All I Want for Christmas

História por Lelen - Revisão por Lelen J.
Indice: Prólogo, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11 e Nota @



' Prólogo.


A magia do Natal é realmente poderosa, as pessoas abrem seus corações, ficam mais carinhosas, amam mais.
Até certo tempo eu também era assim, e como era!
Mas o coração dos adultos vai endurecendo a medida que vamos conhecendo os caminhos que a vida nos leva. Meu caminho foi marcado pelo desastre e pela perda, achei que eu jamais voltaria a ser como fui um dia... Achei.

' Um.


caminhava ao lado de sua namorada segurando sua mão direita, os dois caminhavam sorridentes por uma praça. Havia três anos que eles estavam juntos, seriam considerados o casal perfeito, e de certa forma eram mesmo. Raramente brigavam, e ao longo desses três anos apenas uma vez tiveram uma separação de duas semanas, logo reatando.

Megan e sempre foram unidos, a menina tinha perdido a família fazia algum tempo em um acidente de navio, os corpos nunca foram encontrados. Apesar disso, a garota era bastante forte, sorridente sempre e com uma alegria que contagiava a todo e qualquer um.
- , para onde vamos amanhã? - Megan perguntou pulando a sua frente.
- A um restaurante Italiano com meus pais e meu irmão. - O rapaz sorriu. Gostava de ver aquele rosto iluminado de expectativa que a namorada tinha.
- Adoro comida Italiana. - Meg sorriu voltando a caminhar e a puxar pelo caminho.

era um típico rapaz de 21 anos que ainda agia como um adolescente. Tinha seu próprio apartamento e seu emprego em uma agência de marketing, mas sempre se divertia como toda sua geração o fazia: baladas quase todas as noites, bebidas alcoólicas ingeridas com exagero, algumas experiências com drogas, e antes do namoro, muitas ficadas e rolos.
Graças a Megan essa lista fora reduzida a baladas e bebidas alcoólicas. A menina ainda tinha esperanças de 'zerar' aquela lista que não faria bem a ninguém.
Os dois continuaram a passear pela praça, e alguns olhares de conhecidos os seguiam encantados, todos pensavam a mesma coisa: o quanto aqueles dois combinavam e estavam em sintonia perfeitamente.

Enquanto caminhava o rapaz refletia sobre algo que estava pensando havia algum tempo.
"Talvez eu a peça em casamento... Será que ela aceita?" Ele deu um risinho discreto. Estava raciocinando e se sentindo como um adolescente tentando seu primeiro beijo. "Talvez ela queira algo melhor do que eu..." Ao pensar soltou um muxoxo completamente frustrado. Não seria difícil encontrar alguém melhor, pelo menos nos hábitos.
- No que está pensando? - Meg perguntou curiosa o encarando.
- Em algumas coisas, no meu... Futuro talvez... - Sorriu tentando apagar o ultimo pensamento de sua mente.
sabia que sempre dera o seu melhor para vê-la feliz, mas e se tudo não fosse o suficiente para ela? Com toda a certeza ela merecia mais, porém, o rapaz era um tanto egoísta demais pra admitir e deixá-la ir. Talvez eu seja o bastante... era o que ele pensava tentando se convencer.

- Você passa para me buscar, o quer que eu vá até sua casa amanhã? - A menina perguntou logo que chegaram a sua casa.
- Passo aqui às... Oito.
- Certo. Então até amanhã! - Megan sorriu e se aproximou do namorado dando um beijo rápido.
Quando se afastava, sentiu os braços de a segurarem ali, e logo seus lábios estavam colados novamente, dessa vez num beijo mais longo e caloroso.
- Até amanhã, amor. - A menina murmurou adentrando a casa.
O rapaz ficou parado a frente da pequena casa, encarando a porta que o separava da pessoa que mais amava no mundo. Dessa vez era certo, ele iria pedi-la em casamento.

' Dois.


Dez para as oito e já esperava pela namorada em frente a sua casa. Ele sabia que era inútil chegar cedo, Megan sempre demorava ao se arrumar em dúvida com alguma roupa ou algum penteado. A garota abriu a porta da frente confirmando essa teoria.
- Amor, eu estou quase pronta! Só preciso arrumar o cabelo! - Ela exclamou logo sumindo dentro da casa novamente.
O rapaz riu. Era sempre assim, ou a roupa ou o cabelo.
Por algum motivo milagroso naquela noite Meg demorara apenas quinze minutos para terminar de se aprontar. Quando apareceu, usava um vestido de seda vinho, uma echarpe no mesmo tom, uma sandália prateada de salto, e seus cabelos estavam presos num rabo de cavalo alto e elegante. Ao vê-la sorriu largamente com um olhar abobalhado.
- Está linda... - Sussurrou em seu ouvido enquanto lhe abria a porta.
- Você está maravilhoso, . - Ela sorriu.
usava uma camisa social branca, uma calça preta e um sapato social. Elegante a seu modo, com os cabelos completamente despenteados.
- , podia dar um jeito em seu cabelo. Está bagunçado demais! - Meg resmungou tentando se aproximar dos cabelos do rapaz.
- Não, não mocinha. Deixe meu cabelo, estou bem assim. - A única coisa que incomodava em Megan, era o fato de não gostar de misturas. Social era social, casual era casual...

A garota passou grande parte do caminho até o restaurante tentando arrumar o cabelo de , que tentava manter a calma enquanto dirigia. Chegaram ao local em meia hora, logo encontrando os sentados em sua mesa reservada. O jantar fora descontraído e animado. bebera uma dose de vinho, e na hora de ir embora Meg insistira em dirigir, e o rapaz retrucava estar bem o bastante para dirigir. Entraram no carro e logo deu a partida, ficaram em silêncio por cerca de dez minutos inteiros, com apenas o som do rádio a soar. Foi quando Megan resolveu falar.
- , preciso dizer uma coisa para você.
- Com tanto que não diga que é um homem... - O rapaz tentou descontrair. O clima estava estranho entre os dois naquele carro.
- Pare de brincar, é sério! - Ela resmungou cruzando os braços.
- Desculpe... Pode dizer. - Ele deu um sorriso de lado encorajando-a.
- Eu decidi aceitar a bolsa da faculdade no Canadá. - Meg sussurrou mordendo o lábio inferior receosa.
demorou certo tempo para assimilar o que a namorada dissera. Do que ela estava falando?
Claro que ele sabia, sua Megan era inteligente, e recebera a oferta de uma bolsa de estudos em uma faculdade renomada do Canadá. Ele sabia que era o desejo da menina, mas ele era egoísta.
- Não Megan, você não vai. - Sibilou entre dentes.
A garota encarou o rapaz ao seu lado perplexa. - O quê?

- Você não vai. - desviou por um segundo o olhar da avenida.
- Não pode me impedir, ! - A garota agora se exaltava.
- Eu vou! Você não pode ir!
- Posso e vou! O que te faz pensar que pode mandar em minhas decisões, ?! - Agora ela gritava com o corpo completamente virado para o namorado. - Pensei que você me apoiaria, mas parece que não existe ninguém que se preocupe com o que eu quero.
Aquelas palavras foram a gota. desviou completamente a atenção da pista, e passou a discutir com Megan, os dois gritavam um com o outro com raiva.
- Se quer ir então vá, eu não me importo! - Foi o que o rapaz dissera antes de ver o rosto apavorado da menina e ouvir seu grito.
- , CUIDADO!
E então tudo passou a ser escuridão e dor, mais nada.

' Três.


sentia seu corpo doer por inteiro, seus sentidos estavam falhos. Os olhos ele não sabia se estavam abertos ou fechados, seu eu tentava se comunicar, mas sua boca parecia não responder aos seus comandos. Os ouvidos estavam abafados, não conseguia distinguir os sons ao seu redor. Apenas os dedos das mãos pareciam responder a suas vontades.
Quando finalmente conseguiu abrir os olhos, viu a imagem de uma pessoa o encarando.
- Bom dia! - Exclamou ela animada demais. - Como se sente, senhor ?
- Onde estou? - Foi tudo que conseguiu se forçar a dizer.
- No Hospital Hopkins. - Agora que seus olhos estavam em foco, pôde ver a pessoa que lhe falava com nitidez. Era uma mulher, talvez uma enfermeira, com um sorriso brotando nos lábios.
- E por que estou num hospital?
- Não se lembra do acidente? - Ela perguntou ficando séria.
Por um instante não fazia idéia do que aquela mulher estava falando, e então se lembrou. A briga com Megan, o barulho de freios, vidros quebrando, o grito de desespero de Megan... Megan.
- Onde ela está? Como ela está? - O rapaz perguntou aflito. A moça a sua frente mordeu o lábio inferior. Ela sabia muito bem de quem ele falava.
- Sinto muito, senhor ... E senhorita Megan Finn não sobreviveu.

Aquela resposta foi como um soco no estômago de . Megan, a sua Meg não sobrevivera?
Um nó se formou em sua garganta. Isso fora culpa sua. Se não tivesse agido de forma tão egoísta, a briga dentro do carro jamais teria acontecido, e os dois estariam bem, abraçados no sofá enquanto viam algum seriado na TV. Mas ele fora egoísta, e agora ela estava morta.
As lágrimas de dor e culpa não tardaram a aparecer, e a mulher que o vira acordar tentou reconfortá-lo com algumas palavras inúteis naquela situação.
Depois de horas de culpa, recebeu a visita de um médico. Ele conseguira lhe arrancar algumas informações.
Meg havia resistido três semanas na UTI, mas seu estado era grave demais, órgãos vitais haviam sido atingidos dificultando assim sua recuperação. Enquanto ela morria aos poucos, estava internado em coma na mesma ala. Ficara um mês naquele estado, e muitos já não tinham esperanças para o rapaz. Foi quando o aparelho de monitoramento cerebral apontou atividade, e no dia seguinte ele acordara.
A vontade dele era de estar morto, não podia viver com e idéia de que sua idiotice havia matado a garota que amava, era dor demais para suportar, lágrimas demais com as quais lutar. Estava sendo impossível continuar caminhando pela vida para .

- Com licença? - Uma jovem colocou a cabeça para dentro do quarto do rapaz.
- Eu estou bem sem remédios, e o Sr. Finnigan é no quarto ao lado. - resmungou sem voltar a atenção para a garota.
- Erm... Sou , estagiária... Farei companhia a você enquanto permanecer no hospital. - Ela sorriu timidamente, e finalmente o rapaz se voltou para a menina ainda parada na porta.
- Me fazer companhia? - Murmurou serrando os olhos.
- Faz parte do programa de auxílio a quem sofreu algum acidente traumatizante, senhor . - A garota finalmente entrara no quarto fechando a porta atrás de si.
- Não preciso de ajuda. - Retrucou o rapaz carrancudo.
- Não precisar e não querer são coisas diferentes, senhor . - A menina se sentou em uma poltrona ao lado da cama do garoto.
- Tanto faz, em nenhuma das situações eu quero você aqui.
- Isso devia doer... Mas não faz diferença... Pode ser do jeito agradável como também pode ser do desagradável. A escolha é completamente do senhor. - Ela sorriu mais uma vez.

bufou, aquela garota estava sendo irritante e estava dando-lhe nos nervos.
Ela ficara cerca de uma hora sentada na poltrona o encarando, enquanto ele continuava calado a ignorando. Com esse tempo passado, ela se levantou sorrindo largamente para o rapaz.
- Vi que será do modo agradável, senhor . Ao menos para mim. Voltarei aqui amanhã de tarde, e teremos um longo dia juntos. - riu marota e saiu do quarto. Antes de fechar a porta pôde ouvir um sonoro: "NÃO PRECISO DA SUA AJUDA!" berrado por .
revirou os olhos com um sorriso nos lábios. Aquele poderia ser difícil de se convencer, um "típico cabeça-dura" pensou ela.
Já no corredor de quartos apressou o passo, ainda teria que visitar uma senhora que sempre queria vê-la antes de dormir.

' Quatro.


acordou assustado no dia seguinte, havia sonhado com o acidente, com a morte de Megan e com a briga. Despertara gritando, e quando olhou ao redor, seus olhos pararam em uma pessoa que o encarava divertida.
- Pensei que viria apenas de tarde. - Resmungou o rapaz bufando.
- Considero uma e quinze parte da tarde, senhor . - sorriu voltando seus olhos para um livro grosso repousado em seu colo.
- Será que dava para parar de me chamar de senhor ?
- Prefere que o chame como? Rabugento senhor Scrooge? - continuou a falar sem dirigir o olhar para o rapaz.
- Não, apenas já está bom.
A menina parou de ler seu livro e levantou o olhar de sobrancelha erguida para o garoto.
- Acho que estamos progredindo! Certo, eu te chamo de e você me chama de , ok?
balançou a cabeça afirmativamente voltando a se recostar na cama.

Passados alguns minutos em silêncio, bufou e se levantou deixando seu livro de lado.
- Chega. Precisamos nos exercitar. - Ela exclamou abrindo a porta e chamando por uma das enfermeiras. - Terry, pode trazer uma cadeira de rodas e me ajudar aqui? - A menina perguntou à tal Terry.
- Aconteceu alguma coisa? - A enfermeira adentrou o quarto com a cadeira de rodas parecendo preocupada.
- Não, só iremos dar uma voltinha pelos jardins. - sorriu pedindo ajuda para levantar com um gesto.
- Quem disse que eu quero dar uma volta? - O rapaz retrucou irritado.
- Pode não querer, mas precisa . - A menina respondeu ignorando a irritação que transparecia não só na voz do garoto como na expressão. - Consegue se levantar? - Perguntou, logo vendo se colocando em pé com certa dificuldade. e Terry o ajudaram a se sentar na cadeira de rodas.
Com as bolsas de medicamentos e soro penduras em uma armação adaptada na cadeira de rodas, os dois saíram para os jardins do hospital.

Passaram pela ala das crianças antes de conseguirem sair para ver a linda tarde de sol que se fazia. Os pequenos adoravam quando aparecia por ali, sempre faziam festa ao seu redor querendo sua atenção, ficaram desapontados ao ver "O moço Bravo" - que foi como as crianças apelidaram - a acompanhando pois isso significava que ela estava ali só de passagem, e não para ficar e contar histórias ou brincar.
- Prometo que volto depois e conto alguma história para vocês, pequeninos! - Ela sorriu vendo o rosto de cada criança presente se iluminar de expectativa.
Depois de ser bombardeada de perguntas sobre qual seria a história, finalmente conseguiu levar para o tal passeio nos jardins.
- Não está um tempo bonito, ? - Perguntou ela encarando o céu depois de parar a cadeira de rodas na sombra de uma bela árvore.
- Não. - O rapaz respondeu sério encarando tudo com tédio.

nunca mais seria o mesmo naquela vida, não depois do que acontecera à Meg. Seus dias não seriam mais tão cheios de alegria, e agora, nada do que encarava parecia bonito ou harmonioso, eram só coisas ao seu redor.
Depois de cerca de cinco minutos em silêncio suspirou. Não era exatamente aquele passeio que ela tinha em mente, mas o que esperava? Que um rapaz que acabara de perder a namorada saísse por aí pulando de alegria?
Não, não exatamente isso, mas ela esperava algo um pouco melhor do que aquilo.
- Por que não fala um pouco do que aconteceu? Ajud...
- Não quero falar disso com você, aliás, não quero falar disso com ninguém. - a interrompeu bruscamente.
- Falar ajuda, faz com que as pessoas se sintam melhor... - Ela tentou novamente.
- Acho que não quero falar sobre isso. Penso até que não quero me sentir melhor... - respondeu, a segunda parte mais para si mesmo do que para a garota ao seu lado.
- Tudo bem... - murmurou suspirando novamente. - Falemos de outra coisa então...
- Não, obrigado. Só quero voltar para meu quarto. - Ele resmungou carrancudo.

revirou os olhos. Aquele certamente seria muito mais difícil de conviver, mas não seria algo impossível, seria?
Ela dirigiu o rapaz com a cadeira de rodas de volta ao hospital, ajudou a se levantar e a se deitar novamente na cama, depois de mais algum tempo ela se foi um tanto desapontada consigo mesma, não fora naquele dia que conquistara uma parte da confiança do garoto, mas algo lhe dizia que teriam tempo para isso.

' Cinco.


Na manhã seguinte despertara cedo com uma coisa o incomodando desde muito antes de dormir. Ele fora grosseiro com aquela garota que só estava tentando ajudar com seus problemas. E mais, ele havia sido grosseiro com todos que tentavam fazer o mesmo, até com seus pais que todas as noites o visitava.
Não que sua intenção fosse realmente essa, a de ofender e ser chato com aqueles que se importavam com ele, mas o fato é que estava com raiva de si mesmo, se culpando pelo acontecido com Megan. Simplesmente não podia se permitir acreditar que não fora sua culpa, porque definitivamente foi; ao menos era no que ele acreditava.

esperou pela visita de a metade da tarde, mas nada da garota aparecer.
Eram três horas da tarde quando Terry - a enfermeira - veio trocar sua bolsa de soro e colocar mais alguns medicamentos.
- Como se sente, senhor ? - Ela perguntou lhe sorrindo amigavelmente.
- Bem, obrigado. - Respondeu rápido. - Onde está ? - Questionou.
Terry ergueu sua sobrancelha achando engraçada a expressão do rapaz, parecia preocupada e ao mesmo tempo culpada.
- Ela teve alguns contratempos, mas acho que logo chega... Desculpe a pergunta, mas... Por quê? - Terry quis saber bastante curiosa.
- Nada, só estranhei o fato dela não estar aqui como ontem. Já se passou bastante tempo, só isso. - tentou ser o mais educado que seu humor permitia, apesar de achar que aquela garota estava sendo curiosa demais.
- Ah bem, ela não deve demorar. - A enfermeira arrumou seu material e se retirou do quarto sem mais dizer.

tentava se entreter com alguma coisa na televisão, mas nada era interessante o bastante para que prendesse sua atenção por mais de cinco minutos. Ele pensava se o fato de ter tido um contratempo era apenas uma desculpa para não ir vê-lo. Ela se sentira ofendida? Enquanto pensava ele mal percebeu a entrada da garota em seu quarto, apenas quando ela se pronunciou ele a viu.
- Olá . - Ela sorriu o surpreendendo, não só pelo sorriso, mas por chamá-lo pelo apelido.
- Pensei que não viria, . - O rapaz resmungou fazendo sua carranca de sempre, o que fez revirar os olhos.
- Tive alguns probleminhas para resolver, mas agora já estou aqui. - A menina sorriu indo se sentar na poltrona em que sempre se sentava, pegando um livro diferente do dia anterior.
- Hoje não vai insistir em me levar a algum passeio tedioso, ou ficar tagarelando? - Ele soou um pouco mais rude do que pretendia.
o encarou com pouca vontade e logo voltou novamente sua atenção para o livro em seu colo, preferindo ignorar o comentário do que dizer algo que não devia, mas queria.
- Erm... Me desculpe. - Ela o ouviu murmurar com certa dificuldade, era complicado para o rapaz admitir seu erro.
o encarou novamente, mas dessa vez sua expressão era espantada. havia mesmo lhe pedido desculpas? Ela ficara tão espantada que as palavras não se ordenavam de forma que fizessem algum sentido.

- Desculpe por ter sido grosseiro com você ontem, e todos os dias em que veio me ver, mas entenda que esse é um problema meu, não quero compartilhar com mais ninguém. - Ele tornou a dizer já que a menina não lhe falava nada.
- Você... Você está se justificando pra mim? - Ela deixou escapar incrédula.
- Fala como se isso fosse um... Milagre! - O rapaz resmungou entortando a boca.
- Ah, pode ter certeza de que pra mim foi mesmo um milagre, senhor . - Ela finalmente pareceu voltar ao seu estado considerado normal.
- Fui rude, mas sei que errei, e meus pais me deram educação o bastante para me ensinar a pedir desculpas. - Ele murmurou sentindo-se contrariado.
o encarou séria, e logo depois explodiu numa gargalhada alta e divertida.
- Por que está rindo? - Perguntou confuso, quase passando para a raiva.
- É que... É que isso me surpreendeu demais! - Ela conseguiu dizer entre risos. - Mas não se preocupe, você não me assusta mais do que uma criança birrenta. Acho que podemos começar de novo. - Ela disse assim que conseguiu parar de rir. - Olá senhor , sou e lhe farei companhia! - Ela exclamou estendendo a mão para o rapaz que franziu o cenho.
- Sou , mas agradeceria se me chamasse de . - Ele deu de ombros apertando a mão da menina.

Os dois passaram a conversar sobre coisas bobas e sem importância, e o rapaz até riu com em certo momento. Ficaram assim até as seis e meia da tarde, quando teve de ir fazer companhia aos pequenos da ala infantil.
- Foi um ótimo novo começo, não concorda, ? - A garota perguntou antes de sair, mas deixando o local antes mesmo do rapaz poder responder.

- É, foi mesmo um ótimo novo começo... - Murmurou ele para si mesmo, encarando a porta pela qual havia acabado de sair.

' Seis.


Os dias foram se passando, e as coisas entre e pareciam estar finalmente dando certo. O rapaz não tocava no assunto do motivo dele ter ido parar num hospital, mas estava bem mais receptivo em outros tipos de conversa com a garota.
Os dois trocavam assuntos de interesse, às vezes saíam para um passeio nas tardes bonitas, trocavam idéias bobas...

Uma semana e meia após o acidente

- Mas doutor Masterson! - tentava argumentar com o médico à sua frente.
- querida, o paciente do quarto 325... - Dr. Masterson começara a dizer.
- . - A menina o interrompeu ficando nada satisfeita ao constatar que os médicos mal se importavam em saber o nome de seus pacientes, eram apenas números.
- Perdão?
- é o nome do paciente do quarto 325. - resmungou à contra gosto.
- Hum, sim, claro... Bem, o senhor está em perfeitas condições de deixar o hospital, não há lesões graves, movimentos ótimos, reflexos perfeitos e...
- Mas e o psicológico doutor Masterson?! - tentara mais uma vez argumentar com o homem.
- minha pequenina, isso já é uma coisa fora de meu alcance, sabe disso. E também, pense nos outros pacientes que precisam deste hospital. Não há vagas para muito mais pessoas. - O médico sorriu tristemente para a garota à sua frente. Não lhe agradava pensar da mesma maneira que , pois ele achava que o que acontecesse com os pacientes fora do hospital já não era mais de sua conta. - Só podemos rezar para que ele consiga superar o acontecido, . - O homem murmurou dando as costas para a garota, que bufou nada satisfeita.

- Bem senhor , é com muita satisfação que lhe dou a notícia de que pode sair do hospital, o senhor está de alta. - Doutor Masterson falou no mesmo instante em que entrou no quarto de .
- Que ótimo... - O rapaz murmurou sem parecer se importar muito.
- Ah, bem, vou deixar o senhor arrumando suas coisas, e parece que tem visitas. - O médico sorriu saindo do quarto deixando com .

Um longo silêncio se instalou entre os dois. não estava lá muito animado em voltar para sua rotina sem Meg, e estava engolindo suas palavras para não dizer o que realmente estava querendo.
- E então, , de alta, hum? - Ela finalmente conseguiu dizer em tom brincalhão.
- É, parece que sim... - Ele deu de ombros pouco se importando.
- Achei que estaria feliz por finalmente se livrar de mim. - riu de sua brincadeira, mas o rapaz ficara sério. - O que foi? - Questionou assim que percebeu que o garoto não a acompanhara nos risos.
- Não quero que tenha essa idéia de mim, . - Ele respondeu sério, seus olhos fixos na menina a frente.
- , sabe que estou só brincando! Você se superou, garoto. No início é claro que achei que você devia ser um pé no saco, mas depois... Ah, depois você se mostrou um ótimo cara, e se me permite, já o considero muito, a ponto de dizer que estamos no caminho de uma bela amizade! - Ela exclamou não fazendo idéia de de onde viera todo aquele sentimentalismo e afeto para com o rapaz.
No instante seguinte ficara em silêncio com a expressão séria, fazendo pensar que ele não pensava da mesma forma que ela, mas então o rapaz sorriu. Um sorriso discreto de alguém que há algum tempo já não sorria, e que talvez até tivesse desaprendido a fazê-lo. Seu sorriso era sem jeito, como se seus lábios não fossem preparados para aquilo.
suspirou aliviada com o gesto, realmente começara a considerar bastante a companhia do rapaz na ultima semana.
- Pois bem, não parece estar muito animado com a ideia de sair daqui... - prosseguiu com seu pensamento.
- Tanto faz... - murmurou sem ânimo algum. - Acho até que vou sentir falta das nossas conversas diárias... - Suspirou se sentando na beirada da cama.
- Não seja por isso, me passa seu telefone e endereço que resolvemos o problema! - A garota exclamou brincalhona, e até conseguiu arrancar uma risada de .

Os dois ficaram conversando uma ultima vez naquele hospital enquanto esperava que seus pais viessem buscá-lo. Por alguns dias ele passaria com sua mãe lhe paparicando, apenas para ter certeza de que ele ficaria realmente bem mais tarde, o que particularmente deixara um pouco menos receosa com relação ao rapaz estar saindo do hospital.
Às cinco e quinze da tarde o senhor e a senhora chegaram radiantes para buscar o filho.
foi embora sem olhar para trás ou fazer questão de despedidas muito longas, o que deixara um tanto confusa. "Mas o que há com esse garoto? Seu humor oscila mais do que o meu quando estou de TPM!" ela pensou revirando os olhos para si mesma, talvez já não fosse mais problema dela o que acontecia com .
A garota voltou ao quarto do rapaz para dar uma ultima olhada e ter certeza de que ele não havia esquecido nada no local, foi quando viu um pequeno pedaço de papel em cima da mesinha de cabeceira do quarto. Curiosa como só ela e tendo certeza de que aquilo não estava lá antes dos pais de chegar, ela examinou o papel e riu.

"Espero que cumpra sua promessa e me ligue ou venha me visitar,
estarei na Rua Lenfert edifício 1024 - apartamento 53..."

O telefone e celular do rapaz estavam logo abaixo do endereço, o que fez a menina rir desacreditando.
Ela havia conquistado a confiança daquele rapaz, afinal.

' Sete.


Uma semana havia se passado desde o dia em que saíra do hospital. não tivera tempo de fazer uma visita ao seu mais novo amigo, mas ligara para o rapaz umas duas vezes na semana podendo perceber o entusiasmo da parte de . No meio da semana o garoto já se encontrava em seu apartamento, e aparentemente aquilo o havia deixado novamente sem ânimo algum, e sem perceber deixava isso transparecer em sua voz, o que não passou despercebido por .
Era uma tarde de sexta-feira quando a garota resolvera ligar novamente para , queria saber como estava sendo morar sozinho em seu apartamento novamente... Uma, duas, três chamadas que ele não atendera, o que deixou preocupada e com certos pensamentos na cabeça, ela sentia que algo estava errado.
Tentou falar com o rapaz mais algumas vezes, mas o resultado era o mesmo, depois de alguns toques, a ligação caía na caixa postal.
bufou.
- Mas o que diabos aconteceu, ? - Ela se perguntou enquanto se arrumava para ir embora do hospital depois de um dia inteiro como voluntária.
Enquanto pensava ela pegou o pequeno pedaço de papel que lhe deixara, e com um suspiro decidiu que daria uma passada no apartamento do rapaz para se certificar de que tudo estava bem.

A menina pegou um táxi e mostrou o endereço ao motorista que prontamente a levou ao local, que não era lá tão longe do hospital. Teve certo problema para conseguir entrar no prédio, mas ao ver a preocupação estampada em seu rosto foi fácil convencer o porteiro a deixá-la subir para o apartamento.
esperou pelo elevador com o máximo de paciência que sua ansiedade por ver seu novo amigo bem permitia. Para falar a verdade não fora fácil controlar o impulso de subir pelas escadas, e ela apostava que ainda chegaria primeiro que o elevador ao seu andar desejado, mas a fadiga falou-lhe mais alto, e ela esperou impaciente.
Quando finalmente chegou ao andar desejado ela correu para a porta do lado esquerdo do elevador, o número 53. Tocou a campainha, bateu na porta, chamou por , gritou seu nome, mas nada de alguém atendê-la.
bufou e ligou para o celular do rapaz que tocou do lado de dentro do apartamento solitário, sem que ninguém atendesse.
Foi então que o desespero e a preocupação tomaram conta da garota. Ela passou a quase socar a porta e a berrar por , sem receber resposta alguma do lado de dentro do lugar. A menina já estava cansando quando ouviu alguém às suas costas.
- Quem é você? - Um rapaz alto e magro perguntou assustado para .
- ... - Ela respondeu se voltando ao rapaz com cara de desespero.
- Hum, certo... E o que você quer com o ? - Perguntou com olhar desconfiado.
- Fiz companhia à ele no hospital, e... Eu liguei para ele, mas ele não atendeu, e aparentemente não saiu de casa também.
- Certo, sou David, e estou aqui pelo mesmo motivo que você... O não atendeu nem retornou aos meus telefonemas... Não conseguiu nada aí? - O rapaz perguntou batendo ele mesmo na porta com certa força.
- Não... - murmurou já aflita.

Depois de muito insistirem e não conseguirem resultado, David resolveu chamar o síndico do prédio e pegar a chave extra do apartamento de . Com muita relutância o síndico foi até o apartamento e abriu a porta para os dois amigos adentrarem o lugar com desespero.
Não foi preciso ir muito longe para descobrir por que não atendia aos telefonemas e nem retornava as ligações, ele estava jogado no sofá da sala com um ar estranho, os olhos fora de órbita, o corpo mole.
correu ao seu encontro, e encontrou na mão esquerda do rapaz um vidro de comprimidos completamente vazio.
- Merda , o que você fez?! - Ela exclamou com pavor.
David e o síndico ficaram sem ação por um instante, o que poderiam fazer?
- Alguém chame a ambulância, por Deus! - se irritou com a falta de ação dos dois, e ordenou. O síndico pegou seu celular e discou o número da emergência. - David, procure por um balde, ou me ajude a levar para o banheiro! - Ela voltou a exclamar, e o rapaz resolveu que pouparia tempo se o levassem para o banheiro.
Com todo o sacrifício e esforço, David e fizeram colocar para fora tudo o que ele havia colocado no estômago na ultima hora, o que parecia um coquetel de remédios.

sentou ao lado do corpo inerte de no banheiro, seu coração estava acelerado de susto e preocupação, olhou na direção do rapaz e percebeu que ele abria os olhos com lentidão. Os olhos do garoto com dificuldade conseguiram focalizar o rosto da nova amiga, e lágrimas brotaram de seus olhos.
- , vai ficar tudo bem... - Ela murmurou tentando acalmá-lo.
- Por que...? - Ele tentava dizer alguma coisa com coerência, mas aparentemente não conseguiu, então, tudo o que pronunciou foi Meg.
- Shhh, tudo vai ficar bem, você vai ver. - E dizendo isso a menina o abraçou também com os olhos marejados.

' Oito.


Mais uma vez se encontrava no quarto de um hospital um tanto dolorido, não se sentia nada bem, só não sabia se isso era por causa da quantidade de remédios que havia tomado, ou se era por causa da depressão que lhe batia a porta.
- , cara, como é que você faz uma coisa dessas?! - Era David quem exclamara no mesmo instante em que percebera que o amigo havia despertado.
- Dave? - ainda estava confuso com o que havia acontecido. - Então eu não tô morto... - O murmúrio foi mais que um lamento.
- Droga, cara, você nos deixou preocupados! - Dave ainda reclamava andando de um lado para o outro do quarto.
- Nos deixou preocupados? - repetiu dando ênfase na primeira palavra, quem mais além de Dave ele havia preocupado? Foi então que percebeu alguém encolhido na poltrona no canto do quarto, . - Droga. - Deixou escapar quando entendeu.
- É meu rapaz, teve sorte dela ter chegado a tempo de te ajudar, eu fiquei apavorado! Se não fosse ela você teria passado dessa para melhor. - David parou analisando a situação, realmente não saberia o que fazer se estivesse lá sozinho.
Com toda a agitação de Dave no quarto acabaram acordando de seu cochilo.
- O que foi? - Ela murmurou ainda um pouco sonolenta e confusa, demorou um pouco até se lembrar do motivo de estar no hospital em plena madrugada. - Aconteceu alguma coisa? - A garota deu um pulo da poltrona preocupada.
- Nada, só que o aqui finalmente acordou. - David apontou para o amigo que tinha a expressão séria. - , será que poderia tomar conta do nosso amiguinho aqui por um instante? Vou comprar alguma coisa para comermos. - O rapaz perguntou apalpando o bolso da calça procurando por sua carteira.
- Claro, vai lá. - Ela sorriu mais tranquila e sonolenta.

David saiu do quarto contando o dinheiro que havia encontrado.
O lugar caiu num silêncio um tanto irritante, encarando o perfil de , e encarando um ponto fixo na parede adiante. A menina se sentiu como nos primeiros dias que passara com ele, se sentia como uma intrusa.
- Por que fez isso? - finalmente quebrou o silêncio.
- Fiz o quê? - A garota perguntou confusa.
- Por que não me deixou morrer? - Explicou sério.
ficara sem resposta ou ação. Ele preferia estar morto agora, que ótimo.
- Eu só fiz o que era certo, . - Ela finalmente conseguiu dizer.
- E quem te disse que isso era certo? - O rapaz parecia magoado e raivoso.
- , mas o que é que há com você?
- Minha namorada está morta por estupidez minha, sou um idiota egoísta e eu é que deveria estar morto, não ela. - Ele fora ríspido ao dizer aquilo tudo.
Mais uma vez caíram no silêncio, completamente desacreditada e magoada, bem queria dizer uma poucas e boas para o rapaz, mas não era o momento e nem o melhor para a ocasião, então apenas suspirou, respirou fundo e se levantou.
- Ótimo , não precisa se preocupar, da próxima vez que quiser fazer isso, pelo menos por mim garanto que ninguém vai tentar te impedir. - Seu tom era duro e ressentido. - Tenha uma boa noite Senhor . - Ela murmurou com um pouco de raiva pegando suas coisas e se dirigindo à porta que foi aberta no mesmo instante por um David com sacolas cheias de tranqueiras comestíveis.
- Hey , aonde vai? - Perguntou confuso vendo a garota com sua bolsa saindo pela porta.
- Pra casa, vai ficar muito bem sem mim por aqui. - Ela respondeu sem olhar para Dave que ergueu a sobrancelha sem entender.
- Certo, então com quem vou dividir toda essa comida? - Perguntou depois de certo tempo tentando assimilar os acontecimentos.


estava no elevador esperando que o mesmo chegasse ao térreo com uma expressão nada amigável.
- Hey ! - Elliot - um dos enfermeiros da ala infantil - embarcou no elevador sorrindo para a garota que retribuiu não muito feliz. - O que houve? - Perguntou apertando o botão para a ala de cirurgias.
- Nada. - A menina respondeu dando de ombros.
- Não parece ser nada. - Elliot murmurou voltando-se para a colega. - Hey , você está pálida! - Ele exclamou surpreso.
Até o momento não havia sentido nada de diferente em especial, só uma tonturinha boba que sempre a acompanhava durante os passeios em elevadores, mais nada. Então quando Elliot mencionou começou a sentir outras coisas. Tontura, pressão, embrulho no estômago, mais pressão.
- ? , você está bem? - O enfermeiro estava ficando realmente preocupado.
- Eu... Eu estou bem Ell, não se preocupe. - Ela conseguiu murmurar com certa dificuldade.
A porta do elevador se abriu, e no instante em que o rapaz fizeram menção de descer em seu andar ouviu um baque as suas costas e quando foi verificar, lá estava caída, completamente inconsciente.
- Hey, alguém ajude aqui! - Exclamou ele segurando o elevador no andar enquanto enfermeiras adentraram as pressas o lugar para socorrer .

' Nove.


- Não acredito que disse isso pra ela! - David exclamou indignado com a atitude do amigo. - Quer dizer, foi ela quem te salvou e é assim que agradece?!
revirou os olhos, não estava muito a fim de discutir isso naquele momento.
- Cara, já pensou se eu não estivesse com vontade de ser salvo?
- Já, e pra falar a verdade você é um idiota por pensar assim. - Dave ergueu a sobrancelha. - Cara, a Meg se foi, acha que ela ia querer que você tentasse se matar a cada minuto? Porque se fosse o contrário, e ela estivesse tentando tirar a própria vida, você não ia gostar, ia?
- Não mas..
- Então fim de papo meu irmão. - Dave saiu do quarto sem dizer mais nada deixando com cara amarrada em sua cama.

era cabeça dura, disso até ele mesmo sabia, mas também sabia que havia agido mal com a garota que desde o acidente só estava querendo ajudar. Não havia sido culpa dela toda a briga que tivera com Megan, não havia sido culpa dela que sua Meg tenha morrido, nada tinha sido culpa de , ele só estava querendo que todo esse fardo e culpa não fossem tão pesados em sua consciência e por alguma idiotice estava descontando suas mágoas em cima de .
Estava disposto a pedir desculpas - novamente - por tudo o que havia dito na madrugada, sabia que não seria nada fácil convencê-la de que estava arrependido - de novo -, mas quem sabe não conseguia explicar a ela o que estava passando?

O rapaz esperou pela tarde, mas já suspeitava que não apareceria dessa vez. Uma garota pouco mais jovem que apareceu em seu lugar.
- Erm... Senhor , não pôde aparecer hoje, então vim substituí-la, se importa? - A garota murmurou um pouco acanhada. Com toda a certeza a impressão que havia passado nos primeiros dias naquele hospital chegaram até ela.
não se esforçou em responder com palavras, apenas acenou com a cabeça e continuou a assistir qualquer coisa na TV. Na verdade mal prestava atenção no que via, só conseguia pensar que finalmente havia desistido dele, e no começo seria uma ótima notícia para o rapaz, mas não naquele instante. Não queria que desistissem dele agora, precisava de alguém que o fizesse enxergar a vida como sua aliada novamente, não como seu carrasco. Precisava de apoio e talvez, de duros choques de realidade e encontrara em um alguém que poderia fazer isso com ele.
- Muito bem senhor , acho que não precisa de mim por aqui, parece estar bem... Concentrado, e não pretendo atrapalhá-lo. - Dizendo isso a garota que substituía se retirou cautelosamente do quarto.

Alguns minutos depois da saída da garota, parou pensando.
Como poderia falar com e pedir desculpas se ela aparentemente não iria dar as caras por ali, e ele não poderia ir a sua casa nem se quisesse, já que mal sabia onde ela morava?
Então se lembrou do que David havia dito enquanto esbravejava pelo amigo ter-lhe dado um susto tão grande: havia ligado várias vezes em seu celular tentando encontrá-lo.
Olhou para o lado, para um balcão que havia no quarto ao lado da cama, e constatou que seu celular não estava ali. Se xingou mentalmente, mas então resolveu ligar para David, ele saberia onde o aparelho estava.

- O que de tão importante tem nesse celular, ? - Dave questionou um tanto curioso.
- O número do telefone da . - O rapaz deu de ombros procurando pelo tal número. Encontrou facilmente, estava no topo da lista de chamadas perdidas, havia pelo menos sete chamadas daquele número, muito bem emparelhado com o número do celular de David.
colocou na discagem rápida e esperou. Um toque, dois, três... Sete toques depois a ligação foi redirecionada para a caixa de mensagens. desligou o telefone frustrado.
- Será que ela se magoou tanto que não quer atender a telefonema nenhum para se certificar de que não vai dar de cara com uma ligação sua? - David perguntou pensativo no mesmo instante em que Terry entrou no quarto para trocar as bolsas de medicamento de .
- Não, não faria isso, ela encara seus problemas, ela me encara. - concluiu, mas não estava assim tão confiante quanto aparentava.
- Erm... Desculpe me intrometer mas... Estavam falando da ? - Terry perguntou enquanto abastecia os medicamentos de .
- É, sabe onde ela está? - O rapaz questionou querendo uma resposta considerável.
- Cornélia não te disse? - Terry perguntou parando de fazer o que fazia.
- Ahn... Quem é Cornélia? - David perguntou pelo amigo que só fazia cara de interrogação.
- Ah, a garota que devia estar substituindo . Ela não disse a você porque estava aqui no lugar da ?
- Hum, na verdade ela quase não disse nada, só entrou, disse que era substituta de , mas logo saiu daqui. - deu de ombros vendo Terry revirar os olhos nada satisfeita.
- Ai, esses novatos. - Resmungou ela. - Seguinte meu querido, passou mal de madrugada e está internada agora.

Uma onda de preocupação e outra de culpa passou por , queria perguntar a Terry onde estava naquele instante, se estava bem, se podia ir vê-la, mas por algum motivo não conseguiu a coragem de fazer essas perguntas à mulher.
Ele a viu dar as costas pronta para sair do quarto, e suas esperanças de reunir coragem para perguntar onde ficava o quarto de o abandonaram, até que Terry parou em frente à porta e suspirou.
- está no quarto andar, quarto 403, penúltimo do corredor. Sugiro que vá de noite vê-la, agora ela está um pouco dopada. - A mulher murmurou dando de ombros e finalmente saindo do quarto.

' Dez.


A tarde passara rastejante na opinião de . Por que é que o tempo precisava passar assim tão lentamente quando se quer o contrário?
Às seis da tarde lá estava ele, de banho tomado e com uma aparência mais decente que no dia anterior. Não parecia que ele acabara de passar por uma lavagem estomacal e que estava no hospital em observação. Na verdade parecia que estava para sair em um encontro, tanto pela aparência quanto pela ansiedade que demonstrava.

- Cara, relaxa ou vai ter um ataque... - Dave murmurou erguendo a sobrancelha enquanto encarava o amigo andar de um lado para o outro.
- Pelo menos já estamos no hospital se isso acontecer... - Ele tentou ser engraçado, mas não dera muito certo. Soltou um risinho forçado e voltou a andar.
- Parece até que está para ter um filho...
- Não enche, David. - retrucou e o amigo apenas riu se divertindo.

Às sete e meia Terry voltou ao quarto de para trocar os medicamentos e riu quando viu o estado em que o rapaz se encontrava.
- Acho que já pode ir vê-la, garoto. - Sorriu vendo a expressão de expectativa do garoto a sua frente. - Ela está consideravelmente acordada.
- Sério?
- É, mas sugiro que vá logo e volte ainda mais rápido. - A enfermeira falou séria antes de sair.

sorriu empolgado por um instante, e então parou.
- Que foi? - David perguntou assim que percebeu.
- E se ela não quiser me ver, e se ela estiver cansada de ouvir as minhas desculpas? - Ele questionou aflito.
- Cara, é só uma conversa, você não vai pedir ela em namoro... Se ela não quiser te ver a gente vai embora e você tenta de novo amanhã, sei lá. - Dave deu de ombros.
- É, você tem razão. - respirou fundo e depois inspirou.

Dave riu do amigo, ele parecia ser um garoto de 15 anos indo para o primeiro encontro. Estava nervoso e ansioso. David só o havia visto daquela maneira - ou algo parecido - quando o amigo foi pedir pela primeira vez para que Meg saísse com ele.
Sorriu. Talvez o amigo estivesse se recuperando do trauma afinal. Talvez ele conseguisse superar Megan de alguma forma e voltar a ser feliz...
Os dois andaram em direção ao elevador e esperaram o mesmo chegar ao andar, entraram e apertou hesitante o botão do quarto andar.

- Cara, já disse para relaxar! Ela não é um bicho de sete cabeças, na verdade é você que é o dragão da história, meu amigo...
- Ah, obrigado por me lembrar disso, agora me sinto muito melhor, amigo. - retrucou olhando para o chão.
- Hey, lembra do que você disse ontem? Ela te encara, agora você é que precisa encarar ela.

respirou fundo no mesmo instante em que a porta do elevador se abriu no andar desejado. Ele estava se sentindo bobo agindo daquela maneira, como se ter o perdão daquela garota fosse a coisa mais importante para continuar vivendo. Não queria que tivesse uma ultima - mais uma - má impressão dele, havia acabado de se acostumar com a nova 'amizade', e queria poder desfrutar disso.
Quando os dois amigos chegaram em frente ao quarto 403, estacou encarando a porta fechada, estava nervoso, e nem sequer sabia o porquê. Estava pensando em desistir quando a porta se abriu revelando uma enfermeira que se surpreendeu ao ver dois rapazes parados na frente do quarto.

- Oh, vieram visitar a senhorita Hamps? - A mulher perguntou curiosa.
parecia ter perdido a fala e aparentemente a capacidade de responder a pergunta, então Dave apenas acenou com a cabeça positivamente.
- Ótimo! - Ela sorriu largamente e voltou-se em direção ao quarto murmurando alguma coisa. - Podem entrar meninos! - Ela disse antes de dar passagem e sair andando em direção ao quarto no final do corredor.

ficou parado encarando a porta aberta completamente imóvel.
- Ahn... , acho que é pra você entrar, amigão. - David murmurou cutucando o braço do amigo sugestivamente.
- O quê? Você não vai entrar comigo? - O rapaz perguntou assustado se voltando para Dave.
- Claro que não! É você quem deve desculpas, eu só estou aqui para apoio moral ou seja lá o que for... - Ele deu de ombros com a ultima parte.
- Heei, tem alguém aí ainda? - Ouviram a voz um tanto rouca de murmurar do lado de dentro do quarto.
- Hum, acho que ela tá esperando você, , entra logo.
- Não! Não posso entrar sozinho ali, eu... Eu... - tentava encontrar as palavras para se explicar.
- Para de bobeira e entra logo! - David exclamou e empurrou o amigo para dentro do quarto, fechando a porta assim que fez menção de sair.

***

olhou assustada para o rapaz que havia adentrado seu quarto, aparentemente sendo empurrado por alguém, e que tentava abrir a porta enquanto xingava baixinho. Ela ergueu a sobrancelha enquanto encarava completamente embraçado a sua frente. Sua expressão era sem graça e um tanto quanto assustada.
Já a expressão de que antes era de total surpresa pelo ocorrido, se fechou assim que identificou quem estava lá.
Um longo minuto de silêncio se passou entre os dois, séria e tentando achar palavras que fizessem sentido.
- Vai ficar aí me olhando feito bobo, ou vai falar alguma coisa? - A garota resmungou de má vontade.
permaneceu em silêncio sem saber o que dizer, pareciam que os dois haviam trocado de papeis, ele tentando ser sociável e ela tentando ignorá-lo, com uma diferença: Ela era muito melhor em se socializar do que ele.

o encarou esperando que ele falasse, mas parecia que demoraria um bom tempo até que ele achasse as palavras que queria.
A garota abriu a boca para resmungar alguma coisa quando começou a falar.
- Escuta, - ele disse percebendo a cara de surpresa dela, poucas vezes ele a havia chamado pelo apelido, se é que o havia feito alguma vez -, quero te pedir desculpas mais uma vez. Sei que fui um grande babaca agindo daquela forma com você, mas entenda que eu perdi a coisa mais importante da minha vida no ultimo mês, não é fácil superar isso...
- ... - A garota tentou falar.
- Não , deixe-me terminar, por favor. - Ele a interrompeu, e apenas esperou. - Eu sei que você está cansada de ter que me ouvir pedindo desculpas, mas se me der uma chance, uma única chance mais, prometo que não vai ter que passar por isso de novo, eu só preciso que me perdoe porque... - Ele fez uma pausa parecendo um pouco acanhado. - Bem, porque eu já perdi coisas demais por ora, não quero perder uma amiga, não sei se conseguiria suportar isso. - Ele respirou fundo quando terminou a frase, indicando que havia terminado o que tinha para dizer.
- , eu te desculpo. - Ela por fim disse.
O rapaz ficou encarando por um instante completamente perplexo.
- Assim, tão fácil? - Perguntou ainda a encarando.
soltou um risinho.
- Você não fez nada que deva se culpar.
- Eu te magoei, você salvou minha vida, e ao invés de agradecer eu fui um idiota com você!
- Bom, talvez você estivesse certo afinal, talvez eu não devesse ter salvo sua vida naquele dia, talvez você estivesse melhor sem mim na sua vida. - Ela deu de ombros como se não fizesse diferença.
- Não diz isso . Eu... Você está fazendo a diferença agora na minha vida, está me fazendo enxergar as coisas que eu não queria mas devo. Você e Dave são meus melhores e únicos amigos, sim, porque eu já a considero minha amiga. - Ele baixou o olhar sentindo-se um pouco constrangido ao dizer tudo aquilo.
suspirou.
- Mas talvez eu já não queira mais ser sua amiga, . Talvez eu esteja cansada de tentar te fazer bem e só receber pedradas da sua parte.
- Não, , por favor... - murmurou sentindo um nó em sua garganta se formar. - Escuta, não quero que desista de mim, não quero preder você assim como perdi a Meg, e isso certamente seria pior porque...
- Eu não estou morta, . E quer saber? Talvez eu esteja cansada de lutar por você e não ver resultado. - Ela não o encarava nos olhos, dizer todas aquelas coisas a estavam machucando, mas eram as verdades dela, por mais que ela não quisesse que fossem.
- Não desista de mim, . É só o que eu pesso. - Ele teve tempo de murmurar antes de Dave abrir uma fresta da porta.
- , a gente precisa ir, o horário de visitas está acabando e a enfermeira já veio me alertar... - Disse e depois encostou a porta.

O rapaz encarou com os olhos suplicantes, mas ela não o encarava, olhava para o lado tentando evitá-lo.
caminhou em direção a saída, e enquanto abria a porta murmurou baixinho:
- Boa noite . - E saiu sem esperar que ela respondesse, sabia que não responderia.
Definitivamente ele não queria dizer nem 'tchau', nem 'adeus' e nem qualquer outra coisa do tipo. Ele estava disposto a insistir, a não desistir dela... Ou melhor, estava disposto a insistir para que ela não desistisse dele.

' Onze.


encarava o médico enquanto ele lhe passava um sermão para que o que o levara até o hospital não o trouxesse novamente, o rapaz mal prestava atenção, na verdade não estava lá muito contente em saber que receberia alta naquele dia, queria ter mais um tempinho ali para ter a chance de 'topar por aí' com . ... Ela havia sido tão diferente em relação a ele na noite passada...
- Claro, queria o quê? Que ela te recebesse com pulinhos de alegria, ? - Ele lembrou de David lhe dizendo.
"Ok, ele deve estar certo. Não era uma boa hora, só isso." tentava se convencer realmente disso.

- Bem senhor , meu trabalho aqui termina agora. - O médico murmurou quase saindo do quarto quando parou à porta. - Hm, parece que tem uma ultima visita aqui no hospital. - Ele sorriu, e por um instante sorriu com ele.
Segundos depois, Cornélia adentrou o quarto da mesma maneira da ultima vez.
- Ah... - Soltou desapontado. - Oi Cornélia... - Murmurou sorrindo fraco.
A garota ia responder quando a porta se abriu de repente atrás dela, assustando-a.
- Corn, querida, pode passar para o próximo paciente, pode deixar que eu cuide deste aqui. - exclamou sorrindo e empurrando a colega de estágio para fora do quarto.
abriu um largo sorriso quando ouviu a voz de , sentiu-se feliz ao vê-la entrar no quarto e "tomar o lugar" de Cornélia.
A garota fechou a porta e se virou em direção ao rapaz com a expressão séria, o que fez esconder o sorriso quase que instantaneamente.
- E então, ? - Murmurou ela.
- Boa tarde, . - Ela tentou sorrir para ela, mas não foi retribuído.
- Você é um grande babaca, ! - Ela resmungou cruzando os braços enquanto falava. - Eu salvo sua vida e você joga na minha cara que preferia estar morto! - bufa, seu rosto estava um tanto corado, mas não de vergonha, de raiva.
- Eu já pedi desculpas... - O rapaz murmurou baixando o olhar, parecendo um garotinho levando bronca da mãe.
- Ah, claro que pediu! Mas eu devia mesmo era te dar as costas, ir embora pra nunca mais te ver.
- Então o que está fazendo aqui? Veio só jogar na minha cara de novo que não quer mais ser minha amiga? Que devia ter me deixado morrer? - Agora ele também estava irritado, o que raios aquela garota queria?

Um instante se passou em silêncio, até que murmurou baixinho.
- Eu disse talvez... - Disse baixando o olhar dessa vez, apenas a encarou confuso. - Eu disse talvez eu não queira mais tentar ser sua amiga. E talvez nunca é uma certeza, . - Ela deu um risinho deixando o rapaz a sua frente completamente confuso. - Sabe, eu tô mesmo cansada de receber pedradas de você, de ser chutada a cada tentativade conforto...
- Então o que está fazendo aqui? - Ele resmungou mais uma vez.
- Hm... Acho que sou masoquista. - Deu de ombros. - Ou talvez eu só te ache um desafio, e eu adoro desafios complexos. - Ela sorriu se aproximando de , que sem ter ao menos percebido estava sorrindo junto.
Ela não ia desistir dele afinal, era uma garota completamente maluca algumas vezes, mas ele se sentia bem ao seu lado. Não deixou de sorrir para ela naquele instante porque queria deixar transparecer bem o que a presença de significava para ele.
- Onde está David? - A garota perguntou percebendo a ausência do amigo de .
- Está atrasado... - O rapaz respondeu fazendo careta de desagrado.
riu com a informação enquanto pegava alguns pertences de e se dirigia à porta.
- O que está fazendo?
- Vamos, , podemos encontrar David no caminho. - Ela piscou animadamente, o que fez rir e a acompanhar para fora do quarto de hospital.


- Ah Deus, como é bom ver vocês dois em pé e... Bem. - e ouviram David exclamar assim que a porta do elevador se abriu no térreo.
- Oi pra você também, Dave. - sorriu radiante.
- Oi Dave. - cumprimentou o amigo com um sorrisinho acanhado.
- Certo, precisamos comemorar isso! - David exclamou ao mesmo tempo que apontava para os dois amigos. - Vocês dois recuperados e ainda se falando? Com toda a certeza merece comemoração!
O rapaz continuou a falar milhares de coisas que precisavam comemorar fazendo e rirem tentando falar alguma coisa, obviamente em vão, já que Dave estava tão empolgado em ver os dois amigos juntos novamente, que mal ouvia as coisas ao seu redor.



N/A: Aaah, desculpem a demora! D:
Eu tive um bloqueio de criatividade, sabem como é, né? Esse capítulo - apesar de muito confuso - foi o que eu mais gostei de escrever, sabe, essa coisa de reconciliação e tudo mais me empolgam AUSHUIAHI
O próximo capítulo já está saindo, então acho que a próxima att sai mais rápido *-*
Ount, tem gente nova lendo! xD
Espero que gostem e continuem comentando!
Beijos!



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