok? - Bill disse, e empurrou e John Ohh pra as escadas do ônibus, ele ficando em pé - Na verdade, acho melhor soltar a bomba e você gritar comigo depois. Vai ser bem mais rápido. - Ele se calou e suspirou fundo, soltando tudo de uma vez - Eu-acho-que-você-deveria-deixar-a-fita-vazar.
Silêncio total.
Mais silêncio.
A coisa que quebrou a tensão foi que John Ohh começou a engasgar de tanto rir. - Virgem Maria, mas essa piada foi ótima, Beckett. Você é até que engraçadinho! Acho que ia gostar de entrar no grupo dos Vocalistas Piadistas. - Ele assentiu com a cabeça seriamente, sussurrando alto. - A tentou entrar, mas ela não é tão engraçada assim.
olhou para os dois com horror. - Você não está brincando, não é? TÁ FICANDO LOUCO, SEU PANACA?! NÃO SABE QUE ATÉ PENSAR NISSO DÁ MÁ SORTE?! AAAAAAAAAAAH, EU TENHO QUE SAIR DAQUI.
Ela saiu andando para o horizonte, deixando Bill e John parados, sem assunto.
- É, acho que eu vou contar pro as novidades... - Bill disse, indo para o lado contrário de . Deixando John Ohh sozinho para expressar a sua opinião ao esquilo que passava por perto.
- Isso que foi uma saída de diva!




Quatro dias para o fim da Warped Tour

Aquele era o dia D. O dia em que o plano finalmente seria realizado, que eles finalmente recuperariam a maldita fita, que não precisaria mais ceder a chantagem nenhuma e que todos ficariam simplesmente... Livres. Bill Beckett era um louco se achava que ela iria simplesmente deixar a fita flutuar por aí! E se ela quisesse virar uma executiva quando a Maliciously acabasse? Seu chefe a iria assediar sexualmente, mas nem seria tanto assédio, já que ele conheceria a ela mais que sua parteira.
olhou para o relógio em cima do seu criado mudo, 11:05 da manhã. O ônibus estava estranhamente silencioso - aquela era a hora em que todos acordavam e iam tomar café da manhã vendo desenhos na televisão, mas os únicos sons que ela ouvia eram vozes falando baixo e alguma muvuca da Warped acontecendo do lado de fora.
Espreguiçou-se, vestiu uma blusa da Clandestine Industries - tinha que "prestigiar" sua nova marca - e encarou o espelho. Estava sentindo um otimismo estranho, algo que não sentia há meses e ela tinha sentido falta daquilo.
- Bom dia, meus queridos! - abriu a geladeira e pegou um suco de uva - Alguém quer suco?
Silêncio.
- Hmm, ok. O que tem de bom pra comer? - Ela encarou a mesa. Vários tipos de pães e outras guloseimas, intocados - Ninguém comeu nada? Tá estragado é?
Silêncio.
- Vocês vão falar comigo ou não? - A garota sentou-se entre Rian e Elle, na frente de , que tinha ao lado. Scarlett e a encararam do sofá. Todos estavam no ônibus, menos .
Mais silêncio.
- Que porra, vocês vão falar comigo ou não?! - Ela os encarou com raiva. Por que diabos eles estavam agindo tão estranho? Era pra ser um dia feliz! Pegar a fita, livrar-se da stalker assustadora, ficar com pra sempre, fim!
Terminou seu copo de suco e levantou-se, bufando.
- Cansei do tratamento silencioso, to saindo daqui. - Andou em direção à porta do ônibus e quando sua mão tocou a maçaneta, ouviu seis vozes diferentes gritando.
- NÃO FAZ ISSO!
Ela soltou a maçaneta como se tivesse levado um choque e os encarou assustada.
- É que a Elle tem alergia a sol! - gritou, ainda mais alto, se levantando. - Ela fez uma maratona de The Vampire Diaries e agora ela tá assim! É, a gente até tá tentando comprar pela internet um anel pra ela! Pobrezinha.
- Hein?
- É, que porra é essa, dona ? Por que ela tem que ser a vampira nessa história? Eu sou muito mais sexy que todas vocês juntas e eu conseguiria ter um ménage com os irmãos Salvatore. - Scarlett disse, dando uma risadinha.
suspirou, se sentando de novo.
- ... Senta aqui... - Elle deu uma palmadinha no lugar vago ao seu lado e a obedeceu.
segurou suas mãos e respirou fundo.
- Amiga, não tem jeito fácil de te dizer isso... E acho melhor você saber isso da gente... - O olhar de era de pura seriedade e aquilo assustou a vocalista.
Milhões de pensamentos passaram por sua cabeça, um mais trágico que o outro.
- Os peixinhos dourados não comeram e agora eles estão boiando estranhamente no aquário e as meninas estão sentidas. - Scarlett começou a desculpa, mas a interrompeu, balançando a cabeça.
- Eu consigo fazer isso. Ah, e nem brinque com a vida dos meu peixinhos, sua assassina mental. Ok... ... - deu um apertão na mão da amiga.
- O que aconteceu? Você tá me deixando nervosa! - olhou para os outros rostos da sala, todos encarando qualquer coisa, menos ela.
- A fita vazou.




Barulho de roupas caindo no chão. Gemidos. Beijos. Gemidos. Rangidos. Beijos. Rangidos. Gemidos. Silêncio.
Barulho de roupas caindo no chão...
- Dá pra parar logo com isso? - falou irritado, e o vídeo foi pausado.
- Desculpa cara. To tentando pensar em um jeito de concertar as coisas. - Bill coçou a nuca e deu de ombros.
- E desde quando ver eu e a ... - Fazendo amor, ele pensou - Transando vai ajudar em alguma coisa?
- Ah... Bem... Er... Ah, sei lá, !
- Admite cara. Você só quer me ver pelado. - tentou fazer uma piada, falhando miseravelmente.
- E eu não sou o único. Quando eu cliquei no link, 300 views. 30 minutos depois... - Bill clicou no "atualizar página" e engasgou, fazendo um barulho estranho - 5 mil views. Além do mais, essa sua é uma bruxa. Ela disse que isso iria acontecer se fosse mencionado, mas eu nunca achei que iria rolar mesmo. Essas vocalistas de hoje em dia...
- MÁOQUE? Não. Não mesmo. 5 MIL VIEWS? Não pode ser... - tirou o iPhone do bolso, desesperado - Merda, cadê...
- Pra quem você vai ligar, ?
- Atende... Vai, atende! - Ele passou a mãos pelos cabelos, nervoso - Alô? Nunca pensei que eu diria isso mas... Eu preciso de você. Agora.




- , pára com isso. Eu exijo. - Disse , tentando colocar ordem nas coisas e tirando o fone de ouvido da orelha da amiga.
- Me deixa em paz, porra. - deu um tapa na mão de e colocou o fone de volta, apertando o botão para ver o vídeo novamente - Merda, merda, merda.
- Pra quê o fone de ouvido? Não é como se a gente já não tivesse ouvido você e o gemendo juntos por aí. - Falou Scarlett, revirando os olhos.
tirou o laptop do colo, jogando-o no sofá - quase na cara de - e foi tirar satisfação com Scarlett.
- Olha aqui, sua piranha egoísta, não é porque a minha sextape vazou antes da sua que você vai vir descontar suas frustrações em mim, ok? - Apesar de ser no mínimo uns 10 centímetros mais baixa que Scarlett, podia meter medo.
- Na verdade, eu só não tenho uma sextape vazada porque eu ganhei dinheiro para fazer ela, então eu tenho uma sextape melhor que a sua. E sou eu a egoísta? Você que é a egoísta, sua vadiazinha! Não pensou nem um pouco no que aconteceria com a nossa banda se essa merda vazasse, não é? Ninguém liga pra mim porque eu sou a louca da banda. Era pra você ser a certinha! - Scarlett abaixou para encará-la nos olhos - A gente acabou de assinar com uma gravadora nova, mas será que vai ser na nossa música que vão prestar atenção? É óbvio que não. Só vão lembrar dos seus peitos e dos gemidos do .
- Eu... Argh...
- Pára de gemer, , já ouvi o suficiente. - Disse Scarlett sarcástica.
BAM.
Um tapa na cara.
Em seguida puxão de cabelos. Mais tapas. Gritinhos. Duas garotas caindo no chão e rolando, tentando ficar por cima.
- AI MEU DEUS, ELLE VEM AJUDAR AGORA! - gritou histérica.
Elle saiu correndo do pequeno banheiro, levando um susto com a gritaria da salinha.
- SUA VACA!
- PIRANHA!
- VOCÊ ARRANHOU MINHA CARA!
- VOCÊ PUXOU MEU APLIQUE!
- SE LARGUEM, AGORA! - Berrou Elle, tentando separar as duas, sem sucesso.
- HOMEM, DÁ PRA VOCÊ AJUDAR? - encarou o marido - ARGH, ESSE CABELO É MEU, SCARLETT!
- Eu? Ajudar? Eu vou é fazer uma pipoca. E talvez pegar uma câmera... Vou ganhar um dinherão se eu vender para o Peris Hilton. Espera aí... - deu uma corridinha.
- ! VOCÊ PIROU?! ELAS VÃO É SE MATAR! - Elle puxava pelo pé, enquanto ela recebia uma mordida de Scarlett - , RIAN, PELO AMOR DE DEUS!
- Mas o que é que está acontecendo aqui?! - perguntou, assustado.
Silêncio...
E caos.
- Ela que começou, você sabe que eu sou super paz e amor...
- Não foi culpa minha, ela já partiu pra agressão e...
- Eu tava de boa tomando banho quando a começou a gritar...
- Eu comecei a gritar quando a Elle tava de boa tomando banho...
- Já tava fazendo a pipoca quando você chegou e...
- CALEM A BOCA. Todos vocês. Agora! Aqui dentro desse ônibus está tão, ou mais caótico, quanto lá fora com a gente tentando controlar aqueles malditos repórteres... - Ele respirou fundo - . Precisamos conversar. Venha comigo, sim?




, e Rian se sentaram no sofá depois que e saíram para o quarto. segurava a pipoca e o refrigerante, e eles dividiam o canudinho.
Scarlett levantou do chão, bateu poeira da roupa e jogou o cabelo para trás.
- Eu ganhava essa briga fácil. Fiquei em terceiro lugar no Campeonato de Briga de Mulher -edição puxão de cabelo liberado-, e eu sei o que é briga de morte. - Se sentou do lado de Rian e pegou um pouco de pipoca.
levantou do chão com a ajuda de Elle e elas se dirigiram também ao sofá, onde sentou no colo de , empurrando a pipoca no colo de Rian, e Elle se sentou do lado do , se esticando para pegar pipoca da virilha de Rian.
- Eu não sei como todo mundo vai agir, mas eu to feliz que a gente não vai precisar sair e invadir a casa da Destiny, a Vadiazinha. A ia me fazer usar preto, e eu fico horrenda toda de preto. Vocês se lembram da última vez, né? - Elle comentou, fazendo os meninos e Scarlett rirem e ofegar de horror.
- Vocês são maldosos demais! Não pensam o que acontece se a tiver filhinhos com o e eles estiverem mais velhos e souberem mexer na internet? E se eles estiverem olhando pornô e acharem seus pais lá? Imagina isso acontecer com você! - disse e todos ofegaram de horror.
- Eu acho que vocês deveriam relaxar. - disse. Rian concordou e disse: - Vocês não viram a cara do ?
As meninas olharam para eles em dúvida, mas deu uma risadinha e pegou mais pipoca da virilha do Rian.
- Agora que vocês disseram, eu percebi. O tava com aquela cara. Ele já tem uma solução, ou pelo menos uma idéia bem foda.
Todos sorriram e deram hi-five uns nos outros.
- Caralho, dá pra parar de comer pipoca da minha virilha?!


Vinte e Quatro

Quatro dias para o fim da Warped Tour

- , eu...
- Sh, garota. Agora sou eu que falo. - O fechou a porta da suíte e pediu para se sentar.
Ela apertava o nós dos dedos, tentando se acalmar. Estava assustada. Nunca tinha visto tão... Adulto e responsável.
- ... Eu mal posso imaginar o que está passando pela sua mente agora. - Ele a encarou - Você já falou com seus pais? Ou postou algo para seus fãs?
Seus pais. Merda. Ela estava tão preocupada com a sua imagem que nem tinha se lembrado. Talvez Scarlett estivesse certa. Talvez ela fosse mesmo uma egoísta.
E seus fãs? O que eles deveriam estar pensando - se é que eles ainda existiam?
- Eu... Eu não pensei nisso ainda. - apoiou a testa nas mãos, respirando fundo.
- Já falei com o Lancelot e ele acionou os advogados. O vídeo vai ser tirado do ar em algumas horas, mas nós não temos controle sobre as pessoas que já salvaram o vídeo nos computadores...
continuou falando - frio e profissional -, mas a mente de divagou-se.
Já era. Acabou. De vocalista de uma banda talentosa - com alguns problemas amorosos - agora ela era... Um nada. Uma piranha com um vídeo de sexo na internet. Demoraria quanto tempo para uma emissora de TV ruim bater em sua porta com um reality show de baixo orçamento para ela estrelar?
Por que isso? Por que agora?
- ? Você tá prestando atenção no que eu to falando? Eu sei que você deve tá com a cabeça cheia, mas...
- Você fala como se isso só afetasse a mim. - Ela murmurou, e tirou o cabelo do rosto - Quero dizer, como se... Argh, não sei, como se as consequências só se aplicassem a mim.
pareceu a encarar com pena, e isso encheu de tristeza e raiva. Porque ele estava com pena dela. Uma sextape não se faz sozinha. Bem, só se você tiver fazendo aquilo sozinha, mas isso não vem ao caso, já que a ação daquela sextape não era nem um pouco solo.
- , você tem que pensar um pouco. - disse, o que só fez ficar com mais raiva - Eu sou homem. - Ele falou calma e simplesmente.
- Não, , você é um unicórnio! - Ela silvou sarcasticamente - Claro que você é um homem. E daí?
Ele suspirou.
- Significa, , que ter uma sextape fazendo amor com uma garota gostosa só me faz foda.
Ela sorriu quando ele disse "fazendo amor" em vez de "transando", porque isso a lembrava de noites preguiçosas em colchões macios, entre lençóis de mil fios, onde sussurrava que ela seria a única com quem ele faria amor.
Então ela ouviu o resto da fala.
- QUE PORRA VOCÊ TÁ FALANDO?! - O princípio de histeria borbulhava em .
- , se acalma prime-
- Você tá querendo me dizer que minha vida pode estar acabada; que meus pais provavelmente vão me deserdar e que minha vida profissional tem uma mancha impossível de sair? E você também está me dizendo que isso não vai acontecer com você, que vão te considerar um herói, por que você é um homem?! - A histeria explodiu, e a única coisa que queria fazer era dar um gancho de direita bem no meio daquele rosto perfeito.
começou a se sentir culpado, mas então ficou com raiva dela por fazê-lo sentir uma coisa que ele não merecia.
- Qual é o seu problema?! Você tá agindo como se isso fosse minha culpa! Só porque as pessoas pensam assim não quer dizer que eu estou feliz que elas pensem. Porque é totalmente o contrário. Se eu pudesse me colocar no seu lugar pra te salvar disso, eu faria em um segundo! - Ele jogou as mãos ao ar e suspirou. - Quer saber, acho melhor eu sair daqui antes que isso vire baixaria. Pensa no que eu disse e vai falar com o Lancelot. Porque vai ser ele que vai te ajudar.
Ele se virou para a porta, e o viu ir. Ela não conseguia falar. Tinha esse bolo enorme em sua garganta e ela se sentia um lixo.
- ...
Mas ele já tinha ido. A última coisa que ela viu antes que sua visão virasse um borrão foi a porta fechada.
Não parecia um bom presságio.

Três dias para o fim da Warped Tour

A moda que a gente aprova.

, a queridinha da música americana aparentemente ficou mais famosa!
Eu sei, eu sei: isso é possível?, vocês perguntam. Bem, digamos que com a ajuda de um pequeno rock star (e quando eu digo ajuda, eu digo com sentimento) ela levou sua fama para um nível totalmente novo!
Será que isso vai virar moda nas nossas bandas da Warped Tour? Primeiro Saporta, depois Pat Kirch (nosso pequeno bebê!) e agora o casalzinho 10?
Bem, se continuar a aparecer partes essenciais dos nossos gatos nessas gravações, eu topo estrelar em uma com o selo de aprovação da Kerrang!

- , levanta! - disse, puxando o lençol em que a amiga estava enrolada. - Sério, o Lancelot já tá dando piti porque tá tentando falar com você desde ontem, mas você não responde nenhuma ligação. - Ela pegou o celular que estava jogado no chão, junto de alguma blusa cor de vômito. Olhou para o visor e mostrou para , que ainda estava enrolada no lençol com a cara debaixo do travesseiro. - Olha só! Tem mais de 50 ligações perdidas! Metade é dos seus pais.
- AAAAH, me deixa em paz, sua chata. Não vê que eu to sofrendo aqui? Me deixa morrer. - Ela murmurou, mas sua voz não saiu muito clara, já que sua cara ainda estava enfiada em um travesseiro.
- Olha, , eu to tentando ser uma boa amiga aqui, mas se você continuar a agir como uma criança e não encarar os seus problemas do jeito adulto, do jeito responsável, eu vou embora daqui. Porque eu to desde ontem nesse quarto, sendo uma completa idiota, te implorando pra você sair desse coma que você está, e a única coisa que eu estou ouvindo são insultos.
Fez-se um completo silêncio no quarto.
tirou a cara do travesseiro e se sentou na cama, limpando as remelas dos olhos. - Quem é você e o que fez com a minha melhor amiga?
revirou os olhos e sentou na cama com ela.
- Eu sei que eu sou boazinha toda hora, que eu concordo com tudo para evitar conflitos, mas quem nós estamos falando aqui é você. Como bem disse, eu sou sua melhor amiga. Você é a pessoa mais importante pra mim depois do meu bebê sunday de chocolate. E apesar de eu amar o com todo o meu coração, é pra você que eu vou quando eu preciso de um conselho. E a única coisa que estou te pedindo agora é que você seja adulta e encare seus problemas como uma mulher do século XXI.
fungou e pegou o lenço que ofereceu para ela. Se atirou em , quase a empurrando da cama.
Elas duas riram com os olhos cheios d'água. pegou o celular rosa e o entregou para ela.
- Tudo vai dar certo, querida.
pegou o celular.




- Puta que pariu, caralho, cacete, filho da puta, vai se fuder. - murmurava com raiva. Agora que ele tinha fodido tudo mesmo. Sempre que abria a boca perto de saia merda e todo mundo acabava machucado.
E era exatamente o que tinha acontecido ontem.
A mídia não calava a boca sobre o assunto todo. E outra coisa ótima tinha acontecido, para melhorar a situação toda: ele teve que desligar seu celular, porque algum idiota tinha conseguido o número e todas as fãs possíveis e imagináveis ligavam para ele sem parar.
Sem. Parar.
Ele chutou o banco de concreto com o pé, mas sentiu uma dor forte imediatamente e blasfemou um pouco mais. desistiu, cansado e sentou no banco do parque.
Estava deserto. Nenhuma pessoa normal iria para o parque as três horas da tarde para pensar. Mas até que curtia a música do lugar. Os pássaros cantando, o vento roçando as árvores, os insetos cuidando de sua vida e...
É, ele estava convivendo demais com e .
Apoiou o rosto nas mãos, com os cotovelos descansados nas coxas.
- E agora, Senhor, o que eu faço? - Ele perguntou abafadamente.
Como se isso fosse um sinal, seu celular começou a tocar.
fez o sinal da cruz. Tinha certeza absoluta que tinha desligado seu celular.
Só podia ser...
Ele?
pegou o aparelho, apertou no botão verde e vagarosamente levou o celular para a orelha.
- A-alô?
- , O QUE DIABOS VOCÊS ESTÃO FAZENDO?!
- Q-q-q-quem e-e-e-é?
- É a Janice, pelo amor de Deus! - Ela deu um suspiro impaciente, e ele tinha a imagem dela revirando os olhos. - Quem achou que era, a Paris Hilton?! E nem tente trocar de assunto, senhorzinho! Eu estou extremamente decepcionada com o senhor! Eu deixo vocês sozinhos por algumas horas e uma coisa dessas acontece! Eu não acredito, eu simplesmente não a-cre-di-to.
Ele limpou um pouco do suor que estava em sua testa e deu um suspiro de alívio.
- Ah, é você, Janice. Sobre o que você está falando? E como conseguiu me ligar?
Ela apareceu detrás de um arbusto do lado do banco e se segurou para não soltar um gritinho de moça.
- Eu usei um celular de antena de satélite russa usado na Segunda Guerra Mundial. Ele é bem efetivo quando próximo do outro aparelho. Na verdade, é bem legal. Eu roubei de um museu na última parada da Warped. Eles não iriam usar de qualquer jeito...
Janice sentou do lado dele e deu um tapa na cabeça de .
- Ouch, por que você fez isso?!
- Nem vem ficar bravinho pra cima de mim! Seu cabeça oca! Você é tão útil como um lápis amarelo-areia! Você está olhando isso? - Ela apontou para a sua própria cabeça, onde se encontrava uma faixa do fã clube de e . - Bem, então olhe bem e preste atenção. Porque eu não vou deixar ESSE fã clube se afundar. Eu sou a fundadora e presidenta dessa bodega, então sou eu quem diz quando ela vai parar de funcionar, tá me entendo?
, assustado, assentiu com a cabeça rapidamente.
- Bom mesmo. Porque eu não me chamo Janice Sininho da Silva Santos por nada! Eu vou derrubar essa porra de vídeo para o chão. Eu vou fazer lavagem cerebral em cada pessoa que viu ou ouviu falar dessa prova de amor irrefutável! Porque para ter "Maliciously Love Couples All Time Forever" tem que ter o "Maliciously" lá. E todo mundo sabe que vão tirar a da banda em um segundo de NY por causa da pornografia, mesmo que Scarlett já tenha feito vários vídeos ela mesma.
olhou para Janice e viu o brilho nos olhos dela. Pela primeira vez desde que tudo aquilo tinha ocorrido, ele sentiu uma faísca de esperança.
Era o bastante.
Na verdade, era mais que o bastante.
Ele sorriu.




A três km do parque, estava sentada na cama falando com seus pais. Lágrimas saíam de seus olhos, mas aparentemente essas eram lágrimas de alívio.
- Meu bem, nós não culpamos você que uma fita reprovável sua com o zinho tenha saído! E você sabe por quê? Porque é uma prova de amor para todos que veem! Mostra como zinho te ama e como você o ama de volta! Mesmo que eu ainda não tenha entendido como que uma filmadora foi parar no quarto de vocês, eu entendo que não foi por querer. - A mãe de falou estridentemente (como sempre) pelo celular.
riu e, depois de falar com seu pai e se despedir dos dois, desligou o telefone e caiu de costas na cama.
- Viu? Não foi tão difícil, foi? - disse, do seu lado da cama, dando um sorriso calmo para .
- Foi bom até! - respondeu, surpresa - Eu não teria esperado que me pai ficasse de boa com isso. Ele é muito conservador, mas aparentemente ele viveu na era hippie, então ele falou que já estava acostumado com esse tipo de coisa.
- Agora você vai ligar para o Lancelot e vai explicar a situação e falar o que ele mandar, tudo bem?
sacou o celular de novo e apertou os números. Depois do primeiro toque, Lancelot atendeu.
Ela ficou calada a conversa inteira. a observava, preocupada com o quanto seus ombros ficavam tensos a cada segundo, o olhar dela ficava cada vez mais desesperado.
não falou um piu até a ligação terminar.
- E então, o que ele disse? - perguntou, agoniada.
A menina olhou para a melhor amiga e disse: - Eu não faço mais parte da campanha de roupas da Decaydance.
relaxou quase totalmente.
- Ah, graças a Deus é só isso! Eu estava ficando preocupada, e você sabe como eu sou sempre otimista!
- Não é só isso. - se levantou.
- Ué, o que mais poderia acontecer? - a olhou com dúvida.
- Eu não sou mais a vocalista da Maliciously Betrayed. - Ela disse, simplesmente, andando em direção à porta.
se levantou assustada.
- Como assim?! Eles não podem fazer isso! Quem será nossa vocalista se não você?
- A nova vocalista da Malisciously Betrayed? - Ela abriu a porta e antes da porta se fechar atrás dela, ela disse - Nossa querida Scarlett.
A porta bateu fechada.
só olhou boquiaberta para a porta.
- Mas que porra...
Foi quando ela ouviu barulhos de outra briga.
E dessa vez, ela apostava que era pra valer.


Vinte e Cinco

Ainda três dias para o fim da Warped Tour

O único objetivo de naquele momento era tirar a porra do sorriso satisfeito da porra do rosto da porra daquela vadia da Scarlett (nas palavras da heroína).
- Você está se sentindo melhor, ? ? A 'Vadia' perguntou, seu sorriso aumentando.
A garota, que estava saindo do quarto, não diminuiu a velocidade nem um segundo. Scarlett, quando percebeu que não iria parar e ter uma conversa por sobre as xícaras de chá, deu um passo para trás, o sorriso diminuindo. foi chegando perto, com os punhos cerrados e os olhos com o fogo do inferno.
- Peraí, amiga! Eu tava pensando sobre o futuro da banda! Não podemos ser civilizadas e...
BAM.
E o primeiro soco foi desferido.
E dessa vez não era uma briguinha de mulher.
Scarlett segurou o nariz com uma cara de dor, estupefata.
- Sua puta! Você quebrou o meu nariz!
Certamente, o nariz da 'Vadia' já estava começando a inchar e saíam rios de sangue dele.
- Você planejou isso desde o início, não foi? - disse, sarcástica - Eu sempre confiei em você como amiga e companheira. COMO PODE FAZER ISSO?!
O rosto das duas estava vermelho, e quando saiu do quarto, apressada, tudo o que ela pode ver era que só uma sairia vencedora.
Quando e entraram na sala um segundo após , começaram a se animar. foi em direção ao seu quarto para pegar as suas placas de "Round 1/2/3" e a de "K.O". foi fazer mais pipoca e ajeitar as almofadas do sofá para o show.
, horrorizada, olhava para a cena toda com olhos enormes.
- Não, não, não! Podem parar agora e ser civilizadas! Scarlett vai falar que isso não é um plano dela para dominar a Malisciously Betrayed e o mundo da música, e vai se desculpar por ter tirado conclusões precipitadas e de ter dado um soco no rosto de Scar e provavelmente quebrado o nariz dela! - Ela disse, decidida. Quando voltou para a sala com as placas debaixo do braço ela atirou um olhar reprovador para ele - E você, creamcheese de amora, pode parar de atiçar as meninas, tá me ouvindo? Esse não é o comportamento de um marido meu!
abaixou a cabeça, arrependido. Teatralmente jogou as placas para o lado, acidentalmente atingindo na cabeça e nocauteando-o, e pulou de joelhos para os pés de , para implorar perdão.
Scarlett riu, zombando . Não fez muito efeito, já que a risada estava realmente nasalada, mas foi ficando com mais e mais raiva, se isso era possível.
- , sua bobinha, mas é claro que esse era o meu plano desde o começo! Eu to tão cansada de ser desconhecida. A maioria pensaria que ao entrar em uma banda famosa faria você ficar famosa, mas essa prostituta tira todas as atenções de cima de mim! E ela sendo a vocalista faz tudo mil vezes pior. Ela tem um caso ou um suposto caso com cada cara que eu gostaria de pegar na minha vida, a mídia não sai do pé dela, é ela e não você, , - ela apontou para a garota - que tem um fã clube com milhares de fãs. Essa putinha tem mais de dois milhões de followers no Twitter! O que faz dela tão especial? Nada. Mas a única coisa que eu tenho de especial ela rouba! EU SOU A CONHECIDA POR FAZER OS FILMES PORNÔS! As pessoas me param na rua para pedir autógrafo, não porque eu faço parte de uma banda ótima, ou porque eu sou uma baterista foda, e sim porque eles tinham me visto enquanto batiam uma! E ela roubou isso de mim!
Fez-se um silêncio no recinto.
- Isso sim que é um show. - disse, colocando uma mão cheia de pipoca na boca.
- Scar? - perguntou, com os olhos enchendo de lágrimas. de pronto se levantou e segurou suas mãos. - Isso é verdade mesmo?
olhou para com dó.
- Querida, ela não quis prejudicar você, então nem precisa ficar chateada. Essa historia é entre eu e ela. Não percebi que a inveja estava se acumulando a esse ponto.
Scarlett soltou uma risada maligna, jogando o cabelo para trás e com isso respingando de sangue.
- EWWW, QUE NOJOO. - Elle diz, entrando no ônibus, rindo com a cara mortificada de . Sentindo o clima no ar, olhou para as duas garotas.
- Nossa, Scarlett, mas isso é exagero! Eu já disse pra você mais de um milhão de vezes que você não pode sair do banheiro depois de ter cheirado o seu... - ela pausou e olhou para , que estava com os olhos cheios de lágrimas e com o nariz vermelho. - Pera aí... O que tá acontecendo aqui? E por que e estão chorando?
, vendo sua esposa chorar, não conseguiu se segurar e começou a chorar junto, de um jeito muito constrangedor. Os soluços dos dois se misturaram quando Elle olhou assustada.
- Sério, vocês sabem como eu me sinto vendo pessoas depressivas. - ela disse, acompanhando com um soluço - Por-por que você-ees tão assim?!
Elle, que tinha um problema psicológico da infância de tanto ver "Um Amor Para Recordar", que quando via ou pensava em pessoas chorando tinha uma crise de choro também. Era por esse motivo que os fãs da banda não choravam ou se emocionavam quando conheciam as meninas, sabendo dessa condição.
- A f-foi expulss-a da b-b-b-bandaa! - se lamuriou, abraçando de um lado e Elle do outro. - E é tudo culpa da Sca-carlett.
Todos os olhos se voltaram para Scarlett, no momento em que e Rian entraram na sala conversando. Eles pararam quando viram que todo mundo estava no ônibus, o que era muito estranho, já que todos tinham muitas coisas para fazer.
- Então, quais são a novidades? - perguntou, com um tom de falso divertimento. Ele e Rian olharam para Scarlett ao mesmo tempo e os olhos dos dois aumentaram. - Epa, o que aconteceu?! Scar, você tá bem?
- Você está perguntando pra ela se está bem?! - perguntou, mais sarcástica, com os olhos enchendo de água.
- Ué, é ela que tá com o nariz torto e sangrando!! - se defendeu, colocando as mãos para cima. - O que há com você? Toda vez que eu tento falar uma coisa você me bombardeia. Eu estou começando a ficar sem paciência com você, .
- Ah, é assim? Então tudo bem. - ela disse, e soltou um soluço. - Eu me demito. Adeus pra vocês.
Scarlett riu de novo, dessa vez mais alto, enquanto saía da sala e entrava no quarto.
- Mas querida, você não pode se demitir se já foi demitida.




- É, mãe, eu posso ficar um tempinho com vocês? Só enquanto as coisas vão se acalmando? Não, não, pode ficar descansada! Eu chego aí no máximo em duas horas. Tá bom? Tá, tchau mãe, te amo. - Ela desligou o celular e ajustou a bolsa no ombro.
A situação realmente não estava melhorando. Normalmente, quando você fica muito famosa e começa a ganhar na faixa dos milhares em alguns anos, isso seria um upgrade na vida. Mas aparentemente ela estava dando mais quatro passos para trás. Ficar na casa dos pais dela?
- O que deu em mim, pelo amor de Deus? - murmurou para si mesma.
Ela pegou a chave da mão do atendente e foi em direção do seu carro alugado. Seus passos estavam lentos, meio letárgicos. Ela abriu o carro e entrou nele, colocando a bolsa cheia de suas coisas no banco do passageiro.
Olhou para frente e bateu com a cabeça no volante.
E a primeira lágrima desceu.
E a segunda.
E depois disso, foi uma sessão bem rápida de lágrimas descendo por suas bochechas e nariz escorrendo.
TRIIIIIIIM.
Ela era mesmo uma inútil. Seu manager, cara, seu manager tinha a despedido. Tinha uma sextape rondando o mundo e seu ex-namorado/namorado/amigo com benefício a achava uma tapada má educada e mimada.
TRIIIIIIIM.
A vida dela tava acabada. É, tava mesmo.
TRIIIIIIIM CARALHO.
Ela se assustou e olhou para o lado, vendo o seu celular tocar. O pegou e viu um número estranho.
- Alô? - Ela disse, assoando o nariz.
- ? Aqui é a Janice. - Ela disse, com a voz estranha. Era uma voz realmente feliz. não podia entender como alguém estaria feliz.
- Janice? Por que você não tá usando o seu celular? De quem é esse?
- Ah, é o celular do cara que vai arrumar a sua vida de vez, minha cara amiga. - Janice disse, e conseguiu ouvir o sorriso na voz dela.
- Ai, Janice, só se ele for o gênio da lâmpada, porque essa vida tá uma merdinha... - Ela contou tudo para Janice, que ouviu tudo em silêncio.
- Então vai ser assim? Essa piranhinha não tem medo de morrer, não? Ela vai ver, isso sim. Vêm pra cá agora mesmo. A gente vai começar as coisas nesse momento, e quando você chegar vamos colocar a cereja no bolo. Esses filhos da puta vão ver o que os atingiu. ? Ela deu uma risada maléfica e deu as direções para .
Ela não estava muito crente. Como alguém poderia acabar com todos os seus problemas?
Ela ligou o carro e jogou o celular no banco. Olhou para o céu, que estava rosa com o pôr-do-sol. Limpou as lágrimas e colocou o pé no acelerador.


Vinte e Seis

Dois dias para o fim da Warped Tour

- Olha, Janice, eu realmente agradeço sua disposição, mas não acho que tenha um jeito de tirar todos os vídeos de todos os computadores das pessoas que salvaram e da internet. Não há nada no mundo que eu não queira mais que isso, mas é simplesmente impossível. ? respondeu pelo telefone, sua voz mais que desanimada. ? E eu acho que a me odeia demais por ter deixado o vídeo vazar. Ela não vai me perdoar assim, fácil. Isso foi o fim de seu sonho de infância e da melhor época da vida dela.
- Ah, por favor cara, cala a boca! Seu tosco. Sério, é muito drama para o meu gosto, você e a . Eu já te disse pra confiar em mim. Esse cara é um DEUS. Quando ele tinha dois anos ele engoliu a placa mãe de um computador e agora ele é tipo o homem aranha da tecnologia. ? Janice disse, sua voz indo de irritação para admiração em poucos segundos.
- Janice, isso é meio impossível... Uma criança de dois anos comer uma placa mãe. Porque é grande e cheia de coisas tóxicas. E eu ainda não entendi a analogia com o homem aranha. Ele foi picado pela placa mãe, então? ? perguntou, confuso.
- Pelo amor de Deus, , quanta loirísse. Eu tô de dizendo que esse cara pode ser a sua salvação e você fica me perguntando se a placa mãe picou ele? Placas mãe não simplesmente picam pessoas, seu otário. Agora para de falar e vem pra cá. A já está aqui e você só tá desperdiçando nosso tempo.
- Você tem certeza que ela me quer aí? Talvez eu não seja a pessoa favorita dela no momento...
- Nenhum de vocês são a minha pessoa favorita no momento, e mesmo assim eu estou chamando você pra cá, não estou? E ela disse exatamente a mesma coisa sobre você. Se os dois acham que o outro o/a odeia, então tem alguma coisa errada aí. ? Janice falou, e ouviu sua voz mudar de tom, para um mais suave. ? Eu sei que vocês estão machucados, , e eu não estaria fazendo isso se eu não achasse que +=L.O.V.E, sabe? Vocês são o casal. Aquele casal pra vida toda.
- Nossa, Janice, que bonit-
estava falando com o nada, porque ela já tinha desligado. Ele olhou para o relógio e suspirou. Eram cinco horas da manhã. Ele estava dormindo quando Janice tinha ligado para ele, mas não era um sono bom. Aparentemente estava agora na casa do tal Deus/Super Herói da tecnologia e ela queria que ele estivesse lá. Com ela. Talvez para ser o que ele deveria ter sido desde o início: seu namorado.
E seu companheiro de filme pornô, mas isso não vem ao caso.
Ele pegou uma bolsa e encheu de roupas, jogando algumas que tinha esquecido também. Ele pegou uma do chão e a cheirou.
Tinha o cheiro dela. O cheiro do sol, se esse tivesse um.
- Cara, que porra é essa? ? Rian perguntou, olhando para com uma expressão correspondente às suas palavras. ? Você tá cheirando uma roupa suja? Cadê seu remédio? Sua mãe me fez prometer que você tomaria um por di-
- Eu vou atrás dela. ? Ele se levantou da cama, jogando a roupa na bolsa. Ele olhou para Rian, que ainda estava com a roupa do dia anterior. ? Eu não vou deixar o cara mau sair numa boa. A mocinha vai ter que aturar o mocinho, porque eu não vou desgrudar dela até que ela me queira de volta!
- É ISSO AE, MULEQUE! No caso o cara mau é uma mina má, mas eu entendi o espírito. ? Ele olhou para com os olhos brilhantes. ? A gente te dá cobertura, irmão. E eu falo por toda a banda. Nós vamos arranjar uma vingança contra a Scarlett, não se preocupe. Ou o meu nome não é Robert Rian Dawson!
- Valeu, cara, sério mesmo. Vocês da banda são tu-
parou de falar e não conseguiu continuar. Mas não porque ele estava emocionado com o apoio de seus amigos. Não, isso ele já estava acostumado.
- Você acabou de dizer Robert Rian Dawson? Cara, isso quer dizer que você não vai se vingar da Scarlett, já que esse não é mesmo o seu nome? ? olhou para ele ferido.
- Não, , esse é mesmo o meu nome... Ei, como assim você não sabia que o meu primeiro nome é Robert?! , que poser, fala sério...
- Mas eu te conheço desde o ensino médio. Aposto que os outros caras não sabem disso também! E eu não sou poser! Isso não é informação normal. Aposto que várias fãs obcecadas por você não sabem disso!
- É, isso é verdade, muitas não devem saber mesmo... Mas isso é normal! Todos os outros caras me chamam de Rrrroberto, ou Bob! Nossa, , que horror! Você, meu amigo leal.
- Nossa, Rian, me desculpa, sério mesmo! Você quer que eu te chame de Bob também? Ou Roberto? Eu consigo falar direitinho, porque a gente fez o cover de Alejandro, então-
Mas não conseguiu continuar, já que Rian estava rindo tanto, e tão alto, que estava difícil.
- Ah, eu SABIA que era mentira! Nossa, mano, eu gelei por um segundo ali! ? disse, sorrindo, agora que a piada tinha passado.
Rian se acalmou um pouco e disse:
- Não, o nome é esse mesmo. Eu me chamo Robert Rian Dawson. Mas os outros caras não sabem, então shush, bro. Se não eu te quebro. Sou careca, você sabe. Carecas são mais fodas que as outras pessoas.
olhou horrorizado.
- Nossa, minha vida tá igual novela mexicana. Um dos meus melhores amigos tem outro nome e saiu uma fita pornô minha com a mina que eu amo. Eu até tenho uma vilã na história!
- , deixa de ser idiota. Sua vida é MUITO mais tosca que uma novela mexicana.




acordou com o cheiro de café, forte, pungente. Normalmente isso era mais (muito, muito mais) que o suficiente para a fazer levantar da cama com a disposição de um triatleta no começo de uma corrida. Mas ela não estava nem perto disso.
Na noite anterior tinha ligado para sua mãe avisando que não ia, afinal de contas, ir naquela hora para sua casa. E sua mãe, sendo a diva que era, tinha feito um drama digno de . Mas ela tinha sido firme com isso. Mesmo que ela achasse que Janice tivesse entrado pra fila da piração umas cinco vezes, e que aquele amigo dela, o da placa mãe, fosse louquinho de pedra, ela ainda estava lá.
Na verdade não teve coragem de contrariar Janice, não depois de tudo que tinha feito por ela. Podia muitas vezes assustar pra caramba, mas ela tinha sido uma verdadeira amiga quando outras a tinham traído e quebrado seu coração. E, é claro, ela era a presidente do fã clube dela com o , e isso era mais que suficiente para ela ficar.
- Damned if I do ya, damned if I don?t. - Janice cantou, com um sotaque indiano muito estranho, entrando no quarto com uma xícara do tamanho de um pote de sopa na mão.
Pera aí.
Janice. Cantando?
- Acorde já, Raio de Sol! Olhe como o dia está lindo! ? Ela abriu as cortinas, mas como eram 5:30 da manhã o sol ainda não tinha saído.
Ela puxou o cobertor de , que deu um gemido, colocando o travesseiro no rosto.
- Sai daqui, Janice. Eu tô tentando dormir, porra.
Janice tirou o travesseiro e puxou com um braço, colocando ela sentada. Com o outro enfiou o pote de café debaixo do nariz de , que rapidamente colocou as duas mãos nele, cheirando profundamente.
- É bom demais. Se café fosse ilegal eu seria uma mendiga viciada com o cabelo todo fudido e com cara de bruxa. ? Ela tomou um gole e quase sorriu.
olhou para Janice, que estava cavando a mala dela, jogando roupas em cima da cama.
- Vai, se veste logo. O deve estar chegando a qualquer segundo e hoje o dia vai ser looongo.
pulou da cama, quase soltando o pote.
? está vindo pra cá?! Por que você não me avisou antes?! Por que ele tá vindo?!
- Primeiro, sim, ele está vindo. Segundo, diminua o tom, somos duas ladies aqui, aja como uma. E terceiro, eu liguei pra ele e ele aceitou na hora. Me diz se isso não é amor? Vai, me diz, sua jumentinha.
olhou estranho para Janice.
? Jumentinha? Por que o inha no final do jumento? Você nunca faz isso... Você só xinga todo mundo e não usa diminutivos. ? Ela percebeu quando Janice olhou para o lado. ? E você estava cantando, Janice. Você entende o quão bizarro isso é? Eu achei que você nem soubesse cantar All Time Low! Você me disse uma vez que nem gostava da banda, só ia nos shows para perseguir o e eu!
Janice ruborizou.
quase caiu da cama.
- É que, bom, err, o P.M, sabe o meu amigo que vai ajudar vocês, ele é meu amigo, sabe, então, ele gosta muito de All Time Low, daí ele, o P.M, meu amigo, montou um pendrive pra mim com as músicas que ele mais gosta, não um CD, um pendrive, porque ele é muito atual, sabe? ? Janice murmurou, olhando para baixo. ? Daí eu gostei de algumas músicas e tals, é, isso mesmo.
- QUE FOFINHO! JANICINHA TÁ APAIXONADA! ? gritou, mas se arrependeu logo em seguida, já que um travesseiro pesado bateu com força na sua cara.
- Cala a boca, sua retardada! ? Ela sibilou. ? Ele tá no quarto do lado! Vai, grita pro satélite do Google ouvir!
- Desculpa! Pô, Janice, você não pode me culpar por me animar. Você tá apaixonada, xonadinha! Posso apertar suas bochechas um segundo? Por favor?
Silêncio.
- Não, né? Ah, tudo bem, eu nem queria mesmo... Ou, mas qual o nome dele? Pra darem o apelido de P.M?
Janice olhou para como se ela tivesse problemas. De novo.
- P.M vem de Placa Mãe... Esse cara é tão foda que ninguém nunca descobriu seu nome. Por isso que ele é tipo, um Deus, ou um Super Herói... Porque só eles que são tão fodas assim.
não pode responder, já que ela ouviu a campainha tocar e olhou com uma cara de pânico para Janice.
- É, amiga, ele chegou.




apertou a campainha mais uma vez, impaciente. A casa parecia abandonada. O jardim da frente não era realmente um jardim, já que só tinha terra. Na verdade, parecia que tinham decorado a casa pro Halloween e esquecido de arrumar tudo de volta. Com direito a teias de aranha e tudo.
Ele olhou pela janela que se encontrava do lado da porta e quase caiu pra trás. Tinha um rosto olhando de volta para ele. A porta abriu de supetão, deixando ele ainda mais desconcertado.
- Você deve ser , o vocalista da famosa banda All Time Low. ? O cara falou para ele. Ele falava pausadamente, mais ou menos: Você. Deve. Ser. . . O. Vocalista. Da. Famosa. Banda. All. Time. Low.
Era mais que assustador. olhou para trás, vendo a rua vazia, e quando olhou de novo para a casa, o rosto do cara parecia ter se aproximado.
- É... Esse sou eu. ? Ele respondeu apressadamente. ? Eu estava procurando a Janice, ela por acaso está?
- Entra aí, lesado. A gente vai começar com o plano daqui a pouco. ? Ele ouviu a voz de dentro da casa, e com um suspiro de alívio entrou na casa correndo, indo na direção de onde tinha ouvido Janice.
Lá estavam elas. Ele não viu Janice no começo. Seus olhos pareciam presos nos de . Eles se entreolharam e o tempo pareceu passar mais devagar. Ele deu um passo, se aproximando dela. Parou.
olhou para ele, encostada no braço do sofá. Ela ficou em pé rapidamente, passando as mãos na camiseta, como se estivesse nervosa.
mexeu no cabelo, muito mais nervoso que ela.
? , eu-
Ela correu para ele, jogando os braços em volta de seu pescoço e enrolou as pernas em seu quadril, lascando um beijo nele. Ele logo se recompôs, a abraçando e a levantando mais alto.
não sabia quanto tempo tinha passado desde que tinham começado a se beijar, mas quando eles se soltaram para respirar, não tinha sido o suficiente.
Essa que era a magia. Ela poderia beijar ele até o fim dos tempos, fazer mais que beijá-lo até o fim dos tempos, mas nunca seria demais. Um peso, que ela não sabia que existia, saiu de seu coração, e ela conseguiu respirar mais fácil.
Eles se olharam, assim, de pertinho, dentro dos olhos do outro, os de já jorrando lágrimas, os dele brilhando perigosamente.Ainda a segurando perto, ele beijou seu nariz.
- Oi.


N/A: Oi, gente, é a Lu aqui! A Dream Store tá de volta, então All Time Blow tá de volta também (~finalmenteee~). Hehe, a gente é muito enrolada pra mandar. Mas eu só vim aqui pra agradecer a espera e os comentários fofos de vocês :)
Espero que vocês tenham gostado do capítulo <3
Beijo (meu e da Gabi)
Ps: Se vocês quiserem falar com a gente os tumblrs são:
Lu: http://riandawes0me.tumblr.com
Gabi: http://moonlitskies.tumblr.com
A Gabi também escreve fics de jogadores de futebol (em inglês), se vocês cutirem dão um passada (eu não sou a maior fã de futebol, e eu acho mt mt fueda)!! http://notorious-fiction.tumblr.com



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